BUTCHER'S MARKET [foto] O segmento de hamburguerias diferenciadas está cada vez mais concorrido em SP. A novidade do pedaço é essa casa, com jeitão de bar e acabamento falsamente rústico, com tijolos aparentes e decoração dentro do tema "açougue". É pequeno e está na moda, ou seja, a espera é inevitável. Testei o mushroom burger, que custa R$27 - sem batatas fritas, pagas à parte. O hambúrguer veio no ponto pedido (gosto da carne realmente malpassada), mas sem sal; por cima, uma fatia de queijo quase desonesta de tão fina, e cogumelos apenas cozidos, sem qualquer tempero. Pelo preço praticado, deveria ser bem melhor. Onde: Rua Bandeira Paulista, 164, Itaim.
COSÍ Escondido em uma rua improvável de Santa Cecília, tem fachada envidraçada e ambiente clean, mas aconchegante. O cardápio, curto, apresenta massas, carnes e risotos, com roupagem contemporânea. Adorei os raviólis de pupunha com creme de limão e camarão - massa delicada, molho leve, recheio surpreendentemente interessante (não sou lá muito chegado em palmito) e camarões carnudos. Gostei tanto que pedi uma segunda porção. A casa abriu recentemente uma filial na Vila Nova Conceição, com preços 20% mais caros. Onde: Rua Barão de Tatuí, 302, Santa Cecília.
PIAZZA 36 Quem trabalha ou circula pelo centro velho da cidade tem poucas opções charmosas para o almoço. Faltam lugares que preencham o hiato entre os quilos populares e os restaurantes mais tradicionais, caros para o dia-a-dia. Esta casa fica no meio do caminho: por um preço fixo (R$49 por pessoa) oferece uma convidativa de mesa de saladas, antepastos e petiscos, e mais dois pratos quentes por dia - normalmente uma massa e um risoto, que podem ser acompanhados por um grelhado. Tudo bem apresentado e gostoso. Onde: Praça da República, 36, Centro (fica na esquina da Rua Basílio da Gama).
NOU Uma graça esse lugar! Casa pequena, com cara de residência adaptada e algumas mesas no quintal, na parte mais tranquila de Pinheiros. O cardápio segue uma linha até trivial, mas com pitadas de bossa. Um exemplo bem ilustrativo é o bife à milanesa, empanado numa macia crosta de pão e acompanhado por um risoto de limão-siciliano de delicado perfume. Durante a semana, serve almoço executivo a R$27,90 - as opções do dia, escritas numa lousa, incluem truta com linguini ao pesto de rúcula e medalhão ao gorgonzola com batata rösti. Onde: Rua Ferreira de Araújo, 419, Pinheiros.
FIGO A poucos passos do Parque do Ibirapuera, esse restaurante bonitinho é outro que segue a linha contemporânea, com pratos como a fraldinha na cerveja com cebola caramelizada e o camarão thai ao curry, com leite de coco, abacaxi e arroz de jasmim. As mesas mais disputadas ficam numa espécie de varanda coberta, na frente da casa. Muito simpática, a chef passa pelas mesas para saber se a comida agradou. Onde: Rua Diogo Jácome, 372, Vila Nova Conceição.
[Foto: Fernando Moraes/VEJA]
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Rapidinhas gastronômicas
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sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Prato meio vazio
Quem diria: estou perdendo o tesão na São Paulo Restaurant Week.
A cada nova edição do festival, eu repetia o ritual: entrava no site, estudava os cardápios de cada uma das centenas de casas participantes e montava uma programação, feito aqueles cinéfilos em véspera de Mostra. Depois, ainda dividia minha seleção no blog e no Facebook. Desta vez, não me sinto motivado a repetir a dose. Há erros e acertos, tive experiências que valeram a pena, outras nem tanto. Mas os inconvenientes têm pesado cada vez mais.
Pra começar, com a popularidade do evento, as casas estão invariavelmente lotadas, e muitas passaram a reservar mesas com antecedência, então você liga e eles já não têm mais vaga até o fim do festival. Em relação aos menus, sempre foi preciso fazer uma peneira para achar pratos interessantes. Para continuar fechando a conta no preço estipulado pelo festival, os restaurantes foram diminuindo o tamanho das porções, e hoje em dia a esmagadora maioria serve pratos tão reduzidos que o comensal nem chega a saborear a comida direito.
Isso sem falar que o fator economia, principal chamariz da SPRW, está cada vez mais relativo. A conta não fica nos R$32 ou R$42 por pessoa anunciados, pois o preço dos menus não inclui o couvert sorrateiramente deixado sobre a mesa, as bebidas cada vez mais inflacionadas (o Santa Gula cobra quase R$9 por um suco de tangerina!), nem o serviço. Movido pelo apelo de aproveitar a duração limitada do festival, você acaba comendo fora muito mais vezes e gastando muito mais dinheiro no fim do mês do que num período normal, o que significa que a SPRW acaba saindo uma brincadeira cara.
No fim das contas, acaba valendo mais a pena ir aos restaurantes fora da SPRW, nem que seja para pedir apenas o prato principal. Para gastar a mesma coisa do festival, você sacrifica a entrada e/ou a sobremesa, mas pelo menos recebe um prato feito e servido com boa vontade (ainda existem casas que tratam o cliente da SPRW como cidadão de segunda classe), numa porção honesta, sem cara de amostra grátis. E sem passar pelo perrengue de reservas, filas e lotação, que vai deixando a experiência de comer fora cada vez menos prazerosa.
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Thiago Lasco
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sexta-feira, 29 de julho de 2011
Minhas descobertas gastronômicas de julho
MARCELINO PAN Y VINO [foto] Instalado num antigo casarão de esquina, tem cara de restaurante durante o dia e de bar quando escurece. O cardápio, assinado pela chef do Lola Bistrot, oferece sanduíches diferentões, saladas e uma seleção bastante concisa de pratos quentes, complementada pelas sugestões do dia escritas numa lousa. Para abrir o apetite, há vários petiscos - as bruschettas de queijo de cabra com compota de tomate são perfeitas. Investi num tortelli de mussarela com tomate fresco e manjericão que estava tão bom que tive que pedir outro (!). Pena que não sobrou espaço para o pavê de brigadeiro. Além do ambiente da foto, há uma varanda com mesas (nos dias frios, os comensais recebem simpáticas mantinhas) e um quintal com duas mesas comunitárias. Se não dá pra dizer que seja despretensioso (porque tudo na Vila Madalena tenta passar essa impressão, que é milimetricamente calculada), o lugar é bem aconchegante, perfeito para um late lunch de sábado. O efeito colateral é que as pessoas terminam de comer e vão ficando, e com isso sobra para quem está na fila esperando mesa. Onde: Rua Girassol, 451, esquina com Wisard, Vila Madalena.
NOOD Esta é a primeira filial brasileira de uma rede de cozinha asiática rápida com casas em Portugal e na Espanha. Quando vi as bobagens escritas no site ("um lugar para estar"! e alguém abre um lugar para as pessoas não irem, ó pá?!), fiquei com um certo pé atrás, mas a curiosidade foi maior e fui conferir. O cardápio atira em várias direções: tem entradinhas (gyoza, espetinhos, camarões empanados), massas servidas como sopa (tipo lamen) ou feitas na wok, carnes (frango, salmão) servidas no prato com arroz japonês e, é claro, o inevitável sushi. Eu e meu amigo testamos três pratos. O que mais agradou, o teriyaki de salmão, era também o mais simples de todos, difícil de errar. O ramen de frango está muito aquém daqueles servidos nos bons noodle bars da Liberdade, como o Lamen Kazu. Quem busca excelência culinária corre o risco de se frustrar. Mas o menu bem eclético, o clima moderninho e os preços corretos devem agradar a paladares menos exigentes. Onde: Rua Pedroso Alvarenga, 890, Itaim.
LA GRASSA Clara e moderna, sem deixar de ser acolhedora, essa cantina tem feito bastante sucesso em uma rua tranquila de Moema. Os sócios também são donos do restaurante Praça São Lourenço. Se naquela casa a opulência do lugar, feito sob medida para encantar turistas, ofusca a qualidade bem mediana da cozinha, aqui a comida está à altura do ambiente. O forte são as massas frescas, como o tagliolini à carbonara, e recheadas, como o tortelli de ricota com tomate fresco, pancetta e rúcula e o ravióli de abóbora na manteiga de sálvia com avelãs douradas. Os preços são justos, uma bênção nestes tempos em que as casas perderam completamente a noção. No almoço durante a semana, pelo preço do prato separado, você também ganha o couvert e a sobremesa - com uma bebida sem álcool e mais os 10% de serviço, sua refeição completa sai por cerca de R$40. Onde: av. Juriti, 32, Moema.
SMU No embalo do fervo do Baixo Augusta, este lugarzinho fofo se apresenta como um smoothie bar. O carro-chefe, portanto, são aquelas bebidas geladas à base de frozen yogurt batido com frutas. São dezenas de combinações, que podem vir com ou sem álcool. Para acompanhá-las, há sanduíches em pão bagel ou ciabatta, além de uma competente cheesecake com várias opções de calda (vá por mim: peça a de doce de leite com lascas de amêndoa!). A casa, que fica aberta até 0h30, tem um certo clima pré-balada, a começar pelo logotipo meio Dancin' Days que muda de cor e enfeita a fachada. As paredes revestidas de ladrilhos negros contrastam com as mesinhas brancas, iluminadas por luzes dicróicas que também mudam de cor, criando um efeito que lembra uma pista de dança. As cartolas dos funcionários dão um toque irreverente. Os preços são bem ok: o combo promocional com um smoothie, um sanduíche e um pedaço de cheesecake sai por R$27,90. Uma opção simpática e original para um lanche rápido na região. Onde: rua Fernando de Albuquerque, 89, Consolação.
BRIGADERIA Depois das temakerias e lojas de frozen yogurt, achei maravilhosa essa onda das docerias especializadas em brigadeiros, que são uma das minhas razões de viver. Mas ainda não tinha visto uma casa que realmente fizesse minha cabeça. A Maria Brigadeiro é pretensiosa, o tamanho de cada docinho é insuficiente, a consistência mais firme não agrada ao meu gosto pessoal e os preços são caríssimos. Esta aqui é a perfeita antítese da outra: os brigadeiros são mais generosos, bem molinhos, desmancham na boca e custam R$3 a unidade. Se a ideia é fazer um agrado a alguém, há embalagens que não deixam nada a desejar para as da concorrente. Entre os sabores, três me conquistaram: Bailey's, suave e nada enjoativo, Vanilla Cookie e Limão (esses dois são feitos com brigadeiro branco). Onde: nos shoppings Market Place, Pátio Paulista e Higienópolis.
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Thiago Lasco
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segunda-feira, 4 de julho de 2011
Andanças gastronômicas em São Paulo
AK VILA [foto] A jovem e simpática Andrea Kaufmann despontou na cena com o AK Delicatessen, em que apresentava uma releitura moderna da culinária judaica. Na casa nova, paredes de cimento queimado com painéis estofados de veludo, mesas de madeira envelhecida e um bonito grafite sobre a janela da cozinha, criando um ambiente descolado, que remete ao Bar 6 de Buenos Aires. O menu é descomplicado: metade dos pratos são carnes feitas na grelha, servidas com molhinhos - a maionese de manjericão é deliciosa. Os acompanhamentos são pagos à parte. Para não deixar os fãs na mão, há alguns pratos da casa antiga, como o pastrami de língua, o goulash de vitela, o bagel de salmão defumado, as incomparáveis varenikes e as sobremesas clássicas de Andrea, como a crème brulée de mel com figos e o pain perdu (espécie de rabanada). Só não gostei muito que o medalhão de mignon recheado de pastrami, queijo brie e cogumelos, que eu adorava, agora virou um hambúrguer, com os mesmos ingredientes. Outro senão é o cardápio "rotativo", que muda ao sabor do dia: pode ser que você não encontre aquele prato apetitoso que você viu no menu pelo site, antes de sair de casa. O lugar anda concorrido, portanto vale chegar cedo, tanto no almoço como no jantar. Onde: R. Fradique Coutinho, 1240, Vila Madalena.
LAS CHICAS Esta é a nova cria da chef Carla Pernambuco, que comanda um dos meus restaurantes favoritos em São Paulo, o Carlota. Aqui, ela e sua sócia transformaram uma pequena garagem em uma espécie de delicatessen, onde se come de um jeito mais informal (e barato!) que na casa-mãe. Em uma vitrine, ficam expostos salgados, quiches, bolos e doces, que podem ser consumidos a qualquer hora (a casa abre já para o café da manhã e funciona até as 23h) e também levados para casa. Tudo é muito apetitoso. As refeições são servidas em bufê no almoço (os pratos mudam diariamente, R$75/kg) e à la carte no jantar. O menu tem a mesma pegada multicultural do Carlota e coleciona vários acertos, como o "risoto" de queijo mascarpone, figos e presunto cru (feito não com arroz, mas com macarrão risoni), o rosbife com molho de queijo e papas bravas, e uma espécie de pot pie de frango superdiferente, com um tempero oriental bem condimentado. Nem pense em pular a parte doce: o "pot de chocolate quente" é a melhor sobremesa de chocolate que comi em muito, muito tempo. Um lugar para voltar, e voltar, e voltar. Onde: Rua Oscar Freire, 1607, Pinheiros.
LE JAZZ BRASSERIE Embora se autodenomine brasserie, o Le Jazz pode ser considerado um bistrô, no sentido autêntico da palavra: um restaurante francês pequeno e aconchegante, com preços mais camaradas - algo cada vez mais difícil de se encontrar em SP. Não por acaso, suas mesas enchem rápido - a partir das 20h30, esteja preparado para esperar na fila. O cardápio conquista a freguesia já na seção de entradas. A melhor é o calamar à Carbonara: tentáculos de lula, finos e macios, em um delicado molho de creme de leite, gema de ovo e crisps de presunto de Parma, para comer com rodelas de pão italiano. Mais surpreendente ainda é a sopa de cebola caramelizada, um caldo consistente e bem temperado, com fartas lascas de queijo gruyère e uma fatia de pão, tudo gratinado no forno. Essa sensacional sopa, sozinha, já justifica a espera pela mesa. Nos pratos principais, opções clássicas como steak tartare (ótimo), filé ao molho poivre, peito de pato ao balsâmico e tagine de cordeiro com cuscuz marroquino. O público da casa, maciçamente formado por grupos de mulheres de 25 a 45 anos, faz você se sentir na redação da revista Marie Claire. E a água como cortesia é uma atitude pra lá de simpática. Onde: Rua dos Pinheiros, 254, Pinheiros.
BACIO DI LATTE Aberta no início do ano no primeiro quarteirão da Oscar Freire, longe do burburinho das lojas, essa pequena sorveteria tem atraído multidões. O charmoso interior, todo decorado em branco, tenta recriar uma leiteria italiana, com direito a latões de leite transformados em banquetas para os clientes sentarem. A textura cremosa e aveludada se faz presente mesmo nos sabores de fruta, como limão siciliano, morango, figo, pera e abacaxi com hortelã, que não são doces demais. Quem, como eu, prefere derivados de creme e chocolate, encontra boas opções como nutellina (leite, creme, açúcar e microfiapos de Nutella) e chocolate belga (o meu novo vício! parece um Danette que estudou na Sorbonne). Os copinhos, em três tamanhos, saem por R$8, R$10 e R$12, sendo que até mesmo o menor deles permite escolher três sabores. Onde: Rua Oscar Freire, 136, Jardins.
TATINI Na ativa desde 1954, o Tatini é fiel representante de um estilo que está praticamente extinto em São Paulo: aqueles restaurantes em que o maître traz os ingredientes à mesa e finaliza os pratos na frente dos comensais, usando um réchaud para preparar os molhos e flambar as carnes. O menu traz clássicos da cozinha internacional, como o imortal steak à Diana (que leva manteiga e molhos rôti, de tomate, de mostarda e inglês, e acompanha arroz puxado no próprio molho) e os camarões à Mary Stuart (flambados com whisky, creme de leite e maçã). Os preços giram em torno de R$60 (filés) e R$110 (camarões), ou seja, não é um lugar barato, e sim um restaurante mais classudo, para uma comemoração em família. A decoração antiquada e a frequência com predomínio da terceira idade ajudam a criar a sensação de lugar parado no tempo. Onde: Rua Batataes, 508, Jardim Paulista.
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Thiago Lasco
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quarta-feira, 23 de março de 2011
Oitava Restaurant Week em SP
Mais uma Restaurant Week está rolando em São Paulo. A oitava edição vai de 21/3 até 3/4 e inclui também algumas casas do litoral e interior do Estado. Como sempre, é preciso separar o joio do trigo: há excelentes oportunidades (menus servidos por casas de padrão mais elevado, como o Arturito, que preparou a massa com linguiça de coelho da foto) e outras nem tanto (combinações pobrinhas, tipo frango com purê e salada de frutas, ou ainda porções reduzidas, insuficientes para aplacar a fome). Com o tempo, quem é gato escaldado de outras edições aprende os macetes e evita armadilhas.
O que realmente cansa é percorrer os mais de 200 cardápios diferentes. Pior do que isso, só a Mostra Internacional de Cinema. Mas costuma valer a pena, mesmo com algumas bolas fora ocasionais. Desta vez, fiz uma seleção bem mais enxuta do que nas edições anteriores. Para almoçar, escolhi o Le French Bazar [que sempre agrada], o Oscar Café, o Bistrô Crepe de Paris, o Arturito [quédizê, escolhi mas não consegui reservar antes que a cota do festival se esgotasse] e o Caroline. Para jantar, gostei mais do Becco 388, do Robin des Bois, do Fillipa [outro que nunca desaponta], do L'Amitié, do La Arena, do Hitam e do Kony Sushi Bar. Nunca consigo ir a todos os restaurantes a que me proponho, mas devo cumprir pelo menos metade dessa lista. Para os lugares muito disputados, convém reservar.
Para montar sua programação, além de consultar as casas por ordem alfabética no site do festival, recomendo a página da Veja São Paulo: os restaurantes estão divididos por regiões e podem ser melhor visualizados em um mapa. Outra dica é levar uma segunda bolsa, com documentos xerocados e um celular antigo (se você for um applemaníaco, pode ser o seu iPhone retrasado), e já deixar à mão para quando a casa for invadida pelo próximo arrastão (brinks!). Bom festival!
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Thiago Lasco
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quinta-feira, 17 de março de 2011
Varredura gastronômica soteropolitana
Vou aproveitar o embalo do post anterior (que rendeu mais do que eu esperava!) para falar um pouco mais sobre Salvador. Desta vez, vamos a um dos meus assuntos favoritos: restaurantes! Dá pra comer muito bem na capital baiana - inclusive para quem, como eu, não vai com a cara do dendê e passa longe de acarajés, vatapás e qualquer coisa apimentada. Se os preços são bem compatíveis com os de São Paulo e Rio de Janeiro, pelo menos os frutos do mar são melhor servidos - nada de pedir camarão e receber um pratinho enfeitado com apenas três unidades. Vou organizar as dicas na forma de um passeio virtual, percorrendo os bairros da cidade. Vambora?
Começamos no Pelourinho, é claro. Meu xodó é o La Figa, na rua das Laranjeiras, um restaurante italiano especializado em massas com frutos do mar, com ótima relação custo-benefício - indico o pappardelle mare i monti, com um toque de creme de leite, vinho branco, camarões e shiitake. Se puder gastar um pouco mais, tente os pratos contemporâneos do Maria Mata Mouro. Para comida baiana, você tem o Sorriso da Dadá, a casa mais turística da famosa quituteira, e o Restaurante-Escola do SENAC, uma verdadeira aula de culinária local, em esquema bufê. No Elevador Lacerda, viciados em leite condensado (essa droga poderosa!) têm orgasmos múltiplos na doceira A Cubana, que faz um pudim supimpa [foto] e um sabor de sorvete chamado menina bonita, com leite moça e castanhas.
Pegando a Cidade Baixa e subindo a Avenida do Contorno, temos os restaurantes que mais impressionam o turista. O motivo é um só: todos se debruçam para a vista espetacular da Baía de Todos os Santos - o cenário é mais especial durante o dia, mas também enfeita um bom jantar. O baladadérrimo japonês Soho foi o primeiro a se instalar. No mesmo complexo gastronômico (chamado Bahia Marina) estão o francês Oui, a pizzaria Fiona e o Lafayette, este último com pratos criados pela Carla Pernambuco (Carlota/SP), mas que já foi bem mais gostoso. Mais para baixo em direção ao Mercado Modelo estão o Amado (tido como o melhor do pedaço depois que o saudoso Trapiche Adelaide fechou) e o 496 Grill & Bar, que acabou de abrir e está na moda.
Chegando à Vitória e Graça, bairros adjacentes que formam uma espécie de "Higienópolis de Salvador", temos a espetacular Doces Sonhos, no Corredor da Vitória, que faz os melhores bolos da cidade (as tortas salgadas de peru e camarão também são nota dez). Uma coisa de louco, morro três vezes a cada garfada! Perto dali, na Graça, o japonês moderninho Shiro, e duas delicatessens: Deli & Cia. (na Euclydes da Cunha) e Perini (na Princesa Leopoldina, a maior filial da rede de empórios gourmet, com direito a um ótimo bufê de almoço e sanduíches que você monta a peso, com ingredientes de primeira).
Apesar de ter a melhor praia urbana da cidade, a Barra é surpreendentemente capenga em termos de comida. Quando estou no Porto da Barra e bate aquela fome, vou ao natural Ramma, escondidinho na rua Lord Cochrane. A padaria DelliPorto, na Al. Antunes, faz sandubas honestos. À noite, só consigo lembrar do Pereira, bar-restaurante meio mauricinho e caro, mas com uma varanda deliciosa. Em Ondina, uma das maiores extravagâncias da cidade: o italiano classudo Alfredo di Roma, especializado em fettuccine (uma massa com camarões custa R$65, mas é de lamber o prato). Pegando a Sabino Silva e entrando no Jardim Apipema, dá pra gastar menos nos parmegianas da Cantina Volpi ou no simpático Mariposa, que serve crepes, sucos e temakis em clima praiano.
O boêmio Rio Vermelho é o bairro com mais opções. A rua Fonte do Boi, onde ficam os hotéis Ibis, Mercure e Pestana, alinha o natural Manjericão (exuberante, construído no meio do mato, bom para depois de uma prainha no Buracão), o japonês Sushi Deli, os versáteis Confraria das Ostras e Dogma, com menus bem variados (e almoço executivo), e o Ciranda Café, ponto de encontro das lésbicas da cidade. O bairro ainda tem as redondas da Companhia da Pizza e do Piola, o japa ocidentalizado Takê (com farto rodízio a R$55), o novo Sabores de Dadá, o contemporâneo Salvador Dalí e o brasileiro Dona Mariquita, que faz uma excelente feijoada de frutos do mar, sem nenhum gosto de dendê. Para a fome da madrugada, dá para escolher entre o trash McDonald's, o saudável (e demoraaaado) Suco 24 Horas Rio Vermelho ou o conjunto de botecos do Mercado do Peixe.
Mais adiante, a Pituba é um bairro que eu explorei pouco - a maior parte das comidinhas está mais afastada da orla, em direção ao Caminho das Árvores e Itaigara, que formam a "Moema local". Só penso em guloseimas proibidas: uma filial d'A Cubana, numa galeria próxima à Praça Nossa Senhora da Luz, onde dá pra degustar o tal pudim sem ser molestado pelos pedintes do Elevador Lacerda, e uma unidade maior e ainda mais pecaminosa da Doces Sonhos, na Paulo VI, para se jogar e perder a linha mesmo, afinal você está na Bahia e não no Rio de Janeiro. Seguindo a orla em direção ao norte, a praia da Armação tem três endereços muito queridos pelos nativos: os tradicionais Ki-Mukeka e Yemanjá, boas pedidas para um almoço bem típico, e a churrascaria Boi Preto, considerada a melhor da cidade pelo júri da revista VEJA. Já em Itapuã, o Mistura é craque em pescados e frutos do mar - ainda tô louco pra provar os camarões graúdos ao prosecco com risoto de amêndoas.
Por fim, dois endereços para quem não se incomoda em sair um pouco da rota: o venerado Paraíso Tropical, que funciona dentro de uma chácara no Cabula (o dono prepara moquecas exóticas com as frutas cultivadas lá mesmo; preciso conhecer sem falta da próxima vez!) e a tradicionalíssima Sorveteria da Ribeira, no bairro do mesmo nome - que parece uma vila de pescadores, e pode render uma tarde gostosa, se combinada com um pulinho na Igreja do Bonfim e um pôr-do-sol cinematográfico na Ponta do Humaitá. Bom apetite, meu rei!
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Thiago Lasco
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segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Salvador: nada ficou no lugar
Sinto desapontá-los, isto dói mais em mim do que em vocês, mas Salvador não presta mais. Agora que o Bar da Ponta fechou as portas, não tenho mais nada para fazer naquele fim de mundo, então beijos e nos vemos no Rio de Janeiro. Claro que estou brincando: mesmo com a perda irreparável do meu xodó (que era tudo de bom, fiquei arrasado), o saldo da minha quinta visita à capital baiana foi bastante positivo. Mas é fato que encontrei uma cidade menos legal, já que várias de suas atrações mais bacanas simplesmente deixaram de existir. O saudoso Bar da Ponta, que Deus o tenha, foi engolido por um empreendimento imobiliário de alto padrão, junto com o bacanudo restaurante Trapiche Adelaide, do qual era anexo. Quem também deixa saudade são as megabarracas que transformavam as praias do Flamengo e Stella Maris em puro fervo. Por conta de uma quizila jurídica com a União, todas elas foram sumariamente demolidas em agosto. Isso mesmo: não existe mais Barraca do Lôro, nem Margueritta, nem Gaúcho, não existem mais drinques servidos em espreguiçadeiras rústicas-chiques, nem corpos malhados dançando house music em deques à beira-mar. O Litoral Norte de Salvador mó-rreu! Já o Porto da Barra felizmente continua o mesmo, com a água deliciosa para nadar, um pôr-do-sol mais aplaudido que o do Arpoador, e aquela mistura única de classes sociais, etnias, estilos e pegadas. E corpos babadeiríssimos ali e acolá. Aliás, sem querer ferir brios ou fomentar bairrismos, a Bahia tem os homens mais bonitos do Nordeste, né? Nos finais de semana, quando a superlotação deixa o Porto da Barra intransitável, o novo plano B da galere é o Buracão, uma prainha escondida no Rio Vermelho que só os moradores do bairro freqüentavam, e agora vem sendo adotado pelos descolados, num clima low profile. Para quem gosta de conforto, uma opção é ir até o Corredor da Vitória e tomar sol no Mahi-Mahi, bar do hotel Sol Victoria Marina que tem um píer que avança sobre a Baía. Você paga uma consumação e passa o dia comendo, bebendo e tomando banho de mar. Parece que o esquema é bem gay friendly. A Barra não tem a fartura de comidinhas pós-praia de Ipanema. Acabei adotando o Ramma, um simpático restaurante natural escondido na Rua Lord Cochrane (como será que os baianos pronunciam isso?). Depois de horas de sol nordestino, o suco de tangerina deles descia que era uma maravilha. Adoro que na Bahia essa fruta dá o ano todo, não tem época certa como aqui em São Paulo. A doceria A Cubana inaugurou uma filial na Pituba, num shoppingzinho na Praça Nossa Senhora da Luz. Isso significa que agora você pode comer o melhor pudim de leite condensado do mundo, sem ser molestado a todo instante pelos pedintes do Elevador Lacerda. Outro endereço que continua firme e forte no topo da minha lista de laricas pecaminosas é a Doces Sonhos, na Vitória. Os bolos de lá são pura felicidade cortada em pedaços. Morri três vezes a cada garfada. A vista da Baía de Todos os Santos transforma qualquer ida ao complexo gastronômico Bahia Marina em um programão. Matei a saudade do japonês Soho, que continua bem gostoso e badalado. Voltei também ao contemporâneo Lafayette - mas os pratos criados por Carla Pernambuco já não têm o mesmo brilho de antes. Acabei não conseguindo ir a nenhum restaurante especializado em frutos do mar. Da próxima, quero provar os camarões ao prosecco com risoto de amêndoas do Mistura, em Itapuã, e as moquecas mutcholocas com frutas e ingredientes naturais do Paraíso Tropical, que funciona dentro de uma chácara distante no Cabula e virou cult. Para um jantar mais informal e barato, aprovei o Mariposa, no Jardim Apipema, atrás da Ondina. Tem um longo menu de sucos, crepes e temakis, numa casa colorida bem praiana, supersimpática. O Pelourinho, que já não era minha área preferida em Salvador, está com um arzinho largado, abandonado. Parece que todo o dinheiro da região foi para o Carmo, onde a inauguração do hotel-boutique Convento do Carmo acabou dando um sopro de vida em todo o entorno. Já o MAM, que estava totalmente ao deus-dará, deu um merecido tapa em seu Jardim de Esculturas, que ainda é meu segundo lugar favorito para ver o pôr-do-sol soteropolitano (o primeiro é a Ponta do Humaitá). Com a morte de bares como Marquês (que fazia as vezes de Ritz baiano), Babalotim e Boomerangue, hoje Salvador não tem nenhum endereço gay friendly onde se possa fazer um esquenta antes de ir dançar. Ou você toma os primeiros drinques onde estiver jantando (a pizzaria Piola já foi uma opção, mas agora o hype passou e ela está às moscas), ou então aciona seus contatos e descola um chill in na casa de algum amigo local. Aliás, num desses esquentas, fui descobrir que as blogueiras Katylene e Cleycianne também são adoradas por lá, e estão colocando suas gírias na boca das bees. Tive a oportunidade de conhecer a bombada San Sebastian em sua última semana no antigo endereço - a casa está de mudança para outro imóvel na mesma rua. Deve existir um "jeito soteropolitano de construir boate": estreito e comprido, com andares e mezaninos, o clube me lembrou muito a primeira Off. A propósito, a Off Club, que reinou sozinha na noite por anos, perdeu o trono e se tornou a boate "do meio". Nos extremos estão a San Sebastian, para onde migrou o pessoal mais bonito, e a Tropical, opção mais popular e bagaceira. Uma pulga me contou que a dona da Off pensa até em se desfazer do negócio. Entre os DJs locais, quem mais chamou minha atenção foi o Bernardo Chez. Além de ser um gentleman e um fofo de marca maior, o loirinho-angelical está fazendo um som bem bacana, criando inclusive seus próprios bootlegs e mashups. Tem tudo para conquistar mais espaço na cena, e não só em Salvador. Na boate, depois de certa hora da noite, elas ficam bem soltinhas, e a beijação rola em esquema drive-thru, tipo assim bem solto. Vai ser bom, não foi? Cansada de quebrar louça? Pois saiba que o percentual de atividade em Salvador beira os 90% - nenhuma outra capital tem tamanho superávit! E ó, tem que levar preservativos GG na nécessaire, viu? Para os adeptos dos vapores vespertinos, a Rios continua sendo o endereço mais indicado. E quem curte um perigón na linha Uomini se refestela no Paredão, no Jardim de Alah - uma falésia que esconde encontros furtivos e sorrateiros na calada da noite. Bateu uma vontadinha de ir (ou voltar) a Salvador? Se fosse você, eu me hospedaria na Barra, para poder ir à praia a pé, e daria uma olhada nas tarifas do Sol Barra, do Grande Hotel da Barra e do Marazul, nessa ordem. Ou então ficaria no Rio Vermelho e decidiria entre o funcional-padronizado-insípido Ibis e o charmoso Catharina Paraguaçu, todos numa faixa de preço viável. As músicas que ilustram este post são "Happiness" (Dave Aude Club Mix), de Alexis Jordan, e "Empire State of Mind" (na versão que o André Garça toca) . Elas deram o tom da minha semana em Salvador e também do fim de semana no Sauípe, no festival Hell & Heaven - que será o assunto do próximo post.
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Thiago Lasco
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quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Rapidinhas gastronômicas
A COCOTA DO BAIRRO Esqueça o que você já ouviu sobre "restaurantes de bairro". Apesar de estar escondido no Ipiranga, fora dos holofotes da badalação, o Nico Pasta & Basta não faria feio se estivesse em plena rua Amauri. O ambiente projetado por Roberto Migotto é belíssimo, com mesas dispostas em torno de um átrio iluminado por uma espécie de clarabóia. O menu, de sotaque italiano, tem massas artesanais como o pappardelle com ragu de filé mignon (tem massa mais apetitosa do que o pappardelle?), além de risotos, polentas e carnes - o stinco de cordeiro com risoto de ervas é sensacional. Ótima sugestão para dar uma cara diferente ao seu almoço de domingo - depois, é só dar um giro pelo Parque da Independência para fazer a digestão.
ONDE A ONÇA BEBE ÁGUA Não é de hoje que a revalorização do Centro paulistano devolveu ao Edifício Copan o status de "cult". Quem tem ajudado a trazer buxixo ao sinuoso edifício de Oscar Niemeyer é o Bar da Dona Onça, que virou queridinho da crítica especializada e dos modernos ao propor releituras de pratos clássicos brasileiros, em clima de boteco estilizado (vide os motivos felinos na roupa dos garçons e no cardápio). Confesso que esperava muuuuito mais do picadinho, mas fiquei boquiaberto com o stinco de leitoa caipira com feijão tropeiro e couve refogada. Como diria meu finado pai, é "batuta"! Isso sim é comida brasileira contemporânea. De sobremesa, o pudim já entra no ranking dos melhores da cidade. Só não vá esperando fazer economia. Os preços da casa estão à altura do seu hype, com pratos de R$40 ou mais, o que significa uma conta que chega fácil a R$100 por cabeça.
MUITO ALÉM DO MIOJO No meu último post sobre comidinhas cariocas, dei a entender que o Brasil não tinha casas especializadas em macarrão oriental. Tem sim: um bom exemplo é o Lamen Kazu, um autêntico noodle bar que fica no Largo da Pólvora (Liberdade) e está sempre cheio. Uma boa pedida para quem quer ir além do sushi e explorar outros terrenos da cozinha japonesa. Outro lugar de que tenho gostado muito é o Sobaria, na Vila Mariana, uma casa dedicada à cozinha do... Mato Grosso do Sul. Isso mesmo: por conta de uma imigração maciça de japoneses da ilha de Okinawa, o sobá tornou-se a comida mais típica de Campo Grande, onde é consumida nas ruas e em todo lugar, inclusive como prato-de-resistência das bees na saída da boate. Feita de trigo sarraceno, a massa vem num reconfortante caldo de shoyu e gengibre, com cebolinha e tiras de lombo e omelete. Uma delícia - por apenas R$20 no Sobaria.
THE AMERICAN WAY Uma boa surpresa deste ano que está acabando foi o 210 Diner, em Higienópolis. Depois do francês Ici Bistrô e do italiano Tappo Trattoria, o chef Benny Novak resolveu abrir uma terceira casa, desta vez para servir especialidades da cozinha dos Estados Unidos. Não espere o clima adolescente de casas como Friday's e Outback: 0 210 é mais low profile, quase minimalista. O cardápio é variado e tem preços diferenciados (ligeiramente menores) no almoço. Entre os hambúrgueres, recomendo o piggie burger, coberto com uma saborosa costelinha de porco desfiada em molho barbecue. Se quiser algo mais leve, não perca a omelete, que põe a do Ritz no chinelo. Você escolhe os ingredientes - a combinação de cogumelos, queijo de cabra e molho pesto é simplesmente fodástica.
ÁRABE NADA CLICHÊ Até curto comer uma esfiha benfeita de vez em quando, ou mesmo fazer um pratinho saudável de kibe cru com tabule. Mas acho restaurante árabe/sírio/libanês um programa meio boring. Não me anima a ideia de gastar nisso o meu orçamento de "comer fora". No entanto, fui ao Saj e adorei. Talvez porque não se pareça com restaurante árabe. A casa fica na Vila Madalena e tem aquele "jeitão Palermo de ser" do bairro, com mesas dispostas em uma espécie de terraço interno com muita luz natural. Por uma janela, é possível ver o trabalho de preparação do pão sírio - que chega à mesa quentinho e macio e é um dos pontos altos. Já que está num lugar diferente, saia do lugar-comum e peça a fraldinha cozida na coalhada. Os cubos da carne desmancham no garfo [quer tentar fazer em casa? a receita está aqui].
PARA COMER COM AS DUAS MÃOS Na esquina da Melo Alves com Alameda Tietê, o bar Balcão vem animando os papos-cabeça do povo culturette há mais de 15 anos. Mas só recentemente fui descobrir que, no simpático balcão que serpenteia por todo o salão e dá o nome à casa, é possível comer alguns dos melhores sanduíches da cidade, num pão ciabatta macio como há muito tempo eu não via. Gostei especialmente do Vegetariano, com cogumelos frescos, tomates secos pra lá de saborosos, pesto, rúcula e mussarela de búfala (ingrediente que não consta da receita original, mas pode ser incluído). Tão bom que voltei para repetir a dose já no dia seguinte.
BÍBLIA ANUAL A revista Veja já publicou a edição 2010-2011 do seu anuário Comer & Beber, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Na semana em que saem, os guias são vendidos junto com a revista Veja. Depois, algumas bancas de jornal continuam oferecendo o volume separado por algum tempo. É uma fonte de consulta obrigatória, seja pelos restaurantes (divididos por especialidades), seja pelos bares (separados por região da cidade), seja pelas comidinhas (com todas as guloseimas de que você precisava e não sabia). Outras capitais como Salvador e Curitiba também devem estar para ganhar suas edições [aliás, se algum leitor caridoso quiser me mandar os guias dessas cidades, ficarei agradecido!]. Em tempo: o Rio está vivendo sua terceira Restaurant Week, até o dia 31/10. Os cardápios, você confere aqui.
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segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Belisquetes (cariocas) do momento
Fico admirado como o Rio de Janeiro - ou melhor, a Zona Sul - está se tornando especialista em inventar modismos gastronômicos. Não falo aqui de restaurantes, mas daqueles lugares pequenos, informais e descolados que se concentram em uma única comidinha e, sabendo vender o peixe, viram mania instantânea. Foi assim com as temakerias (que surgiram em São Paulo, mas viraram pop aqui, com a Koni Store) e com as casas de frozen yogurt (o número de imitações da Yogoberry em Ipanema já está beirando o ridículo), dois formatos que viraram febre Brasil afora. Mas outras ideias interessantes vêm pipocando pelo Leblon, como o bar de tapas Venga! (que eu já resenhei aqui), a kebaberia Yalla! (que não despertou minha curiosidade, mesmo sendo cria do tradicionalíssimo árabe Amir) e a Vezpa, que vende pizzas em pedaços com uma cara ótima, cheirinho de manjericão incluído.
No último feriado, fui para o Rio (pela 61ª vez na vida!) e, como não deu praia, tive que me contentar com as novidades gastronômicas. Primeiro fui ao Soba, que vem a ser um noodle bar, ou seja, uma casa especializada naquele macarrão oriental que serve de base ao Miojo e ao yakissoba. Eu já tinha visto um desses Barcelona (o Udon, fantástico) e torcia para ninguém levar o conceito para o Brasil antes que eu resolvesse abrir meu próprio negócio. Pedi o Osaka, que leva salmão, shiitake, nirá, gengibre e um toque de molho teriaki, e a-do-rei. Não consigo lembrar de outra comidinha de R$18 que seja tão bacana. Ótima pedida para aquele fim de semana em que você não pode gastar muito dinheiro. Além dos noodles, o cardápio tem pratos à base de gohan (aquele arroz japonês meio grudentinho) e umas entradinhas tipo dim sum. Supersimpático.
Minha segunda experiência foi o Go Wok, que se anuncia como "o primeiro restaurante casual thai do Brasil". Na verdade é uma portinha minúscula, espremida entre o Néctar e o Tô Nem Aí, em plena Farme de Amoedo. Funciona assim: você escolhe uma carne (bovina, frango, camarão, lula ou opção veggie), uma base (entre quatro tipos de macarrão e dois de arroz), um molho tailandês (ostras, tamarindo, teriaki, curry com leite de coco, chilli) e três ingredientes (shiitake, ovo, amendoim, etc.). Eles salteiam tudo na wok e te entregam num potinho de plástico com cara de Cup Noodles, pra você comer no exíguo terraço da casa, ou ir andando. É barato, não é rápido (para ser um fast food, a comida demora pra kct) e... bem, não fui muito feliz na minha escolha. O que veio de camarão e shiitake no pote inteiro não era suficiente para duas colheradas, o resto era arroz puro. Talvez se tivesse pedido com frango e uma base de noodles, eu teria pelo menos conseguido chegar ao fim do prato (joguei fora antes da metade).
Agora, gostei mesmo foi da Prima Bruschetteria, que nem é tão nova assim, mas eu não tinha ido conhecer. Outra ideia óbvia que ninguém teve antes: um lugar só de bruschettas (bem, se pão italiano não é a sua praia, tem uns 2 ou 3 risotos também). São vinte e tantas opções, algumas incríveis, como a de camarões, tomate italiano e pesto (perfeita!) e as invenções da semana, escritas numa lousa (comi uma de creme de gorgonzola, maçãs caramelizadas e nozes que era uma cô-de-lô, tomara que entre no meno fixo!). O lugar é uma graça, com pegada de bar e motivos quadriculados nas paredes, nas mesas e nas boinas dos garçons. E o sucesso estrondoso se repete quase todas as noites, quando uma multidão toma conta da calçada e come em pé ali mesmo, tomando uma taça de vinho, sem esquentar a cabeça (viva a informalidade carioca). Mas dá para fugir da muvuca, indo em horários alternativos (eles abrem às 10h, com bruschettas especiais de café-da-manhã) e até pagando menos (há combos promocionais no almoço e no lanche da tarde).
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Thiago Lasco
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quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Restaurant Week: seleção de cardápios (jantar)
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Thiago Lasco
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terça-feira, 31 de agosto de 2010
Restaurant Week: seleção de cardápios (almoço)
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quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Rapidinhas comestíveis
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Thiago Lasco
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sexta-feira, 16 de julho de 2010
Rapidinhas diversificadas
DA JABULANI À JABIROSCA Quem não morreu de vergonha de ser brasileiro quando veio ao mundo o logotipo oficial da nossa Copa do Mundo 2014? A tosqueira tem cara de improviso - parece aqueles trabalhos que crianças de 6 anos fazem na aula de artes da pré-escola - e recebeu críticas de todos os lados, das mais embasadas às mais escrachadas. Levando a sério a máxima de que só pode criticar quem faz melhor, o blogueiro Guilherme Bandeira desenvolveu várias versões alternativas do logotipo, todas disponíveis em seu blog Olha Que Maneiro. A minha favorita ilustra este post. Realmente, era bem fácil fazer melhor.
INVERNO GRATINADO Com a frente fria violenta que varreu o Sul e o Sudeste, nosso apetite pede pratos quentes mais substanciais. Enquanto não tomo coragem para escrever outro roteiro gastronômico, vou dar duas dicas pontuais, ambas em São Paulo. Uma é o Marcel, no Brooklin, disparado o melhor endereço da cidade para comer suflês - o Maison, minha receita favorita, leva camarões, queijo e cogumelos. A outra é o Bar do Alemão, um restaurante que há várias décadas faz os paulistanos viajarem até Itu para saborearem seu gigantesco filé à parmegiana. Agora não é mais preciso pegar a estrada: a casa abriu uma filial em Moema. A versão grande do prato, com 700g de bife, alimenta até 5 paladares.
CORTINAS DE VELUDO RELOADED Último clube de sucesso no tempo em que a Consolação ainda era o epicentro da noite GLS de São Paulo, o Ultralounge viveu sua melhor época entre 2000 e 2001 - quando Sérgio Kalil já tinha fechado a B.A.S.E. e ainda não tinha aberto a Level. Com um enorme candelabro e cortinas de veludo bordô, o Ultra se pretendia pomposo e reforçava a aura convidando artistas e fashionistas para comandar as pickups no início da noite. Foi o último clube menor e intimista, antes da era dos descamisados e do colocón: ali, bacana era ir de camisa social, com atenção especial para o cabelo bem esculpido. Varrido da cena por um complô entre vizinhos e prefeitura, deixou muitos órfãos. E agora está de volta, sob a forma de um projeto que ocupará uma ou duas sextas por mês, no clube Lions. [Faltava mesmo uma noite gay no Lions, eu já tinha cantado essa pedra aqui]. A estreia é hoje, e os habituês do Ultra devem comparecer em peso. Será que o Cecin vai tocar aquele remix de "Don't Tell Me" que foi o hino absoluto dos velhos tempos?
A TRILHA DO PARAÍSO E por falar em balada, já saiu a programação das festas do Hell & Heaven, babadeiríssimo evento gay que fará sua segunda edição em novembro, na Costa do Sauípe (BA). O line up superou as minhas expectativas. Na noite do dia 4/11, a festa de boas vindas traz Cella e Rafael Calvente, em parceria com as domingayras Café Com Vodka (SP) e Duo (RJ). No dia seguinte, a abertura oficial tem Renato Ratier (D-Edge) e o francês Tristan Garner, do hit "Stomp That Shit". Sábado será a maratona suprema da jogação: de dia tem pool party com Felipe Lira, André Garça e Danny Verde, e à noite tem festona com Ana Paula e Peter Rauhofer. Já estaria de bom tamanho, mas ainda tem mais: a manhã de domingo será em ritmo de after, com Rodolfo Bravat, André Queiroz e - tcharam! - o argentino Aldo Haydar, fazendo o gran finale perfeito. Partiu Sauípe?
PLUMAS, MULLETS & MARIACHIS E ainda no embalo do post de ontem, a Secretaria de Turismo da Cidade do México anunciou que dará de presente uma viagem de lua-de-mel ao primeiro casal gay a se casar na Argentina. O mimo será uma parceria da prefeitura com a iniciativa privada: o governo municipal arcará com as passagens aéreas, enquanto hotéis e restaurantes da Cidade do México e de Cancún oferecerão hospedagem e alimentação. A ideia busca incentivar o turismo gay friendly no México, cuja capital já reconhece a união gay desde dezembro. Fofo, não?
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Thiago Lasco
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segunda-feira, 28 de junho de 2010
13 dicas para um refresh gastronômico em SP
MARAKUTHAI [foto]
Esse lugar foi meu vício no verão passado e continua sendo meu queridinho. A chef Renata Vanzetto é uma menina-prodígio: com apenas 17 anos, ela já comandava a matriz da casa, em Ilhabela. A filial paulistana veio três anos depois e repetiu o sucesso, propondo uma culinária tailandesa moderna, com ênfase em frutos do mar. O ambiente, de extremo bom gosto, mistura plantas, móveis e objetos de épocas diferentes, num resultado meio praia, meio brechó e totalmente girlie. Perfeito para um almoço de sábado com os amigos. Eu indico: as tirinhas de mignon com molho de curry vermelho levemente adocicado (peça para vir com cuscuz marroquino no lugar da farofa de dendê) e o mix de lula e camarões com molho de leite de coco, alho poró, tomate e limão. Eu também recomendaria o atum selado com molho de queijo de cabra e damasco, não fosse o preço tão salgado (R$74). Onde: Al. Itu, 1618, Jardins.
SAL GASTRONOMIA
Já citei o Sal outras vezes no blog, mas nunca cheguei a resenhá-lo. Escondido atrás da Galeria Vermelho, tem ambiente clean e moderno, mas sem afetação. As mesas são dispostas ao longo de um corredor, com vista para a cozinha envidraçada, de onde se vê o trabalho de Henrique Fogaça e seus ajudantes (todos carecas, fortões e tatuados como ele). Fetiches à parte, os bofes servem pratos contemporâneos bem executados, com ocasional presença de ingredientes brasileiros. Eu indico: o lombo de cordeiro com purê de dois queijos, shitake e molho de jabuticaba. Ou o atum em crosta de gergelim ao molho teriyaki, com arroz negro, pupunha e cubos de tomate, caso você precise exibir o corpinho depois da sobremesa. Onde: Rua Minas Gerais, 350, Higienópolis.
LAS FAVAS CONTADAS
Com pouco mais de um mês de vida, o caçula do meu roteiro está sendo descoberto aos poucos. Numa discreta ruela da Vila Madalena, tem apenas 50 lugares e um clima intimista e aconchegante, típico do bairro. O chef Caio Henri já pilotou caçarolas em lugares tão diversos quanto a Febem e o Palácio do Planalto - mas é do Carlota, onde ele cozinhou por três anos, que vêm as influências mais marcantes do cardápio. Várias receitas célebres de Carla Pernambuco estão lá, como a panelinha de cogumelos shiitake e o filé ao vinho do Porto com risoto de figos. Aos poucos, porém, a casa está introduzindo pratos novos e construindo uma identidade própria. Os preços são convidativos. Eu indico: o tempura de badejo ao molho curry com arroz de coco e laranja, um grande acerto que não veio do Carlota. E o petit gateau de doce de leite, para fechar com chave de ouro. Onde: Rua Patizal, 72, Vila Madalena.
MADUREIRA SUCOS
Quem volta do Rio de Janeiro sentindo falta do Bibi Sucos precisa descobrir este tesouro. O cardápio faz um inventário completo da alimentação saudável. Açaí, cremes na tigela, salgados assados, omeletes, tortas, saladas, sopas, grelhados, sandubas com pasta de ricota, tem de tudo aqui. Os sucos são criativos: tangerina com kiwi, maçã com uva e blueberry, cenoura com tangerina e maracujá, framboesa com ameixa e gengibre e muitos outros, vários deles com propriedades funcionais. Para sentar, há um balcão com banquetas no piso térreo, e mesas em uma varanda no primeiro andar. O charme fica por conta dos ladrilhos verdes e rosa que revestem as paredes e dão um toque lúdico ao lugar. Eu indico: A substancial torta de galinha com milho, com cinco dedos de altura e um recheio bem úmido. Onde: Rua João Cachoeira, 217, Itaim.
KAÁ
Vamos logo ao que interessa: o ambiente do Kaá é tão bonito que já ganhou dois prêmios internacionais, como o restaurante de melhor design de São Paulo. De fato, a combinação de pé-direito altíssimo, jardim vertical grandioso, tons de marrom e pitadas de inspiração indígena gerou um efeito espetacular, como se pode ver no próprio site da casa. É o tipo de lugar que nem as pessoas mais blasé resistem a fotografar. A personalidade forte do ambiente, porém, não se repete na cozinha: trata-se da mesma mistura franco-italiana sem ousadia que tantas outras casas servem por aí. Tudo correto, sem dúvida, mas aposto que você contará pros amigos que foi almoçar "num lugar lindo", e não que comeu "uma comida incrível". Mesmo assim, a beleza sem igual torna o Kaá uma excelente pedida para comemorar um aniversário ou levar turistas e mostrar a eles "o poder de São Paulo". Eu indico: o fettuccine com ragu de pato. Onde: Av. Juscelino Kubitschek, 279, Itaim.
LA MAR
A culinária peruana é o resultado do cruzamento de várias influências: a cultura inca (diversas variedades de batata e milho), a colonização espanhola (sopas e guisados) e as cozinhas asiáticas (peixes crus e pratos salteados na wok). Essa rica mistura é uma das febres gastronômicas do momento e chegou a São Paulo no ano passado pelas mãos de várias casas. Uma delas é o La Mar, uma franquia que o chef peruano Gastón Acurio levou a outros cinco países. Na parte de petiscos, há os famosos cebiches e tiraditos (porções de peixes em cubos ou fatias, marinados em caldos cítricos, com temperos como cebola roxa e pimenta ají), e as menos conhecidas causas (bolinhos de batata com recheios de peixe ou camarão). Já entre os pratos quentes, massas, arrozes e pratos salteados na wok, sempre com muitos frutos do mar - os mais interessantes são os de acento asiático, como o salteado nikkei. Eu indico: a didática degustação de 4 cebiches (o de atum com leche de tigre ao tamarindo é o meu favorito) e a pasta negra ao chupe thai de camarões. Onde: Rua Tabapuã, 1410, Itaim.
DUI
Mais um restaurante contemporâneo que joga no caldeirão influências de várias partes do mundo. Nas entradas, tapas com sotaque espanhol; nos pratos, costelinhas de porco brasileiríssimas, carré de cordeiro francês, peixe com acento asiático, e por aí vai. O ambiente é uma atração à parte. O espaço do antigo Empório Siriúba foi completamente repaginado e se transformou num restaurante vistoso e exuberante, com pé-direito altíssimo e um jardim de inverno pra lá de romântico, ideal para aquele jantarzinho tête-à-tête. É bom avisar: não é um lugar barato. Eu indico: não me preocupei em anotar o que comi, pensando que poderia olhar depois na internet, mas o site da casa não mostra o menu... Onde: Al. Franca, 1590, Jardins.
AK DELICATESSEN
Num dos bairros com maior concentração de judeus em São Paulo, a casa da simpática Andrea Kaufmann propõe uma releitura moderna dos clássicos da cozinha judaica. O lugar é meio apertado, com mesas muito próximas uma das outras, mas ainda assim charmoso. E a comida é bem caprichada. Eu indico: as delicadas varenikes, típicas massinhas de batata com recheio de cebola confit, rabada ou creme de haddock, o medalhão de mignon envolto em pastrami com queijo brie e mix de cogumelos e a cheesecake com coulis de frutas vermelhas. Onde: Rua Mato Grosso, 450, Higienópolis.
PING PONG
Filial de uma rede inglesa, o Ping Pong é um bar especializado em dim sum, faceta da culinária chinesa pouco conhecida no Brasil. Simplificando grosseiramente, é uma versão ching-ling das tapas espanholas: pequenas porções de bolinhos recheados de carne de porco, legumes ou frutos do mar, que podem ser assados, fritos ou cozidos no vapor. Como são 3 unidades por porção, o ideal é ir num grupo de três amigos e ir provando várias - você vai marcando as que deseja em um formulário. Dois cuidados: coma antes que esfriem (especialmente as massinhas feitas no vapor, que ficam grudentas) e tente não perder a noção de quando está gastando, para não levar um susto. O lugar tem aquela dose de pretensão bem típica do Itaim (que este texto retratou de uma forma divertidíssima), mas isso não chega a incomodar. Eu indico: pork puff (massa folhada com recheio de mignon suíno, cebolas caramelizadas e mel), seafood dumpling (massinha de cenoura no vapor com recheio de caranguejo, camarão e vieiras), crispy prawn ball (camarões fatiados com cebolinha em macarrão de fios de ovos e molho agridoce) e o refrescante drink não-alcoólico de goji berries, manga e hortelã. Onde: Rua Lopes Neto, 15, Itaim.
SAKÊ
Se você não consegue pensar em sushi sem cream cheese e adora enrolados flambados, de preferência com um pouco de molho tarê por cima, aqui vai mais um japa ocidentalizado para a sua lista. Trata-se da estreia em solo paulistano de um restaurante muito conhecido em Vitória [sobre o qual eu já falei aqui, quando escrevi sobre a capital capixaba]. Os combinados mais sofisticados trazem criações que fogem do trivial, com direito a arriscadas misturas de salgado com doce. Tanta ousadia nem sempre dá certo: na degustação de sashimis, por exemplo, a combinação de haddock e molho de maracujá é bem esquisita. Já nos sushis, o Sakê apresenta resultados bem melhores, embora ainda inferiores aos do Mori Sushi. Eu indico: o combinado mix show (cuenda o nome pintoso!), uma amostra bem completa de todas as invencionices da casa. Onde: Rua Dr. Mário Ferraz, 37, Jardim Europa.
GABRIEL
Tem jeitão de lounge, com muitas almofadas, paredes cobertas de badulaques e luz baixa no jantar. O público não destoa do que se poderia esperar em um restaurante em plena Gabriel Monteiro da Silva: casais balzaquianos, famílias de classe média alta, rapazes bem apessoados em camisetas de gola pólo. O menu é variado, mas com acentuada influência francesa: entrecôte ao molho béarnaise, confit de pato, steak tartar, crepe de laranja. Eu indico: o delicioso penne oriental, que leva camarões, shiitake, aspargos e um toque de curry. Onde: Al. Gabriel Monteiro da Silva, 1424, Jardim Paulistano.
LE FRENCH BAZAR
Uma improvável esquina de Pinheiros abriga esse charmoso restaurante francês, com pratos clássicos de bistrô e algumas receitas mais modernas, sempre com apresentação impecável. Há algumas mesas na calçada, mas o melhor é sentar lá dentro, onde as paredes forradas por um curioso papel florido azul-turquesa ajudam a criar um clima aconchegante e intimista. Simplesmente uma graça! E a cozinha faz bonito também. Eu indico: o confit de pato ao molho de vinho do Porto, com risoto de grãos bem cremosinho, a rabada à Bourguignonne e o ótimo fondant de chocolate com creme inglês. Onde: Rua Fradique Coutinho, 179, Pinheiros.
LA FORCHETTA
Para contrastar com tantas casas moderninhas, eis um restaurante old fashioned: as preparações levam sofisticados molhos à base de creme de leite, às vezes finalizados num réchaud à mesa, aos olhos do cliente. A casa fez fama nos anos 80 como Forchetta D'Oro, na rua Haddock Lobo, um dos restaurantes bacanudos da minha infância, ao lado do Leonardo's e do Tatini. Depois, mudou-se para a Vila Nova Conceição, e agora ocupa o térreo de um flat na Bela Cintra, a poucos metros do Sonique. Difícil é escolher entre tantas delícias. Só não venham em época de Restaurant Week, pois os pratos promocionais são medíocres - levei um grupo de amigos e quase morri de vergonha. Eu indico: o chateau tobruk (filé alto tipo chateaubriand, molho à base de manteiga, molho roti, mostarda, champignon, alho, uva passa, cebolinha, com arroz puxado no próprio molho) e o casuncelli (massa com recheio de vitela, presunto cru, uva passa e amaretto, servida com molho de funghi). Onde: Rua Bela Cintra, 521, Consolação.
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Thiago Lasco
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segunda-feira, 24 de maio de 2010
Meu guia gastronômico do Rio 2010 - parte 2
A parte 1, você encontra aqui.
BELISCOS E GULOSEIMAS
O Cafeína (de novo ele!) é uma espécie de coringa: tem cafeteria, salgados, doces, sanduíches e até refeições mais substanciosas. Cada vez mais pop, tornou-se a primeira lembrança de muitos quando bate aquela fome da tarde - afinal, é prático encontrar tudo num lugar só. Mas meus preferidos são outros. Os melhores salgados são os da delicatessen The Bakers, em Copacabana - a quiche Provol'onionz, de queijo provolone com cebola, é um arraso. Para sanduíches, difícil superar o Talho Capixaba, no Leblon: com algum talento, você monta um lanche incrível, escolhendo pães, frios, pastas e outros recheios em uma lista gigantesca de ingredientes. No Centro da cidade, sou louco pelo Ateliê Culinário, anexo ao Cine Odeon, que manda bem tanto nas quiches e salgados como em pratos quentes. E se para você comida é uma preocupação secundária, sente-se em uma das mesas externas da Confeitaria Colombo do Forte de Copacabana e admire a vista espetacular - é ela que ficará em sua memória, não os quitutes de lá.
Bateu aquela vontade de comer doce? A tentadora mesa do quilo Fellini tem uma torta alemã com calda de chocolate morno que é de comer de joelhos. Para rivalizar com ela, só mesmo a torta maravilha (de morango ou banana) da Torta & Cia., no Humaitá e no Leblon. Os bolos da Doce Delícia também não decepcionam. Em termos de sorvete, o Rio me agrada até mais do que São Paulo. Fãs de sabores cremosos na linha La Basque têm orgasmos na rede Itália - o sorvete de torta alemã é algo! Para paladares mais refinados, a Mil Frutas é um programa imperdível: entre sabores de fruta e cremosos, há mais de 180 opções, e a casa não cansa de surpreender com novidades. É cara como Haagen-Dazs, mas vale cada centavo.
Ipanema lança novos modismos a cada verão, e isso também vale para comidinhas. Primeiro vieram as temakerias; depois, as lojinhas de frozen yogurt; no verão passado, surgiu ali uma estranha mania de comer kebab, o famoso churrasco grego, em versão desestigmatizada. Em todos os casos, uma casa lança a ideia, faz sucesso e, na semana seguinte, dezenas de imitações já se espalharam pelos quarteirões. Melhor ficar com os pioneiros: os temakis da Koni Store e o frozen yogurt da Yogoberry. Confesso que não tenho a menor vontade de provar um kebab carioca: se a ideia é um petisco étnico, me apetecem mais as tapas espanholas do Venga!, ou as bruschettas da Prima Bruschetteria.
JANTAR
Comer fora também é programa de carioca, como não? Com direito às mesmas esperas intermináveis que eles acham ruins quando vêm passear em São Paulo, é bom dizer. Nos restaurantes mais buxixados, como o japonês Sushi Leblon, a distração de quem fica plantado esperando mesa é ver e ser visto (alguém pensou no Spot?) e dar de cara com alguma celebridade. Outros japas de responsa são o Ten Kai, em Ipanema, o Manekineko, para quem curte invencionismos ocidentais, e o Azumi, que é o extremo oposto de todos os anteriores: tradicional, purista e frequentado por "japoneses de verdade". Agora eu quero conhecer o Nao, no Fashion Mall, que serve esqueminhas (menus-degustação) criados por Nao Hara, o sushiman do elogiado Shin Miura.
A cozinha contemporânea tem vários representantes dignos na cidade. Meu favorito é o Zazá Bistrô Tropical, um sobrado colorido, de cardápio bem criativo - o curry de frango e o rosbife de cordeiro são simplesmente matadores. No andar superior, você tira os sapatos e come em mesas baixas, jogado em almofadões, à luz de velas. O Bar d'Hôtel, no primeiro andar do Marina All Suites, serve pratos de inspiração francesa, na linha do nosso Ruella (cuja chef já foi sócia do BDH). No Miam Miam [foto], a proposta é comfort food: receitas caseiras, que tragam conforto e lembranças de infância, relidas de forma moderna. O lugar é charmoso e bem retrô, como uma casa de avó. Vários amigos meus adoram o Zuka, mas o cardápio de lá não me atrai tanto; o Bazzar, por outro lado, tem um menu bem amplo e versátil. Uma dica que muitos me deram e ainda não conferi é o restaurante da Roberta Sudbrack, primeira mulher a comandar a cozinha no Palácio do Planalto. Não há cardápio: você embarca numa viagem de vários pratos servidos em esquema degustação pela chef.
Para um jantarzinho a dois, algumas sugestões são o Copa Café, super intimista, que prepara hambúrgueres sofisticados no prato (criados pelo chef do nosso B&B Burger Bistrot), o Juice & Co., que faz a linha saudável, com receitas mais leves e uma carta de 60 sucos, e o Nam Thai, um tailandês fantástico - melhor até que o Sawasdee, o thai da moda. Os paulistanos Carlota e Le Vin também têm filiais no Rio. Se, por outro lado, a ideia é badalar, boas pedidas são os já citados Sushi Leblon e Bar d'Hôtel, além do despretensioso Via Sete e do Felice, unanimidade absoluta entre o público gay.
E, para desfazer certos mitos, vale avisar que no Rio também se comem ótimas pizzas. É verdade que a pizzaria da moda é a paulistaníssima Bráz, que já tem duas filiais cariocas. Mas há outras boas opções, como a Stravaganze, de ambiente moderno, a Capricciosa, pizzaria de grife, considerada por muitos como a melhor da cidade, e, numa linha mais informal, os discos fininhos e crocantes da Pizza Park (Cobal do Humaitá e Cobal do Leblon) e da pizzaria do supermercado Zona Sul. Carioca colocando catchup na pizza, eu só vi mesmo no Pizza Park, que tem cara de bar...
FOME DA MADRUGADA
Até aqui eu vinha dizendo que o Rio não ficava devendo a SP em nenhum aspecto. Pensando melhor, fica sim: a oferta de comida na madrugada é bastante inferior. Mesmo sem bons restaurantes ou padarias 24 horas, porém, há vários lugares que podem quebrar o galho. Dá para tomar um bom lanche em lojas de suco como Kicê (até 2h; até 3h no fds), Bibi (até 2h; até 3h no fds) e BB Lanches (até 3h; 5h no fds), ou comer um temaki na Koni Store da Farme (até 3h; qui./sáb., até 6h). Se um salgado for suficiente, a Fornalha tem três lojas que funcionam 24h.
No clássico Cervantes (até 4h; até 6h no fds), os sanduíches de pernil ou filé com abacaxi (equivalentes em fama ao nosso sanduíche de pernil do Estadão) abastecem a eclética fauna noturna de Copacabana há 55 anos. No Jobi, um dos mais importantes botequins do Rio, a saideira vai até 4h (5h no finde) e pode incluir pratos quentes. Se estiver pela Lapa, o também tradicional restaurante Nova Capela fecha às 5h todos os dias - mas não é qualquer um que consegue traçar um cabrito com arroz de brócolis de madrugada. Só não me peça para recomendar a Pizzaria Guanabara (até 7h): o lugar pode ser fervido e cheio de histórias (Cazuza e seus amigos sempre terminavam a noite ali), mas a pizza é intragável.
Postado por
Thiago Lasco
às
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