BUTCHER'S MARKET [foto] O segmento de hamburguerias diferenciadas está cada vez mais concorrido em SP. A novidade do pedaço é essa casa, com jeitão de bar e acabamento falsamente rústico, com tijolos aparentes e decoração dentro do tema "açougue". É pequeno e está na moda, ou seja, a espera é inevitável. Testei o mushroom burger, que custa R$27 - sem batatas fritas, pagas à parte. O hambúrguer veio no ponto pedido (gosto da carne realmente malpassada), mas sem sal; por cima, uma fatia de queijo quase desonesta de tão fina, e cogumelos apenas cozidos, sem qualquer tempero. Pelo preço praticado, deveria ser bem melhor. Onde: Rua Bandeira Paulista, 164, Itaim.
COSÍ Escondido em uma rua improvável de Santa Cecília, tem fachada envidraçada e ambiente clean, mas aconchegante. O cardápio, curto, apresenta massas, carnes e risotos, com roupagem contemporânea. Adorei os raviólis de pupunha com creme de limão e camarão - massa delicada, molho leve, recheio surpreendentemente interessante (não sou lá muito chegado em palmito) e camarões carnudos. Gostei tanto que pedi uma segunda porção. A casa abriu recentemente uma filial na Vila Nova Conceição, com preços 20% mais caros. Onde: Rua Barão de Tatuí, 302, Santa Cecília.
PIAZZA 36 Quem trabalha ou circula pelo centro velho da cidade tem poucas opções charmosas para o almoço. Faltam lugares que preencham o hiato entre os quilos populares e os restaurantes mais tradicionais, caros para o dia-a-dia. Esta casa fica no meio do caminho: por um preço fixo (R$49 por pessoa) oferece uma convidativa de mesa de saladas, antepastos e petiscos, e mais dois pratos quentes por dia - normalmente uma massa e um risoto, que podem ser acompanhados por um grelhado. Tudo bem apresentado e gostoso. Onde: Praça da República, 36, Centro (fica na esquina da Rua Basílio da Gama).
NOU Uma graça esse lugar! Casa pequena, com cara de residência adaptada e algumas mesas no quintal, na parte mais tranquila de Pinheiros. O cardápio segue uma linha até trivial, mas com pitadas de bossa. Um exemplo bem ilustrativo é o bife à milanesa, empanado numa macia crosta de pão e acompanhado por um risoto de limão-siciliano de delicado perfume. Durante a semana, serve almoço executivo a R$27,90 - as opções do dia, escritas numa lousa, incluem truta com linguini ao pesto de rúcula e medalhão ao gorgonzola com batata rösti. Onde: Rua Ferreira de Araújo, 419, Pinheiros.
FIGO A poucos passos do Parque do Ibirapuera, esse restaurante bonitinho é outro que segue a linha contemporânea, com pratos como a fraldinha na cerveja com cebola caramelizada e o camarão thai ao curry, com leite de coco, abacaxi e arroz de jasmim. As mesas mais disputadas ficam numa espécie de varanda coberta, na frente da casa. Muito simpática, a chef passa pelas mesas para saber se a comida agradou. Onde: Rua Diogo Jácome, 372, Vila Nova Conceição.
[Foto: Fernando Moraes/VEJA]
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Rapidinhas gastronômicas
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Thiago Lasco
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sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Prato meio vazio
Quem diria: estou perdendo o tesão na São Paulo Restaurant Week.
A cada nova edição do festival, eu repetia o ritual: entrava no site, estudava os cardápios de cada uma das centenas de casas participantes e montava uma programação, feito aqueles cinéfilos em véspera de Mostra. Depois, ainda dividia minha seleção no blog e no Facebook. Desta vez, não me sinto motivado a repetir a dose. Há erros e acertos, tive experiências que valeram a pena, outras nem tanto. Mas os inconvenientes têm pesado cada vez mais.
Pra começar, com a popularidade do evento, as casas estão invariavelmente lotadas, e muitas passaram a reservar mesas com antecedência, então você liga e eles já não têm mais vaga até o fim do festival. Em relação aos menus, sempre foi preciso fazer uma peneira para achar pratos interessantes. Para continuar fechando a conta no preço estipulado pelo festival, os restaurantes foram diminuindo o tamanho das porções, e hoje em dia a esmagadora maioria serve pratos tão reduzidos que o comensal nem chega a saborear a comida direito.
Isso sem falar que o fator economia, principal chamariz da SPRW, está cada vez mais relativo. A conta não fica nos R$32 ou R$42 por pessoa anunciados, pois o preço dos menus não inclui o couvert sorrateiramente deixado sobre a mesa, as bebidas cada vez mais inflacionadas (o Santa Gula cobra quase R$9 por um suco de tangerina!), nem o serviço. Movido pelo apelo de aproveitar a duração limitada do festival, você acaba comendo fora muito mais vezes e gastando muito mais dinheiro no fim do mês do que num período normal, o que significa que a SPRW acaba saindo uma brincadeira cara.
No fim das contas, acaba valendo mais a pena ir aos restaurantes fora da SPRW, nem que seja para pedir apenas o prato principal. Para gastar a mesma coisa do festival, você sacrifica a entrada e/ou a sobremesa, mas pelo menos recebe um prato feito e servido com boa vontade (ainda existem casas que tratam o cliente da SPRW como cidadão de segunda classe), numa porção honesta, sem cara de amostra grátis. E sem passar pelo perrengue de reservas, filas e lotação, que vai deixando a experiência de comer fora cada vez menos prazerosa.
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Thiago Lasco
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segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Centrão, terra estrangeira
Minha primeira missão como "foca" do Curso de Jornalismo do Estadão começou às 9h30 da manhã do último sábado, em plena Praça da Sé. Eu e meus 29 colegas encontramos um de nossos professores para um rápido giro pelo Centro - que pelo menos metade do grupo não conhecia, já que muitos alunos são de outras regiões do Brasil. Depois do tour de contato, que foi bem pouco esclarecedor, o grupo se dispersou e cada um tinha que achar sua própria pauta e produzir uma reportagem, que seria entregue por e-mail no dia seguinte. Podia ser qualquer coisa, desde que surgisse no Centro. Decidi investigar como a cidade mais cosmopolita do país estava tratando seus visitantes estrangeiros, a menos de três anos da Copa do Mundo.
Para isso, tirei partido da minha genética calabresa e me passei por um turista gringo - James Hetfield, norte-americano, nice to meet you. Saí com cara de perdido, pedindo informações básicas (onde encontro um banheiro público? como faço pra chegar na Paulista?) e, como era de se esperar, a maior parte das pessoas não conseguiu interagir comigo. Na feira de artesanato da República, eu apontava a mercadoria e o dono da barraca me mostrava o preço digitando os algarismos no telefone celular. Nas bancas de jornal ou no comércio local, não foi muito diferente. Entre os bares e restaurantes, só lugares maiores, como Almanara, O Gato Que Ri e Bar da Dona Onça tinham cardápios em inglês - e nem sempre garçons que conseguissem se comunicar em outra língua.
Ainda como falso turista, testei um dos Centros de Informação Turística oferecidos pela São Paulo Turismo. O quiosque da República era novinho e a atendente, muito solícita, tinha um inglês bastante satisfatório - com erros de tradução tipicamente brasileiros, é verdade, mas nada que comprometesse seu trabalho. Eu disse que estava caindo de paraquedas na cidade e não tinha ideia do que fazer e ela, paciente, me deu explicações por quase uma hora. Ponto para ela. Quando pedi que me recomendasse uma boa balada, ela me disse para pegar a linha 4 (amarela) do metrô e o trem da CPTM até a Vila Olímpia - "os lugares de música eletrônica estão todos nessa área", explicou, desenhando um grande quadrado no mapa. Gafe dupla: a linha 4 não opera nos fins de semana, e a Vila Olímpia deixou de ser conhecida pelas baladas há muito tempo. Imaginei como um gringo desavisado ia pastar no meu lugar, andando desenganado pelo bairro. Quando perguntei sobre restaurantes, ela se limitou a dizer "Caminhe pelos Jardins, estão todos lá". Ah, tá.
Depois disso, me despi do personagem e saí à caça de turistas gringos para entrevistar. Queria saber como estavam sentindo a recepção e também suas impressões sobre o Centro. Cruzei com gente da Espanha, Holanda, Alemanha e até Nova Zelândia. Todos reconheceram que faltava gente que falasse inglês com eles, mas boa parte já tinha se preparado psicologicamente para isso, e alguns até carregavam aqueles livrinhos de português para viagem. Apesar das falhas de comunicação, a buena onda do brasileiro acabava pesando a favor na avaliação. Em relação ao Centro, atrações como o Mercado Municipal e a Pinacoteca agradavam, mas não faltaram comentários sobre a sujeira, os mendigos e o cheiro de urina em alguns lugares. E pensar que, antes da revitalização, a coisa era muito pior...
Terminei minha apuração conversando com os funcionários de alguns hotéis da região. Eles contaram que o eixo Paulista-Jardins ainda é o preferido pelos turistas, mas o Centro também tem uma clientela cativa, pela própria posição geográfica "perto de tudo", pelo fácil acesso à rede de metrô e pelos preços mais em conta. Quando perguntei se achavam que a cidade estava preparada para receber os turistas para a Copa, ouvi críticas das mais variadas, e uma delas chamou minha atenção. "Se uma simples feira de negócios como a Couromodas esgota os leitos da cidade, e obriga os visitantes a dormir em Santo André, Guarulhos e Itaquá, como será com os milhares de torcedores que virão ver os jogos?", perguntou a recepcionista do Marabá. Pelo visto, o buraco é mais embaixo do que eu pensava - e ainda temos muita lição de casa pela frente.
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Thiago Lasco
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sexta-feira, 29 de julho de 2011
Minhas descobertas gastronômicas de julho
MARCELINO PAN Y VINO [foto] Instalado num antigo casarão de esquina, tem cara de restaurante durante o dia e de bar quando escurece. O cardápio, assinado pela chef do Lola Bistrot, oferece sanduíches diferentões, saladas e uma seleção bastante concisa de pratos quentes, complementada pelas sugestões do dia escritas numa lousa. Para abrir o apetite, há vários petiscos - as bruschettas de queijo de cabra com compota de tomate são perfeitas. Investi num tortelli de mussarela com tomate fresco e manjericão que estava tão bom que tive que pedir outro (!). Pena que não sobrou espaço para o pavê de brigadeiro. Além do ambiente da foto, há uma varanda com mesas (nos dias frios, os comensais recebem simpáticas mantinhas) e um quintal com duas mesas comunitárias. Se não dá pra dizer que seja despretensioso (porque tudo na Vila Madalena tenta passar essa impressão, que é milimetricamente calculada), o lugar é bem aconchegante, perfeito para um late lunch de sábado. O efeito colateral é que as pessoas terminam de comer e vão ficando, e com isso sobra para quem está na fila esperando mesa. Onde: Rua Girassol, 451, esquina com Wisard, Vila Madalena.
NOOD Esta é a primeira filial brasileira de uma rede de cozinha asiática rápida com casas em Portugal e na Espanha. Quando vi as bobagens escritas no site ("um lugar para estar"! e alguém abre um lugar para as pessoas não irem, ó pá?!), fiquei com um certo pé atrás, mas a curiosidade foi maior e fui conferir. O cardápio atira em várias direções: tem entradinhas (gyoza, espetinhos, camarões empanados), massas servidas como sopa (tipo lamen) ou feitas na wok, carnes (frango, salmão) servidas no prato com arroz japonês e, é claro, o inevitável sushi. Eu e meu amigo testamos três pratos. O que mais agradou, o teriyaki de salmão, era também o mais simples de todos, difícil de errar. O ramen de frango está muito aquém daqueles servidos nos bons noodle bars da Liberdade, como o Lamen Kazu. Quem busca excelência culinária corre o risco de se frustrar. Mas o menu bem eclético, o clima moderninho e os preços corretos devem agradar a paladares menos exigentes. Onde: Rua Pedroso Alvarenga, 890, Itaim.
LA GRASSA Clara e moderna, sem deixar de ser acolhedora, essa cantina tem feito bastante sucesso em uma rua tranquila de Moema. Os sócios também são donos do restaurante Praça São Lourenço. Se naquela casa a opulência do lugar, feito sob medida para encantar turistas, ofusca a qualidade bem mediana da cozinha, aqui a comida está à altura do ambiente. O forte são as massas frescas, como o tagliolini à carbonara, e recheadas, como o tortelli de ricota com tomate fresco, pancetta e rúcula e o ravióli de abóbora na manteiga de sálvia com avelãs douradas. Os preços são justos, uma bênção nestes tempos em que as casas perderam completamente a noção. No almoço durante a semana, pelo preço do prato separado, você também ganha o couvert e a sobremesa - com uma bebida sem álcool e mais os 10% de serviço, sua refeição completa sai por cerca de R$40. Onde: av. Juriti, 32, Moema.
SMU No embalo do fervo do Baixo Augusta, este lugarzinho fofo se apresenta como um smoothie bar. O carro-chefe, portanto, são aquelas bebidas geladas à base de frozen yogurt batido com frutas. São dezenas de combinações, que podem vir com ou sem álcool. Para acompanhá-las, há sanduíches em pão bagel ou ciabatta, além de uma competente cheesecake com várias opções de calda (vá por mim: peça a de doce de leite com lascas de amêndoa!). A casa, que fica aberta até 0h30, tem um certo clima pré-balada, a começar pelo logotipo meio Dancin' Days que muda de cor e enfeita a fachada. As paredes revestidas de ladrilhos negros contrastam com as mesinhas brancas, iluminadas por luzes dicróicas que também mudam de cor, criando um efeito que lembra uma pista de dança. As cartolas dos funcionários dão um toque irreverente. Os preços são bem ok: o combo promocional com um smoothie, um sanduíche e um pedaço de cheesecake sai por R$27,90. Uma opção simpática e original para um lanche rápido na região. Onde: rua Fernando de Albuquerque, 89, Consolação.
BRIGADERIA Depois das temakerias e lojas de frozen yogurt, achei maravilhosa essa onda das docerias especializadas em brigadeiros, que são uma das minhas razões de viver. Mas ainda não tinha visto uma casa que realmente fizesse minha cabeça. A Maria Brigadeiro é pretensiosa, o tamanho de cada docinho é insuficiente, a consistência mais firme não agrada ao meu gosto pessoal e os preços são caríssimos. Esta aqui é a perfeita antítese da outra: os brigadeiros são mais generosos, bem molinhos, desmancham na boca e custam R$3 a unidade. Se a ideia é fazer um agrado a alguém, há embalagens que não deixam nada a desejar para as da concorrente. Entre os sabores, três me conquistaram: Bailey's, suave e nada enjoativo, Vanilla Cookie e Limão (esses dois são feitos com brigadeiro branco). Onde: nos shoppings Market Place, Pátio Paulista e Higienópolis.
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Thiago Lasco
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segunda-feira, 4 de julho de 2011
Andanças gastronômicas em São Paulo
AK VILA [foto] A jovem e simpática Andrea Kaufmann despontou na cena com o AK Delicatessen, em que apresentava uma releitura moderna da culinária judaica. Na casa nova, paredes de cimento queimado com painéis estofados de veludo, mesas de madeira envelhecida e um bonito grafite sobre a janela da cozinha, criando um ambiente descolado, que remete ao Bar 6 de Buenos Aires. O menu é descomplicado: metade dos pratos são carnes feitas na grelha, servidas com molhinhos - a maionese de manjericão é deliciosa. Os acompanhamentos são pagos à parte. Para não deixar os fãs na mão, há alguns pratos da casa antiga, como o pastrami de língua, o goulash de vitela, o bagel de salmão defumado, as incomparáveis varenikes e as sobremesas clássicas de Andrea, como a crème brulée de mel com figos e o pain perdu (espécie de rabanada). Só não gostei muito que o medalhão de mignon recheado de pastrami, queijo brie e cogumelos, que eu adorava, agora virou um hambúrguer, com os mesmos ingredientes. Outro senão é o cardápio "rotativo", que muda ao sabor do dia: pode ser que você não encontre aquele prato apetitoso que você viu no menu pelo site, antes de sair de casa. O lugar anda concorrido, portanto vale chegar cedo, tanto no almoço como no jantar. Onde: R. Fradique Coutinho, 1240, Vila Madalena.
LAS CHICAS Esta é a nova cria da chef Carla Pernambuco, que comanda um dos meus restaurantes favoritos em São Paulo, o Carlota. Aqui, ela e sua sócia transformaram uma pequena garagem em uma espécie de delicatessen, onde se come de um jeito mais informal (e barato!) que na casa-mãe. Em uma vitrine, ficam expostos salgados, quiches, bolos e doces, que podem ser consumidos a qualquer hora (a casa abre já para o café da manhã e funciona até as 23h) e também levados para casa. Tudo é muito apetitoso. As refeições são servidas em bufê no almoço (os pratos mudam diariamente, R$75/kg) e à la carte no jantar. O menu tem a mesma pegada multicultural do Carlota e coleciona vários acertos, como o "risoto" de queijo mascarpone, figos e presunto cru (feito não com arroz, mas com macarrão risoni), o rosbife com molho de queijo e papas bravas, e uma espécie de pot pie de frango superdiferente, com um tempero oriental bem condimentado. Nem pense em pular a parte doce: o "pot de chocolate quente" é a melhor sobremesa de chocolate que comi em muito, muito tempo. Um lugar para voltar, e voltar, e voltar. Onde: Rua Oscar Freire, 1607, Pinheiros.
LE JAZZ BRASSERIE Embora se autodenomine brasserie, o Le Jazz pode ser considerado um bistrô, no sentido autêntico da palavra: um restaurante francês pequeno e aconchegante, com preços mais camaradas - algo cada vez mais difícil de se encontrar em SP. Não por acaso, suas mesas enchem rápido - a partir das 20h30, esteja preparado para esperar na fila. O cardápio conquista a freguesia já na seção de entradas. A melhor é o calamar à Carbonara: tentáculos de lula, finos e macios, em um delicado molho de creme de leite, gema de ovo e crisps de presunto de Parma, para comer com rodelas de pão italiano. Mais surpreendente ainda é a sopa de cebola caramelizada, um caldo consistente e bem temperado, com fartas lascas de queijo gruyère e uma fatia de pão, tudo gratinado no forno. Essa sensacional sopa, sozinha, já justifica a espera pela mesa. Nos pratos principais, opções clássicas como steak tartare (ótimo), filé ao molho poivre, peito de pato ao balsâmico e tagine de cordeiro com cuscuz marroquino. O público da casa, maciçamente formado por grupos de mulheres de 25 a 45 anos, faz você se sentir na redação da revista Marie Claire. E a água como cortesia é uma atitude pra lá de simpática. Onde: Rua dos Pinheiros, 254, Pinheiros.
BACIO DI LATTE Aberta no início do ano no primeiro quarteirão da Oscar Freire, longe do burburinho das lojas, essa pequena sorveteria tem atraído multidões. O charmoso interior, todo decorado em branco, tenta recriar uma leiteria italiana, com direito a latões de leite transformados em banquetas para os clientes sentarem. A textura cremosa e aveludada se faz presente mesmo nos sabores de fruta, como limão siciliano, morango, figo, pera e abacaxi com hortelã, que não são doces demais. Quem, como eu, prefere derivados de creme e chocolate, encontra boas opções como nutellina (leite, creme, açúcar e microfiapos de Nutella) e chocolate belga (o meu novo vício! parece um Danette que estudou na Sorbonne). Os copinhos, em três tamanhos, saem por R$8, R$10 e R$12, sendo que até mesmo o menor deles permite escolher três sabores. Onde: Rua Oscar Freire, 136, Jardins.
TATINI Na ativa desde 1954, o Tatini é fiel representante de um estilo que está praticamente extinto em São Paulo: aqueles restaurantes em que o maître traz os ingredientes à mesa e finaliza os pratos na frente dos comensais, usando um réchaud para preparar os molhos e flambar as carnes. O menu traz clássicos da cozinha internacional, como o imortal steak à Diana (que leva manteiga e molhos rôti, de tomate, de mostarda e inglês, e acompanha arroz puxado no próprio molho) e os camarões à Mary Stuart (flambados com whisky, creme de leite e maçã). Os preços giram em torno de R$60 (filés) e R$110 (camarões), ou seja, não é um lugar barato, e sim um restaurante mais classudo, para uma comemoração em família. A decoração antiquada e a frequência com predomínio da terceira idade ajudam a criar a sensação de lugar parado no tempo. Onde: Rua Batataes, 508, Jardim Paulista.
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Thiago Lasco
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quarta-feira, 22 de junho de 2011
E agora?
Quando começaram a ser divulgados os DJs estrangeiros escalados para animar as festas da semana da Parada Gay de São Paulo, a simples ausência de Peter Rauhofer, tido por muitos como "o top dos tops", foi suficiente para dar início a comentários do tipo "a Parada está decadente!", "as festas serão calmas e modestas", "São Paulo mó-rreu" etc. Vi a programação dos clubes e achei que o alarde era exagerado: afinal, com mudanças mínimas, as festas de 2011 serão idênticas às dos anos anteriores.
A poucas horas do início oficial dos festejos, porém, estou começando a achar que os tempos mudaram mesmo. A esta altura do campeonato, o Facebook deveria estar em polvorosa e eu já teria recebido diversos e-mails e telefonemas de amigos de outros estados, todos pedindo dicas da cidade, perguntando sobre o meu roteiro e querendo marcar alguma coisa. Desta vez, eu é que tenho que procurá-los para saber quem vem, e em geral... ninguém vem.
Concordo que seria ingênuo pensar que os meus amigos e contatos são uma amostra representativa do meio gay. Talvez esse pequeno recorte não corresponda à realidade que se verá nos próximos dias. De qualquer forma, eu já notei uma queda sensível de público no ano passado, o que me sugere que o "caso isolado" de 2010 pode ser mesmo uma mudança de comportamento. O que estará acontecendo? Fiz essa pergunta a algumas pessoas que resolveram fazer a egípcia em 2011. "Agora temos festas boas em várias épocas e vários estados do Brasil, então não precisamos mais ir a São Paulo na Parada". "As festas perderam a graça, não estão trazendo mais nenhuma novidade". "Desta vez vamos pular SP e nos guardar para as festas de Barcelona em agosto". "Cansei um pouco de festa, a gente fica muito estragado".
Ou seja: para 99% das bilus, a Parada vale ou é lembrada exclusivamente pelas festas feitas pelos clubes. E nunca, de forma alguma, pela Parada em si. Ninguém pensa que este é um momento em que as atenções do país inteiro se voltam para nós, e portanto uma rara oportunidade que temos para dar um recado para a sociedade. Da Parada anterior para cá, importantes acontecimentos marcaram a nossa agenda, e se alguns foram positivos, como a decisão do STF reconhecendo uma união estável homoafetiva, boa parte deles representou retrocessos ou mesmo tragédias: a contaminação do Legislativo pelas bancadas religiosas, os ataques homofóbicos pela cidade, o descarte do kit anti-homofobia pela presidente na vã tentativa de proteger Palocci. Agora a Parada está novamente aí e, no entanto, estamos desperdiçando uma chance preciosa de nos posicionar sobre todos esses assuntos.
Entendo que parte da culpa pelo esvaziamento da Parada está nos seus problemas estruturais. Com o gigantismo do evento - causado muito mais pela carência de boas opções de lazer grátis para o povo, do que por um aumento do número de simpatizantes à nossa causa - fica difícil garantir conforto e segurança. Já falei sobre isso em outros posts. A festa na avenida foi ficando feia, vi várias cenas dantescas que me desestimularam e, no ano passado, resolvi nem aparecer. Mas acho que o momento político que vivemos pede uma mudança de atitude, e os gays ditos "esclarecidos" deveriam voltar à Paulista.
Se o evento se reduziu a um mero carnaval de rua, nunca é tarde para corrigir o foco. Uma atitude que certamente ajudaria: ligar a música mais tarde, abrindo espaço para que lideranças do movimento LGBT pudessem falar ao microfone. O percurso é longo: podemos deixar o trecho da Paulista para o comício e, na curva para a Consolação, os DJs começariam a tocar e instalariam o carnaval de sempre. Ou pelo menos fazer duas horinhas que sejam de manifestação, e depois começar a se embebedar e beijar na boca. É um desperdício ter uma quantidade tão grande de gente na rua, e não conseguir tirar disso nada de útil e proveitoso para a causa LGBT.
As bichas são alienadas? Sim, mas elas acessam os portais de notícias LGBT, ainda que seja para saber da Lady Gaga, ou dos personagens gays da novela das oito. Então esses veículos deveriam aproveitar sua condição de formadores de opinião para, além de vender revistas e assinaturas de sites de encontros, estimular a audiência a ter uma postura mais participativa. Não precisam pedir que as pessoas escrevam cartazes ou peguem em armas: basta que venham todos vestidos de preto, em protesto contra a escalada da homofobia. Ou de vermelho, pela celebração do nosso amor. Ou de branco, pedindo paz. Se a Parada perdesse METADE do público, ainda seriam 1,5 milhão de pessoas ocupando a Paulista vestidas da mesma cor. Uma bela mensagem. E não é tão difícil. É só questão de se articular! Boa Parada a todos, e nos vemos por aí.
[UPDATE: Aos leitores perdidos que pediram ajuda com as festas, faço aqui um apanhado rápido do que me pareceu mais interessante. Hoje: uma pedida para ver o povo num clima mais leve é a The Society, com o DJ Pagano. Mas se você prefere menos carão e mais beijação, se joga sem medo na Bubu, que também tem atração gringa e estará lotada. Quinta: eu recomendo a festona da TW no Moinho - se a Mooca é meio fora de mão, o som do Freemasons já vale o ingresso. Um plano B é A Lôca, sempre bem divertida. Sexta: resolvi fazer algo diferente, e vou apostar na Ursound - o público da festa está mais diversificado, o clima é bacana e a música idem. Quem é de fora e não está sempre aqui pode aproveitar para conhecer o Lions, bem legal. Ou então, noite clássica na The Week, com o duo Rosabel, para quem prefere jogar no seguro. Sábado: a GiraSol ainda é a festa mais esperada, prestigiada e comentada da temporada - e vai ser no Clube Nacional, locação que super funcionou no ano passado. Depois dela, ali pertinho, a Megga reabre com o Stephan Grondin, uma das melhores atrações desta leva. Domingo: quem estiver virado, ou mesmo descansado depois da GiraSol, pode se jogar no after luxurioso da Code, que avança tarde adentro. Mas tem a Parada, hein! No fim da tarde, tem repeteco da GiraSol e, à meia-noite, uma festa nova, chamada Babyy (assim mesmo, com dois 'Y'), no Hotel Cambridge, com a queridona Twisted Dee. Com mais público ou menos público, só não vai se divertir quem não quiser].
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Thiago Lasco
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terça-feira, 14 de junho de 2011
A Nova York brasileira
Uma das coisas boas de viajar para o Exterior é a chance única que temos de ver sob um outro prisma não só a nossa vida, como também o nosso país. A repetição da rotina acaba anestesiando os sentidos e o senso crítico. Quando saímos do habitat, esse novo olhar mais fresco pode nos fazer descobrir coisas que nem imaginávamos. Ou ainda confirmar antigas convicções. Como é o caso da tese que irei defender neste texto. Eu já dizia isto aos meus amigos, e agora estou mais convencido do que nunca: São Paulo é, definitivamente, a Nova York brasileira.
Quero deixar bem claro que não se trata de tentar emular um estilo pretensamente nova-iorquino, em busca da aceitação alheia. Não, não continuemos agindo como uma colônia, não precisamos disso, muito menos que a Sarah Jessica Parker seja paga para dizer que Sell Powlo tem uma amazing energy, naquela propaganda constrangedora do Shopping Cidade Jarjim. Até acho que existem algumas sutis similaridades entre as duas cidades. Por exemplo, a região da Paulista entre a Ministro e a Augusta tem um leeeeve perfume de Rockefeller Center, especialmente no prédio do Safra e naquela pracinha que fica em frente ao restaurante Spot. Quando eu andei a pé por Midtown, em diversos momentos senti uma certa familiaridade: "isto poderia ser São Paulo". Mas não é bem essa a ideia.
Com grande porte, ritmo frenético e trânsito intenso, Nova York é absolutamente tomada pelo cinza. Se deixarmos de lado o Central Park, espécie de "pulmão verde" da cidade, tudo que temos é um mar de prédios e táxis amarelos. Não por acaso, uma de suas atrações mais fotografadas é o arranha-céu Empire State Building - que, não fosse pela altura, seria um prédio até bem comum. E a sala de visitas da cidade, Times Square, não é mais do que a confluência em X de duas avenidas, completamente abarrotada por painéis publicitários e banners luminosos, que bombardeiam as retinas dos passantes e lembram que tudo que existe ali deverá ser consumido imediatamente. Não existe nenhuma beleza rara ali - é preciso muito Woody Allen na veia, muitas caixas de Friends e Seinfeld, para começar a enxergar "charme" em Manhattan.
E, no entanto, a cidade segue visitada e adorada por multidões e mais multidões, incensada como a "Capital do Mundo". Por que? Porque é ali que tudo acontece. Os melhores shows e concertos, os grandes espetáculos, a cena teatral dentro e fora do circuito da Broadway. Os grandes museus, a vida cultural, o culto à arte em suas diferentes formas e também à individualidade. O melting pot único de nacionalidades, gente de vários cantos do mundo que foi tentar a sorte lá e deu à cidade um tempero bastante peculiar. As compras! Uma gastronomia que vai de A a Z, do pastrami judaico ao curry indiano. Restaurantes, bares e lojas descoladas que vão se descobrindo em uma caminhada pelo Soho, por Chelsea, pelo Village, por Hell's Kitchen, bairros que têm uma alma própria. Quem quer se divertir, vai para lá: não é raro ver gente de outras partes do país pegando um avião para passar o fim de semana em NY, ver um show no Madison Square Garden, enfim, have a good time. Sem se preocupar com beleza - quem quer ver cidade bonita vai a San Francisco, sorry.
A essa altura do texto, acho que a analogia que deu título ao meu texto já faz bastante sentido. São Paulo também tem tudo isso e, no entanto, ainda custa a entender qual é a sua real vocação. De uma vez por todas, temos que parar de nos desculpar diante do resto do mundo por não termos praia. Por não termos baía, floresta, chapada, arara azul, mulher pelada. Como se isso fizesse de SP uma cidade sem nenhum atrativo, fadada a receber apenas turistas de negócios para aquelas feiras e convenções entediantes, irremediavelmente inferiorizada diante da comparação com o Rio de Janeiro e mesmo com outras partes do Brasil.
Nada disso. Aqui, pode-se fazer absolutamente tudo que se faz em NY: os bons restaurantes, as compras, as peças e musicais, os museus, os shows, os bares, as baladas, a moda, as tendências, a informação, a hiperconexão com o que se passa aqui e lá fora. É esse o papel que São Paulo possui dentro do riquíssimo mosaico que forma o turismo no Brasil. Com seus problemas, com suas partes indiscutivelmente feias, SP tem muitos predicados para vender, tanto para o resto do país quanto para o mundo. Tem todos os méritos para receber aviões com pessoas que não vieram trabalhar, mas se divertir e curtir a cidade - aliás, já recebe, mas pode receber muito mais. E tudo isso sem precisarmos fingir que somos nova-iorquinos ou europeus, sem precisar inscrever a Oscar Freire na gincana internacional das ruas de luxo. Porque São Paulo tem uma identidade própria, que é só dela: na Paulista, no Centro, nos Jardins, na Vila Madalena, na Mooca, no Bixiga, na Vila Mariana, no Butantã, em outros tantos bairros velhos e novos, sem a necessidade de mais comparações. São Paulo precisa se dar alta do analista, se aceitar e se gostar como é.
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Thiago Lasco
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sexta-feira, 27 de maio de 2011
The Society: para moços de fino trato
O empresário que pretende trabalhar com noite precisa conhecer bem seu público e ficar sempre ligado nos seus desejos, que mudam. Deve estar atento para detectar lacunas e nichos ainda não explorados, e transformá-los em oportunidades. E, acima de tudo, não pode se acomodar, sobretudo se estamos falando de uma cidade ávida por novidades como São Paulo. Enquanto em San Francisco os lugares que acontecem na cena gay já existiam há 15 anos, e provavelmente viverão outros quinze [vou falar sobre esse assunto no próximo post, que continuará minha série sobre os Estados Unidos], aqui é preciso se esforçar para manter o interesse do cliente, cuja fidelidade muitas vezes só vai até a página três.
Dono de um tino empresarial admirável, André Almada não veio ao mundo a passeio. A The Week fez dele o principal nome da noite gay do país e virou uma marca de projeção internacional. Sete anos depois, a joia está cada vez mais lapidada, e a lotação das duas pistas do clube em um sábado comum é a maior prova de seu sucesso. No entanto, depois de tanto tempo, certa parte da freguesia - o gay bonito e de melhor poder aquisitivo, que sempre foi o público-alvo da casa - já vinha dando sinais de cansaço: alguns passaram a aparecer somente nas festas especiais. Existia uma demanda por um formato de diversão menos hardcore e mais intimista, como eu já havia comentado aqui. Além disso, para quem busca a sensação de exclusividade, a chegada de pessoas sem o mesmo pedigree, fruto das listas de desconto que passaram a formar longas filas na entrada lateral antes da 1 da manhã, foi um balde de água fria. Esperto, e sabendo que precisava evitar a perda de sua melhor clientela, Almada concebeu um novo clube, uma alternativa para aqueles que estavam cansados da The Week.
A nova empreitada atende pelo nome de The Society e veio ao mundo nesta semana, em três noites de inauguração. A localização é estratégica, na esquina da Augusta com a Marquês de Paranaguá, a uma quadra da Frei Caneca. O casarão, tombado, tem dois andares e o projeto de decoração, assinado por Sig Bergamin, recria "a residência de um aristocrata boêmio do século XIX, que recebe os amigos para festas", segundo li por aí. No térreo fica a pista, com o DJ tocando em um palco emoldurado por luzinhas amarelas de camarim, numa referência meio Moulin Rouge. Não é permitido ficar sem camisa, nem mesmo usar regata: a proposta aqui é outra, sem a jogação pesada do galpão da Lapa. Uma escadaria leva ao piso superior, um lounge com muitos tapetes, quadros, cortinas de veludo e móveis de época. Como sempre, o capricho nos detalhes é visível - a cereja do bolo é o aposento onde ficam os caixas, lindamente decorado como um escritório-biblioteca. No terraço que serve de fumódromo, uma bandeja de prata com bem-casados não destoaria em nada do estilo, que tem algo de bufê. Até os barmen-cafuçus do staff ganharam borrifos de nobreza, com camisa e gravata.
Na minha opinião, é justamente no andar de cima que está o maior potencial da casa. Nossa cena tem diversas boates que chovem no molhado, com a mesma proposta de sempre, mas não tinha bons lugares para sentar e conversar. O finado Café com Vodka foi uma iniciativa válida, mas no Sonique as pessoas ficavam em pé o tempo todo e o ambiente, claro e com concreto aparente, não propiciava o aconchego necessário. No The Society, o conforto e a luz baixa do lounge convidam a uma noite regada a bons drink, sempre sem desarrumar o penteado, suar a camisa ou perder o celular. Os preços - R$8 por um suco e R$22 por um drinque com aguardente nacional - filtram um público mais sofisticado, assim como a decisão de não aproveitar o sistema de cartões White e Black da TW.
Num primeiro momento, quando voltei ao Brasil e os amigos me contaram da novidade, pensei que a ideia era revidar o ataque do Lions, que vinha roubando parte dos polo boys da TW. Depois de conhecer o novo clube, entendo que são propostas diferentes, ainda que possam atingir o mesmo público. Ambas as casas têm algumas referências estéticas parecidas, mas o Lions é mais clube e o The Society, mais lounge. A imponência rococó da casa de André Almada contrasta com o clima mais informal da varandona do Lions. Os cardápios sonoros também não se confundem, já que a pegada do Lions é mais eletrônica, enquanto o próprio Almada me contou que seus DJs não vão fugir do padrão usual na nova casa. Por fim, o The Society funcionará na quinta, na sexta e no domingo, dando ao público inúmeras possibilidades - inclusive a de também continuar frequentando o Lions e a The Week.
[Foto: Alê Macedo/Vipado - Ayltom, se você quiser eu removo a imagem do blog, ok?]
terça-feira, 3 de maio de 2011
E o Freddo finalmente chegou
Depois de anos voltando de Buenos Aires com isopores de sorvete na mala, envoltos em muito gelo seco, meus problemas acabaram: a rede Freddo acaba de abrir sua primeira loja em São Paulo, a poucas quadras da minha casa, na rua Normandia (em Moema). Ontem fui conferir a novidade. Os sorvetes chegam da Argentina em caminhões refrigerados, após 2 dias de viagem, e custam aqui bem mais do que na terra natal: o cucurucho de dois sabores sai a R$ 14, o equivalente a AR$36.
Por enquanto, as cubas têm apenas as variações mais clássicas de chocolate e doce de leite, além de alguns sabores cremosos e poucos à base de fruta. Senti falta de vários dos meus favoritos, como crema irlandesa (com licor Bailey's), mousse de chocolate e mousse de limón. Em breve, o leque de opções deve aumentar - haverá, inclusive, alguns sabores desenvolvidos aqui, como brigadeiro e açaí com banana, que serão vendidos também na Argentina. Além dos sorvetes, a loja serve café, sanduíches, pão de queijo, quiches e alguns doces. No início de 2012, a rede abrirá seu primeiro ponto no Rio de Janeiro.
Com a chegada da Freddo, São Paulo fica ainda melhor em matéria de sorvete. Há cinco anos atrás, quando os visitantes perguntavam qual era o nosso melhor sorvete, sorríamos amarelo e respondíamos "Haagen-Dazs", constrangidos. Ou então aquele aguado da Gelateria Parmalat. Agora temos a cremosidade sem igual da Stuzzi, que faz o meu atual sorvete favorito, crostata di mascarpone al limone. A carioquíssima Mil Frutas nos brinda com suas criações sempre surpreendentes. E a Bella Paulista faz um sorvete italiano pra lá de honesto - o de torta de limão quase substitui o da Persicco, a marca argentina que ainda está faltando na nossa vida. Com a Persicco e mais a Itália, do Rio (ah, aquele de torta alemã!), o meu dream team ficaria completo.
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quarta-feira, 23 de março de 2011
Oitava Restaurant Week em SP
Mais uma Restaurant Week está rolando em São Paulo. A oitava edição vai de 21/3 até 3/4 e inclui também algumas casas do litoral e interior do Estado. Como sempre, é preciso separar o joio do trigo: há excelentes oportunidades (menus servidos por casas de padrão mais elevado, como o Arturito, que preparou a massa com linguiça de coelho da foto) e outras nem tanto (combinações pobrinhas, tipo frango com purê e salada de frutas, ou ainda porções reduzidas, insuficientes para aplacar a fome). Com o tempo, quem é gato escaldado de outras edições aprende os macetes e evita armadilhas.
O que realmente cansa é percorrer os mais de 200 cardápios diferentes. Pior do que isso, só a Mostra Internacional de Cinema. Mas costuma valer a pena, mesmo com algumas bolas fora ocasionais. Desta vez, fiz uma seleção bem mais enxuta do que nas edições anteriores. Para almoçar, escolhi o Le French Bazar [que sempre agrada], o Oscar Café, o Bistrô Crepe de Paris, o Arturito [quédizê, escolhi mas não consegui reservar antes que a cota do festival se esgotasse] e o Caroline. Para jantar, gostei mais do Becco 388, do Robin des Bois, do Fillipa [outro que nunca desaponta], do L'Amitié, do La Arena, do Hitam e do Kony Sushi Bar. Nunca consigo ir a todos os restaurantes a que me proponho, mas devo cumprir pelo menos metade dessa lista. Para os lugares muito disputados, convém reservar.
Para montar sua programação, além de consultar as casas por ordem alfabética no site do festival, recomendo a página da Veja São Paulo: os restaurantes estão divididos por regiões e podem ser melhor visualizados em um mapa. Outra dica é levar uma segunda bolsa, com documentos xerocados e um celular antigo (se você for um applemaníaco, pode ser o seu iPhone retrasado), e já deixar à mão para quando a casa for invadida pelo próximo arrastão (brinks!). Bom festival!
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Piquenique do bem
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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Code, o after picante
Os afters gays estão bombando como nunca. Depois de um período de recesso, em que a bola da vez eram as pool parties, eles voltaram com força para agitar a cena. São quatro projetos diferentes: Mary Pop, Code Club, Energy e After du Caju. A cada domingo, apenas um deles funciona - uma sábia estratégia que garante pista cheia, já que não haveria público suficiente se todos abrissem ao mesmo tempo. Vários amigos meus vinham dizendo que o Code era diferente dos outros e "de longe, o melhor de São Paulo". Ontem deixei de passar um domingo ensolarado à beira da piscina e fui tirar a prova.
Cheguei às onze e meia da manhã e o lugar estava lo-ta-do [melhor assim: se tivesse chegado às nove, teria amargado uma fila enorme na porta, sob um sol escaldante]. O ambiente principal é um amplo galpão; o DJ fica à esquerda, no canto de um palco onde go-go-dancers se apresentam, emoldurados por um telão. O bar ao fundo tem seu longo balcão transformado em "queijo" por rapazes fervidíssimos, que dão close como se estivessem numa passarela. À direita, camarotes com acesso reservado a quem recebeu uma pulseirinha - sem esse acessório, não se faz mais noite gay em São Paulo. No poste colocado bem no meio do salão, algumas loucas fazem um curioso pole dancing invertido: penduram-se na parte superior e vão descendo de ponta-cabeça, com as pernas para o ar. Se eu não estivesse lúcido, juraria que a viagem foi minha.
Na pista, escura na medida certa para um after, o clima é bem animado. Como nos outros afters e pools, o público é aquela mistura de barbies, cafuçus e casais héteros-super-simpatizantes que formam a ala menos pheena da TW (aliás, vi mais meninas do que esperava). Nos falantes, como não poderia deixar de ser, muito tribal e hard house - começando bem vocal e pesando mais com o passar das horas. Todos já sabem que esse gênero não faz a minha cabeça, então digo apenas que o som do after é cumpridor e coerente com o que se espera. Se alguma alma corajosa ousasse uma direção musical diferente, as bichas provavelmente torceriam o nariz, e as casas preferem embolsar dinheiro fácil a correr riscos. E para alguns, a música nem faz tanta diferença assim.
Mas por que esse não é um after qualquer? Por causa da locação. Quando não abriga o after, o Code Club é uma casa hétero "para casais liberais", dessas que barram solteiros na entrada, entenderam? Um corredor lateral conduz ao segundo ambiente, onde há várias cabines para quem quiser mandar ver ali mesmo. As fendas e glory holes nas paredes permitem não só o voyeurismo como também a interação com os vizinhos. Em outro recinto, uma carcaça aberta de Kombi com faróis vermelhos e uma cama coletiva no meio recebe quem precisa dar uns malhos, ou apenas esperar o pileque passar. No fim das contas, esse hardware erótico da casa é mais do que bem-vindo para um after, onde a conjunção de músculos suados e espíritos exaltados muitas vezes faz a temperatura esquentar. Ou seja, o Code acaba tendo aquela pimentinha extra que nenhum outro projeto tem.
Sob uma perspectiva mais "poliana", os afters podem ser vistos como uma alternativa até mais saudável de diversão. Afinal, em tese não é preciso comprometer o organismo virando a noite sem dormir. Cheguei ao Code descansado, de banho tomado e com duas gotas de Kenzo atrás da orelha; depois de me divertir por algumas horinhas, ainda passei o resto da tarde na piscina. Mas algo me diz que essa está longe de ser a preocupação da maioria. Discretos e praticamente isentos de fiscalização, os afters proporcionam o clima de permissividade que os grandes clubes e as raves perderam. O clima de vale-tudo é o maior chamariz para quem gosta de se jogar de verdade e deixar as preocupações lá fora, ainda que por algumas horas. E isso, o Code tem de sobra.
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Thiago Lasco
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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Dicas de hospedagem barata em São Paulo
São Paulo é uma das cidades mais caras do mundo, e quem resolve passear aqui deve vir preparado para abrir a carteira. Para quem está podendo, templos da boa vida como Emiliano, Fasano, Unique e Renaissance oferecem paparicos de nível internacional. Já para os demais mortais, é preciso garimpar um pouco para achar hospedagem que não pese no bolso, especialmente para os viajantes desacompanhados. Aqui vão algumas dicas.
1) FORMULE 1 - A rede francesa que inaugurou o filão da hotelaria supereconômica no Brasil já foi bem mais barata, mas o preço (R$129 por um quarto triplo) continua em conta, especialmente se o beliche em cima da cama de casal for ocupado por um terceiro hóspede. Rigorosamente padronizados, os quartos são funcionais, embora algo espartanos. Das cinco filiais, duas têm localização excelente (Paulista e Paraíso) e outra (9 de Julho), também aceitável. A total ausência de controle na porta acaba sendo providencial na hora de arrastar alguém de fora para o quarto. Reservar é fundamental - afinal, o "Fórmula 1" é pop.
2) HOTEL SAN GABRIEL - Depois que o Formule 1 abriu caminho, era natural que a concorrência aprimorasse o conceito. Por preços compatíveis, o San Gabriel oferece muito mais conforto e flexibilidade - há várias opções de quarto, incluindo até mesmo pequenos apartamentos duplex, ideais para grupos maiores. Para quem viaja sozinho, o quarto executivo individual sai a R$110. Estando no epicentro do fervo da rua Frei Caneca, não era de se admirar que o hotel fosse invadido pelos gays - na semana da Parada, só falta botarem uma vending machine de camisinhas no corredor.
3) 155 HOTEL - Outro discípulo da fórmula supereconômica, oferece quartos para 1 ou 2 pessoas com diária a R$135. Sua proposta original, a de ser um hotel direcionado ao público GLS, não vingou. Talvez tenha sido por absoluta falta de divulgação (pouquíssima gente conhece o 155), ou pela localização não tão privilegiada. Que não chega a ser ruim: entre a Augusta e o Centro, é fácil chegar a qualquer lugar de táxi ou mesmo ônibus. Quem sabe o hotel não comece a bombar depois que sair no meu blog? ;)
4) POUSADA DONA ZILAH - Numa faixa de preço ligeiramente superior (quartos individuais, duplos e triplos a partir de R$162, R$210 e R$255, respectivamente), essa pousada é o mais próximo que chegamos do formato bed & breakfast, comum no Exterior. Charmosa e acolhedora, tem café da manhã farto e um pequeno bistrô anexo. A cereja do bolo é a localização: no finalzinho da Alameda Franca, você está no coração dos Jardins, com fácil acesso às compras na Oscar Freire e aos drinks noturnos no Ritz e Bar da Dida. Ao mesmo tempo, o quarteirão é bem tranquilo.
5) CASA CLUB - Para quem viaja só, não faz questão de luxo e quer conhecer gente nova, os hostels podem ser uma ótima pedida. No Casa Club, boa parte dos hóspedes é estrangeira, sinal de que os brasileiros ainda veem os albergues com um pé atrás. Se você não abre mão da privacidade, há algumas suítes: a de R$108 acolhe até 2 pessoas e a de R$240 tem capacidade para seis. Localizado na rua Mourato Coelho, é excelente para quem quer explorar os bares, restaurantes e ateliês da Vila Madalena. Até rola ir à Paulista e Jardins sem usar táxi, mas dá um pouco de trabalho.
6) GOL BACKPACKERS - Um dos mais novos albergues da cidade, o Gol usa o futebol como tema de toda a decoração. Na sala de TV, bolas gigantes fazem as vezes de pufes, enquanto em cada quarto a roupa de cama recebe o símbolo de um time paulista. Neste caso, não dá para fugir do esquema "navio negreiro": todas as acomodações são em dormitórios coletivos, com diárias entre R$35 a R$45. Para compensar, a localização é campeã, a apenas uma quadra da Paulista, em frente ao Maksoud Plaza.
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Thiago Lasco
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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Andando no vermelho
Ontem o Facebook, ágora dos nossos tempos, amanheceu enfeitado de vermelho. Muitos usuários colocaram nas fotos de seus perfis o lacinho de fita que simboliza o Dia Mundial da Luta contra a Aids, que se celebra em primeiro de dezembro. Não discuto a importância de uma data simbólica para trazer à tona um assunto que tanto se tenta varrer para baixo do tapete. Mas, se a ocasião é para balanços, tenho lá minhas dúvidas se estamos mesmo caminhando para frente, como gostaríamos de acreditar.
A primeira constatação que sou forçado a fazer é que, depois de anos andando na linha, a lição de casa da prevenção vem sendo cada vez mais negligenciada. O preservativo, que na década passada sempre aparecia com naturalidade, de uns tempos para cá passou a ser um acessório dispensável, mediante critérios pra lá de duvidosos. Hoje tenho muito mais trabalho para impor a camisinha aos meus parceiros do que quando comecei minha vida sexual. Muita gente foi baixando a guarda e relaxando. Só nos últimos cinco anos, quatro amigos meus se contaminaram. Todos na faixa dos 30 e poucos, já com uma boa bagagem de experiências, gente esclarecida e bem informada.
Antes de mais nada, quero frisar que acredito que o que um adulto faz com o próprio corpo é uma decisão individual, e o livre-arbítrio deve ser respeitado - inclusive para quem, após avaliar riscos, custos e benefícios, opta por aderir voluntariamente ao sexo sem proteção. Mas nenhum desses casos se inseria em tal contexto: eles não eram barebackers conscientes, que buscavam aproveitar a vida de forma livre e intensa e então assumiram seu desejo, mas pessoas que cometeram descuidos bobos ou incorreram em julgamentos equivocados. Mais ou menos como pensar que Fusca não atropela, só porque é redondinho e antigo.
Neste momento homofóbico que vivemos, nunca é demais lembrar que nada disso que descrevi no parágrafo anterior é privilégio dos gays. Um dos grupos mais expostos à soroconversão nos dias de hoje é justamente o das mulheres heterossexuais, "de família". Depois de anos casadas e fiéis ao mesmo homem, elas não veem necessidade de usar preservativo, e acabam contaminadas pelo próprio parceiro, que traz a doença para dentro de casa após uma pulada de cerca sem proteção. O que nos faz lembrar que a decisão de suprimir a camisinha em um relacionamento deve ser muito bem pensada. OK, você e seu parceiro se amam. Mas, e se para ele "amor e sexo são coisas bem diferentes"? Quantos não seguem essa cartilha?
Não ignoro que a evolução da medicina ampliou os horizontes dos pacientes com HIV, que hoje têm uma qualidade de vida que seria inimaginável 15 anos atrás. Depois de um começo assustador, meus amigos estão com uma aparência ótima e vivem uma vida feliz, com boas perspectivas e poucas limitações - alguns conseguiram até zerar a carga viral. Mas nem todo mundo tem a mesma sorte. Se o estigma contra os soropositivos é uma crueldade que deve ser combatida, encarar o vírus como uma mera doença crônica é um grande erro, e pode custar caro. Vale dizer que as chances de ter um tratamento eficaz e não desenvolver a doença são muito maiores quando o HIV é detectado cedo - daí a importância de refazer os exames periodicamente. Não precisa ser gay nem promíscuo, basta ter vida sexual ativa. Vamos nos cuidar, povo!
Neste domingo (5/12), os fofíssimos SP Gay Bikers estão promovendo, junto com a Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual da Prefeitura de São Paulo, o 1º PASSEIO DO DIA MUNDIAL DE COMBATE À AIDS, no Centro da cidade, em pleno Minhocão. Como o evento é democrático, haverá um trajeto maior para os ciclistas e outro, menor, que também poderá ser percorrido por cadeirantes e pedestres. A saída está programada para as 15h, e quem não tiver bike pode alugar uma. É mais uma maneira saudável e divertida de expressar nossa cidadania.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Rapidinhas gastronômicas
A COCOTA DO BAIRRO Esqueça o que você já ouviu sobre "restaurantes de bairro". Apesar de estar escondido no Ipiranga, fora dos holofotes da badalação, o Nico Pasta & Basta não faria feio se estivesse em plena rua Amauri. O ambiente projetado por Roberto Migotto é belíssimo, com mesas dispostas em torno de um átrio iluminado por uma espécie de clarabóia. O menu, de sotaque italiano, tem massas artesanais como o pappardelle com ragu de filé mignon (tem massa mais apetitosa do que o pappardelle?), além de risotos, polentas e carnes - o stinco de cordeiro com risoto de ervas é sensacional. Ótima sugestão para dar uma cara diferente ao seu almoço de domingo - depois, é só dar um giro pelo Parque da Independência para fazer a digestão.
ONDE A ONÇA BEBE ÁGUA Não é de hoje que a revalorização do Centro paulistano devolveu ao Edifício Copan o status de "cult". Quem tem ajudado a trazer buxixo ao sinuoso edifício de Oscar Niemeyer é o Bar da Dona Onça, que virou queridinho da crítica especializada e dos modernos ao propor releituras de pratos clássicos brasileiros, em clima de boteco estilizado (vide os motivos felinos na roupa dos garçons e no cardápio). Confesso que esperava muuuuito mais do picadinho, mas fiquei boquiaberto com o stinco de leitoa caipira com feijão tropeiro e couve refogada. Como diria meu finado pai, é "batuta"! Isso sim é comida brasileira contemporânea. De sobremesa, o pudim já entra no ranking dos melhores da cidade. Só não vá esperando fazer economia. Os preços da casa estão à altura do seu hype, com pratos de R$40 ou mais, o que significa uma conta que chega fácil a R$100 por cabeça.
MUITO ALÉM DO MIOJO No meu último post sobre comidinhas cariocas, dei a entender que o Brasil não tinha casas especializadas em macarrão oriental. Tem sim: um bom exemplo é o Lamen Kazu, um autêntico noodle bar que fica no Largo da Pólvora (Liberdade) e está sempre cheio. Uma boa pedida para quem quer ir além do sushi e explorar outros terrenos da cozinha japonesa. Outro lugar de que tenho gostado muito é o Sobaria, na Vila Mariana, uma casa dedicada à cozinha do... Mato Grosso do Sul. Isso mesmo: por conta de uma imigração maciça de japoneses da ilha de Okinawa, o sobá tornou-se a comida mais típica de Campo Grande, onde é consumida nas ruas e em todo lugar, inclusive como prato-de-resistência das bees na saída da boate. Feita de trigo sarraceno, a massa vem num reconfortante caldo de shoyu e gengibre, com cebolinha e tiras de lombo e omelete. Uma delícia - por apenas R$20 no Sobaria.
THE AMERICAN WAY Uma boa surpresa deste ano que está acabando foi o 210 Diner, em Higienópolis. Depois do francês Ici Bistrô e do italiano Tappo Trattoria, o chef Benny Novak resolveu abrir uma terceira casa, desta vez para servir especialidades da cozinha dos Estados Unidos. Não espere o clima adolescente de casas como Friday's e Outback: 0 210 é mais low profile, quase minimalista. O cardápio é variado e tem preços diferenciados (ligeiramente menores) no almoço. Entre os hambúrgueres, recomendo o piggie burger, coberto com uma saborosa costelinha de porco desfiada em molho barbecue. Se quiser algo mais leve, não perca a omelete, que põe a do Ritz no chinelo. Você escolhe os ingredientes - a combinação de cogumelos, queijo de cabra e molho pesto é simplesmente fodástica.
ÁRABE NADA CLICHÊ Até curto comer uma esfiha benfeita de vez em quando, ou mesmo fazer um pratinho saudável de kibe cru com tabule. Mas acho restaurante árabe/sírio/libanês um programa meio boring. Não me anima a ideia de gastar nisso o meu orçamento de "comer fora". No entanto, fui ao Saj e adorei. Talvez porque não se pareça com restaurante árabe. A casa fica na Vila Madalena e tem aquele "jeitão Palermo de ser" do bairro, com mesas dispostas em uma espécie de terraço interno com muita luz natural. Por uma janela, é possível ver o trabalho de preparação do pão sírio - que chega à mesa quentinho e macio e é um dos pontos altos. Já que está num lugar diferente, saia do lugar-comum e peça a fraldinha cozida na coalhada. Os cubos da carne desmancham no garfo [quer tentar fazer em casa? a receita está aqui].
PARA COMER COM AS DUAS MÃOS Na esquina da Melo Alves com Alameda Tietê, o bar Balcão vem animando os papos-cabeça do povo culturette há mais de 15 anos. Mas só recentemente fui descobrir que, no simpático balcão que serpenteia por todo o salão e dá o nome à casa, é possível comer alguns dos melhores sanduíches da cidade, num pão ciabatta macio como há muito tempo eu não via. Gostei especialmente do Vegetariano, com cogumelos frescos, tomates secos pra lá de saborosos, pesto, rúcula e mussarela de búfala (ingrediente que não consta da receita original, mas pode ser incluído). Tão bom que voltei para repetir a dose já no dia seguinte.
BÍBLIA ANUAL A revista Veja já publicou a edição 2010-2011 do seu anuário Comer & Beber, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Na semana em que saem, os guias são vendidos junto com a revista Veja. Depois, algumas bancas de jornal continuam oferecendo o volume separado por algum tempo. É uma fonte de consulta obrigatória, seja pelos restaurantes (divididos por especialidades), seja pelos bares (separados por região da cidade), seja pelas comidinhas (com todas as guloseimas de que você precisava e não sabia). Outras capitais como Salvador e Curitiba também devem estar para ganhar suas edições [aliás, se algum leitor caridoso quiser me mandar os guias dessas cidades, ficarei agradecido!]. Em tempo: o Rio está vivendo sua terceira Restaurant Week, até o dia 31/10. Os cardápios, você confere aqui.
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Thiago Lasco
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quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Efeito cardume
Depois de uma semana massacrante, resolvi aproveitar o sol do último domingo para curtir São Paulo de uma das minhas formas preferidas: sobre duas rodas. Mas desta vez não fui sozinho. Fui ao encontro dos SP Gay Bikers, que se reúnem todo domingo (quando não chove) numa frutaria no final da Paulista, de onde saem por diferentes regiões da cidade [mais detalhes no blog deles]. Eu já sabia da existência do grupo havia um tempão, tanto por matérias publicadas nos portais de informação LGBT como por um amigo que era frequentador, mas nunca tinha pintado a oportunidade certa para ir conhecê-lo. O horário era meio puxado (para estar às 10h no ponto de encontro, com tranquilidade, eu teria que sair de minha casa na Vila Olímpia perto das 9 da manhã, num domingo, o que era inviável depois de um sábado de balada). Como estou numa fase mais focada nas obrigações e menos nas jogações, não foi tão difícil chegar lá na hora marcada.
Antes de mais nada, os SPGB são "gente como a gente". Em dois sentidos. Primeiro: o perfil dos frequentadores não é tão "temático" como o nome do grupo pode fazer alguns imaginarem. Ninguém pedala montado, nem vestido com camisetas e acessórios com as cores do arco-íris, como se estivesse indo à parada gay. Segundo: não são atletas, com caríssimas magrelas de corrida olímpica, mas ciclistas amadores, no sentido da palavra. Gente comum mesmo. Alguns mais empolgados usam roupas próprias para o esporte, mas a maioria só vai de capacete (o uso do equipamento é a única condição exigida para pedalar com o grupo). O tipo de gente que tem uma vida normal, rala durante a semana e aproveita o domingão para se exercitar. Uns até fazem outras atividades físicas, mas não é um grupo em que corpos sarados estejam em evidência.
Um dos organizadores me contou que, na época em que os portais divulgavam as atividades do SPGB, o grupo recebia um número maior de curiosos. Enquanto alguns estavam realmente interessados em andar de bicicleta, outros pareciam ter ido apenas para ver se descolavam outro tipo de diversão, se é que vocês me entendem. Algumas matérias, como a que foi publicada na revista Junior, endossavam essa fantasia, alimentando o fetiche em torno dos ciclistas como machos esportistas. Bem, as pessoas que frequentam o SPGB parecem ser muito dispostas, imagino que todas gostem de sexo e muitas estejam em busca até de algo mais sério (no fundo, todo mundo está, não é o que dizem?), mas certamente o propósito fundamental de estar ali não é fazer pegação.
A ideia principal, isso sim, é conhecer gente nova e fazer amizades, de um jeito saudável. E isso rola de forma muito gostosa e espontânea. O pessoal do SPGB é muito simpático, receptivo e acessível. Cheguei ali sem lenço nem documento, eu e meu capacete multicolorido, e não tive dificuldades para interagir. O mais interessante é que dá pra bater muito papo durante o passeio, e não apenas nas paradas. Por ser uma manhã de domingo, o trânsito de carros é bem mais tranquilo, então em vários trechos do percurso os ciclistas pedalam em filas de dois. Você vai naturalmente emparelhando ora com um, ora com outro, e na metade do caminho já conversou com praticamente todo mundo. Tudo num clima super leve. Tem gente mais velha e mais nova, gente que sai e que não sai, homens e mulheres. Uma ótima maneira de sair um pouco das panelinhas de sempre e tomar novos ares.
Outra coisa muito bacana, que senti na pele, foi o que eles chamam de "efeito cardume". O fato de estar pedalando dentro de um grupo faz toda a diferença: uns protegem os outros, os carros dão passagem e respeitam, abre-se a possibilidade de ocupar muito mais espaços, com segurança. Ganha-se visibilidade e legitimidade, enfim. Não dá para deixar de fazer um paralelo com a questão dos direitos LGBT. Separados, somos poucos e somos engolidos pela multidão; juntos, nós podemos muito mais.
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Thiago Lasco
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quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Restaurant Week: seleção de cardápios (jantar)
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Thiago Lasco
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terça-feira, 31 de agosto de 2010
Restaurant Week: seleção de cardápios (almoço)
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Thiago Lasco
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quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Jogações à vista
Entre os shows, eu até gostaria de ver o AIR, sou apaixonado pelo duo francês, mas a apresentação deles no festival da Natura, em outubro, terá apenas 60 minutos. Talvez valha mais a pena ir vê-los em Belo Horizonte ou no Rio de Janeiro, caso eles se apresentem sozinhos nessas cidades. Eu também consideraria ver Hot Chip, Mika e Smashing Pumpkins no festival Planeta Terra, em novembro, e o Scissor Sisters, no Clash.
No capítulo de DJs, nada me comoveu tanto quanto o festival SWU, que vai rolar durante três dias de outubro (no feriado) na Fazenda Maeda, em Itu (SP). Um dos dias vai reunir Nick Warren, Sander Kleinenberg, Sharam (Deep Dish), Markus Schulz, Roger Sanchez e Life is a Loop, um line up que não fica devendo nada às boas edições do Creamfields de Buenos Aires. Outro festival que promete é o Ultra Music Festival, com Fatboy Slim, Groove Armada, Moby, Kaskade, Above & Beyond e Carl Cox. Mas esse eu vou perder, pois estarei curtindo o Hell & Heaven, na Costa do Sauípe (BA).
Isso sem falar nas festas menores. Aqui em São Paulo, está rolando o Prestonight Week, espécie de Restaurant Week das baladas: você compra uma pulseira e pode entrar livremente em mais de cem casas, durante o finde ou a semana inteira. Eu não encararia essa, mas estou bastante tentado a terminar logo este post, tomar um banho e ir ao D-Edge, ver o japonês Satoshi Tomiie, outro DJ que eu adoro. Quer dizer, isso se eu conseguir espantar o cansaço acumulado. Alguém tem um supositório de wasabi?
Postado por
Thiago Lasco
às
11:55 PM
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