quinta-feira, 16 de abril de 2009

Consagração ou compaixão?


Britains Got Talent 2009 Susan Boyle 47 Year Old Singer
Enviado por kj1983

Quando postei aquele vídeo adorável dos meninos fazendo a dancinha do Daft Punk, um leitor anônimo resmungou que tratava-se de "notícia velha, vídeo antigo". Então, desta vez vou me redimir postando sem demora o vídeo-coqueluche da semana: o de Susan Boyle, uma aspirante a cantora que causou sensação no programa Britain's Got Talent, espécie de American Idol inglês.

Não tenho estofo para comentar a performance de Susan, mas é evidente que a comoção gerada tem pouco a ver com os dotes vocais da jovem senhora. O buraco é mais embaixo: a candidata foi inicialmente recebida pelos jurados e pelo público com má vontade e risinhos jocosos, pelo simples fato de que não se enquadra nos padrões de beleza vigentes (Susan parece encarnar aquele típico "loser da vida real", que as comédias inglesas exploram à exaustão). Mas, quando ela começou a cantar, eis que o marreco virou cisne: todos os presentes se emocionaram, visivelmente pegos de surpresa. Não pareciam dispostos a dar uma chance a ela, porque era feia, malvestida e desengonçada, mas acabaram deixando os julgamentos de lado e ovacionando o número, que ganhou nota máxima dos jurados, num final edificante, que deve ter dado orgasmos à produção do programa.

O vídeo está tendo uma mega repercussão: enquanto digito este post, foram mais de 12 milhões de acessos no YouTube (até meu chefe, que costuma ser o trigésimo oitavo elo na cadeia de transmissão de hypes, já assistiu). A maioria dos comentários é de pessoas que se mostram encantadas com a vitória de anti-herói protagonizada por Susan: no blog do Tony, por exemplo, o leitor André Luís Aquino fez um desabafo longo e emocionado. Mas há quem enxergue a coisa com senso crítico. Afinal, Susan deveria ter sido tratada como uma candidata qualquer e valorizada por seu talento - não com misericórdia e compaixão, que não deixam de ser formas de preconceito às avessas contra quem está fora dos padrões. É o que defende Rubens neste post, e neste outro também, fazendo um contraponto bastante interessante. [UPDATE: também recomendo que não deixem de ler este fantástico post, de longe o melhor sobre o "caso Susan"].

13 comentários:

Daniel disse...

Susan Boyle é tãããão terça-feira!
;)
brinks

Rubens Oliveira disse...

É vc que está mandando acessos para o meu blog e com gente me xingando, né? HAHAHAHAHAHA

Ah, o Andre Luis Aquino deixou o mesmo post meloso no meu blog.

Ainda não entendi o propósito de postar isso em tudo quanto é canto, mas aceitei e tá lá pra quem quiser ler.

isadora disse...

Gostei do vídeo, Thiago. Nem considero a senhorinha feia, ela é compatível com uma senhora inglesa de 47 anos qualquer. Fiquei passada porque ela tem uma postura toda curvadinha, fechada, vozinha fraca, que não condiz nem com a coragem de se expor daquele jeito, nem com a performance que ela fez. Não é misericórdia e compaixão, isso eu iria ter se ela fosse escorraçada, ou nem isso. Achei a mulher surpreendente e é o que conta nesses programas - nem gosto do tipo de música que costuma aparecer neles, prefiro passar longe de considerações estéticas. Mas que a senhorinha é uma personagem, é.

Diógenes disse...

Um amigo meu sempre "brinca" dizendo que se estivermos em um grupo, entre os integrantes um gordinho, e alguém solta um pum, todo mundo põe a culpa em? É engraçado. E ridículo.

luka disse...

Mas a surpresa faz parte do show. O que chamou atenção foi justamente o cala boca. Agora ela tem o peso do favoritismo e várias etapas pela frente.
E que chato também análise critica da emoção, se isso for possível. Onde foi tratada com misericórdia e compaixão? Muito pelo contrário. Cara feia e torcida contra. Foi lá e deu show, contra o descrédito de gente chata. Esnobou e se não ganhar, fod...se! Já tá convidada para a Oprah, tsá?

Anônimo disse...

Dá um tempo né? Agora vai ter um monte de post explicando socio-antropo-k ralho-a4 a apresentação dela. Concordo plenamente com o Luka acima. "Cara feia e torcida contra. Foi lá e deu show". That´s it. Period.

ANDRÉ MANS disse...

nada mais que um tapa na nossa hipocrisia, preconceito e retardamento em relação ao que deve ser a vida na essencia do que ela é. lição e ponto.

Tony Goes disse...

Dizer que Susan Boyle deveria ser julgada apenas por seus dotes vocais é hipocrisia. Madonna, por exemplo, se dependesse só da voz nem teria sido cantora. Anda mais num programa como o "Britain's Got Talent", o contexto é tudo: a história pessoal de cada participante, o "drama", a vitória, a superação, o lcichê completo. Pode-se questionar o bom gosto da empreitada toda, mas que ela funciona, funciona.

whateveeer disse...

Acho que esse post é o melhor sobre o caso: http://www.cinemaemcena.com.br/pv/BlogPablo/post/2009/04/17/Susan-Boyle-e-a-realidade-do-show.aspx

Loreta Martins disse...

Sentir compaixão pelos outros é pecado? Fica a pergunta.

Tino Monetti disse...

Adoro seu blog, Thiago! E ando apaixonado pela Susan Boyle... Um beijão e boa quinta-feira!

Renato disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Renato disse...

Ontem Paul Potts, hoje Susan Boyle...

http://www.youtube.com/watch?v=Cb3ozrg1PWo

É bacana ver estas histórias, dá um nozinho na garganta até, mas como tenho sempre os dois pés atrás com TV, fico aqui imaginando os produtores tendo orgasmos múltiplos e dizendo: deu certo!

Seria muito bacana se estas coisas nos fizesse repassar certos valores, mas sinceramente acho que não acontece...logo vem o próximo hype...