segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Banquete no museu

Nosso querido Museu de Arte de São Paulo, um dos ícones da cidade, já viveu dias melhores. O furto de um Picasso e de um Portinari de seu acervo, em invasão ocorrida em dezembro passado [ambos os quadros foram recuperados, algumas semanas depois], reacendeu o debate em torno da situação jurídica do museu: há quem defenda que ele passe a ser administrado pelo poder público, e assim possa receber recursos do erário. Problemas de gestão à parte, além de ser um ótimo programa cultural, o MASP esconde uma surpresa em seu subsolo: um dos melhores almoços da região da Avenida Paulista.

O espaço onde funcionava o antigo Restaurante do MASP foi entregue em fevereiro ao pessoal do UNI, conhecida casa do Itaim Bibi que faz um dos bons bufês da cidade. Se o amplo refeitório com ares modernistas continua intacto (e nem precisava de retoques), o mesmo não pode ser dito da cozinha, que ganhou um senhor upgrade em termos de qualidade. Fiquei muito bem impressionado com o que vi e comi.

Para começar, uma estação de saladas bastante vistosa, com folhas variadas, queijos e algumas frescurinhas frias, como terrines, galantines, musselines e outras ines de plantão. Nos pratos quentes de hoje, delicadas postas de saint-pierre que desmanchavam na boca, com leve molhinho de pimenta rosa à parte, uma macia maminha fatiada com ervas finas e uma sobrecoxa de frango em crosta de aveia deliciosa, com molho de frutas em separado. Para acompanhar, batatas recheadas com queijo cremoso, bolinhos de arroz, creme de espinafre, legumes ao vapor e outras guarnições. Tudo bem apresentado e saboroso. Como cheguei às 11h50, pude desvirginar todas as travessas em que me servi.

A mesa de sobremesas é uma atração à parte, com todas as tentações doces já catalogadas em língua portuguesa. Entre os mais de 20 tipos de guloseimas, um interessante bolo trufado, uma levíssima torta de limão, um brigadeirão pastoso e doce na medida certa, merengue de morango, pavê de banana, dois tipos de pudim, crepes de chocolate e mais algumas opções diet, para quem realmente tiver força de vontade.

Tudo isso pelo preço único de R$24,20 (R$26 aos sábados e domingos), que me parece muito honesto, considerando o nível e a variedade da cozinha, em uma região que é bastante cara. As bebidas são cobradas à parte, não há taxa de serviço e aniversariantes não pagam. O UNI no Masp funciona inclusive às segundas, quando o museu não abre. Uma ótima pedida para quem estiver na Av. Paulista e quiser fugir das praças de alimentação.

4 comentários:

Pegante disse...

há séculos que não como no MASP.
bom saber da opção.

e o tal novo restaurante gay que abriu na Alameda Franca (Piaf), já pode escrever alguma crítica gastronômica/social sobre o local?

Anônimo disse...

Como o Tony já disse, você escreve sobre comida de uma forma quase pornográfica, rs. Boa dica, até porque quando vou pr´aqueles lados nunca sei o que comer. Bjs. Xande

Ana disse...

(Mil anos depois...)

Sua mãe tem hipotireoidismo, é? Esse tipo de problema é mesmo muito comum em mulheres, principalmente de uma certa idade. Meu caso é chato, e preciso ficar controlando a dose hormonal semestralmente. Engordei um pouco (muito), mas acho que nada absurdo.

É uma sugestão interessante essa do seu post! Não acompanho a cena gastronômica da cidade, mas fiquei tentada a visitar esse restaurante. A mesa de sobremesas parece mesmo ser um espetáculo!

MARCUS disse...

NO MASP NUNCA COMI, MAS NO MUSEU DA CASA BRASILEIRA ADOREI, ALÉM DE COMER NO JARDIM, DEBAIXO DAS ÁRVORES.