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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Jogações à vista


Curte uma boa jogação? Prepare o corpo e o bolso, pois este segundo semestre de 2010 está beeem animado, com uma série de bons shows pela frente e muitos, muitos festivais. O site rraurl.com fez um guia indispensável com informações e line ups detalhados. Tem muita coisa boa, e não só na música eletrônica, e não só em São Paulo.

Entre os shows, eu até gostaria de ver o AIR, sou apaixonado pelo duo francês, mas a apresentação deles no festival da Natura, em outubro, terá apenas 60 minutos. Talvez valha mais a pena ir vê-los em Belo Horizonte ou no Rio de Janeiro, caso eles se apresentem sozinhos nessas cidades. Eu também consideraria ver Hot Chip, Mika e Smashing Pumpkins no festival Planeta Terra, em novembro, e o Scissor Sisters, no Clash.

No capítulo de DJs, nada me comoveu tanto quanto o festival SWU, que vai rolar durante três dias de outubro (no feriado) na Fazenda Maeda, em Itu (SP). Um dos dias vai reunir Nick Warren, Sander Kleinenberg, Sharam (Deep Dish), Markus Schulz, Roger Sanchez e Life is a Loop, um line up que não fica devendo nada às boas edições do Creamfields de Buenos Aires. Outro festival que promete é o Ultra Music Festival, com Fatboy Slim, Groove Armada, Moby, Kaskade, Above & Beyond e Carl Cox. Mas esse eu vou perder, pois estarei curtindo o Hell & Heaven, na Costa do Sauípe (BA).

Isso sem falar nas festas menores. Aqui em São Paulo, está rolando o Prestonight Week, espécie de Restaurant Week das baladas: você compra uma pulseira e pode entrar livremente em mais de cem casas, durante o finde ou a semana inteira. Eu não encararia essa, mas estou bastante tentado a terminar logo este post, tomar um banho e ir ao D-Edge, ver o japonês Satoshi Tomiie, outro DJ que eu adoro. Quer dizer, isso se eu conseguir espantar o cansaço acumulado. Alguém tem um supositório de wasabi?

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Uma noite no Lions, novo clube eletrônico de SP

O circuito eletrônico de São Paulo acaba de ganhar um novo endereço. O Lions Nightclub, parceria entre sócios dos clubes Vegas, Clash e Royal, abriu as portas na última quarta-feira, em uma localização tão charmosa quanto improvável: o número 277 da Brigadeiro, quase na esquina com Maria Paula, já no Centrão (a Praça da Sé fica a apenas 100 metros). A casa ocupa o primeiro andar de um prédio dos anos 50, e o projeto valoriza referências estéticas dessa época. Pé-direito altíssimo, pesadas cortinas de veludo, paredes ornadas por azulejos (de Anita Malfatti, segundo li por aí), sofás de couro, piso de tacos e até animais empalhados dão o tom e recriam a atmosfera dos antigos clubes fechados para cavalheiros, inspiração declarada do sócio Facundo Guerra nesse novo empreendimento. O resultado é de um requinte antiquado, escurinho e intimista – mal comparando, é como se jogassem no mesmo liquidificador o clube Vegas, o edifício Copan, a lanchonete Frevo e o finado restaurante Pandoro.

O bar ocupa o centro do salão principal, dividindo-o em dois ambientes: um deles é uma área “social”, para conversar em pé, e o outro é o lobby, que funciona como uma pista secundária de dança e tem um janelão envidraçado com vista para os prédios do Centro. A tal área social tem ainda dois camarotes vips, construídos sobre pequenos tablados, com sofás de veludo e os tais azulejos de época para enfeitar. Em uma das extremidades, uma porta giratória conduz à pista principal, isolada acusticamente, com projeções sobre os espelhos das paredes, emulando uma espécie de efeito 3D. A parte mais bacana da casa, porém, é a enorme varanda que se acessa pelo lobby, e que revela uma linda vista da região, incluindo a cúpula da Catedral da Sé e as copas das árvores que margeiam a 23 de Maio, avenida que passa ali embaixo.

O conceito de clube de cavalheiros não orienta apenas a decoração. Seguindo o exemplo de antigas casas como o Gallery paulistano, o Lions é um clube para sócios. Mil pessoas estão sendo escolhidas pela casa (“as pessoas mais bacanas da noite, moda, cultura, arte, rock e música eletrônica, entre DJs, promoters, agitadores culturais, travestis, gays, héteros, playboys e undergrounds”, segundo Facundo) para receber um cartão de sócio, que as dispensará do pagamento de entrada e consumação e permitirá que convidem quatro amigos por mês, com a mesma isenção de custo. O acesso a quem não for contemplado com a tal carteirinha não é totalmente fechado: a casa permitirá a entrada de 100 não-sócios por noite, impondo uma consumação mínima entre R$80 e R$120. Quem conseguir colocar o nome na lista de algum DJ amigo pode garfar um descontinho.

Na programação, as quintas-feiras ficam por conta do núcleo de festas Chocolate, com black, funk, soul e afins; as sextas seguem a sistemática do Vegas e alternam vários projetos – incluindo MOO e Buati, as festas que têm feito a cabeça dos modernos do Rio de Janeiro; já os sábados são de responsabilidade da 3Plus, maior agência de DJs do país, que tem em seu casting nomes como Mau Mau, Marky e Renato Cohen. Para surpreender o público, os DJs serão convidados a inovar, tocando estilos que fujam de suas especialidades – Marky, lenda do drum n’bass, pode fazer um set de house, por exemplo.

Fui conferir o Lions anteontem. Magal e Márcio Vermelho recebiam o inglês Tim Sweeney (do selo DFA, o mesmo do Hot Chip e LCD Soundsystem), mais os DJs da festa carioca Moo. Clube novinho em folha, inauguração hypada pela imprensa, cardápio musical de qualidade: fui preparado para uma noite de flashes, brilhos e muita lotação, com direito a drama na porta. Qual não foi minha surpresa ao me deparar com um clube tranquilo e até meio morno – a casa devia estar operando com uns 30% de sua capacidade, quando muito. A maior parte das pessoas ficou dançando na pista secundária do lobby ou conversando na varanda, e a pista principal foi fechada na metade da noite, após ter recebido não mais do que vinte pessoas. Foi uma noite agradável, sem dúvida, mas eu esperava mais – no mínimo, um clube cheio e bombante, animado pelo frisson da novidade.

Talvez meu raciocínio tenha sido condicionado pela minha experiência clubber recente, vivida quase exclusivamente na noite gay, que é muito mais polarizada. Ali, as pessoas devoram as novidades loucamente, e aderem com paixão aos seus clubes do coração – theweekeiros e bubuzeiros são tão fiéis às bandeiras que carregam como corintianos ou palmeirenses o são com seus times. Na noite moderna, isso não acontece tanto: as pessoas transitam mais entre lugares diferentes, e escolhem sua noite muito mais com base nas atrações convidadas do que pelo clube em si. Nesse sentido, o Lions não veio para ameaçar ou desbancar os outros clubes – ele é apenas mais uma opção no circuito, mais uma casa em que bons nomes da eletrônica poderão se apresentar, um lugar para ir dançar ocasionalmente.

E o público? As meninas vieram vestidas de periguete-dos-anos-80, com maquiagem daquela época e cabelo repicado ou com penteado poodle; entre os homens, muito bigodinho de líder sindical, alguns de gravata fininha com All Star e outros tantos com pólos listradas à la marinheiro, tipo aquelas roupas da Staroup e US Top que eu via nas araras da Mesbla quando era pequeno. OK, brincadeiras à parte, na segunda noite de funcionamento após a inauguração, ainda é cedo para traçar um perfil dos frequentadores da casa. Mas achei o público menos gay e carudo que o do D-Edge, menos flashy e fashionista do que o do Glória, menos teenager que o do Clash e, sem dúvida, muito menos despojado que o do Vegas.

Também, com os preços praticados pela casa, não poderia ser diferente: por um suco de uva, cobram-se R$9. Os drinques, preparados por barmen engomadinhos em camisas de listras finas, não são nada generosos e custam a partir de R$24 – além de coquetéis clássicos como Cosmopolitan, Bellini e Kir Royal, há poucas invenções, como o cremoso Saphari (vodka, abacaxi e lima), a R$28. A vodka mais barata, com energético, custa R$29. Não convém exagerar, já que é preciso estar sóbrio na hora de conferir a conta – tive bebidas cobradas em duplicidade e precisei reclamar com a gerência. E eles ainda cobram mais 10% de serviço.

O Lions é uma novidade bem-vinda na cena eletrônica paulistana, que acabou de ganhar o Hot Hot e em breve terá também a expansão do D-Edge. O próprio Facundo Guerra abrirá um segundo clube no Centro, o Pan Am, que terá perfil menos elitista e receberá os projetos remanescentes do Vegas (que fechará as portas). Essa política de clube para sócios com preços salgados será um entrave para a popularização da casa, mas, pelo visto, a proposta é justamente essa: ser um espaço mais exclusivo e para um público mais velho, bem diferente da bombação do D-Edge e das filas nonsense do Hot Hot. Muitas pessoas certamente apreciarão esse diferencial, sobretudo os clubbers da Velha Guarda.

Sabem o que eu acharia realmente incrível? Se alguém alugasse o espaço do Lions para uma festa gay na semana da Parada. Ideal seria um grande after (o clima decadente do Centro e a luz baixa do ambiente dão ao clube uma inegável vocação de inferninho), ou mesmo uma day party de inverno, tipo das 9h às 19h. As bichas ficariam deslumbradas com o espaço, o terraço seria palco de momentos inesquecíveis, e nós teríamos uma dessas raras festas que entram para a história. Fica a dica para os produtores que leem este blog...[Lions Nightclub na noite de inauguração - foto de Paulo Otero]

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Carnaval SC 2010: quem, quando e onde

Quando comecei a ir para Florianópolis, em 2004, o Carnaval da ilha era uma opção mais low profile à jogação descontrol do Rio de Janeiro. O esquema era muito simples: os dias na praia Mole, onde um desleixado Bar do Deca reinava soberano, e as noites na única boate da cidade, a Concorde (cuja pista, redonda e giratória, eu apelidei carinhosamente de "drag grill"). Não havia carão, todo mundo baixava a guarda e interagia, e o colocón era bem tímido, só para dar um brilho mesmo. Esse clima leve, aliado ao sabor de novidade e à beleza das praias, foi atraindo mais e mais gays de outras regiões do Brasil.

Eu também gostei da brincadeira, e passei a alternar meus carnavais entre RJ e SC [os prós e contras de cada um, eu analiso aqui]. A cada nova viagem para o sul, o crescimento era nítido. O grande salto foi dado em 2008, quando a ilha deixou de ser um destino regional e ganhou projeção nacional. Enquanto o sucesso de Jurerê Internacional fez com que os mais empolgados e até a imprensa passassem a se referir a Floripa como a "Ibiza brasileira", a cena gay passava a um novo nível com a chegada da The Week, que comandou uma maratona de festas e DJs típica do eixo Rio-São Paulo. Os manezinhos perderam a inocência e começaram a se jogar como gente grande.

Continuo fazendo o meu rodízio, e 2010 será meu quarto Carnaval em Floripa. Como tenho o hábito de planejar as minhas viagens, tratei de fazer um levantamento das festas e DJs que vão agitar a ilha, e dou todo o serviço aqui, para que você, leitor do blog, também possa fazer sua programação. Com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, um planejamento decente é a melhor maneira de conciliar festas e fervos diurnos, sem se perder pelo caminho.

Tudo indica que não haverá grandes novidades nesta temporada. Para os turistas gays, a The Week continua sendo a opção mais prática e cômoda, e deverá lotar todos os dias, apoiada em DJs residentes e convidados que já são velhos conhecidos do seu público. Correndo por fora, estão o clube Concorde, que só não abrirá no domingo, e a festa E.Joy, que fará uma edição justamente no domingo. A Sunrise, festa do barco que já havia virado tradição no domingo de Carnaval, não será realizada neste ano.

Você acha que já ouviu "Bad Romance" o suficiente? Uma sugestão é juntar um grupo de amigos e se jogar nos superclubes eletrônicos, que receberão top DJs como Hernán Cattáneo, Erick Morillo e Armin Van Buuren. O Pacha fica em Jurerê Internacional, no norte da ilha; já o Warung, o Green Valley e o estreante Blue Coast ficam na região de Balneário Camboriú e Itajaí, a uma hora de carro de Floripa. Tenho amigos (gays) que não trocam o Green Valley e o Warung por nada: afinal, a vibe é incrível e os homens são de babar.

Aliás, mesmo quem preferir não arriscar uma jogação noturna tão distante (e ter que voltar dirigindo para casa depois!) pode dar uma olhada em Jurerê durante o dia: os beach bars Parador 12 e El Divino têm bons DJs animando a praia e muita gente bonita. Outra pedida para quem quer mudar de ares é conferir a Praia do Campeche, que, de dois anos pra cá, vem recebendo os belos que cansaram da Mole.

Aqui vai a agenda de atrações [vou atualizar caso surjam novidades ou alterações]:

QUINTA (11/2) Slam T & Romulo Azzaro, Concorde.

SEXTA (12/2) Life is a Loop, Warung. Erick Morillo, Green Valley. Abel, The Week (casa abre às 23h). Café com Vodka, Jivago. Marcinha & Paty Laus, Concorde.

SÁBADO (13/2) Armin Van Buuren, Green Valley. Kaskade, Pacha. J. Louis & Isaac Escalante, The Week (casa abre às 17h). Danny Verde, Concorde.

DOMINGO (14/2) Sharam (Deep Dish), Warung. Steve Angello, Green Valley. Life is a Loop, Parador 12. Juanjo Martin & Tony Moran, The Week (casa abre às 17h). Ralphi Rosario, Ana Paula & Ale Bittencourt, E.Joy @ Alameda Casa Rosa. Phil Romano, Splash @ Concorde (festa da espuma, só para homens).

SEGUNDA (15/2) Bob Sinclair, Green Valley. Seb Fontaine, Ned Shepard & Nadia Ali, Blue Coast. Hernán Cattáneo, Pacha. Peter Rauhofer, The Week (casa abre às 23h). Tiago Vibe & Joe Welch @ Concorde.

TERÇA (16/2) Luciano, Warung. Kaskade, Green Valley. Gui Boratto, Parador 12. Steve Angello & Moony, Pacha. Chris Cox, The Week (casa abre às 17h). DJ Paulo, Concorde.

QUARTA (17/2) Café Com Vodka, Latitude 27.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Rapidinhas paulistanas

HIGH SCHOOL ICE CREAM Para criar um hype em torno do picolé Magnum, a Kibon montou uma casa temática chamada Magnum Hall, e convidou alguns chefs para criarem sobremesas usando o sorvete. O espaço tem decoração inspirada em musicais da Broadway - na linha do comercial que mostra uma garota mordendo o picolé e sendo transformada em diva do cinema, com o mote "o prazer de se sentir tratada como estrela". Os garçons fazem pequenas performances a cada sobremesa servida e, depois do sorvete, as clientes mulheres ganham de presente uma sessão de maquiagem (?!), para terem seu momento diva. Confesso que achei tudo meio over (me senti no Planet Hollywood, nos idos de 1995!), mas a sobremesa que provei era incrível: um Magnum sabor cookies partido em quatro numa taça, com creme de mascarpone, calda de frutas vermelhas e um suave toque de vinho Beaujolais. Quer provar? O Magnum Hall funciona só até o dia 31/1, das 12 às 0h, na Rua Amauri, 352.

ASIÁTICO 2.0 A filial paulistana do restaurante tailandês Nam Thai (que eu provei e aprovei aqui) fechou as portas em maio. Minha tristeza durou pouco: eu logo soube que a casa seria apenas repaginada, reabrindo com outro nome. Parece que o upgrade foi de primeira. O novo Ban Kao tem ambiente muito mais vistoso, e a culinária agora também cita Malásia, Vietnã, Indonésia, Cingapura e Japão. O antigo proprietário do Nam Thai (que continua firme e forte no Rio) se juntou aos donos do Asia 70, o que talvez explique a pegada "baladeira" da nova casa, que tem luz mais baixa e house music bombando. É um dos próximos restaurantes da minha lista de novidades a conferir.

JOGAÇÃO DE QUINTA(-FEIRA) Por falar em house music, um dos meus DJs preferidos, o holandês Sander Kleinenberg, toca amanhã no Pacha de São Paulo. Sander foi um dos papas do progressive, minha vertente eletrônica predileta, mas hoje seu caldeirão sonoro é bem diversificado. Entre suas últimas produções está um remix babadeiro para "Celebration", da Madonna. Rodrigo Ferrari abre a noite, e o convidado assume as pickups às 2h. A consumação mínima é de R$100 (H) e R$50 (M). Ainda não sei se vou encarar essa jogação bem no meio da semana. Nas minhas últimas experiências no clube, a pista era ocupada por uma horda de patileusas de echarpe e salto agulha, que ficavam paradas fazendo carão; com isso, os DJs, desestimulados, acabavam fazendo sets bem aquém do padrão habitual.

BOLACHA TRAKINAS E já que o assunto é DJ, adorei a fofa que fechou o Café Com Vodka do último domingo, no Sonique. A menina fez um set superbacana, com hits dos anos 90 em remixes bem atuais (parêntese: é impressionante como TODA DJ sapa gosta de tocar Gala, vocês notaram?), e conseguiu fazer a pista deixar o modo blasé e se jogar de verdade (teve até blogayro subindo na caixa de som e fazendo dancinha abusada até o chão). Fervida e mega carismática, a DJ estava em êxtase e parecia se divertir ainda mais que a gente. Depois fui descobrir que ela se chamava Cella Toledo e já havia tocado em outras edições do projeto. Ei Duda, que tal transformá-la em residente? A moça tem potencial para estourar, e depois você poderá dizer que foi o CCV que a descobriu primeiro!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Rapidinhas baladeiras

NOITE DOS SONHOS Um dos mais concorridos festivais gays do mundo, o Black & Blue faz milhares de belos circuiteiros baterem cartão em Montreal a cada mês de outubro. O site da fundação que organiza o B&B já começou a soltar as informações da edição 2009, e eu fiquei simplesmente pretérito quando soube quem vai tocar na festa principal, em 11/10: Sasha, John Digweed e Dave Seaman. Ouvir os três papas da progressive house, juntos, num centro de convenções gigante [o Palais des Congrès, na foto ao lado] apinhado de homens lindos, parece até um sonho. Enquanto aqui somos obrigados a engolir a gritaria tribal sem reclamar, no Canadá até as barbies ouvem música boa...

YO NO CREO EN BRUJAS... Já em outro festival gay bombado, o Circuit Festival, que começa amanhã em Barcelona, o clima é tenso nos bastidores. Segundo fofoca que ouvi do meu provável único leitor português, as autoridades fecharam o Souvenir, afterhours tradicionalíssimo onde aconteceriam algumas das festas mais esperadas do programa. O Matinée Group, que organiza o festival, corre contra o tempo para achar outro lugar e salvar o fervo das bilus. Não é de hoje que a Espanha anda intolerante com a jogação: de 2007 para cá, a prefeitura de Ibiza vem fechando clubes e proibiu toda e qualquer festa após as 6 da manhã - jogando areia nas day parties da Space, que eram justamente as festas mais especiais da ilha.

DOMINGO EU QUERO VER Tô gostando bastante dessa nova movimentação em torno de baladinhas dominicais em São Paulo (o Mix avisa: é tendência). Como o inverno não inspira pool parties, o jeito é pensar em festas indoor. Primeiro veio a despretensiosa Gambiarra, no Cambridge - que nem é gay, mas começou a atrair um povo cansado das matinês de sempre. Agora, dois projetos novos vêm aí. Dia 9/8, o Sonique estreia seu Café com Vodka, sob a batuta do fervido Duda Hering. No domingo seguinte, é a vez da festa Dalva, que Ailton Botelho e Marcos Costa farão quinzenalmente no Vegas, com o promissor André Garça como DJ residente. Ainda sou fã incondicional da Blue Space, mas vou adorar ter novas boas razões para não sofrer com a aproximação da segundona.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Os melhores clubes eletrônicos do mundo

A revista inglesa DJ Mag soltou a versão 2009 do seu ranking anual com os cem melhores clubs do mundo. Em primeiro lugar, nenhuma novidade: deu Berghain, incrível balada dentro de uma usina desativada de Berlim, que eu vivi e contei aqui. Logo abaixo vêm o Fabric, que passou a reinar absoluto em Londres depois do fechamento do The End, e o sensacional Space, que sozinho já justifica uma viagem à ilha espanhola de Ibiza. Ainda entre os dez mais, bambambãs já bem cotados em votações anteriores, como o Womb de Tóquio, o Amnesia de Ibiza e o Watergate de Berlim, além do próprio The End londrino, em homenagem póstuma.

A maior surpresa aparece em nono lugar: o nosso D-Edge [foto]. O lugar é bacanérrimo e um orgulho da nossa cena paulistana. Ainda assim, fiquei admirado vendo ele ficar acima de tantos outros clubes de peso. Mas isso não importa, e acredito que o caixote de néons da Barra Funda ficará ainda mais legal quando a expansão estiver pronta. A resenha exalta o sistema de luzes, a qualidade do som e o ecletismo do público: "sapatos de salto alto dividem a pista com tênis All Star, todos na mesma onda".

Outros clubes brasileiros que estão bem na fita são o Warung, de Itajaí (SC), em 15º, e o Sirena, de Maresias (SP), em 19º - ambos mereceram elogios rasgados de DJs estrangeiros que vieram conhecê-los. O Pacha de Buenos Aires aparece em 22º. O ranking, que pode ser visto aqui, é uma mão na roda na hora de planejar aquela jogação básica no Exterior. Afinal, a melhor balada da sua vida pode estar onde você menos imagina. Eu, por exemplo, não tinha ideia de que o Berghain pudesse ser tão especial.

domingo, 5 de abril de 2009

A fórmula do Skol Terreirón


Sabem como se faz a "melhor festa eletrônica do mundo"?

Prestem atenção na fórmula, macacas:

Pacha + Beto Carreiro World + Salão do Automóvel = SKOL SENSATION

(Foi o erro! Filas gigantescas para entrar, música simplesmente horrorooosa, shows que eram o cúmulo da cafonice, produção bem mais pobre que a original, bares em colapso, héteros mal-educados e, para coroar o desastre, seguranças que empurravam, agrediam e machucavam o público, na tentativa de abrir espaço rápido na pista, para que um carrinho cheio de performers-medo desfilasse.
Tipo, fomos literalmente ATROPELADOS pela "intervenção artística",
é mole???)

Eita dinheiro jogado fora! Jesus me dê Fendi!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

A "aerovana" da Gol ataca Buenos Aires

Enquanto eu dava pinta no Planalto Central, teve muita gente que passou o fim de semana se esfalfando para tentar comprar os assentos promocionais que a Gol disponibilizou no tal Feirão. Como já aconteceu em promoções semelhantes dessa companhia que nasceu para ser barata, o site teve vários problemas - e, ainda assim, o resultado das vendas foi 40% superior ao que eles esperavam. Entre as pechinchas, tinha Guarulhos-Buenos Aires a R$179.

Alguns amigos felizardos conseguiram garfar seus lugares e vieram me pedir dicas argentinas. O blog tem bastante coisa sobre o assunto, que ainda é um dos que mais atraem internautas para cá, por meio dos sites de busca. Basta clicar no marcador "buenos aires", no canto esquerdo, e todos os meus posts relacionados ao tema aparecerão. Vou aproveitar essa "marolinha" de interesse sobre a cidade e deixar aqui mais algumas dicas.

Pelo visto, o Palacio Alsina deixou de fazer noites gays [alguém pode confirmar essa informação?]. Com isso, o Amerika torna-se praticamente a única opção de clube direcionado às culegas di classe. Pelo menos, o clube tem caprichado na programação eletrônica: amanhã, por exemplo, o convidado é o sempre chique Aldo Haydar. No capítulo bares, um amigo portenho acabou de me contar sobre uma nova opção para as sextas, o Rheo Bar, que fica ao lado do Crobar (ali no Paseo de La Infanta, dentro dos Bosques de Palermo). Ele disse também que o clube eletrônico Mandarine está emplacando nos sábados como uma opção um pouco mais gay do que o Pacha.

Neste sábado, nunca é demais lembrar que vai rolar em Costa Salguero a edição 2009 do festival Southfest - com Sasha, Tiga, Fischerspooner e o ótimo Basement Jaxx no line up. Nem preciso dizer que, por conta do festival, o after do Caix (que também fica em Costa Salguero) estará babadeiríssimo e absolutamente imperdível. Se bobear, vai ser mais divertido que o Southfest em si.

Para quem gosta de gastronomia e já é habitué da cidade, uma dica bem legal é o Guía Oleo, um site com resenhas de restaurantes. Jabá não entra: as avaliações são feitas pelo próprio público, que dá notas sobre comida, serviço e ambiente, e faz comentários francos e reveladores. É uma ótima maneira de se inteirar sobre as novidades do circuito (há uma seção só com lugares novos) e também saber a quantas andam os velhos conhecidos. Antigos favoritos do blog, o bufê Marini Gourmet e o tailandês Empire parecem ter deixado a peteca cair, tamanho o número de críticas falando sobre sua decadência. Outro que não tem sido poupado é o Te Mataré Ramirez, aquele da culinária contemporânea afrodisíaca. Hora de riscá-los do roteiro e abrir espaço para outros sabores.

Já para quem quer se situar na noite portenha, o endereço é o Buenos Aliens, que traz a agenda dos principais clubes/festas/afters da cidade e arredores. Ótimo para achar baladas no meio da semana (o Bahrein continua bombando), ou mesmo descobrir quem estará tocando no seu boliche (clube) predileto no finde. Hoje, rola no Niceto uma edição da Brandon Gay Day, festa esporádica que atrai um público gay mais alternativo. E para quem gosta de um som eletrônico mais underground, aqui vai a última dica: dizem que o Cocoliche está cada vez melhor.

[UPDATE: para pesquisar restaurantes, mais uma dica é o site Vidal Buzzi, que tem um mecanismo completo de busca por ambiente, comida, bairro e faixa de preço]

quinta-feira, 19 de março de 2009

Pistinhas e pistonas

Faz tempo que não enfio o pé na jaca dicumforça - mesmo o meu Carnaval no Rio foi relativamente calmo nesse sentido, embora tenha rendido muito em outros aspectos. Normalmente, o cenário eletrônico começa o ano morno e engrena nesta época, com as especulações sobre o line up do Skol Beats. Neste ano, parece que não vai mais rolar o festival (que arriscou uma edição 'interativa' no ano passado, e nem assim conseguiu repetir o êxito dos velhos tempos no Autódromo), mas já estão aparecendo outras noites candidatas a zuar meu relógio biológico.

A primeira delas acontece dentro de algumas horas, no D-Edge. A caixa de neons piscantes da Alameda Olga tem trazido nomes fortes do circuito internacional nas noites de quinta-feira, e hoje o convidado é ninguém menos do que o top Steve Lawler. A escolha da quinta tem diversas explicações: é a noite do projeto Moving, de progressive house; tem o público mais abonado (me segurei aqui pra não dizer 'playboy') da semana, que pode pagar uma entrada de R$100 sem chiar; e, para um clube de dimensões reduzidas, é mais fácil dar conta da muvuca do que seria na sexta ou sábado.

O problema que, ao contrário dos club kids que nasceram com a vida ganha e não têm grandes responsabilidades no dia seguinte, eu não poderei me dar ao luxo de passar a noite em claro e ir trabalhar virado ou, pior ainda, dar um perdido no escritório. Então, terei que declinar da chance de ver um dos meus ídolos. Mas não vou perder o Sasha, outro top do progressive que tocará no dia 9 de abril - outra quinta-feira, mas dessa vez véspera de feriado, então beleza. Na semana anterior, o clubinho da Barra Funda recebe Tiga, DJ que aprecio mais pelo visual do que por ter criado um dos electros mais grudentos e enjoados ever, o hit "Sunglasses at Night".

Ocupando a lacuna deixada pelo Skol Beats, rola nesse sábado um outro evento de massa. O nome não poderia ser mais tosco: Spirit of London. Não, não é iniciativa da Cultura Inglesa, nem vai ter jam session com Oasis e Blur fazendo as pazes no palco (aparentemente, o nome não tem nenhuma explicação mesmo). O line up tem uma pegada bastante popular, para a molecada: uma tenda de psytrance para os fritos das raves, outra de drum n'bass para os manos (cada vez mais carentes de opções nesse estilo), um palco em que a atração principal é o radiofônico Robbie Rivera, uma tenda de tribal (de novo???) pras bichas baterem cabelo... A tenda de house até tem nomes bacanas (Léo Janeiro, Júlio Torres), mas eles podem ser melhor aproveitados em noites comuns em clubes, longe do drama que é encarar um Sambódromo coalhado de adolescentes debutando no mundo das drogas. Eu passo.

Por fim, a outra grande festa eletrônica do calendário próximo é a Skol Sensation, dia 4 de abril, no Pavilhão do Anhembi. É um evento menor e mais elitizado, importando um formato criado na Holanda. Cenografias, acrobacias e performances teatrais disputarão a atenção com os DJs, num pretensioso "espetáculo multimídia" coroado por uma árvore de 45 metros de altura bem no meio da pista. A existência de ingressos "camarote premium" (R$320) e "camarote diamond" (R$1000, com jantar na Daslu e transfer de limousine incluídos) sinaliza que o público-alvo é beeem playboy. E o dress code branco obrigatório não ajuda muito (já não basta ter que tirar do armário o "modelito oferenda" pra festa daquela bilu?). Mas meus amigos estão aderindo em massa e isso já desempatou a questão pra mim. Afinal, com uma enorme roda cheia de pessoas pra lá de queridas, todas na mesma onda, os demais detalhes muitas vezes perdem toda a importância.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Notícias do reino das cerejinhas

Mantendo o espírito de mistura entre gays e héteros do post anterior, volto a falar sobre o Pacha, meu endereço eletrônico preferido na cidade por ser um dos que mais investem em house e progressive house (Clash, D-Edge, Vegas e Glória só são generosos com o electro, o techno, o minimal e aqueles gêneros híbridos bem inorgânicos do underground). Apesar da freqüência ser majoritariamente straight, os gays também marcam presença. Na recente apresentação da dupla Chus & Ceballos, por exemplo, encontrei um monte de amigos na pista.

Em tempos de Lei Seca, a casa buscou alternativas. Instalou um ponto de táxi lá dentro e passou a oferecer vouchers de desconto na corrida para quem gastar acima de R$ 50. Quem deixar o carro estacionado na casa pode ir buscá-lo até às 16h do dia seguinte, sem ônus adicional. E os clientes do camarote têm uma van à disposição para buscá-los e levá-los em casa. Mas a promoção mais simpática é a chamada “piloto da vez”: um grupo de quatro amigos escolhe o motorista da noite e este não paga o valor da entrada, se não consumir bebida alcoólica.

Entre as próximas atrações escaladas para tocar no clube em São Paulo, estão Infected Mushroom (10/10), Deep Dish (só o Sharam, em 17/10), Paul Woolford e Gui Boratto (25/10), David Guetta (5/11), Roger Sanchez (na festa de aniversário de 2 anos da casa, em 14/11), Bob Sinclair (28/11) e Danny Howells (5/12), presentão para fãs de progressive house como eu.

E já que estamos falando em Pacha, as novidades não se limitam a São Paulo. A franquia de Búzios vai receber uma edição da festa E.njoy, label party de André Garça (Cena Carioca), no dia 17/10. A festa é parte das comemorações do Búzios Free, um oba-oba GLS que vai trazer ao balneário (que eu morro de vontade de conhecer) festas, cinema, palestras e exposições - o gran finale será uma Parada Gay em versão náutica, a 1ª Barqueata do Orgulho LGBT. Já na filial de Buenos Aires, meu xodó Martín García fará a macacada argentina pular e gritar, em outra de suas apresentações bombásticas, no dia 18/10.

Para encerrar, a inauguração da esperada Pacha de Florianópolis (ilha querida por todos menos ele) já tem data quase certa: 13/11, com o top Roger Sanchez. Em Jurerê Internacional (onde mais?), o novo clube terá estrutura-monstro, com área de 110 mil m² (para efeito de comparação, a Pacha de SP é um galpão de 10 mil m²) e capacidade de até 12 mil pessoas. A dobradinha básica pista principal + terrazza externa será incrementada por 9 bares, 25 camarotes, um palco ao ar livre, espaço gourmet com pizza e sushi e um estacionamento para 3 mil carros. Enquanto o verão não chega, já para ter um aperitivo do que está por vir pela imagem abaixo:

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Vai começar o devaneio argentino, de novo

Amantes da progressive house, uni-vos: o Creamfields Buenos Aires, festival de música eletrônica que tradicionalmente dá uma atenção especial a esse gênero, já divulgou os destaques da próxima edição, que acontece no próximo dia 8 de novembro. Comemorando os dez anos do festival na Inglaterra, o line up de 2008 está sensacional: Steve Lawler, Satoshi Tomiie, Hernán Cattáneo, Martín García, Erick Morillo, Roger Sanchez, Cassius, Derrick May, David Guetta, Carl Craig, Booka Shade, M.A.N.D.Y., Gui Boratto e Simian Mobile Disco. (Tá?)

No site do festival ainda não consta a informação, mas o evento será novamente realizado no Autódromo de Buenos Aires (a ventania gelada, em pleno mês de novembro, pegou os brazucas de surpresa em 2007). Os ingressos já estão à venda a 130 pesos (cerca de 80 reais). Coloque na agenda e vá planejando a sua ida. Quatro dias por lá, com avião e hotel incluídos, saem a menos de 1000 reais (quanto você gastaria passando o mesmo período no Rio de Janeiro?).

E se você curtu a idéia, mas achou ruim que a data coincide com o único show da Kylie Minogue em São Paulo, que tal conciliar as duas coisas? Vá para Buenos Aires no dia 8, jogue-se de cabeça no Creamfields e no after do Caix, depois tire a semana para curtir os restaurantes deliciosos e as compras baratíssimas da cidade, e encerre a viagem com o show da cantora no sábado seguinte, 15/11 (informações aqui e aqui). Com isso, você passa uma semaninha mara na Argentina e ainda dá uma banana para a salafrária Tickets4Fun, responsável pela vinda de Kylie para o Brasil.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Berghain-Panorama, uma balada única

A queda do Muro de Berlim expôs ao mundo o grau de decadência em que se encontrava a Alemanha Oriental, combalida pela crise do regime comunista. Foi natural que os berlinenses do leste migrassem para a rica parte ocidental, atrás de bens de consumo e novas oportunidades. Berlin-Ost ficou jogada às traças e seus galpões abandonados ou postos para alugar a preço de banana passaram a atrair todo tipo de artistas e freaks - inclusive de fora da Alemanha. Esse processo de ocupação "alternativa" deu o tom do renascimento cultural e humano da região; hoje, é lá que está tudo o que rola de mais bacana em Berlim. Muitos dos melhores fervos são feitos em velhas fábricas e galpões reaproveitados. É num desses espaços que se esconde a balada mais incrível da minha viagem: o Berghain-Panorama, que rola dentro de uma antiga usina.

Chegar lá pode ser uma aventura para os incautos. O S-Bahn (metrô de superfície) não te deixa longe, mas o entorno do lugar é ermo como a CEAGESP. Sem sinalização alguma ("letreiro na porta"?! hahahá), você só saca que acertou quando começa a ver uma movimentação de gente em direção ao que parece ser uma grande fábrica abandonada. Entre alambrados, areia e entulho, a fila é surreal - cheguei às 5h10 de domingo e só consegui entrar às 7h20. Mas a espera é parte do ritual e uma ótima chance de se ambientar com a eclética fauna que vai dançar do seu lado. Todos os tipos e estilos possíveis estão ali, de jetsetters a ripongas, de lolitas a fortões, do modelão mais montado à roupa mais confortável... e eles interagem numa boa [algo impensável no Brasil, onde as pessoas têm a cabecinha segmentada, classificam umas às outras em rótulos, tribos, padrões e dão uma importância enorme a isso]. No fim das contas, a espera faz pessoas das mais diferentes origens e nacionalidades engatarem um animado tricô (viva a língua inglesa!), o tempo vai passando e, quando você já está perto da entrada, já fez amigos, garantiu uma rodinha na pista e, se bobear, até começou a engatilhar alguma pegação.

Vencido o leão-de-chácara (a criatura mais apavorante que já vi, um sujeito gigante com o rosto todo deformado e cara de nenhum amigo, daria um excelente agiota), você entra e percebe como o lugar é enorme. No térreo, há uma lojinha improvisada e o que eu imagino que seja um espaço para exposições ou eventos de arte. Subindo uma escadaria (total déjà vu da Fundição Progresso), chega-se à pista principal, que é a porção Berghain do clube. Com pé-direito de pelo menos 15 metros, luzes bombando e som entre a house e o techno, essa é a pista da "fritação", onde todos aqueles tipos da fila acabam formando uma massa surpreendentemente homogênea. No início, não dá para saber quem é quem na história, mas os gays logo se identificam tirando a camisa: basta tirar também para que coisinhas comecem a acontecer. À direita de quem dança olhando para o DJ, um enorme vitral iluminado por baixo separa o bar do maquinário intocado da antiga usina.

Outro lance de escadas leva ao segundo andar, a metade Panorama do espaço. O astral nesse segundo ambiente é bem diferente. A pista funciona no centro de um grande recinto quadrado, com paredes de ladrilhos brancos que lembram nossos antigos botequins. Por frestas no alto, a claridade do dia ilumina a pista, mas não mais do que o suficiente. O DJ toca num balcão baixo, totalmente ao alcance do público; do lado oposto, há um bar - e fica claro que os jovens bartenders estão na mesma vibe e se divertindo tanto quanto nós. O som - house, tech house, deep house, algum electro no caldo - é menos dark e mais alegre, mas sem ser "fofinho": tem momentos de euforia, com a pista gritando, e outros para botar o oclón e entrar numa onda introspectiva, sozinho ou acoplado com o peguete.

Mas as duas pistas são só uma parte do barato. Um passeio pelos corredores da usina vai revelando outras descobertas. Há cômodos que fazem a função de lounges, com sofás muito velhos onde o povo se esparrama, se beija, fuma um, fica abraçado de conchinha. Muito pouca luz passa pelas janelas, que são pintadas de diversas cores, dando um clima especialmente aconchegante e quase 70's ao ambiente. O mesmo clima avonts está na ante-sala de um dos banheiros, onde outro sofá serve de acampamento para um grupo fervidíssimo, que logo me inclui na próxima rodada de jägermeister (bebida escura que os alemães não se cansam de entornar e parece um Biotônico Fontoura alcóolico).

Em um território livre como esse, é fácil conhecer pessoas. No Panorama, as pessoas socializam na pista, fervem, o clima é totalmente "pra cima". Conheci ainda mais gente e dei os parabéns para uma DJ chilena que tocava um som incrível [seu nome é Dinky e ela toca ali uma vez por mês]. Já nas profundezas do Berghain, com os ânimos mais exaltados, os contatos são de outra natureza, e não raro acabam em algum dos dois grandes cômodos completamente escuros à esquerda da pista, onde os descamisados e todo o resto da Arca de Noé se lançam ao universo das experimentações físicas.

Lá pelas tantas, comecinho da tarde, depois de aproveitar de diversas maneiras, fiquei com um alemão na pista do Panorama. Ficamos curtindo lá e, num dado momento, ele me pegou pelo braço e me levou para fora. Eu já ia protestar dizendo que não queria ir embora, quando vi que tinham aberto uma terceira pista no jardim. Era uma espécie de "terraço da Space" improvisado, com a pista coberta por aquela mesma trama de frufrus entrelaçados que filtra uma parte da luz do sol. Todas as bees tinham ido para lá e o clima era quase o de uma pool party: a cada 5 minutos, alguém do clube abria uma mangueira para o alto e os respingos de água que chuviscavam na pista refrescavam a todos nós, que dançávamos felizes como se estivéssemos no Bora Bora de Ibiza ou na piscina da The Week. Tinha até trava dando close. Enfim, só arredei pé de lá às 15h30, e porque meu corpo exigiu. Meus amigos da fila da entrada ainda me chamaram para o after do after, mas colocar qualquer coisa depois daquele lugar seria como fechar um jantar divino com uma concha de sopa Knorr.

Saí de lá maravilhado. Aquela usina maluca tem um astral muito especial e o povo festeiro, de espírito livre e desencanado, é uma atração à parte. Na Space de Ibiza, que considero meu clube preferido, o público pode ser "variado" (héteros e gays, vários países etc.), mas ainda assim dentro de um certo padrão que freqüenta Ibiza: gente bem de vida, houseira, antenada, consumista, que usa oclón de grife, meio jetsetter. Ou seja, você já sabe mais ou menos o que esperar e que tipo de papo vai ter. Já no Berghain-Panorama não: lá tem de tudo mesmo, você realmente se surpreende ao conhecer as pessoas mais diferentes. É muito bacana ver que um povo tão heterogêneo pode dar uma liga tão boa. Muito mais legal do que ir a uma festa 100% barbie ou 100% muderrrna ou 100% emo. Não pude registrar nada (eu já sabia que o staff confiscava todas as câmeras e até celulares, porque não quer que a proposta da casa seja imitada), mas sei que não precisarei de fotos para lembrar da experiência.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Rapidinhas quase congeladas

::: Pelo visto o frio chegou chegando! Brrrrrr!!! Ontem à noite, os termômetros da Paulista marcavam 8 graus. Meus queridos amigos cariocas que mudaram para cá devem estar sofrendo, mas já sei como confortá-los. O Guia da Folha anunciou que o restaurante Marcel está fazendo um festival de suflês: um suflê grande, mais sopa de cebola para começar e frutas como sobremesa, por honestos R$38. Suflês caem superbem no inverno e os do Marcel são os melhores da cidade desde 1955. Quero ver meu amigão Xande resistir ao Maison, que leva camarão, queijo e champignon!

::: E mesmo com todo esse frio, a sorveteria carioca Mil Frutas está fazendo o maior sucesso em seu début oficial em São Paulo, no novo Shopping Cidade Jardim (antes disso a marca já mantinha uma geladeira dentro da filial da também carioca Torta & Cia. no Itaim, mas pouca gente sabia). Sou fã da Mil Frutas e espero que surjam outras lojas pela cidade. A escolha desse endereço para a estréia me pareceu bem acertada: num ponto em evidência, a rede não corre o risco de repetir o fiasco dos conterrâneos Gula Gula e Doce Delícia, que não souberam se fazer notar por aqui e tiveram que fechar as portas bem antes do que esperavam.

::: Falando no Shopping Cidade Jardim, será que eu fui o único que achou completamente desnecessária essa propaganda com a Sarah Jessica Parker? Precisamos mesmo do aval da atriz de um seriado americano, que nem sequer veio gravar o comercial aqui, para valorizar o que é nosso? Fiquei surpreso com o quanto muitos se deslumbraram - talvez porque eu não seja um iniciado em Sex And The City. Aliás, tenho reparado que as únicas resenhas positivas do filme vieram dos fanáticos pela série. Vocês me aconselham a devorar toda a temporada em DVD antes de correr para o cinema?

::: Será que fui eu que comecei a freqüentar ambientes diferentes, ou as festas juninas andam mesmo em baixa por aqui? Antigamente, era comum ir a duas, três, quatro quermesses no mês. Algumas delas, como as dos clubes mais tradicionais, eram tão badaladas quanto os melhores carnavais de salão. Hoje em dia, não vejo ninguém mais se mobilizar, nem comentar a respeito. Será que São Paulo deixou essa tradição para trás e virou a página?

::: Inverno também é tempo de escolher uma pousada bem aconchegante e se mandar de São Paulo no fim de semana. A maioria prefere destinos de serra, mas quem porventura escolher o Litoral Norte pode espantar o frio com uma excelente noitada eletrônica no sábado (21/6). O Sirena, em Maresias, vai receber o japonês Satoshi Tomiie [eu ia escrever 'top DJ', mas tô começando a achar essa forma de tratamento tão cafona...], que constrói sets de extremo bom gosto, passeando por diversas vertentes da house (era mais focado no progressive, mas agora também mescla electro, minimal etc.). Não poderia haver melhor forma de comemorar o centenário da imigração japonesa!

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Pacha Buenos Aires traz estrelas de progressive

Se você ficou com vontade de ir a Buenos Aires quando leu o post sobre o Southfest (minifestival que rolou sábado passado), atenção: o Pacha de lá está com uma programação sensacional nos próximos quatro finais de semana. Neste sábado (12/4), o clube recebe o holandês Sander Kleinenberg (que tocou anteontem na Anzu, em Itu). No dia 19, o astro local Martín García comanda mais uma Journey, residência trimestral em que constrói uma longa viagem pelas profundezas da progressive house. Em 26/4, a casa varia de estilo e investe na house de Chicago, trazendo o top Derrick Carter, que já tocou várias vezes no Brasil. E no dia 3/5, os convidados serão a dupla John Creamer & Stephane K, velhos conhecidos dos amantes de um som progressivo mais dark, e responsáveis por hits de pista como "Hide U" e "Wish You Were Here".

Se eu pudesse, nem pensaria duas vezes: iria ver meu ídolo Martín García, aproveitando que dia 21 é meu aniversário e feriado nacional. Mas voltar a ser estudante significa abdicar dos prazeres mundanos quando eles coincidem com a semana de provas... então fica a dica para os aventureiros. Dá para aproveitar um dos próximos feriados ou, para os que puderem tirar uma semana de férias, pegar o Sander no dia 12 e o Martín no dia 19. E nem tchuns para a programação cada vez mais capenga do Skol Beats.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Adeus Lov.e - é hoje

E daqui a pouco, se o sono não me derrubar antes, vou à festa de despedida do Lov.e, o clube que comandou o boom da música eletrônica no país, e está fechando depois de dez anos de ótimos serviços à comunidade. A festa vai da 0h até 12h, bafônica como toda noite histórica deve ser. Passarão pela cabine 25 DJs que fizeram história no clube, de Mau Mau a Daniel U.M., de Renato Lopes a Eli Iwasa, de Julião a Oscar Bueno.

Aqui você lê meu post fazendo um apanhado sobre a história e o significado do Lov.e pra mim; aqui, informações sobre a festa. Pra quem se animar, só R$20 de entrada.

domingo, 23 de março de 2008

Agenda eletrônica

::: Para quem gosta de dançar feliz, rebolando e cantando o refrão, o nova-iorquino Erick Morillo [foto à dir.] traz de volta ao Brasil sua boa house music com vocais conhecidos e um certo apelo comercial. No estado de São Paulo, serão duas apresentações - a primeira no dia 4 de abril, na The Week, e a segunda no dia 20 de abril, véspera de feriado, no Sirena, em Maresias. Ele também passará por Brasília (5/4), Belo Horizonte (18/4) e Balneário Camboriú (19/4). Morillo é um dos donos do selo Subliminal Records, há sete anos responsável por uma das noites de house mais bombadas do verão de Ibiza, que rola todas as quartas no Pacha de lá. O cara realmente toca com o coração: dança, canta junto e, a cada virada, fecha os olhos e dá tudo de si, como se estivesse tendo um orgasmo. Sem dúvida, alguém que ama o que faz.

::: Já os amantes da house progressiva não podem perder a apresentação do top holandês Sander Kleinenberg [o bonitão da foto à esq.], dia 5 de abril na Anzu, em Itu (a 92km de SP). O clube, gigante, é um dos mais bonitos do Brasil, e os preços são até camaradas para um DJ desse porte: para homens, entrada a R$ 30 mais consumação de R$ 20 (pista), R$ 40 (mezanino) ou R$ 80 (camarote). Tive a oportunidade de ver Sander tocando no Amnesia, em Ibiza, e posso garantir: o som do moço - arrasa-quarteirão, extremamente dançante e bem-humorado, passeando por diversas vertentes da house - vale a viagem até Itu.

::: Para quem puder ir um pouco mais longe, no mesmo dia 5 de abril acontecerá em Buenos Aires a quinta edição do minifestival Southfest - terceiro maior evento eletrônico da cena portenha, atrás apenas do gigantesco Creamfields e da South American Music Conference. Desta vez, a festa será em Costa Salguero, em formato menor e mais intimista. Os destaques do line up serão Paul Oakenfold, a dupla Underworld e o ídolo argentino Hernán Cattáneo - que deve fazer mais uma de suas apresentações apoteóticas. Quem for se aventurar pode aproveitar e esticar a balada no Caix - o famoso afterhours também fica em Costa Salguero e vive suas melhores manhãs quando acontece depois de festivais.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

The Week: expandindo seus horizontes musicais

Meus leitores mais antigos sabem que eu sempre fui meio crítico em relação ao som imposto pelas nossas pistas gays. Muitos DJs dizem que não podem fugir do lugar-comum e do bate-cabelo, porque isso acabaria desagradando a maioria dos freqüentadores e a pista tem que funcionar. E, para meu azar, meu gosto destoa do da maioria: sou uma das poucas pessoas que conheço que não consideram Offer Nissim a última Coca-Cola do deserto, muito menos o novo grande gênio da música.

No entanto, preferências à parte, não posso deixar de reconhecer: a The Week tem trazido para o público todos os DJs mais relevantes das diversas facções da cena gay mundial. Dos Estados Unidos já vieram todos os principais nomes do circuitão tribal (Tony Moran, Abel e Ralph Rosario, Manny Lehman, Chris Cox, Eric Cullemberg, Brett Henrichsen e, claro, o austríaco-de-Nova-York Peter Rauhofer) e, numa linha não tão focada no gueto, Danny Tenaglia e Victor Calderone. Da Europa, a casa trouxe o funky house inglês dos Freemasons e está estreitando relações com um dos mais fortes selos de festas da Espanha, o Matinée Group, responsável pelo melhor after de Barcelona e pela melhor festa gay do verão de Ibiza. De Buenos Aires, veio Aldo Haydar, biscoito fino da cena eletrônica portenha, residente do after que junta o povo mais bonito e fervido da cidade.

Claro que nem todos esses DJs são do meu gosto, e outros que aprecio ainda não vieram (estou confiante que o pessoal da TW ainda vai descobrir o Ismael Rivas, residente da Space of Sound de Madrid; como parece que eles lêem este blog, fica aqui a dica). Mas tenho que lembrar que a TW não é uma casa especificamente voltada à música eletrônica, e sim um megaclube gay destinado a agradar multidões de duas, três mil pessoas. Quem quer um som mais elaborado, moderno ou alternativo tem outros espaços na cidade que são direcionados a isso.

Mesmo assim, às vezes acho que a TW ainda poderia explorar mais outros estilos que também agradariam a boa parte dos ouvidos gays. Outras vertentes da house music, que é tão rica. De vez em quando, até vejo algum residente tentando (sobretudo o João Neto, que me parece ser o que mais pesquisa hoje em dia), mas ainda acho pouco. Parece que o clube ainda tem um certo pudor em ousar, como se a "proposta" da casa não permitisse.

Se essa limitação realmente existe, parece que André Almada veio com uma solução interessante para contorná-la: juntar forças com outros clubes. Que ofereçam um cardápio eletrônico mais variado, mas também tenham algo a oferecer para o freqüentador da The Week, mesmo não sendo clubes gays. E a escolha não poderia ter sido outra senão o Sirena e o Pacha. Ambos têm um público bonito, eclético e que aprecia música eletrônica, além de uma proposta musical que privilegia a house, especialmente progressive house e electrohouse - estilos bastante compatíveis com os "theweekeiros" (pelo menos os não tão viciados em tribal). Não por acaso, não são poucos os gays que freqüentam esses dois lugares e se divertem numa boa (o Sirena sempre foi meu clube preferido no Brasil).

A idéia dos três clubes é fazer uma parceria para trazer grandes atrações de fora, em festas conjuntas. O pontapé inicial será nesse fim-de-semana, quando a The Week descerá a serra para fazer duas festas em Maresias. A primeira, mais light, será na noite de sábado, no Morocco, espécie de "lounge dançante temático" dos donos do Sirena. A segunda será uma day party no próprio Sirena, na tarde do domingo. Quem ainda não freqüenta o Sirena e o Pacha já pode começar a ir se preparando para dançar muita música boa - e ver muito homem-diliça naquela zona cinzenta, "que não é mas pode vir a ser a qualquer momento". Essa aliança promete!

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Naftalinas absurdinhas

Há algumas semanas atrás, o prédio histórico das Casas Franklin, no centro do Rio, fervia com mais uma edição da festa Fase, parceria entre a Moo e os clubes paulistanos D-Edge e Vegas. No som, aqueles cruzamentos inclassificáveis de house, electro, minimal e disco que mantêm a pista do jeito que os muderrrnos gostam: cool e até alegrinha, pero no mucho.

A noite fluía como de costume - um carão básico aqui, uma conversinha acolá, um grupo uniformizado com camisetas da Reserva mais ao fundo - quando, de repente, o gringo convidado Todd Terje colocou uma antiga faixa da Whitney Houston, "Wanna Dance With Somebody", de 1987. Num primeiro momento, as pessoas se entreolharam sem acreditar; logo em seguida, começaram a sorrir, dançar e até cantaram o refrão. Num passe de mágica, o que era uma pista blasé virou uma festa de verdade. Ninguém ali poderia esperar algo tão inusitado.

O resgate das naftalinas está em alta em vários círculos. Ídolo das bibas que curtem house tribal com vocais, o israelense Offer Nissin fez "Happy People" renascer (não, essa música não é dele!) e agora tem ressuscitado "(I Wanna Give You) Devotion", hit dançante do Nomad, de 1991, em seus sets. Enquanto isso, o produtor italiano Benny Benassi anima as pistas comerciais da playboyzada com remixes de "Everybody Everybody" (Black Box, 1991) e até da jurássica "California Dreamin'", gravada originalmente pelo The Mamas & The Papas em 1965.

Colocar a música antiga certa na hora certa é um dos truques que os bons DJs usam para fazer uma pista bombar. Mas não é qualquer música velha que surte o efeito desejado; não vale recorrer a hits previsíveis, manjados. Se, por exemplo, os residentes da B.I.T.C.H. atacam de Darude e Safri Duo, o que público vai comentar no dia seguinte é que "o DJ era bagaceiro" e "a festa só tocava música velha". Não basta ser uma música conhecida, tem que surpreender.

Claro que existem aquelas músicas que se tornaram verdadeiros clássicos de pista e, por mais que sejam tocadas, nunca ficarão datadas. Os modernos sempre vibram ao ouvir "Big Fun" do Inner City, ou "Blue Monday" do New Order - petardos certeiros para conquistar uma pista fria. Já nas pistas gays, um hino que pega bem é "I Feel Love", da Donna Summer - desde que o inglês Steve Lawler revitalizou a música no terraço da Space, em Ibiza, nos idos de 2000-2001, ela virou queridinha nos cases daqueles DJs com som mais "festeiro". Em São Paulo, vez ou outra ela aparece nos sets dos residentes da The Week. É quase uma unanimidade.

Agora, quando o assunto é surpreender, ninguém até hoje me impressionou mais do que a americana Twisted Dee, que tem residência esporádica nas pool parties da Rosane Amaral. A gorducha oxigenada tem a capacidade de sacar da manga as velharias mais improváveis, sempre com ótimos resultados. Na festa histórica de Carnaval na Estação do Corpo em 2006, ela desenterrou "Love Shack", dos B-52's (1989), e fez todo mundo dançar. Na edição de primeiro de janeiro deste ano, ela atacou com "Sunshine of Your Love", pérola imortal do hard rock lançada em 1968 pelo Cream, grupo de Eric Clapton. Mais uma vez, deu supercerto (era até engraçado ver as barbies rebolando com uma música que eu escutava quando era pequeno, no quarto do meu tio roqueiro).

Isso mostra que estar atualizado pode ser importante, mas não é preciso ser escravo das últimas tendências o tempo todo para fazer uma boa apresentação. Quem tem cultura musical e conhece bem sua pista consegue pescar o que importa no passado da música pop e fazer maravilhas. Afinal, como diziam os nossos pais, música boa é atemporal.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

O adeus ao clubinho do coração

O site Rraurl.com noticiou que o Lov.e, verdadeiro divisor de águas na cena eletrônica do país, vai fechar suas portas definitivamente no final de fevereiro, com uma festa de despedida que reunirá os DJs que ajudaram a fazer a história da casa. A proprietária, Flávia Ceccato, deve abrir outro clube ainda em 2008 (especula-se que na região central).

Quando o Lov.e nasceu, em 1998, o país ainda não tinha clubes especializados, com noites segmentadas, da forma que existe hoje. No começo, o clubinho era freqüentado apenas pela nata do mundinho eletrônico, chegando ao cúmulo de ter uma door policy que barrava quem, aos olhos da hostess, não se encaixasse na proposta da casa. Mais difícil ainda era conseguir entrar na disputada sala VIP - que tinha um quartinho quadrado com paredes de pelúcia e um delicioso camão dourado, onde dava para relaxar a cabeça e engrenar gostosas conversinhas com quem mais estivesse literalmente jogado lá. Para consumir qualquer coisa, era preciso comprar fichinhas em forma de coração - como o pirulito cor-de-rosa que virou hit da casa.

Enquanto o Lov.e foi líder na cena, sua pista de lustres coloridos piscantes atraiu a fauna mais bacana da cidade. A velha guarda do Hell's Club, club kids que estavam descobrindo a música eletrônica, fashionistas, o pessoal das raves. A casa projetou nomes como Renato Cohen e DJ Marky e consagrou a carreira do top Mau Mau. O auge se dava nas manhãs de domingo, no afterhours Lov.e In Paradise, quando vinha gente de todos os lugares para continuar a jogação ali, incluindo até mesmo as barbies descamisadas da Level. A partir das 5 da matina, acontecia uma curiosa "troca da guarda" na pista, com o povo do sábado dando lugar ao povo do after, e tudo ficava deliciosamente ambíguo. As duas únicas cabines do banheiro ferviam com encontros clandestinos dos casais mais improváveis. Nas manhãs mais bombadas, a festa rolava até o meio-dia.

Com a fama, aconteceu o inevitável: começaram a aparecer os leigos, que queriam saber que diabos estava acontecendo ali. Os descolados, que detestam ver seus redutos invadidos, torceram o nariz. O primeiro grande golpe veio em 2003, com a abertura do D-Edge, que roubou do Lov.e o posto de melhor clube eletrônico da cidade. D-Edge, Vegas e Glória fisgaram os modernos e fashionistas, enquanto os afters do Ultralounge e depois a The Week atenderam ao público gay. Mesmo os mauricinhos eletrônicos iniciantes começaram a ter opções melhores no Manga Rosa e, mais tarde, no Pacha. As terças e sextas do Lov.e seguraram a onda por algum tempo, mas aos poucos o clube foi sendo renegado ao esquecimento - hoje sobrevive de noites de techno pesado (Lov.e Express, aos sábados) e black music (Black Lov.e, domingos), já com freqüência bem mais modesta.

O Lov.e é ícone de um tempo que já passou: os rostos que fizeram sua história hoje vão a outros lugares - isso quando já não envelheceram para a noite e sumiram de vez das pistas. Por isso, até surpreende que a casa não tenha fechado as portas antes. Mas a notícia de seu fim deixa uma certa nostalgia em quem acompanhou de perto sua história. Foram momentos especiais dentro do clube (noites históricas com Mau Mau, Marky, Laurent Garnier, Vitalic e tantos outros) e também fora dele (o trio elétrico na saudosa Parada da Paz, o projeto itinerante Lov.e por São Paulo e a Lov.e Tour pelo Brasil afora, com direito a uma festa incrível no Cine Ideal carioca). Não é exagero dizer que o Lov.e foi o responsável pela democratização da música eletrônica no Brasil, comandando a descoberta dessa cultura underground pelo mainstream e influenciando um grande número de outros clubes pelo país. Se hoje temos uma cena altamente diversificada e vibrante, muito disso se deve ao trabalho da equipe que comandou o famoso clubinho do coração.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Tudo o que você pode fazer no Rio no dia 31

Depois de um ano bastante movimentado para a cena, os cariocas se despedem de 2007 com um número recorde de opções para a noite do dia 31. Nunca se teve tantas festas para escolher - confesso que até eu estou um pouco perdido diante de tanta informação. Aqui vai um apanhado das principais possibilidades para a hora da virada, com os prós e contras de cada uma, para ajudar a todos nessa difícil decisão... muita calma nessa hora!

1) THE WEEK
Pode ser uma boa. Escolher a TW é jogar no seguro: optar pelo conforto e segurança de um clube com boa estrutura, ar condicionado e bares que funcionam a contento, além do serviço atencioso e bem-treinado. A parte nova da casa é um atrativo extra e permite que a comemoração vá até tarde.
Por outro lado... É preciso ter disposição para cruzar a cidade no dia 31, com Copacabana e o Aterro fechados a partir da tarde. O acesso à Saúde não deve ser fácil, mesmo pelo Túnel Rebouças e com a TW oferecendo vans gratuitas para o transporte. Além disso, a casa abre todo sábado e já fará uma Cosmopolitan especial na noite do dia 29 - por isso, o Réveillon lá não terá nenhum grande diferencial, a não ser (mais uma) atração gringa.

2) RÉVEILLON IPANEMA 2008 (hotsite)
Pode ser uma boa. A festa promovida por André Garça (Cena Carioca) aposta em DJs experientes da cena tribal nacional, como Marcus Vinicius (B.I.T.C.H.), Patricinha Tribal, Aless (BH) e André Queiroz (DF), um prato cheio para fãs do estilo. O buffet inclui comida japonesa - temakis são leves, nutritivos e fáceis de comer. A localização é estratégica (Vieira Souto com Farme) e você ganha uma pulseira para sair e voltar quando quiser, podendo conferir também o fervo na praia.
Por outro lado... R$ 300 é um preço alto, se você considerar que o antigo Espaço Lundgren é uma casa relativamente pequena e pouco funcional para festas. Outras opções com o mesmo foco (house tribal) devem roubar parte do público, cobrando menos (The Week, Sky Lounge).

3) SKY LOUNGE
Pode ser uma boa. O réveillon de Rosane Amaral tem relação custo-benefício interessante, se comparado com outras opções na Zona Sul. O acesso não chega a ser dramático - a interdição da orla deixa o trânsito na Lagoa carregado, mas ainda assim o Sky é relativamente perto. E a festa já tem uma certa tradição, conquistada com a ajuda dos "passaportes", ingressos promocionais que dão acesso às 3 festas da Rosane por um preço menor.
Por outro lado... O line up é animado, mas não chega a emocionar - Vlad e Flávio Lima são duas delicinhas, mas seus únicos predicados à disposição do público serão os musicais. Além disso, edições anteriores foram bastante criticadas por conta de soluções caseiras, como sacos de lixo preto para diminuir a claridade, e da política de preços progressivos para a água mineral (que chegou a R$7 no meio de uma festa).

4) HOTEL CARNIVAL (hotsite)
Pode ser uma boa. Para quem curte um som mais underground, o line up estrelado (Pareto, Mau Lopes, Serge) é uma bênção em meio a um cenário dominado pelo house tribal. O cenário é maravilhoso - uma mansão tombada no meio da Mata Atlântica, com lindas vistas da cidade - e o buffet promete caipirinhas sofisticadas e até ceviche. A nata dos modernos da cidade estará lá.
Por outro lado... Você passará por maus bocados se cismar de voltar para casa antes da hora. A casa fica no alto de Santa Teresa, numa área que estará totalmente isolada do resto da civilização, incluindo táxis (a idéia é essa). E outra: você se deprime vendo as barbies tombando de G no fim da festa? Isso é porque você não sabe o que são os modernos ficando bicudos de padê...

5) DREAM 2008 @ FELICE CAFFÈ
Pode ser uma boa. A localização é excelente, a poucos passos da praia de Ipanema, do Arpoador e do Posto 6 em Copa. A comida oferecida é mais do que confiável (embora seja menos elaborada do que o usual, já que a idéia da casa é justamente ganhar dinheiro com essa festa). Rafael Calvente deve tocar um som mais fino do que o das festas dedicadas ao tribal, já que a proposta aqui é mais selecionada (pelo valor da entrada e pelo próprio público da casa).
Por outro lado... R$300 é bastante salgado pelo limitado espaço da casa, mesmo contando com a extensão improvisada para a rua (o Felice fechará todo o quarteirão para a festa). Além disso, a peneira do preço não necessariamente dará a selecionada que você gostaria - a casa receberá todo tipo de cliente do restaurante, e não só as bees (que estarão pulverizadas entre várias outras opções).

6) WONDERLAND IN RIO @ IPANEMA PLAZA
Pode ser uma boa. O Ipanema Plaza é um hotel de alto nível e não parece ser do tipo que economiza no réveillon. No mínimo, a festa valerá pelo terraço, com uma vista absurda de Ipanema. A escalação de Rafael Calvente para tocar sinaliza uma preocupação em não fazer algo totalmente careta. É grande a chance de você encontrar gringos lindos - se esse é seu alvo, você deve considerar com carinho a opção.
Por outro lado... O preço (R$400) é ainda mais exorbitante do que o das festas "caras". Você precisa se dar muito bem por lá para o investimento valer a pena. E essas festas são freqüentadas basicamente por panelinhas fechadas - isso quando não é uma panelinha só. Ou seja: é preciso ter carão, corpão, inglês bom - e muita vontade de conhecer e ser aceito pelos gringos.

7) DUO @ LOUNGE 69
Pode ser uma boa. Poucas informações foram divulgadas até agora (o Cena Carioca apenas mencionou na agenda), mas pode ser uma opção low profile bem interessante, se os preços não forem astronômicos. O som fica por conta de Rafael Calvente (o belo está em todas!), Tzo (00 e Redondo Lounge) e dois DJs gringos. Quem conhece o 69 diz que é um "D-Edge genérico" - o projeto é do Muti Randolph, o mesmo que criou as barras de néon coloridas do clubinho paulistano. A festa semanal de house Maja mudou-se pra lá.
Por outro lado... Por mais que o lugar e o line up houseiro sugiram um clima fofo, não dá pra imaginar que essa seja uma noite "escândalo", considerando tantas outras festas acontecendo ao mesmo tempo. Se seu desejo para a virada é bombação, aqui provavelmente vai faltar gás para você.

8) FOGOS EM COPACABANA
Pode ser uma boa. O réveillon na praia de Copacabana é uma das maiores festas de rua do mundo. É emocionante, a começar pelo êxodo de milhões de pessoas vestidas de branco em direção ao bairro, numa euforia silenciosa, um crescendo que culmina em uma explosão de energia, uma verdadeira catarse coletiva. Você precisa viver isso pelo menos uma vez na vida. Além disso, é de graça e depois você pode ir para outro lugar.
Por outro lado... Como em qualquer evento de massa que atrai milhões de pessoas, o desconforto é total, com momentos que beiram o caos. É fácil se perder dos amigos e impossível marcar pontos de encontro; o celular, inexplicavelmente, não pega. Precisa ter muito cuidado com roubos e furtos (a maioria não resiste e leva a câmera para tirar fotos dos fogos) e com as brigas por conta do inevitável excesso de álcool. E também gostar de estar entre o "povão", sem preconceitos.

9) IPANEMA STEREO BEACH @ POSTO 9 (hotsite)
Pode ser uma boa. Tá aí um jeito diferente de começar o ano: dançando música eletrônica na praia, numa mistura de festival e rave na areia. Os mais esotéricos dizem que entrar o ano com o pé descalço na areia, na beira do mar, atrai ótimas energias e fluidos. É de graça e não tem como ficar vazio. A localização no Posto 9 ajuda a atrair meninos bonitos e desencanados de Ipanema e imediações - pelo menos em tese.
Por outro lado... As atrações mais legais (pelo menos para quem curte house) rolam todas antes da meia-noite - o evento começa às 16h. E quem lembra de toda a confusão ocorrida no ano passado (aquilo virou uma grande maloca) com certeza vai passar bem longe da praia de Ipanema dessa vez.

10) JANTARES NOS RESTAURANTES DA AVENIDA ATLÂNTICA
Pode ser uma boa. Os restaurantes da orla de Copacabana fazem jantares especiais na noite do dia 31, com buffet diferenciado e open bar, a um preço fixo (cerca de R$300 por pessoa). Suas mesas na calçada são cercadas por seguranças (só entra que fez reserva) e viram uma espécie de camarote, de onde se tem uma visão cômoda e protegida do show de fogos. Se você lembrar que outras festas cobram o mesmo valor para servir belisquetes e finger food, uma ceia "de verdade" é muito mais retorno pelo seu dinheiro.
Por outro lado... O público dessas festas reúne casais, famílias e idosos endinheirados - uma fauna bem pouco interessante para jovens e/ou gays. Ao beijar e abraçar seu namorado e seus amigos na hora da virada, você possivelmente deixará o pessoal das mesas em volta completamente passado.

11) FESTINHAS PRIVÊ EM APARTAMENTOS
Pode ser uma boa. Festinhas em apartamentos alugados podem ser uma alternativa confortável e intimista para a virada. Dá para curtir e conversar bastante com os amigos e também com as outras pessoas que você poderá conhecer. Se o apê for na orla, melhor ainda: você assiste ao espetáculo dos fogos de camarote. Há um rateio, mas costuma ser bem mais barato do que a entrada de festas "comerciais" - já que, em geral, o dinheiro é só para a festa pagar as próprias despesas.
Por outro lado... Você fica totalmente limitado às pessoas presentes. Se forem só os seus amigos, ótimo. Agora, se tiver gente estranha no meio (o que é mais comum, pois o aluguel desses apartamentos costuma ser caro), pode dar ou não dar "liga". De qualquer maneira, nada te impede de ir terminar a noite em outro lugar.

12) LE BOY
Pode ser uma boa. Se quantidade é o que importa, você nem deveria ter lido as outras onze opções: a veterana "Lelê" é o seu lugar. Não interessa quantas outras festas estejam rolando: no inferninho (infernão?) da Raul Pompéia a lotação é sempre completa, com filas dobrando a esquina e chegando até a Nossa Senhora. Garantia de beijo na boca e pegação - o dark room da casa possui fama internacional. Fora da residência das festas da Rosane, o fortão Dudu Marquez ajudará a pista a bombar.
Por outro lado... Qualquer "macaca véia" sabe que o clima na Le Boy é meio pesadinho - com muitos michês, gringos perdidos e, seguramente, a maior taxa de incidência de boa-noite-cinderelas do Rio de Janeiro. Sem falar que o clima é altamente bagaceiro - as "bonitas" consideram muitas outras opções (The Week, Sky Lounge, festas caras) e só caem na LB em caso de necessidade e pela localização conveniente da casa. Afinal, bem ou mal, ali todos sabem exatamente o que vão encontrar.

Ou seja: com tanta coisa acontecendo, o jeito é olhar para dentro de si e responder: de que tipo de comemoração eu estou realmente a fim? Vale lembrar que, se você se jogar no dia 28, no dia 29 e no dia 30 (festas não vão faltar), provavelmente chegará à noite do dia 31 completamente destruído - nesse caso, vale a pena investir numa festa cara? Mais importante do que todas essas divagações, porém, é descobrir onde os amigos estarão. Porque, na companhia das pessoas de quem se gosta, qualquer réveillon acaba sendo um programão.