quarta-feira, 25 de maio de 2011

Fazendo as pazes com o Tio Sam

Voltei aos Estados Unidos depois de um jejum de 16 anos. Minha visita anterior tinha sido em julho de 1995, auge da euforia da classe média com a paridade cambial trazida pelo Plano Real. Eu e minha mãe fizemos uma excursão de 14 dias pela Califórnia, depois passamos uma semana em Las Vegas, outra em Nova York, pegamos um avião para Rhode Island, minúsculo estado em que parte da família calabresa da minha avó fixou residência, e fomos conhecer Boston. Eu estava no terceiro colegial, tinha 17 anos, nenhuma sexualidade, e essa foi até hoje a viagem mais marcante da minha vida. Depois eu conheceria outros lugares até mais interessantes, mas essa foi a viagem mais esperada, mais sonhada, e por isso vivida mais intensamente. Costumo dizer que ela durou quase um ano, porque começou nos quatro meses antecedentes e continuou por mais uns três meses depois que voltamos para o Brasil.

No ano seguinte, descobri a Europa, e então passei a ir para lá nas oportunidades seguintes que tive para fazer viagens maiores ao Exterior (considerando que Buenos Aires já é meio que um prolongamento da minha casa, junto com São Paulo e Rio). Eu vi no Velho Mundo uma riqueza de histórias, culinárias, arquiteturas, pessoas e mentalidades que eu não havia encontrado nos EUA, onde todos pareciam viver olhando apenas o próprio umbigo, sem o menor interesse por outras culturas, mantendo com os outros povos uma relação que oscilava entre o desinteresse e o puro desprezo. Pelo menos era isso que eu sentia.

Desta vez, já mais maduro, pude ver os Estados Unidos com outros olhos. Percebi que a minha percepção de um país raso e culturalmente pobre tinha muito a ver com o meu próprio filtro. Afinal, aos 17 anos eu mesmo estava muito mais preocupado em colecionar moletons e camisetas do Hard Rock Cafe e Planet Hollywood do que qualquer outra coisa. Claro que me esbaldei novamente nas compras, e continuo achando que o consumo é um dos, digamos, três principais atrativos que os Estados Unidos oferecem aos visitantes. Mas consegui ir um pouco além nas minhas observações sobre o país e os norte-americanos. Difícil fazer um julgamento sobre um povo tão numeroso e heterogêneo. Nem todos são narrow-minded, existe gente bacana sim, e bolsões de rednecks reacionários convivem com verdadeiros oásis de pensamento liberal e vanguardista, como a Califórnia. Além disso, em 2011 o país me pareceu muito mais multicultural do que em 1995; se os imigrantes muitas vezes ainda permanecem às margens da sociedade, nos subempregos que os norte-americanos não acham dignos, eles já deixam marcas bem maiores na própria identidade do país, influenciando até mesmo o processo eleitoral.

Só posso dizer que foi uma viagem deliciosa, e que serviu para eu fazer as pazes com aquele país. Minha primeira escolha para morar no Exterior continua sendo a Espanha, mas vi reacender meu entusiasmo e interesse pelos States, especialmente por San Francisco, que já era uma das minhas cinco cidades favoritas no mundo e continua apaixonante, mágica, simplesmente única. Desta vez, comecei minha viagem por ela e fiquei onze dias inteiros, para poder matar a vontade e aprofundar um pouco o olhar rápido da excursão. Depois, passei uma semana em Nova York, e ainda peguei o trem para um reencontro emocionante com a parentada americana em Rhode Island. Nos próximos posts (o seguinte vai ao ar amanhã), vou registrar algumas impressões que colhi dos Estados Unidos, naquele estilo que me é peculiar e faz alguns de vocês continuarem aparecendo aqui de vez em quando :)

16 comentários:

Moacir disse...

Thiago, meu querido. Fico feliz que você tenha feito "as pazes" com os EUA. Eu adoro. Claro que não adoro o meião "redneck", mas a California e a costa leste são demais. San Francisco é mesmo uma cidade inesquecível e também tenho muito vontade de morar lá, apesar do medo dos terremotos. Hehehe.

Essa foto está ESPECIALÍSSIMA. Fiquei com inveja. ;-)

Beijo, com carinho, e escreva mais.

Rivello disse...

Adoro seus posts! :D

Rafa disse...

Eu preciso perder a minha pinimba com os States, tenho muita! Só NY me atrai, mas não conheço São Francisco e a mítica gay da cidade é, sem dúvida, um atrativo para uma visita.

Abç!

AbsolutSFO disse...

Nice post, and Google Translate does a good job of turning your musings into English :)

AbsolutSFO disse...

Nice post! And Google Translate does a good job of turning your musings into English. I look forward to more...

Lucas T. disse...

Passei 1 mês na California logo que terminei o ensino médio e adorei. Acompanho a política americana e acho babaquice dizer que todo americano é burro e cheio-de-si. Tem muitos liberais extremamente inteligentes e auto-críticos.

CriCo disse...

Passei 1 mês na California tb e fui a Disney... conta?

Denise K disse...

Thi, vc continua sendo uma pessoa muito interessante...e sabe escrever muito bem! Tem coisa melhor que viajar?! Saudades de vc, beijos!

Bernardo disse...

Meu bem, eu em Sampa e vocë em NY.. hmmmmm se isso eh ta na pior, que q eh ta bem neh ?
kkkkk

sds!

cronicas gulosas disse...

Não tenho muito conhecimento do país como um todo além do que leio. Adoro NY, mas não representa os USA, é uma cidade a parte. Miami não tenho paciência, que todos me dizem ser uma ótima cidade, mas todas as vezes que fui achei que algo acontecia e eu não tinha sido convidado (além da aura de felicidade eterna que me cansa). Cidades como Boston & Chicago são interessantes, mas estranhamente provincianas apesar da extensão da produção cultural. E de Washington só queria a National Gallery. Abs!

Humberto disse...

Thiago,

Nunca fui aos States, mas tenho imensa vontade de conhecer San Francisco.

Não sei por que, desde a adolescência tenho fascínio por aquela cidade, muito antes de saber de toda a referência gay atribuída a ela.

Se puder, escreva bastante sobre todos os lugares por onde v. passou em SF e continue nos dando aquelas dicas maravilhosas.

Um grande abraço.

TONY GOES disse...

A esquerda adora atacar os EUA, mas esquece que foi lá que surgiram o feminismo, o movimento gay, os sindicatos e muitas outras lutas sociais.

Claro que o apís tem defeitos, e muitos. Claro que tem gente horrível. Mas é uma democracia funcional há mais de 200 anos.

Acredito que estamos vendo o começo do declínio americano, e o avanço da extrema-direita por lá é apavorante - principalmente para eles mesmos, pois esta gente tem uma visnao distorcida do que é o mundo de hoje.

Agora, prefiro muito mais um mundo domindado pelos EUA do que pela China.

Isadora disse...

Já tive mais interesse pelos EUA, agora tenho tido bem mais pela Europa, mas o que o Tony disse acima é interessante.

Já conheci um monte de americano super vanguarda nessa parte política e dos "costumes" - como diria a presidente -, herdeiros dos movimentos de liberação e direitos civis. Um pessoal muito bacana, tanto que por muito tempo quis ir pra San Francisco encontrar essa galera mais radical.

Don Diego disse...

Que bom, vai ser ótimo ler todas as suas impressões detalhadas sobre a viagem....

Eu tô apaixonado mesmo por NY...LA é meio deprimente....

Thiago Lasco (Introspective) disse...

Don Diego: Los Angeles só vale por ter dado ao mundo os Red Hot Chili Peppers! rs. Tem muita grana em Beverly Hills, mas há bairros ricos bem mais glamourosos em outras cidades. E pra ficar numa cidade espalhada desse jeito, onde tem que ter carro pra tudo, eu fico com Miami, onde pelo menos tem muito mais cafuçus latinos diliça pra gente dar uns beijos! ;)

Anônimo disse...

Thiago, nos temos um amigo em comum que me disse que vc chegaria exatamento no dia em que eu estava partindo de nyc, engracado pois estava falando pra ela num passeio ao MET como eu adorava seu blog...

Espero que tenha se divertido! christiano