sábado, 22 de agosto de 2009

Todo dia ele faz tudo sempre igual

Só DEUS sabe o quanto me custou sair da cama às oito horas da manhã deste sábado gelado de inverno, para bater minha vitamina e ir expiar meus pecados na academia. Durante a semana, é pior ainda: como trabalho durante o dia e estudo à noite, para ter tempo de treinar eu preciso acordar às 6h - sendo que nunca consigo ir dormir antes da meia noite e meia. Procuro não parar muito para pensar, assim não desanimo diante de tanto sacrifício.

De onde eu tiro força e pique para isso? Não tenho nenhum truque na manga: nem efedrina, nem catuaba, nem supositório de wasabi. O que me faz investir horas preciosas do meu sono, do meu já escasso tempo livre e da minha vida é um ideal de beleza. Um ideal veiculado pela mídia, incensado pela pornografia, alimentado pela publicidade, movimentado por toda uma indústria, multiplicado por Ipanema e cultuado pelo meio gay. Um ideal que eu assimilei completamente, desde o desabrochar da minha sexualidade, a ponto de passar a considerá-lo como o único padrão desejável, na medida em que ele passou a orientar a minha libido e interferir de forma determinante na construção da minha própria identidade.

Hoje, aos 31 anos, ainda passo uma parte significativa da minha vida social em um mundo que gira em torno de baladas, festas, praias, corpos, flertes, fodas. E que mantém aceso esse ideal. Por enquanto, pagar de gatinho no verão e garantir um Carnaval sexualmente atribulado são preocupações com as quais ainda estarei sintonizado por algum tempo. Até mesmo porque elas têm um papel crucial na minha autoestima. Mas já começo a predizer uma mudança de mentalidade que virá pela frente na minha vida. A atividade física certamente continuará sendo importante, em nome da saúde e do bem-estar, mas o peso do tal ideal de beleza diminuirá. E, com isso, a tendência será que eu busque outras alternativas para me exercitar.

Deixando de lado os inegáveis benefícios na hora de arranjar parceiros sexuais, a verdade é que puxar ferro é uma atividade física burra e de perspectivas bastante limitadas. Você pode recorrer aos florais de barbie e turbinar seu ganho de massa muscular para além de suas limitações naturais ("quem cresce natural é planta", dizem os maiorais do supino). E só: todo o seu ganho pessoal se resume a quantos milímetros a mais você inchou. E esses ganhos evaporam no primeiro deslize. A musculação é mais ingrata do que a Maria de Fátima de Vale Tudo: duas semanas parado já detonam o resultado de meses de suor e sofrimento. E aí, o jeito é voltar... a fazer tudo sempre igual. Inspira, solta, no supino, no pulley e no cross over, em pirâmide e em supersérie. Por anos a fio, você vai trocando os treinos (e os arquivos de MP3), mas nunca sai do lugar, não evolui como pessoa. No máximo, desenvolve a paciência e a obstinação.

Por outro lado, existem atividades físicas com horizontes muito mais amplos do que os da musculação: além de trabalharem o corpo, fazem bem para a cabeça e proporcionam qualidade de vida. Ioga e pilates não deixam ninguém bombado, mas tonificam os músculos, trabalham a postura, a respiração, o equilíbrio, e fazem maravilhas pela flexibilidade. Artes marciais condicionam o físico e trazem crescimento pessoal - seja pelo autoconhecimento, seja pela canalização produtiva da agressividade, seja pela simples segurança de saber se defender. Nada é mais prazeroso do que se exercitar ao ar livre, correndo ou andando de bicicleta, sentindo o vento na cara, vendo a vida que existe do lado de fora da academia.

Claro que alguma musculação ainda será recomendável, para retardar a perda natural de tônus muscular que vem com a idade, mas para esse fim a freqüência e o tipo de treino serão bem diferentes. Afinal, para estar bem comigo mesmo, eu não precisarei ter o bíceps grande e o abdome ultrasseco a minha vida inteira. Pelo menos eu quero crer que não.

25 comentários:

Music is my boyfriend disse...

naonde que você aprendeu a escrever desse jeito?! ainda não consigo entender como é que você consegue se abrir dessa forma, e expor pensamentos e sentimentos que na verdade não são apenas seus, são comuns a todos nós. mais uma vez, you did it.

Alexandre Monteiro disse...

31 anos e já tá nessa? tenho 48, moro em Ipanema, sempre malhei, não tenho corpão (talvez porque sempre gostei de um copão!). Vejo a rapaziada novinha chegando pra night gay e não tenho o menor tesão. Relaxa... Esse culto todo é bobagem. Faz o que te dá prazer e porque é bom pra saúde. Ponto.

beto disse...

há um tempo vi uma lista de coisas pelas quais não adianta estressar, pois um dia elas acabam. Um dos itens: tanquinho.

como estou cronologicamente uns vários anos na sua frente, posso adiantar que é bom ir ajustando seus desejos sexuais para evitar uma vida de frustrações e rejeições infindáveis.
Sim, existe 1 em 1000 caras que é lindo, sarado, gostoso e jovem que gosta de um que seja o oposto. Os outros fazem por $$$ ou outro tipo de interesse. E 0,1% de probabilidade não é muito esperto né?
Ironia da vida: por nunca ter sido belo e gostoso, vejo que é bem mais fácil lidar com o passar dos anos do que para os deuses gregos não-imortais: minha auto-imagem não foi construída em cima de predicados físicos inevitavelmente temporários.

E, nas academias, como no esporte de alto nível, o que menos tem é saúde: na busca de alto desempenho ou mega-bíceps, vale tudo, inclusive todas as práticas maléficas para o bem-estar físico a longo prazo.

Ainda bem que nasci com o botão do foda-se-pra-opinião-alheia ligado. Assim, faço o que me dá prazer (e muito) na academia. O que não inclui chegar perto de algum aparelho de musculação, pois acho um tédio só.

Câmera de Vigilância disse...

Eu ainda não respondi à sua pergunta sobre o "ex-nerd", estou devendo.

Eu tive uma crise de hérnia e demorei um bom tempo(anos, na verdade) para a voltar a malhar porque me sentia um tanto oprimido pelo discurso, pela estética subentendida nas academias. Até que eu internalizei um velho clichê: a gente faz os lugares, não são os lugares que fazem a gente.

Hoje, eu gosto bastante de malhar, mas não de malhar bastante. E nada de pesos impossíveis, para inchar os músculos e agredir minhas articulações no longo prazo.

Você sabia (eu soube outro dia, fiquei chocado) que há rapazes que só malham a parte de cima do corpo? Desistem de malhar perna porque (sic) a resposta demora muito. Isso não é uma mensagem esquizofrênica que você manda pro próprio corpo: ó, até aqui, você é sarado; a partir dali, flacidinho da silva sauro.

Acho que a vaidade é um discurso muito sedutor, a mim seduz muito. Mas isso não significa que a gente precise se deixar ser seduzido de modo incondicional.

Mas eis aí um assunto que dá um bom debate.

Isadora disse...

Já tentei várias vezes fazer kung fu, karatê, enfim, atividades que fazem bem à mente também. O resultado é que é tão difícil aprender todos os movimentos, que cheguei à conclusão que não posso fazer algo muito pensante, pois já penso demais o dia todo, por ofício.

Musculação é legal e traz os resultados mais rápidos, mas é tedioso, depois de um tempo. O que mais gostei foram os esportes aquáticos: natação e hidro, basicamente. Bike também vale a pena, mas dá aquele medinho do trânsito.

Você tem esse ideal de corpo - pra você e pros outros -, mas acho que com o tempo isso tende a mudar. Vai ficando inviável com a idade e reduz muito seu espectro de possibilidades de experiências bacanas. Acho legal você vislumbrar essa mudança para o futuro. Por enquanto, dá pra ir aproveitando essa fase. Mas uma coisa é certa: assim como nossos corpos, nossos desejos também mudam. Ainda bem.

Belo texto: leve, muito leve a
leitura.

Beijo!

Ruy disse...

Sei o que você passa, pois também malho na parte da manhã (5h30 as 7h00).

A verdade é o que vc postou, ainda que eu menospreze a idolatria aos corpos perfeitos, a cada seis meses renovo meu plano e toda semana me disponho a puxar uns ferros pq não quero fazer feio no verão...

Anônimo disse...

Ai, que amontoado de clichês!

Damião disse...

Veremos varões sarados no verão?
Mais do mesmo novamente?
O foda de tudo isso é que quando a ficha cai já é tarde demais pra muitos. Só sobra o espelho.
Dá-lhe bicha oca!!

Anônimo disse...

Finalmente alguém q questiona tudo isso. Excelente texto!

CriCo disse...

Já comecei o projeto VERÃO 2010! Depois de séculos sem ir à academia, chegou o momento de voltar. Mas sem pressa, menos dias de ferro e mais qualidade de vida.

Anônimo disse...

Prefiro viver para o meu prazer. Atualmente me dou o direito de fazer apenas o que eu gosto. Primeiro eu, depois eu, e depois eu de novo. Sou muito além do que um corpo. Me cuido, até onde isso possa me trazer 100% de ganho.Nada contra a malhação. Entretanto, jamais vou sacrificar meu sono pra buscar um padrão de beleza artificial, pra me exibir entre flertes, buscando olhares e fodas. É pouco pra mim.Prefiro investir em relações mais profundas que alguns centímetros. Por isso não me contento com pouco. Quero mais da vida. Se, por acaso algum cara me rejeitar, é sinal de que não preciso dele. ABS.BINHO.

Anônimo disse...

Oi.. Eu acho que vc está coberto de razão. Nós gays adotamos um padrão de beleza e ao mesmo tempo sofremos as consequências desse padrão. É mais ou menos como aquelas mulheres que reclamam dos maridos machistas mas criam os filhos para serem novos maridos machistas. Eu acho que a solução pra isso é achar o meio termo. Eu tento trazer isso pra minha vida. Pratico musculação tres vezes por semana e natação duas vezes. Nao tenho abdomem tanquinho mas tenho um corpo que me satisfaz. Não sinto culpa quando nao vou a academia, nao me abstenho de comer o que tenho vontade e ao mesmo tempo me cuido. Outra coisa: Um cara sarado, estupidamente trincado, pode ser atrativo pros olhos, ótimo pra uma FA (foda avulsa) ou pra um carnaval inteiro, mas se ele abre a boca e só sai besteira, ninguém merece. Robson / Sao José dos Campos

MARCUS disse...

ÓTIMO O TEXTO E AS IDEIAS EXPRESSAS NELE. QUE BOM TAMBÉM QUE VOCÊ ESTÁ NESSA LINHA DE PENSAMENTO.

Anônimo disse...

Thiago, fazer escolhas na nossa vida implica numa equação bem simples: ganhar e perder!
Além de ter um corpo perfeito e para atender a esta voracidade pela perfeição (estetica e social) nós precisamos:
falar 02 idiomas,
fazer uma viagem internacional todo ano,
ter um carrão (pra arrasar na porta da buati!!!)
ser masculo, ativo, ter pelo menos 01 tatuagem,
sobrenome importado,
apartamento no Jardins,
MBA, mestrado...que mais?

Mantenha-se saudavel, seu corpo vai agradecer um dia, fique longe da torta de limão do Suplicy o máximo que puder!

Alex Bez

Câmera de Vigilância disse...

É interessante observar que, neste tema, alguns argumentos tanto a favor quanto contra são contaminados por clichês. Alguém mais lá em cima disse: "Prefiro investir em relações mais profundas que alguns centímetros."

Ora, não é possível investir em relações mais profundas E em alguns centímetros? O que uma coisa impede a outra?

marco disse...

essa discussão sobre arquétipos sempre me deu zzzzzzzzzz...

poor guy fashion victim disse...

Difícil não é ter e manter six pack aos trinta, difícil é conseguir isso minimamente depois dos quarenta, por isso vá-se preparando, Mas não se preocupe, para quem já tem hábitos interiorizados de ida ao gym aos 30, é fácil a partir dos 35, encarar a coisa como a higiene dentária diária, com uso de fita dental incluída (fita porque entretanto já se descobriu que a fita é mais confortável e fácil de usar que o fio). Ah e para ultrapassar as questões existenciais, ajuda não esquecer, como diz a Agrado, uma personagem de um dos meus filmes preferidos (habla con ella – Almodôvar) que somos tanto mais autênticos quanto nos parecemos com aquilo que sonhamos.Ler a história da beleza e depois logo a seguir a da fealdade do Humberto Eco também ajuda, porque nos evidencia o total relativismo dos conceitos. Ir aprendendo a rir de nós mesmos e não ter medo de ser ridículo também costuma ser um passo em frente.

poor guy fashion victim disse...

Caso eu esteja em Lisboa na altura em que vier, serei seu cicerone com todo o prazer.Me avise com antecedência, porque vou com regularidade mensalmente a Milão.

Quanto à noite lisboeta, bem ... como já deve ter percebido não falo muito aqui no blog porque apesar de conhecer bastante bem, actualmente já não vou muito, porque como se diz em Português do Brasil, não tenho saco.Mas irei consigo com todo o prazer.

Para ir ficando com ideia, Lisboa tem dois bons Clubes, com um grande pequeno problema, não são gay! O Lux pretende ser moderno (entrou este ano para a pool da Dj Mag e o Vibe é residente lá uma vez por mês). Esteticamente é um local super moderno e bonito e do melhor que conheço (furos acima do berghain embora tendo uma estética diferente). Musicalmente tenta ser um clube moderno mas nem sempre consegue, já que a ambição de modernidade é desmesurada e então por vezes o minimal impera, quando no resto da Europa já deu. O Kremlin (só vale a pena ir depois da 06:00) tem uma música fantástica (foi lá que começou há muitos anos o Vibe)e o local, um antigo convento, tem uma carga enorme. A barra pesada da noite de Lisboa está lá toda, os negões mais lindos também, mas... são quase todos hetero, ou pelo menos só são gay em segredo e se não se acertar à primeira, corre-se o risco de levar um murro na cara. Mas o local é muito interessante e parece saído de um film noir, a música é fabulosa e o bas fond uma experiência interessante.

A discoteca gay que é o trumps, eu não gosto.É onde toda a gente vai, mas como eu costumo programar as minhas saídas anualmente entre Milão, Madrid, Rapido em Ams, La Demence em brx e Ibz, não sinto minimamente a falta.

Mas para além da noite Lisboa terá com toda a certeza outras coisas que irá gostar: Bons restaurantes por 1/10 do preço dos da mesma gama Paris e 1/4 de Barcelona, bons museus e sobretudo um ar de cidade parada no tempo, que tem o seu charme.Para mim o maior encanto de Lisboa é precisamente conjugar um conjunto de coisas que já não existem na Europa com outros locais de absoluta modernidade, tal como restaurantes, bares em terraço de hotel com vistas maravilhosas, etc e a preços, suportáveis pelo custo de vida Europeu.

Use o meu mail do blog, para eu lhe dar o meu pessoal, para que meio mundo não fique a assistir.

Outra hipótese é pedir o meu facebook à Lindinalva :) ou ao Marco Carioca

Abraço

Diego Ricardo disse...

Bem, esse assunto sempre dará pano pra manga, e a gente até tem conversado particularmente sobre isso.

Eu moro no Rio, a cidade do corpão e da praia para exibí-lo. Como já disseram acima, é extremamente cansativo vc fuder com o cara pela estética e ele só ter merda na cabeça (além de só dizer merda tb).

Acredito q essas barbies que só pensam em malhar, malhar, malhar, fuder, fuder e fuder (além de dinheiro, carrão, etc) estão vivendo uma adolescência tardia, e em determinado momento vão se cansar da rotina de malhar/crescer peitoral, bíceps, tríceps, etc e fuder.

Conheço muita gente q sofreu um acidente ou foi obrigada por trabalho e falta de tempo a parar de malhar e virou uma figura de corpo grotesco. E deprimidíssima ainda por cima, porque aqueles anos e anos investidos no tanquinho, no bração, etc evaporaram em semanas.

O envelhecimento vem pra todos e é bom q a gente já vá pensando e ponderando sobre isso o quanto antes, pq o corpo VAI decair e mesmo a mais linda das barbies hoje vai ser rejeitada pelas novas gerações de barbies em pouquíssimos anos. Ou seja: será vítima do que ela mesma faz hoje com quem não tem o peitoral igual ao dela.

Acho q o correto é o meio-termo, vc se cuidar, se exercitar sem pressa e sem o objetivo de fuder.

Falo por experiência própria: quando estava malhando peguei um montão de caras (inclusive da academia) mas no fim do dia vc vai ver que apenas aumentou o seu número de histórias quentes pra contar pros amigos e apenas descarregou porra com alguém igualmente sarado que não significou nada pra vc. E me fez muito mal ficar com caras que absolutamente não queriam saber do que eu pensava, apenas queriam meu pau ou minha bunda.

Cada homem gay tem a maneira de lidar com esse assunto. Mas se fosse o corpão sarado e perfeito uma fonte inesgotável de felicidade e fodas perfeitas, pq tantas barbies são deprimidas, se drogam, enchem a cara e depois caem pelos cantos das boates? Pq muitas barbies se tornam verdadeiras bichas más que só querem saber de detonar os outros? Pq essas mesmas barbies sempre pensam que a grama do vizinho é mais verde?

O assunto é extenso demais pra gente encerrá-lo num tópico só....

Existem tb os caras gays que sofreram tanto preconceito quando jovens que se transformaram em barbies imensas dos 20 aos 30 como forma de defesa, um "não se meta comigo".

Muitos outros gays "patinhos feios" encararam a academia como forma de se transformarem em "cisnes" e assim se sentirem aceitos pela sociedade e pelas pessoas em geral.

Fora a sensação de poder que dá vc ter um corpão, o que deixa mais clara a vaidade e a necessidade-buraco-sem-fundo de ser amado e querido, senão pelo que se diz e se pensa, pelo menos pelo que o físico é capaz de proporcionar.

A imensa maioria das barbies que conheço funciona no piloto automático, elas não pensam no que estão fazendo e nos padrões que repetem, muito menos que estão envelhecendo.

A morte, pra auto-estima de uma barbie, é ser preterida por outra, ou pior: ser preterida por alguém que tem um corpo muito menor que o seu, mas que é mais jovem.

Assunto sem fim e cheio de variáveis esse.....

Leandro K. disse...

Ótimo. Eu me sentindo mal por ter abandonado a academia... fiquei pior. rs

Pilates, aí vou eu!

(meu neurônios não fazem sinapse a partir de quinta à noite, desculpa pelo comentário leviano)

Anônimo disse...

Acho que cada um devia pensar na sua vida e deixar os outros vivam como quiser...
Se formos seguir fórmulas de como guiar nossas vidas , tudo fica mais chato e monótono...
Acho yoga detestável: pilates (para mim não passa de uma fisioterapia disfarçada, mas isso é apenas minha opinião, ok) Adoro musculação e nem por isso me considero alienado ou coloco minha saúde em risco para ter o tal corpão aqui anunciado.Levar meu corpo aos limites da força e sentir aumentar a potência de meus músculos me traz muito bem estar.Então penso que
diversidade não é apenas assunto de teor sexual, é de comportamento e de pontos de vista diferentes também.
Beijos

Anônimo disse...

Genial, DIEGO RICARDO. A questão não é o que se faz, mas para quê se faz. Podemos escolher o que queremos ou não fazer com nossos corpos e nossas vidas. Só que ter um corpo malhado, nao sei quantas tatuagens,mba, falar várias línguas não é garantia de felicidade a ninguém - como foi dito acima. O perigo é achar que somos apenas isso. Somos mais, muito mais que isso. Que tal olhar, TAMBÉM, para outros valores como honestidade, companheirismo, respeito, transparência. É por isso o medo de envelhecer. Ora, a medida que envelhecemos e o corpicho começa a dar sinais de cansaço, fica difícil levar a vida com tranquilidade quando não investimos em valores mais sólidos e que, na minha forma de entender, são os que realmente importam. DE todo modo, nada contra um corpo malhado, tatuagens, formação profissional sólida...BINHO

Diógenes de Souza disse...

Post maravilhoso. Mas, como sabemos, o corpo sofre os efeitos da gravidade, isto é inevitável. O cérebro - digamos assim - não!

Não gosto muito dessa coisa de achar que só os gays têm essa preocupação com o corpo, entretanto.

Renato disse...

Particularmente, acredito que um homem não precisa ser bonito para ser interessante. Fora isso, tipo assim: cada um faz o que quiser. Da mesma forma que tem gente obcecada pelo corpo, tem outros loucos por carros, outros pelo trabalho, etc. Isso sempre foi e sempre vai ser assim.

O único lance que importa, é cada um buscar aquilo que faz sentir-se bem e refletir sobre isso.

É hipócrita criticar os bombados e sarados e ficar babando por eles nas baladas e academias.

Anônimo disse...

Acho que a fixação nos músculos e na estética é uma tentativa de compensar a falta de virilidade, do charme espontâneo, gratuito e natural que os homens heterossexuais têm de sobra. Meu médico, por exemplo, é um homem de 40 e muitos anos, tem barriguinha, usa óculos e está meio careca. Pois bem. Não há academia nem anabolizantes que tornem um gay próximo dele. O cara é um homem maciço, não um boneco oco e sintético como os bichinhos da Disney.

A cultura gay é toda torta. É construída em cima de uma grande falha, como Los Angeles e San Francisco.

O Diego Ricardo escreveu um ótimo comentário, mas esqueceu que existem gays não "categorizáveis", não pertencentes aos circuitos intra-efeminados do eixo Ipanema-Jardins.

Eu poderia, até, pensar em entrar numa academia de ginástica caso isso me rendesse algum benefício. Mas a idéia de ser desejado por barbies não é lá muito convidativa. Digo mais. Se as barbies me desejassem como eu sou - gordinho -, aí sim, eu entraria numa academia para fugir delas.

Aprendi uma coisa nos últimos 20 anos. O melhor gay é aquele que te ignora.