quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Visitas íntimas

Lembram que eu disse, no meu último post de 2009, que meu ritmo no blog diminuiria um pouco, por conta de um novo projeto que ocuparia boa parte deste ano? Pois bem, vou falar um pouco sobre esse tal projeto. É o trabalho de conclusão de curso que vou elaborar com duas colegas de faculdade. Na maior parte dos cursos universitários, o TCC é uma monografia, em que o graduando desenvolve um tema dentro de um formato acadêmico, com regras próprias. Em Jornalismo, porém, o aluno também tem a opção de criar experimentalmente um produto de comunicação: um jornal, uma revista, um programa de rádio ou TV, um livro-reportagem ou mesmo um conteúdo multimídia.

Como tenho mais desenvoltura com a palavra escrita e minha ambição profissional é trabalhar em revistas, era de se esperar que eu optasse por desenvolver o projeto de uma revista, ou então escrevesse um livro-reportagem, a partir de alguma pauta de comportamento, ou mesmo de algum dos assuntos que exploro habitualmente aqui no blog. No entanto, se para muitos o TCC é o trampolim para os voos posteriores à faculdade, ele também pode ser uma chance de ousar, e fazer algo diferente daquilo que se planeja fazer dali para frente. Pensando nisso (e não tendo conseguido pensar em uma ideia melhor), resolvi aceitar o convite de minhas amigas para produzir um videodocumentário sobre mulheres de presidiários.

Nossa ideia é falar não sobre os detentos, mas sobre elas: quais as implicações de se ter um companheiro preso, na vida de uma mulher. As mudanças na rotina, as dificuldades financeiras, a educação dos filhos, a vida afetivo-sexual colocada em standby (ou vivenciada por meio das chamadas "visitas íntimas"), os favores (lícitos e ilícitos) que elas fazem para eles e seus colegas de cela, o estigma e preconceito que elas enfrentam nos círculos sociais pelos quais transitam. A personagem "típica" é aquela mulher humilde, que casou e teve filhos com o cara ainda em liberdade, mas também nos interessam aquelas que atóram um perigón e se envolveram com os rapazes já presos. Ou ainda esposas de classe média-alta, cujos maridos foram condenados por crimes de colarinho branco, por exemplo. Seria interessante investigar em que medida as situações de mulheres de diferentes classes sociais se parecem ou não.

É um tema vasto, com diversos recortes possíveis, e que tem potencial para render muitas histórias. É também um desafio e tanto para nós. Estamos começando do zero, ainda sem nenhum contato. Precisamos encontrar essas mulheres, nos aproximar delas e conquistar sua confiança, para que topem colaborar conosco e aparecer no documentário. O formato em vídeo é um complicador extra, pois: a) é preciso muito mais coragem para se expor diante de uma câmera do que para um bloquinho e gravador; b) não temos o equipamento necessário, e os recursos tecnológicos da faculdade são destinados preferencialmente aos alunos de Rádio e TV; e c) não sabemos operar uma câmera, nem temos noções de edição de vídeo. Ou seja: ao longo dos meses, teremos que sair do nada, ir aprendendo tudo, e dar corpo ao trabalho (conciliando-o com as outras obrigações das nossas vidas, que continuam!)

Mas essas mulheres não são as únicas que poderão colaborar conosco. Esperamos contar com a ajuda de várias outras pessoas, de diversas formas. Gente que conheça mulheres nessas condições e possa nos indicar. Que tenha contatos no meio penitenciário, e possa facilitar nosso trabalho, inclusive quanto à obtenção de autorizações para filmagem. Que seja ou conheça um antropólogo, psicólogo ou sociólogo com atuação nesse campo. Que já tenha feito, lido ou visto outros trabalhos sobre o nosso tema. Ou que tenha produzido videodocumentários sobre outros temas. Enfim, uma infinidade de pessoas pode nos dar dicas, palpites, referências e contatos. É também por isso que estou dividindo esse projeto com vocês. Este blog já me rendeu tantos frutos, quem sabe não consegue me dar uma luz na minha nova empreitada? Quem quiser ajudar ou mesmo trocar ideia sobre o assunto, por favor entre em contato comigo. No mais, quem sabe as histórias que vão surgindo pelo caminho não rendam bons posts para o blog? Quem viver, verá.

15 comentários:

Fernando disse...

Aham, entao era esse o mega projeto secreto que o senhor tinha em mente, hein...

Bem, parece bem interessante, e um MEGA projeto mesmo! Acho que entenderemos a sua ausência (temporária - afinal, dá sim para arranjar um tempinho para escrever uma ou outra linha, pleeease!), mas claro, se rola um front row na premiere do seu videodocumentário. Ok?

E amigo, cuidado, tá? Sei lá, você largado naquele mundão de presidiários fortes (ui!), sarados (ai!), suados (vai, não pára!), com tanta energia retida (hmmm!) pode não dar muito certo, néam... :)

Boa sorte! E não some, ok?!

Daniel disse...

Hmmmm, bater um papo com um juiz de alguma VEP pode ser um início.

Anônimo disse...

Boa sorte no trabalho.
Tenho certeza que vai ficar primoroso.
No momento, sem dicas (sorry).
Mas estarei atento a partir de agora...
Beijo, uai.
Marco

Isadora disse...

Thi, vou tentar pensar em algo pra te ajudar e te falo, tá?
beijo e boa sorte!

Anônimo disse...

Olhem o absurdo!!!!
A fonte é boa. Vejam no final, quem assinou.

Independentemente de orientação política, é preciso estar atento ao que anda acontecendo no Congresso Nacional.
Divulgue!!!
Mande para pessoas formadoras de opinião.

Chega de sermos otários.

A internet está dando resultado. Temos um poderoso meio de comunicação na mão.
Vocês viram a Petrobrás baixando os preços dos combustíveis?
A internet pressionou muito divulgando para que boicotássemos os Postos BR (Petrobrás).
Precisamos mostrar que o povo tem força e luta pelos direitos e uso correto do dinheiro público.
Tem certas coisas que só dependem de nós, e este absurdo, não podemos deixar.
Atenção:
Um deputado chamado Jutahy Magalhães , do PSDB da Bahia, é o autor de um projeto de lei que legaliza a corrupção em nosso país (que parece não ser muita!).
O projeto, conforme matéria da Rede Globo, proíbe o Ministério Público de investigar atos de corrupção de Presidente da República, Governadores de Estados, Senadores, Deputados Federais, Deputados Estaduais e Prefeitos.
De acordo com a nova lei, que já foi aprovada em primeiro turno no congresso, esse pessoal aí vai deitar e rolar com o dinheiro público, sem ser importunado.
Então, caros internautas, vamos espalhar esse assunto para toda a rede. Vamos pressionar de todas as formas possíveis, para que essa lei absurda e imoral não seja aprovada.
Vamos nos utilizar de todos os meios disponíveis: televisão, rádios, jornais e etc.

O Brasil e o Povo Brasileiro não pode, de forma alguma, aceitar isso: que meia dúzia de parlamentares mal intencionados (o que parece ser o caso do tal Jutahy) legalizem a corrupção e a bandalheira em nosso País. Nós, internautas, já fomos responsáveis por soluções e divulgação de vários casos lamentáveis que
envergonham todo e qualquer cidadão de bem.
Acredito ser esta causa justa e que precisa ser levada ao conhecimento de toda a população .

Não vamos, de forma alguma, deixar passar em branco este ato vergonhoso, arquitetado por este elemento.
Fiquem atentos, e vamos salvar o Brasil de mais esta maracutaia..

Diógenes de S. disse...

Sucesso, Thiago! O tema é excelente e tenho certeza de que vcs afrão um excelente trabalho. Quero ver o resultado aqui no blog...hehehehe

Também estou no meu último ano de faculdade, mas ainda falta um período para chegar ao TCC. Meu trabalho já está definido: analisar como o Lampião Da Esquina, o primeiro jornal gay brasileiro de produção profissional lançado à época da ditadura, via a Grande Imprensa nacional. Inclusive já comecei a coleta de dados e até apresentei um artigo no último Intercom nacional.

Diego disse...

Assim, ó, finge que estamos tomando um café e eu vou falando, vamos ver se eu consigo me explicar:

a gente vive numa sociedade saturada por imagens, certo? E o jornalismo, hoje em dia, não vive sem imagens. (Aliás, há publicações que se apóiam mais em imagens que em textos). É, portanto, um momento diferente daquele vivido pelo jornalismo pioneiro, quando uma foto era muito mais difícil. Textos e ilustrações é que preenchiam os veículos.

Gradativamente, com a proliferação das ferramentas que permitem a obtenção de imagens, fomos entrando em um processo de saturação do olhar. É imagem de tudo quanto é lado.

Pois bem. Uma das imagens que se tem sobre presidiários é que eles são ruins, bandidos, marginais da sociedade. É uma imagem fixada na mente das pessoas porque há milhares de imagens (em jornais, revistas, tv, internet, no jornalismo em geral) formando, endossando essa imagem criada no (não gosto muito dessa expressão) inconsciente coletivo. Mas será que não há outras imagens possíveis? E, para isso, é preciso dar um passo atrás e perguntar: será que não há um outro olhar possível? Porque a imagem é um recorte, e quem recorta muitas vezes já debruça um olhar que quer enquadrar isso, o estereótipo, ou seja: o meliante, o criminoso, o pária.

E que olhar essas mulheres constituem sobre seus homens? Em que medida esse olhar negocia com o estereótipo (recusando-o, endossando-o, respondendo-o)? E como, antes de mais nada, o olhar de vocês (que estão fazendo o TCC) já interfere no olhar delas, no olhar que elas dirão ter? E que olhar a sociedade, a mídia, o sistema carcerário, que olhar cada um produz? Esses olhar se conflituam?

E como estamos falando de olhar, de imagem, há também o impacto da estética dos presídios.

Acho que, nesse percurso, você poderia ter a companhia de várias referências, desde o "Ensaio sobre a cegueira", de Saramago, passando por "Janela da Alma", "A obra de arte na época da reprodutibilidade técnica" de Walter Benjamin... aliás, Benjamin tem um texto, "Família de olhos", que pode ser inspirador. O olhar daquela mulher está contaminado antes de tudo. E olhar da família que observa. Tem também todos os estudiosos do campo da Comunicação, que falam sobre a construção da imagem, como o processo é arbitrário. Enfim. Tem Zygmunt Bauman, com seu "Amor líquido".Marshall McLuhan. Enfim, o povo todo.

É isso. Só.

Anônimo disse...

Joana Nin lança projeto de novo filme sobre mulheres de presidiários
O longa-metragem “Cativas”, já aprovado pela lei federal de incentivo à cultura e atualmente em fase de captação de recursos, tem previsão de lançamento para o próximo ano

11/09/2007 | 11:36 | Gazeta do Povo Online, com informações de Luis Alvarez - Gazeta do Povo Comunicar erros RSS Imprimir Enviar por email Receba notícias pelo celular Receba boletins Aumentar letra Diminuir letra

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Cida, uma das personagens do curta, será convidada para Cativas
A jornalista e diretora Joana Nin, que levou o prêmio de melhor curta-metragem pelo documentário “Visita Íntima” no 2.º Festival de Cinema da Lapa no último domingo (9), está lançando um novo projeto sobre os relacionamentos amorosos entre mulhres e presidiários. O longa-metragem “Cativas”, já aprovado pela lei federal de incentivo à cultura e atualmente em fase de captação de recursos, tem previsão de lançamento para o próximo ano.

A idéia para o curta, que será extendida ao longa, nasceu em 2001, quando a Joana acompanhou durante 15 dias a rebelião na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, na região metropolitana de Curitiba. Naquele ano, as visitas aos internos eram feitas somente aos domingos, e a fila de mulheres – mães, irmãs, namoradas e esposas – que se formava, já no sábado, à noite chamou a atenção da jornalista. Conversando com as visitantes, Joana descobriu um grande número de histórias de amor que se desenrolavam no presídio.

O curta “Visita Íntima”, que já recebeu 21 prêmios em festivais nacionais e internacionais desde que concluído, em 2005, reuniui depoimentos de seis mulheres das 17 entrevistadas que desenvolveram relacionamentos amorosos com os presos da PCE. Em “Cativas”, Joana resgata as histórias das personagens de Visita Íntima, incluindo aquelas que não entraram no curta-metragem. Histórias como a de uma série de correspondências trocadas entre um preso e sua namorada e o casamento em cartório de uma jovem com a mãe do noivo, representante legal do filho, estão no enredo.
http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?id=695357

Anônimo disse...

ANAIS DOS CONGRESSOS DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA USCS
Nestas página estão disponíveis os resumos de todos os trabalhos de iniciação científica apresentados nos congressos já realizados na USCS. O ISSN dos Anais dos Congressos de Iniciação Científica da USCS é 2176-5316

ÁREA: Humanas

A mulher do preso e os vínculos conjugais: um estudo exploratório. (Curso de Psicologia)

Autor: Valdenice Dourado de Sá

Curso: Psicologia

Orientador: Kátia Varella Gomes

Instituição: Universidade São Francisco - USF

O objetivo deste trabalho norteou-se na análise do livro-reportagem “Entre uma visita e outra o amor, a dedicação e a fidelidade das mulheres de presidiários”. Ao longo deste estudo procuramos conhecer, compreender e entender os papéis sociais desempenhados por estas mulheres; os tipos de vínculos estabelecidos entre elas e apenados; as alternativas encontradas ao vivenciarem esta realidade e o sofrimento psíquico no encontro com seus maridos, filhos e companheiros em situação de cárcere privado. Procuramos revelar o enfrentamento realizado por essas mulheres nas questões que envolvem o sistema prisional, o constrangimento na falta de privacidade, a rotina comum entre elas e o amor partilhado com seus companheiros. A metodologia utilizada partiu de análise de conteúdo do livro-reportagem “Entre uma visita e outra o amor, a dedicação e a fidelidade das mulheres de presidiários”, e para compreender os tipos de relações existentes houve a necessidade de caracterizar o perfil destas mulheres, do ponto de vista sócio-econômico. Os dados foram obtidos por meio de pesquisa qualitativa, e coleta das informações contidas nos depoimentos da obra. Identificamos ao longo do estudo o amor incondicional vivenciado por este grupo, o sentimento de respeito que enfrentam nas dependências do presídio, a eloqüência e volúpia nas relações sexuais, a valorização feminina manifestada pelo preso, à relação entre os dois mundos: dentro e fora da prisão, em relação à sua companheira e os estigmas e invisibilidade que a companheira enfrenta na sociedade e no grupo familiar que compartilha.

http://www.uscs.edu.br/simposio_congresso/congressoic/trabalhos.php?id=0440&area=Humanas

C0ntato da Profa. Katia
Telefones: (11) 3315.2030 - (11) 3315.2033
Endereço: Rua Hannemann 352 – CEP 03031-040
São Paulo - SP

Introspective disse...

Eu sempre digo: "Héteros têm anjo da guarda, gays têm fada madrinha". Seja lá quem for(em) o(s) anônimo(s) acima, que estão me dando todas essas dicas, fica aqui meu MUITO OBRIGADO! :)))

Anônimo disse...

LIVRO
MULHERES DE PRESIDIÁRIOS
Pedro Carbonell / Priscila Carvalho / Raquel Rieckmann

http://twitter.com/RaquelRieckmann
Raquel Rieckmann Traldi
Jornalista
Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto
(11) 2696-3200

Anônimo disse...

Snif snif
(Sininho emocionada)

Introspective disse...

Sininho, vou te fazer uma lista de pedidos começando já neste Carnaval... ;)

Rafael Brito disse...

Ola,
Gostaria de fazer parceria:
www.amorfc.blogspot.com

Lucas disse...

Thiago,

Sei que você não me conhece. Mas meu nome é Lucas, sou seu leitor há bastante tempo e ex-estudante de jornalismo (acabei de me formar) e já fiz videodocumentários. Precisando de ajuda, pode contactar.


Beijos