O festival gastronômico Restaurant Week já divulgou sua agenda para 2010. Assim como nos anos anteriores, os restaurantes participantes oferecerão menus completos, com entrada, prato e sobremesa, por R$27,50 no almoço e R$39 no jantar. Couvert e bebidas são cobrados à parte, assim como a doação (opcional) de R$1 por pessoa, repassada a entidades beneficentes.
O festival, que reproduz um formato criado em Nova York, terá doze edições brasileiras neste ano, e fará sua estreia em lugares como Vitória e Fernando de Noronha. As datas são as seguintes:
25/1 a 7/2 - Brasília
1/3 a 14/3 - São Paulo; Vitória; Olinda, Fernando de Noronha, Porto de Galinhas, Jaboatão dos Guararapes e Gravatá (PE)
10/5 a 23/5 - Rio de Janeiro
31/5 a 13/6 - Curitiba
19/7 a 1/8 - Brasília
9/8 a 22/8 - Recife
30/8 a 12/9 - São Paulo
18/10 a 31/10 - Rio de Janeiro
Datas a definir - Porto Alegre e Belo Horizonte [atualizarei o post quando forem divulgadas]
Quando os restaurantes de São Paulo publicarem os menus no site do festival (que ainda não foi atualizado), farei um post selecionando algumas sugestões.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Restaurant Week terá 12 edições em 2010
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Thiago Lasco
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terça-feira, 24 de novembro de 2009
Curitiba, Porto Alegre ou Belo Horizonte?
Três capitais de porte médio, três opções de passeio para um fim de semana diferente, aproveitando os freqüentes voos promocionais. Não custa lembrar: este comparativo é 100% subjetivo, baseado nas minhas experiências pessoais. Meus posts com roteiros e dicas dessas cidades, você encontra aqui, aqui e aqui.
1 ATRAÇÕES TURÍSTICAS Convenhamos: nenhuma das três é uma cidade turística. Turístico é o Rio de Janeiro. Quem parece mais empenhada em receber visitantes é Curitiba: a cidade soube transformar suas muitas áreas verdes em atrações turísticas, distribui mapinhas claros e explicativos e foi a primeira a criar linhas de ônibus que percorrem os pontos de interesse, nos moldes de capitais europeias. Por outro lado, as concorrentes têm arredores bem mais atraentes: Porto Alegre tem fácil acesso a Gramado (e é ofuscada por ela), enquanto BH arrasa com o casario histórico de Ouro Preto e o sensacional Inhotim. Curitiba 1 ponto, Porto Alegre 1 ponto, BH 1 ponto.
2 ZONAS DE CHARME As três capitais têm bairros que cumprem a função de Ipanema ou dos Jardins, com cafés, restaurantes e gente bonita nas calçadas. O Moinhos de Vento (Porto Alegre) me pareceu o mais charmoso, talvez por ser pequenino e aconchegante, com uns guris fofos flanando pelo Parcão ou pela Rua Padre Chagas. O Batel (Curitiba) é bem maior, tem muito mais opções de bares, restaurantes e compras e, portanto, acaba sendo o mais interessante para o turista. O miolo elitizado de BH (Savassi e Lourdes) tem prédios ótimos para se morar, mas o fervo é meio tranqüilo demais, com pouca coisa acontecendo na rua. Curitiba 2 pontos, Porto Alegre 1 ponto, BH 1 ponto.
3 O POVO Gente bonita e gente feia existem em todo lugar. Mas os mineiros saem na frente, porque são de longe os mais simpáticos, fofos e receptivos. A beleza dos gaúchos tem fama, mas muitos partidões vivem reclusos e dificilmente dão sopa por aí. O mesmo acontece com Curitiba, que fica na lanterninha por ter o povo mais fechado. Conhecidos que se mudaram para lá tiveram dificuldades para se entrosar, e o turista que chega querendo se jogar pode sentir falta de mais interação. Sua experiência será muito mais agradável se você já tiver amigos locais, que possam te inserir nas rodinhas (como aconteceu comigo). Curitiba 0 pontos, Porto Alegre 1 ponto, BH 2 pontos.
4 GASTRONOMIA Empate técnico entre Porto Alegre e Curitiba, que têm circuitos gastronômicos simplesmente fantásticos. Nas duas cidades, os comilões passam muito bem, sem jamais sentir falta dos bons restaurantes de SP. Os mineiros também valorizam a boa mesa e sua farta culinária típica é muito apreciada - mas, à primeira vista, a cena de Belo Horizonte não me pareceu tão rica e diversificada quanto a das capitais do Sul. Talvez essa impressão mude quando eu tiver oportunidade de explorar BH com mais calma. Curitiba 2 pontos, Porto Alegre 2 pontos, BH 1 ponto.
5 NOITE GAY Com a noite mais desenvolvida do Sul (considerando que em Floripa o fervo é sazonal), Curitiba tem a maior quantidade de endereços, com bom movimento de quinta a domingo. Mas BH vence pela qualidade: a Josefine é a melhor boate gay de fora do eixo Rio-SP e, na mesma quadra, o fofíssimo Café com Letras é o lugar mais gostoso para se fazer um "esquenta". Porto Alegre ocupa um desonroso último lugar: lugares como Ocidente, Refugiu's, Venezianos e Cine Theatro Ypiranga (apropriadamente chamado de "CTI") ajudam a explicar por que os gaúchos não saem da toca. Curitiba 1 ponto, Porto Alegre 0 pontos, BH 2 pontos.
EM SUMA... Se você quer comer bem, gosta de andar a pé e acha que parques podem ser tão encantadores quanto praias, escolha Curitiba. Se a ideia é curtir um fim de semana a dois, de preferência no inverno, com muita comida e pouca balada, visite Porto Alegre e estique até Gramado. Agora, se você está viajando sozinho, quer ferver, conhecer gente e fazer novos amigos, a melhor pedida é BH. Curitiba 6 pontos, Porto Alegre 5 pontos, BH 7 pontos.
[FOTOS: Bosque Alemão (Curitiba), Parque Farroupilha (Porto Alegre) e Museu de Arte da Pampulha (Belo Horizonte)]
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Thiago Lasco
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quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Porto Alegre te despreza
Não poderia ter sido outro o título do post. Depois daquela traumática experiência de junho de 2008 (quando fui passar um inofensivo fim-de-semana em Porto Alegre e fiquei quatro dias trancado em casa, enquanto a cidade era varrida por uma tempestade e o aeroporto permanecia fechado), peguei um bode de lá. Resolvi dar uma segunda chance à capital gaúcha em uma época "segura", quando o tempo estivesse quente e ensolarado e eu poderia finalmente conhecer o tão falado sunset do Guaíba. Aproveitei o feirão da Gol em setembro e comprei passagens para voltar a Porto no último fim-de-semana. Qual não foi minha surpresa ao ver que, em plena primavera, a previsão era de chuva nonstop... meu pesadelo gaúcho se repetiria nos mínimos detalhes!
Até pensei em cancelar a viagem (colegas blogayros sugeriram que eu fosse para o Rio ou até BH, onde o finde de sol estava garantido), mas a saudade dos amigos gaúchos e a preguiça de passar pelo procedimento de reembolso da Gol falaram mais alto. Diante do mau tempo, fui checar o circuito cultural do Centro - a Feira do Livro e a Bienal do Mercosul ocupavam os principais espaços culturais da cidade. Visitei o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS, em cujo café comi uma cheesecake de chocolate maravilhooosa, fica a dica!), o Santander Cultural (lindo prédio), o Cais do Porto (meio chocho) e a famosa Casa de Cultura Mário Quintana (que deve ter vivido dias melhores, pois parecia meio abandonada; aliás, o café na cobertura tinha potencial para ser um lugar realmente bafônico, se sofresse uma repaginação bem planejada).
Não foi como eu havia imaginado, mas consegui ocupar o tempo sem ficar maldizendo a minha sina - e ainda tive um fim de tarde delicioso com um guri que conheci por ali. À noite, depois de jantar com meu atencioso anfitrião, segui a dica dele e fui conferir a festa Biônica, num clubinho da Cidade Baixa. Ótima surpresa: som bem legal, transitando entre house, breaks e electro (da dupla de DJs, só se viam as silhuetas contra o telão: eles tocavam no escuro, com umas perucas espetadas e uns óculos-lanterna acesos, tipo um "Information Society from hell, with lasers"), pista animada e cheia de gatitos, embalada por um ar condicionado polar (que compensou o calorão pegajoso do Ocidente na véspera). Mesmo com a chuva, fechei o sábado no lucro.
Para minha sorte, a cidade se redimiu no domingo e me presenteou com um lindo dia de sol. Primeiro, fui conhecer o Parcão, onde os chiques do bairro Moinhos de Vento vão para ficar com o cooper feito. Depois, segui para o miolinho da Padre Chagas (uma mistura do Batel de Curitiba com o Palermo Soho de Buenos Aires; o Z Café lembra muito o Bar 6 portenho). Na transversal Dinarte Ribeiro, vi vários restaurantes novos - seis deles bolaram uma iniciativa que permite ao cliente escolher pratos de uma casa e comer em qualquer das outras cinco. Não resisti e voltei ao Usina de Massas (que não participa da brincadeira), para matar a saudade do mítico nhoque com molho de carne de panela cremoso. Fiquei furta-cor com os novos preços: pela porção individual da massa e uma garrafinha de água, paguei R$67! Só valeu a pena porque esse prato é mesmo dos deuses.
Depois do êxtase gastronômico, fiz o programa clássico dos gaúchos: fui tomar sol (dispensei o chimarrão) vendo o movimento no Parque Farroupilha (ou Redenção), bem mais democrático e agitado que o Parcão. Amigos contavam que uma passada no Brique da Redenção, espécie de feirinha de artesanato que rola por lá, era programa obrigatório das bees locais, mas até que não vi tantas. Mesmo assim, foi bem interessante ver o vaivém da fauna local, com direito a famílias felizes, grupos de loiras legítimas, emos com looks de baixo custo e alguns homens de babar. De lá, fui correndo para o Gasômetro - se eu finalmente conseguisse ver o bendito pôr-do-sol, minha estada seria completa. Infelizmente, tive que ir para o aeroporto antes que o sol se pusesse, mas tudo bem: deixei Porto Alegre satisfeito e resolvi que vou ver o tal "espetáculo" pelo YouTube mesmo...
[Foto: Parque Moinhos de Vento com o chão coberto pelas pétalas dos ipês coloridos]
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Thiago Lasco
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sexta-feira, 13 de junho de 2008
20 notas soltas e picadas sobre Porto Alegre
::: Nos bairros mais nobres, Porto Alegre é bem parecida com Curitiba: Montserrat feels like Bigorrilho, Três Figueiras e Barigüi devem ter sido separados no nascimento e a hypada Rua Padre Chagas poderia muito bem fazer esquina com a Alameda Dom Pedro.
::: Por outro lado, enquanto a capital do Paraná é toda limpinha, certinha e planejada, Porto Alegre é mais suja e tem um traçado dificílimo, quase ininteligível. As avenidas são quase tão tortas e confusas quanto as de Salvador. Depois de quatro dias, eu, que tenho um ótimo senso espacial, continuava absolutamente perdido, sem a menor idéia de qual direção tomar (ainda bem que as distâncias são pequenas e o táxi é barato).
::: Para compensar a comparação, os gaúchos são mil vezes mais receptivos, amigáveis e simpáticos do que os curitibanos, cuja frieza é reconhecida Brasil afora [é claro que há exceções, como a Dana, o Leo, o Raul, o Dani e o Pupo, os curitibanos mais fofos do mundo]. Gaúchos são muito educados, conversam com gosto se você der trela (ou seja, não são invasivos) e atendem muito bem. Ah, e em geral detestam qualquer tipo de comparação com Curitiba ou os curitibanos.
::: O clima ali é mais do que temperado: é temperamental. O verão gaúcho é muito mais quente do que o do Rio de Janeiro, quase não dá para sair na rua nos dias de sol. Já no inverno, não é raro ter geadas e até neve no interior. Eu, por exemplo, fui recebido por São Pedro com um temporal e ventos de até 100km/h, que tal?
::: Porto Alegre é banhada a oeste pelo Rio Guaíba. E é sobre ele que o sol se põe, no que é considerado um dos mais bonitos sunsets do Brasil. Há vários lugares de onde é possível admirar esse espetáculo: do calçadão que percorre a beira do rio, da Usina do Gasômetro, do terraço da Casa de Cultura Mário Quintana ou de uma das janelas da Fundação Iberê Camargo.
::: Aliás, a Casa de Cultura Mário Quintana (Rua dos Andradas, 736, Centro) é um dos espaços culturais mais importantes da cidade. E a nova sede da Fundação Iberê Camargo (Av. Padre Cacique, 2000), com sua arquitetura arrojada, premiada na Bienal de Veneza, tem tudo para se tornar o novo símbolo de Porto Alegre, como um "Guggenheim gaúcho" - guardadas as proporções devidas, é claro. Por enquanto, só há obras do próprio Iberê, mas o acervo também deve receber trabalhos de outros artistas.
::: O bairro bacanudo da cidade é o Moinhos de Vento, que faz as vezes de Jardins local, com lojas multimarcas descoladas, bares e restaurantes, concentrados sobretudo nas ruas Padre Chagas e Fernando Gomes (que recebeu a alcunha de "Calçada da Fama", num arroubo de pretensão descarada, já que são apenas dois minúsculos quarteirões, com pouquíssimos estabelecimentos). Há ainda um parque bem-cuidado para as finas desfilarem (o Parque Moinhos de Vento, ou "Parcão"). Morar lá é para poucos: um apartamento de dois quartos bem modesto custa R$ 350 mil, mais do que um similar nos Jardins ou em Ipanema.
::: Por falar em Ipanema, não é que Porto Alegre também tem uma Praia de Ipanema? É sério, com direito a calçadão e tudo o mais. Fica no caminho para a Zona Sul, meio afastado do burburinho central. O visual não é lá essas coisas, vale dizer. E minhas fontes gaúchas me disseram que nem no verão a coisa ferve por lá.
::: E já que o assunto é fervo, Porto Alegre também tem sua versão da feira da Benedito Calixto: é o Brique da Redenção, que rola aos domingos, entre 9h e 18h, no Parque Farroupilha. As bees marcam presença e costumam chegar do meio da tarde em diante, depois de terem acordado tarde da balada de sábado.
::: Se o trânsito de São Paulo é infestado pelos motoboys, nas ruas de Porto Alegre quem dá o tom são as carroças. Sim, aqueles veículos de madeira toscos e improvisados, que carregam papelão e são puxados por carroceiros. Há milhares delas, disputando espaço com os carros e até ultrapassando umas às outras. Elas são até emplacadas pela Prefeitura, tamanho o reconhecimento de que gozam, vejam só.
::: Quem é de fora tem uma certa dificuldade em assimilar o papel que o chimarrão tem na vida dos gaúchos. É algo que está tão enraizado na cultura deles que eles nem se dão conta do absurdo que é estar sentado numa praia em Floripa, em pleno verão escaldante, tomando mate quente (OK, isso é absurdo para um paulista como eu). Como era de se esperar, em Porto as pessoas levam sua cuia pra cima e para baixo, como se fosse um iPod ou um bicho de estimação: no supermercado, na fila do banco, lá está o fiel companheiro. [Para saber mais, leia os 10 mandamentos do chimarrão aqui].
::: Porto Alegre tem uma gastronomia bem interessante. Alguns destaques são o Koh Pee Pee, considerado o melhor restaurante tailandês do Brasil, o Tutto Riso, que serve 24 tipos de risoto, o japa-contemporâneo Hashi, a churrascaria top Na Brasa, os bistrôs Sanduíche Voador e Le Bistrot, os pães especiais da Barbarella Bakery (uma delícia o sanduíche de iscas de filé, queijo gruyère e cebola caramelada) e a famosa torta de sorvete com calda quente da (adivinhe) Torta de Sorvete.
::: Mas a experiência gastronômica transcendental da minha viagem, aquela que mereceria um post de no mínimo seis parágrafos (que eu não vou escrever, fiquem tranqüilos) é a Usina de Massas, possivelmente a melhor casa de pasta que eu já conheci até hoje. As massas vêm à mesa em panelinhas de ferro, para uma ou duas pessoas. O gnocchi com molho de carne de panela cremoso é simplesmente *indescritível*, *inigualável*, *inesquecível* - fui obrigado a voltar lá e comê-lo mais uma vez antes de ir embora. Outra boa pedida é o fettucine ao molho quatro queijos com iscas de filé, muito saboroso e equilibrado (sem gosto de gorgonzola). Já estou com saudade.
::: Já quem quer ver e ser visto tem como destino certo o Press Café da Hilário Ribeiro, no coração do Moinhos de Vento. O lugar serve tanto para um café no meio da tarde quanto para aquele jantar-balada com os amigos, ou mesmo os primeiros drinks antes da noite. O ambiente é lindo e acaba funcionando como um "Spot de Porto Alegre", onde as finas vão dar pinta.
::: Eu já fui fofo com a cidade e agora vou mandar a real: as baladas são um pavor! O Ocidente, ponto de encontro das sextas, é tipo uma festa na laje dentro de uma construção inacabada (mas todo mundo vai lá; eu mesmo cheguei sozinho e encontrei três rodinhas amigas). O Cine Theatro Ypiranga (ou "CTI") é uma Danger retangular, ainda mais escura e com um povo bem varzeano (e é the place to be aos sábados, g-zuiz!). O Refugius (atenção para o nome cafona) parece uma mistura de Bubu com um daqueles bufês de festa do subúrbio. Do tradicional bar Venezianos eu não tenho coragem de falar mal, porque o staff foi muito fofo comigo e a comida é superboa, mas... é um sobrado escurinho com uma pistinha micro embaixo e quatro mesas apertadas em cima. E só. Amanhã será a inauguração de um tal Espaço Closed, com a DJ Ana Paula como convidada; tomara que ele consiga dar um up na cena. (Só falei das baladas gays, mas fui informado de que até o endereço eletrônico/under da cidade - o Neo - também é caído e freqüentado basicamente por emos).
::: Ri melhor quem ri por último: Porto Alegre tem uma noite medonha, mas os gaúchos podem ir à forra se jogando em Buenos Aires. E é justamente isso que fazem: afinal, para eles o passeio sai a módicos 200 reais. Convenhamos, a dobradinha Pacha + Caix coloca no chinelo qualquer clubinho de bate-cabelo cafona com queijinho central na pista. Outro destino de que eles são habitués é o Uruguai - não só Punta del Este, mas também outros balneários de que nunca ouvimos falar, onde eles vão passear desde moleques (enquanto a gente se contentava com o Guarujá).
::: Quando os gaúchos resolvem ser bonitos, eles arrasam. Isso vale para homens e mulheres. E falo aqui de beleza verdadeira, a de nascença, não aquelas transformações paliativas que se conseguem com academia, bronzeamento, escovas, tinturas, bombas. Infelizmente, porém, os gays bonitos vivem escondidos em suas tocas e não saem de jeito nenhum. O máximo que fazem é reunir meia dúzia em festinhas private reservadíssimas. Dar pinta por aí, só em Floripa, Buenos Aires, São Paulo ou no Rio. Nos clubes, a situação é tão desoladora que você reza para ninguém tirar a camisa. No CTI, as duas descamisadas que vi na pista mais pareciam o Dengue e o Praga do Xou da Xuxa.
::: O gauchês tem várias expressões curiosas ou engraçadas. "Telentrega" é a resposta local, genuinamente brazuca, ao afetado delivery do eixo Rio-SP. "Bicha fazida", ao contrário do que o nome sugere, não é aquela que faz, mas a que não faz, e fica só no carão a noite toda (mas na hora da xepa pega o primeiro bagulho que aparecer). Diante do trânsito carregado, os gaúchos exclamam: "bem capaz, está tudo trancado!". E não falam "se joga!", mas "te atira!". À mesa, enquanto nós perguntamos "está servido?" antes de comer ("quer provar da minha comida?"), eles falam isso depois de acabarem, com o sentido de "está satisfeito, posso retirar seu prato?". Mas o mais impagável foi ver uma senhora se dirigir ao padeiro do hipermercado Zaffari: "Me dá três cacetinhos!", para em seguida completar, convicta: "E bem morenos!".
::: Podem dizer que o roto está falando do rasgado, mas a falta de segurança é uma das maiores queixas dos porto-alegrenses. Pelo que meus amigos explicaram, a cidade não conseguiu oferecer oportunidades suficientes para o grande contingente de migrantes. Os gaúchos dirigem com vidros fechados e furam as "sinaleiras" vermelhas, como em São Paulo. A expressão mais comum dessa violência são os seqüestros-relâmpago, que andam bastante em voga por lá.
::: Em resumo: Porto Alegre não tem os predicados turísticos de um Rio de Janeiro, não segura sozinha um pacote de sete dias, mas tem atrações suficientes para preencher um bom fim-de-semana. A cidade é pequena; no Moinhos de Vento, por exemplo, é gostoso passear, mas há pouca coisa para se ver. Se você tiver amigos locais, melhor: eles te apresentam a outros gaúchos (com sorte, aqueles filés que não saem na noite), e vocês ainda podem pegar o carro e ir até Gramado, que está a apenas 133 km de distância.
Para terminar, deixo aqui meu agradecimento e meu carinho para os novos e velhos amigos gaúchos que tornaram minha estadia muito mais legal: Vanessa, Rodrigo 1, Rodrigo 2, Júlio, os vizinhos fofos da cobertura da frente, Nanda Pomba, Mau, José, Rodrigo 3, Dan, Valter e Marco. Vocês são a melhor razão que eu tenho para voltar!
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Thiago Lasco
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1:48 AM
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segunda-feira, 9 de junho de 2008
Pesadelo gaúcho
Minha convivência com meus amigos de Porto Alegre sempre foi muito esporádica. Gosto muito deles e isso já valeria uma viagem, mas faltava alguma coisa que desempatasse a questão e me fizesse cumprir minha dívida de visitá-los (nossos encontros eram sempre em SP). O pretexto foi uma dessas promoções-relâmpago das companhias aéreas - consegui comprar cada trecho a apenas R$48 pela TAM. Em 48 horinhas, eu iria rever meus amigos e aproveitar as atrações da capital gaúcha, especialmente o famoso pôr-do-sol no Guaíba (sempre gosto de apreciar um pôr-do-sol especial nos lugares que visito).
Se a beleza da vida está no inesperado, muitas vezes ela nos traz surpresas que não têm a menor graça. Meu vôo da ida estava marcado para as 13h35. Cheguei às 12h45 (portanto, com uma aceitável antecedência de 50 minutos) e descobri que a TAM tinha antecipado o vôo para 13h20, sem a preocupação de me avisar. Resultado: às 12h45, eles já haviam chamado todos os passageiros para o embarque e vendido o meu lugar para a lista de espera (!). Fiquei emputecido, reclamei, briguei, mas a TAM não reconheceu o erro e ainda quis colocar a culpa em mim. No fim das contas, me remarcou para as 15h45. Resultado: quando aterrissei no aeroporto Salgado Filho, o céu estava ficando rosado, mas já não dava mais tempo de cruzar a cidade e correr até o Gasômetro para ver o sol se pôr.
Mal sabia eu que aqueles eram os últimos raios de sol que a cidade veria por muito tempo. Sábado nasceu com um solzinho tímido, mas antes da hora do almoço o tempo virou e começou uma verdadeira tempestade. Chuva forte e vento frio pelo resto do único dia que eu tinha para aproveitar a cidade - portanto, nada de passeios e adeus pôr-do-sol. Nessas situações, o jeito é não ficar emburrado e tentar fazer o passeio valer de outras formas. Sabe aquela filosofia de ver o copo "meio cheio" e não "meio vazio"? Sou especialista nisso, portanto curti os amigos, conheci pessoas novas (muito queridas, por sinal), explorei o circuito gastronômico... mas a experiência ficou muito aquém do que poderia ter sido.
No domingo, o tempo continuou horroroso e minha volta estava marcada para as 14h45. Mas cheguei ao aeroporto e encontrei uma situação desoladora: devido ao mau tempo, não havia teto para decolagens e pousos, portanto todos os vôos estavam sendo cancelados. Claro que não recebi a notícia mastigadinha assim, pois a TAM mais uma vez cagou para os passageiros. Era preciso se debater em meio à multidão de milhares de pessoas que superlotava o saguão, correr atrás de informações desencontradas, para saber o que estava acontecendo.
Depois de quase três horas de fila (junto com todos os outros passageiros do mundo, já que ninguém voou naquele dia), consegui remarcar minha volta para as 9h50 de hoje. Dei meia-volta, o tempo continuou feio no resto do dia e hoje amanheceu ainda pior. Ou seja, cheguei no aeroporto e encontrei a mesma cena: filas absurdas, pessoas dormindo pelo chão e vôos novamente cancelados. Como se acumularam os passageiros de domingo e segunda, a situação ficou ainda mais crítica do que na véspera, a massa estressada começou a dar bafão na porta da Infraero... e eu só consegui, com muito custo, marcar a volta para as 14h40 de amanhã. O jeito foi respirar fundo e voltar a encarar esta cidade, que com o passar dos dias e a continuidade das chuvas vai ficando aborrecida, enquanto minhas pendências e meu chefe aguardam a minha volta a São Paulo (que, dizem, está ensolarada como Ipanema).
Claro que esse fim-de-semana teve coisas boas e momentos agradáveis. Serei justo: a cidade tem predicados sim, e merece um miniguia ou um sobe-e-desce aqui no blog. Mas primeiro eu preciso esperar esse bode passar. Neste momento, não quero mais nem ouvir falar em Porto Alegre!
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Thiago Lasco
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3:09 PM
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sexta-feira, 11 de abril de 2008
Em SP, o pedaço mais gostoso de Porto Alegre
Porto Alegre sempre foi para mim uma cidade de passagem entre São Paulo e Florianópolis. Nas duas vezes em que estive na capital gaúcha, assim que encontrei meus amigos já seguirmos de carro para "Santa" (como eles têm o hábito de falar). Neste ano, tenho planos de aproveitar uma das próximas promoções das companhias aéreas para conhecer a cidade melhor e dar uma conferida no fervo. Mesmo sabendo que os gaúchos mais interessantes vivem escondidos e só se liberam quando estão longe de casa.
Uma das poucas lembranças que tenho de Porto Alegre são os incríveis bolos e doces da Bella Gulla: pães-de-ló macios, intercalados por recheios fartos, que não deixam nada a dever aos de boas docerias como Sweet Pimenta e Doce Mania. Fiquei muito feliz quando descobri que a loja já tem filiais em São Paulo (e também em Floripa, Balneário Camboriú e até Maceió). Por aqui, eles abriram um ponto no Shopping Villa-Lobos e outro na Alameda Lorena, 1295 (pouco antes da Padre João Manoel).
O melhor de tudo é que o endereço dos Jardins, além de doceria, é também um excelente restaurante de comida a quilo. O Bella Gulla Fast Bistrô oferece boas saladas, carnes e massas variadas e risotos cremosos (o de funghi é bárbaro), tudo muito bem apresentado e saboroso, num ambiente cool e aconchegante, a apenas R$26,90/kg. É uma dica preciosa para quem trabalha ou mesmo circula pelos Jardins, região onde as boas opções de almoço costumam ser bastante caras. Depois de um prato caprichado, é só arrematar com um copinho de mousse de limão ou um dos fantásticos bolos e tortas que me fizeram amar Porto Alegre.
Postado por
Thiago Lasco
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5:32 PM
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