quarta-feira, 22 de julho de 2009

Viva a fé-dé-ração só-té-ró-pó-litana

A Lei de Murphy é mesmo implacável. Fazia quase um ano que minha audiência em Salvador estava para ser marcada. Poderia ter sido em qualquer um dos oito meses em que a cidade é puro sol, mas não: tinha que cair justo no auge do inverno, quando o tempo fica invariavelmente chuvoso. Já cheguei preparado para o pior, mas até tive um pouco de sorte. Entre um toró e outro, peguei algumas horinhas de praia e consegui ver um pôr-do-sol [foto acima] logo antes de voltar para o aeroporto.

Além de cumprir minha agenda de trabalho, matei a saudade dos amigos só-té-ró-pó-litanos e me atualizei sobre o que mudou na capital baiana de 2007 para cá. Nos dias nublados, as bees vão bater perna no novo Salvador Shopping (não fui conhecer; por fora, ele é todo bonitão e imponente). Antes da balada, o esquenta oficial é o bar Marquês, um charmoso casarão antigo na Barra, com detalhes em estilo art nouveau. Há poucas mesas e o povo toma seus drinks em pé mesmo, mais ou menos como no nosso Ritz, ao som de uns electros fofos e divertidos. A luz baixa e o clima bem informal favorecem os contatos com gente nova.

Depois, o destino ainda é o mesmo de sempre: a Off Club. Mas a boate sofreu uma maxi-reforma e ficou irreconhecível. O espaço físico da casa está bem melhor aproveitado. Agora a pista é só no térreo; o mezanino não tem mais aqueles cantinhos abusados onde a gente levava fio-terra e papanicolau. As cabines acolchoadas embutidas na parede ficaram ótimas. No sábado, o clube hiperlotou para ouvir um DJ novinho do Rio de Janeiro, de cujo nome não me recordo (só sei que ele dublava todas as músicas na cabine, tipo o Offer Nissim, mandava beijos e acenos, e marcava a virada das músicas com inusitados golpes de karatê). Um passarinho verde me contou que Salvador ganhará um novo clube gay dentro de 2 ou 3 meses.

Na barraca Marguerita, na Praia do Flamengo, os bofes continuam bons (e as tatuagens, cada vez mais medonhas). Encontrei um casal amigo de São Paulo e fomos jantar no classudo Trapiche Adelaide, o primeiro dos restaurantes bacanudos do Contorno, com aquela vista incrível da Baía de Todos os Santos. A comida estava apenas OK - só o carpaccio de polvo era realmente especial. Nem sempre as melhores refeições em Salvador são as mais caras: o melhor pudim de leite condensado do mundo, por exemplo, continua custando módicos R$2 na Cubana, ali no Elevador Lacerda. Também fui conhecer o novo La Lupa (de que falarei num post separado) e perdi a linha (como sempre!) na Doces Sonhos da Vitória. Morram comigo: duas camadas de pão-de-ló com uma camada de pudim de leite condensado no meio, cobertura de doce de leite condensado e morangos fatiados! Pena que o bolo sai de cena no dia 27, quando termina o Festival do Morango.

Com quatro visitas no currículo, ainda acho dificílimo entender o yakissoba viário que é Salvador, com suas avenidas sinuosas e idênticas (a Centenário é igual à Garibaldi, que é igual à Vasco da Gama, e por aí vai). Ao mesmo tempo, me sinto cada vez mais familiarizado com as pessoas e os lugares de que gosto. Vira e mexe, eu me pego pensando quando é que finalmente irei conhecer o Carnaval de lá. Por um lado, me atraem o alto astral e a possibilidade de beijar o maior número de morenos dourados que já vi na vida. Por outro, depois do desconforto da última Parada Gay de São Paulo, não sei se estou disposto a encarar grandes aglomerações de rua, sem conforto e segurança. Isso sem falar que a Parada de SP dura cinco horas - e o Carnaval baiano, cinco dias. Vamos ver o que eu decido até lá.

15 comentários:

Ruy disse...

Não conheço Salvador, mas tenho muita curiosidade.

Quanto ao carnaval um amigo que tenho vai todos os anos e diz qu todas as pessoas (inclusive as que odeiam carnaval) precisam conhecer. Suspeito...

David® disse...

Vejo que vc sofre do mesmo mal que eu...rs...só de ler a descrição do doce minhas "crianças" já acordaram.

ah...obrigado tb pelas outras dicas aqui em SP.

Um abração!

Anônimo disse...

Thiago,
vc precisa conhecer o restaurante PARAÍSO TROPICAL em Salvador!!!
Uma inusitada e verdadeira experiência gastronômica naquela cidade...estive lá no feriado de 09/julho e fiquei passado com os sabores daquela comida.
Todos os ingredientes q eles usam na cozinha são cultivados na fazendo do dono do restaurante. O chef veio nos cumprimentar a mesa, explicar sobre os ingredientes inusitados e perguntar se tínhamos gostado da comida.
E o grand finalle? a sobremesa. Frutas regionais servidas num belissimo cesto de cipó, perfeito.
A conta da experiencia gastronômica R$ 200,00 (estavamos em cinco amigos).

um grande abraço,
Alex Bez

No geral achei os homens (heteros) lindos e os gays??? nada de excepcional...

Introspective disse...

Alex Bez: todo mundo adora esse Paraíso Tropical! sempre fico de ir lá e nunca consigo! deve ser bem gostosa a experiência de ir comer na chácara do cara!

André Mans disse...

conheço uma trupe que é rato de Salvador que o Carnaval lá é mil vezes mais seguro e um milhão mais belo que a Parada Gay de SP... Beijo pra vc!

Diógenes de Souza disse...

Eu sei que é absurdo: Salvador é a quatros horas daqui e eu nunca pus meus pés lá. Todo mundo que conheço já foi uma evz na vida, mas eu nunca consigo encaixá-lo na minha agenda, digamos assim. Irei em setembro, mas, se conseguir chegar com muita antecedência para o vôo que me levará a Curitiba, talvez vá pelo menos comer uma acarajé. Suas dicas são sempre ótimas!

beto disse...

gosto muito de salvador!
das 5 capitais nordestinas que conheço, só perde para Natal, na minha humilde opinião.

o trapiche adelaide vale pela vista. de resto, acho caro e genérico. melhor só tomar um drink fora do horário de refeições e comer em outro lugar. o equivalente baiano de ir ao bar da piscina do hotel unique!

anos atrás adorei o paraíso tropical, os sucos de fruta congelados (quase um sorvete) em especial. mas é no fim do mundo, achei que tinha aberto um similar em local mais acessível.

tb achei a off fisicamente bem melhor depois da reforma. mas se vai abrir um lugar novo... ou a off fecha, ou o novo mica... duvidoso ter público pra manter os 2.

sobre segurança no carnaval de salvador, o problema se resolve ao comprar abadá e ficar 100% do tempo DENTRO da corda... na pipoca, é chateação (no mínimo) na certa. triste, mas realidade. o carnaval de salvador é o apartheid brasileiro em seu apogeu.

Anônimo disse...

Oi, adoro seu blog e gostaria da sua opnião sobre o texto abaixo. Vc e outros me inspiraram. abs. Claudio


Sou BoBo de carteirinha


Meu amigo imaginário Riq (site viaje na viagem) – já havia dado a dica. O Hotel/Restaurante BoBo (Buenos Aires) é tudo de bom ( tipo daqueles que já ganharam prêmios e tal).
Então lá fui eu conferir. Lugar muito aconchegante. Tem mesas acompanhadas de sofás perfeitos para se jogar. Som ambiente na medida (comer bem, ouvindo boa musica, se incluir sexo, vira sonho...), mas voltando ao que interessa.

Após ler todo o cardápio, sem me decidir, me veio a lembrança que gente fina (ai que medo), sempre pede uma recomendação ao maitre/garçom. Então não me fiz de rogado:

Eu: O que você sugere como prato principal? (falando português porque... lá pode)
Ele: o ceviche está ótimo
Eu: é esse então {pensei: break my face. Tradução: me fodi}. Eu nunca havia comido. Sabia que ceviche era algo com peixe (cru?), mas qual peixe seria servido? (afinal é um prato de origem peruana, porém servido em BsAs).

Ai gata muitas dúvidas.

A entrada que eu havia escolhido (sozinho), estava deliciosa (uma salada verde enrolada numa folha {roxa}, com um molho saboroso na medida.

Enquanto tomava calmamente meu delicioso CHARDONNAY, não me saia da cabeça: que porra de prato principal eu havia escolhido?.
Relaxem queridos, o tal do ceviche estava, para minha grata surpresa, maravilhoso.

Como todo bom filme tem continuação (lembra do Rock I, II....? figa, pé de pato, mangalô - 3 vezes) era chegada a hora da sobremesa.
E agora? Fui salvo pelo meu mantra universal: tá dentro deixa...
Chamei o garçom fiz cara de fino {?} aquela de quem freqüenta o Fasano (do Rio de Janeiro, tá meu bem, parquinho do ricos e celebres) e mandei ver:
E a sobremesa alguma indicação?

Ele: torta de peras com massa mil folhas acompanhada de helado de vainilla (sou bilingüe, querida)
Eu: Adoro!!!

Resumo: O ambiente é dez. O serviço é dez. A comida é dez.

E o síndico manda avisar: Manda imprimir minha carteirinha do BoBo que eu quero mais é bater ponto lá.




Anota ai: Guatemala 4882 – Palermo Soho – Buenos Aires

Introspective disse...

Claudio: Minha opinião sobre o texto? Bom, adorei a brincadeira que ele fez no título, "BoBo de carteirinha"! No mais, acho que eu teria feito um pedido mais substancial: comeria o ceviche como entrada, e depois partiria para uma carne, ou no mínimo um bom risoto. Pagar caro para comer salada de folha roxa não é comigo... ;^)

Fábio Lima disse...

Thi,
Tive que me manifestar qdo vc falou de Salvador. Sou carioca e não troco o Carnaval de Salvador por nada nessa vida. A energia da cidade nessa época do ano é simplesmente fantástica, contagiante. Já fui a cidade quatro vezes, porém nunca fora do período da maior festa. Estive na Parada ano passado e na boa...decepção! (fora as festas, maravilhosas) Dois do donos do Marquês são meus amigos. Qdo vi esta foto no blog lembre de uma foto q tirei em 2006... Simplesmente perfeita. AMO aquela cidade!! PS> to sempre por aqui... Abraço ae...

Mel Oliveira disse...

Thi, acho que eu sou mesmo suspeita para falar sobre o carnaval de salvador! Já enchi tanto seu saco pra vc vim curtir isso aqui, que nada melhor do que deixar seus amigos/leitores falarem por mim! Eles, com certeza, muito mais que eu, conhecem bem o carnaval gay da bahia! Um xeru!

Baiano disse...

Thi-a-go!
Eu não acredito que você veio aqui e ainda não nos conhecemos!
Mais um finde a mais e vc pegava uma festa maravilhosa, a SINS no Gengibre, Bahia Marina (sim, tem uma festa esporádica gay friendly no Bahia Marina aqui)
Vou lhe adicionar no orkut, viu? rsrsrs
abração baiano

André Mans disse...

ai q vontade q dá!

João disse...

O texto tá bacana, você finalmente aboliu aquela expressão que não se aplica aos baianos. Amém! Só tenho um senão, as avenidas citadas nada têm a ver uma com a outra. A Centenário, por exemplo, foi recentemente reurbanizada com parques, pistas de coopers, nova iluminação, ao seu lado vêem-se prédios elegantes, enquanto a Vasco da Gama é aquela avenida feia, cheia de casebres ao lado e sempre congestionada. A Garibaldi, realmente, lembra a Centenário! Beijos apimentados e com dendê!

Durval disse...

Paulo comenta....

Carnaval em Salvador é simplesmente imperdível....o clima fica bastante solto entre as pessoas e se voce souber escolher os locaos certos de ficar vai ver muitas coisas interessantes passando ou parando em sua frente com um molejo gostoso na cintura e um olhar malicioso, com gosto de " vem comigo ". Alias , passo todos os carnavais em Salvador e raramente vejo violencia, pois não canalizo esta energia para não estragar a festa. Venham e, mais venham com tudo para provar o que os baianos tem.