terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Naftalinas absurdinhas

Há algumas semanas atrás, o prédio histórico das Casas Franklin, no centro do Rio, fervia com mais uma edição da festa Fase, parceria entre a Moo e os clubes paulistanos D-Edge e Vegas. No som, aqueles cruzamentos inclassificáveis de house, electro, minimal e disco que mantêm a pista do jeito que os muderrrnos gostam: cool e até alegrinha, pero no mucho.

A noite fluía como de costume - um carão básico aqui, uma conversinha acolá, um grupo uniformizado com camisetas da Reserva mais ao fundo - quando, de repente, o gringo convidado Todd Terje colocou uma antiga faixa da Whitney Houston, "Wanna Dance With Somebody", de 1987. Num primeiro momento, as pessoas se entreolharam sem acreditar; logo em seguida, começaram a sorrir, dançar e até cantaram o refrão. Num passe de mágica, o que era uma pista blasé virou uma festa de verdade. Ninguém ali poderia esperar algo tão inusitado.

O resgate das naftalinas está em alta em vários círculos. Ídolo das bibas que curtem house tribal com vocais, o israelense Offer Nissin fez "Happy People" renascer (não, essa música não é dele!) e agora tem ressuscitado "(I Wanna Give You) Devotion", hit dançante do Nomad, de 1991, em seus sets. Enquanto isso, o produtor italiano Benny Benassi anima as pistas comerciais da playboyzada com remixes de "Everybody Everybody" (Black Box, 1991) e até da jurássica "California Dreamin'", gravada originalmente pelo The Mamas & The Papas em 1965.

Colocar a música antiga certa na hora certa é um dos truques que os bons DJs usam para fazer uma pista bombar. Mas não é qualquer música velha que surte o efeito desejado; não vale recorrer a hits previsíveis, manjados. Se, por exemplo, os residentes da B.I.T.C.H. atacam de Darude e Safri Duo, o que público vai comentar no dia seguinte é que "o DJ era bagaceiro" e "a festa só tocava música velha". Não basta ser uma música conhecida, tem que surpreender.

Claro que existem aquelas músicas que se tornaram verdadeiros clássicos de pista e, por mais que sejam tocadas, nunca ficarão datadas. Os modernos sempre vibram ao ouvir "Big Fun" do Inner City, ou "Blue Monday" do New Order - petardos certeiros para conquistar uma pista fria. Já nas pistas gays, um hino que pega bem é "I Feel Love", da Donna Summer - desde que o inglês Steve Lawler revitalizou a música no terraço da Space, em Ibiza, nos idos de 2000-2001, ela virou queridinha nos cases daqueles DJs com som mais "festeiro". Em São Paulo, vez ou outra ela aparece nos sets dos residentes da The Week. É quase uma unanimidade.

Agora, quando o assunto é surpreender, ninguém até hoje me impressionou mais do que a americana Twisted Dee, que tem residência esporádica nas pool parties da Rosane Amaral. A gorducha oxigenada tem a capacidade de sacar da manga as velharias mais improváveis, sempre com ótimos resultados. Na festa histórica de Carnaval na Estação do Corpo em 2006, ela desenterrou "Love Shack", dos B-52's (1989), e fez todo mundo dançar. Na edição de primeiro de janeiro deste ano, ela atacou com "Sunshine of Your Love", pérola imortal do hard rock lançada em 1968 pelo Cream, grupo de Eric Clapton. Mais uma vez, deu supercerto (era até engraçado ver as barbies rebolando com uma música que eu escutava quando era pequeno, no quarto do meu tio roqueiro).

Isso mostra que estar atualizado pode ser importante, mas não é preciso ser escravo das últimas tendências o tempo todo para fazer uma boa apresentação. Quem tem cultura musical e conhece bem sua pista consegue pescar o que importa no passado da música pop e fazer maravilhas. Afinal, como diziam os nossos pais, música boa é atemporal.

10 comentários:

Marcelo Oliveira disse...

Só para adicionar mais uma na lista..."Wanna be startin´ somethin" do bom e velho Michael, parte de Thriller que completa 25 anos em 2008. Essa foi reivtalizada como sample do hit do momento " Please don´t stop the music" da Diva do momento " Rhianna"...
Help me sing it: Mama se, mama sa, mama coo sa. ...
Mama se, mama sa, mama coo sa, mama se, mama sa, mama coo sa,...

Tony Goes disse...

Pequenina correção: "Wanna Dance with Somebody..." é do primeiro disco da Whiteny, de 1985. Eu lembro porque eu estava lá, snif...

E por falar em oldies repaginados, já ouviu "Vogue" em versão tribal? Tem no DJ set do Morais disponível lá no blog do Ítalo. Ficou bacana (não sei se o remix é do próprio Morais). Mas vamos combinar que tocar "Vogue" é covardia, só perde para "Dacin' Days".

introspective disse...

Tony: Não, senhor. "I Wanna Dance With Somebody (Who Loves me)" foi o primeiro single do segundo álbum dela - o Whitney, de 1987. Pode conferir onde você quiser. E eu também estava lá... hehehe (com 7 anos, mas estava!).

Vítor disse...

Eu aguardo ansiosamente o dia em que algum DJ de tribal vai tocar "I was born to love you" do Queen. Essa música é super-tribável (ui), imagino até as paradinhas só com os vocais. :P

Too-Tsie disse...

Pois eu acho que tá mais que na hora de sair dos trash 80's e pular pros 90's.
Esse povo bem que poderia repaginar os baba hits de rádio(alguns amigos chamam simplesmente de fubá pocotó), os euro dances, que TODO MUNDO conhece.
Tipos, uma whigfield tribal, um double you house fino hihihi.

cdossi disse...

Correção é sempre bem-vinda, gracias.
"Everybody Everybody" é TUDO, ouço sempre o cd. "Fantasy", "I Don't Know Anybody Else" (a melhor)...
Sabia que não era aquela vocalista linda que cantava de verdade? Era uma gordeenha.
Trucão igual ao do Milli Vanilli. :)

Estefanio disse...

hahahah concordo com tudo, é sempre bom akela velharia certa na hora certa. Essa festa nas Casas Franklin foi super bem comentada, raivinha de nao ter ido.
A Vogue do set do Morais é do própio mesmo, e nem tem como nao abrir o leque e sair rodando pela noite quando toca, mas a minha velharia do momento eh Baba O'Riley do The Who de 1971 que os Cube Guys deram um tapa e atualizaram, já to ate vendo as bees cantando no carnaval: Don't cryyyy, don't raise your eye, it's onlyyy teenager wastland.

Gui disse...

Me lembrou Tony Moran tocando "You're not alone", da tia M.J., naquela Alegria do Scala.

Na época, teve blog formador de opinião torcendo o nariz, mas eu amei. Alias, foi um dos melhores momentos da festa.
(Tá que agora ele repete a musica em todos os sets que faz por aqui. Perdeu a graça. Uma vez só e chega, né?)

Anônimo disse...

Blog legal,
comentários bacanas,
mas muita pretensão,não é mesmo?!!

Anônimo disse...

O post é fraco, e sem embasamento crítico e histórico...

Me lembrou aquela música:

So boring,
Boring, Boring, Boring!!!!

(Ai não, é horny!)

Whatever!