quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Guia de Buenos Aires, parte 3: conselhos de mãe

Para encerrar o guia de Buenos Aires, aqui vão algumas dicas acumuladas em 18 anos de experiência... boa viagem aos que vão!

1 - A maioria dos turistas vai a Buenos Aires com pacotes - que incluem, além de passagens, acomodação e city tour, os traslados do aeroporto de Ezeiza para o hotel e vice-versa. Se estiver indo por conta própria, cuidado: você será abordado por várias pessoas oferecendo táxi (como na rodoviária do Rio), mas não aceite (há ladrões misturados). Assim que cruzar a porta corrediça após a inspeção das bagagens, você verá no saguão uma "ilha" azul com um serviço de transfer confiável. Você pode reservar: info@taxiezeiza.com.ar ou (+54) 11 5480-0066. Se quiser economizar, vá de micro-ônibus - procure o guichê da empresa Manuel Tienda León, logo após a porta corrediça.

2 - Você poderá gastar seu cartão de crédito à vontade em lojas e restaurantes. Mesmo assim, é importante ter algum dinheiro em espécie para táxis, baladas, gorjetas e gastos do dia-a-dia. Os brasileiros insistem em trazer dólares, mas o ideal é já chegar com pesos argentinos mesmo (as boas casa de câmbio do Brasil vendem). Se você trocar reais por dólares e depois por pesos, perderá dinheiro duas vezes. Vários lugares aceitam dólar, mas aproveitam para tirar vantagem em cotações bastante desfavoráveis ao turista. De qualquer forma, se precisar comprar pesos por lá, nada de trocar no hotel, muito menos no aeroporto. Vá à Metropolis, uma casa de câmbio confiável, que fica na Florida, quase esquina com a Avenida Córdoba. A preocupação com notas falsas é, infelizmente, necessária.

3 - Como país membro do Mercosul, a Argentina não exige passaporte dos turistas brasileiros: basta o RG original, desde que a cédula esteja em bom estado (não servem carteiras de identificação profissional, tipo OAB). Caso você leve o passaporte, ande na rua com uma cópia e deixe o original guardado no cofre do hotel. Buenos Aires não é uma cidade ostensivamente perigosa, mas ladrões de bolsas e carteiras atacam em áreas com grande fluxo de turistas, em especial os calçadões da Florida e Lavalle. Afaste-se das rodinhas de gente que se abrem em volta dos dançarinos de tango e outros artistas que se apresentam na rua - esse tipo de aglomeração é um alvo preferencial - e não dê atenção a criancinhas pedintes, por mais fofas que pareçam. Nem dê bobeira com sua câmera digital.

4 - Para se locomover, use e abuse dos táxis, que são muito mais baratos do que em qualquer capital brasileira. Os motoristas costumam ser simpáticos e falantes - se você der trela, o papo vai embora, mesmo se você só fala português (é mais difícil para o hispânico entender português do que para o brasileiro entender espanhol, mas em Buenos Aires todos já se acostumaram com a invasão brazuca). Mas traga troco, sempre - inclusive suas moedinhas. Familiarize-se logo com as notas argentinas, para não correr o risco de receber dinheiro velho ou falso de algum taxista de má fé. E, por questão de segurança, só entre em carros que trazem na porta a inscrição "radio taxi".

5 - Lembre-se: taxistas recusam passageiros saídos de eventos eletrônicos - com medo de que eles portem drogas, estejam sujos, façam bagunça ou simplesmente não paguem a corrida. Por isso, pense com antecedência na sua volta do Creamfields. O ideal é contratar um rádio-táxi que te leve e depois te pegue, em uma hora e local a combinar (de preferência, antes das 6h, quando o som pára nas tendas e as 70 mil pessoas saem de uma vez). Se você não contratou táxi ou ele deu o cano, não se desespere: dá para ir andando até o premetro, espécie de trem que é conectado à rede de metrô (subte). Você sobe na estação General Savio, desce na Plaza de Los Virreyes (última estação da linha E do metrô), e de lá chega onde quiser no centro, fazendo as combinaciones necessárias. O problema é que o festival acaba às 6h e, aos domingos, os trens só começam a operar às 8 da manhã.

6 - Quando for fazer compras, não se esqueça de pedir o formulário para receber o reembolso do ICMS. Para ter direito ao benefício, o turista (sem residência na Argentina) deve gastar, na mesma fatura, um mínimo de 70 pesos, e os produtos devem ser nacionais, ou seja, argentinos - portanto, tênis da Nike e calça da Diesel estão fora. As lojas conveniadas com o sistema (nem todas são) possuem o adesivo "tax free" na vitrine. Apresente os formulários preenchidos (junto com as notas) no guichê do aeroporto, para conferência e carimbo, antes de fazer o check in (você pode ter que exibir os produtos). Depois de atravessar a Polícia Federal, haverá outro guichê, onde você escolherá como deseja receber o imposto: na hora, em pesos, ou por meio de crédito na fatura do seu cartão.

7 - Vai se esbaldar nas churrascarias argentinas? O portunhol corre solto, mas é de bom tom saber ao menos explicar em que ponto prefere comer sua carne. Mal-passado é jugoso ("rugôsso"), ao ponto é al punto e bem-passado é bien hecho ("bienêtcho"). Na hora de escolher os acompanhamentos, esqueça o arroz - o argentino não tem esse costume e, portanto, as poucas casas que oferecem no cardápio (para os brasileiros) não sabem fazer bem. Prefira batatas - se quiser comer de um jeito típico, peça papas provenzal, fritas com alho e salsinha. E, na hora de colocar sal, cuidado: o saleiro deles tem furos mais largos do que o nosso, de modo que uma "sacudida à brasileira" pode acabar estragando sua comida.

8 - Para fazer ligações telefônicas, só use o telefone do quarto em caso de emergência - os hotéis cobram uma verdadeira fortuna pelas llamadas (amigos desavisados que passaram apenas 5 dias no hotel pagaram quase R$150 em telefonemas). Para qualquer tipo de ligação, use sempre os locutorios, postos telefônicos onde você fala confortavelmente, sentado numa cabine individual, controlando o total gasto em um mostrador digital. Muito mais baratos, os locutorios estão por toda parte (especialmente na Florida, Santa Fe e adjacências), e a maioria também possui computadores com acesso à internet.

9 - Na hora de comprar presentes para os amigos do Brasil, a maioria pensa mesmo nos tradicionais alfajores da Havanna, que são vendidos em caixas de 6, 12 ou 24 unidades, em vários sabores (o melhor é o de doce de leite, nozes e castanhas de caju, coberto com chocolate branco). Saem muito mais barato lá do que aqui (R$ 1,40 cada um, contra uns bons R$ 5 no Havanna Café em São Paulo) e podem ser encontrados em qualquer lugar, inclusive no duty free shop do aeroporto de Ezeiza (para alívio dos esquecidos, com seus presentes de última hora). Mas não deixe de ver a validade no fundo da caixa: algumas lojas menores não querem perder seus estoques e continuam vendendo mesmo após o vencimento.

10 - Não esqueça, em hipótese alguma, de guardar US$ 18 (ou a quantia correspondente em pesos) para pagar a taxa de embarque da volta no aeroporto de Ezeiza. A taxa, que é destinada à manutenção dos aeroportos argentinos, pode ser paga em dinheiro vivo ou em cartão de crédito Visa (os outros cartões não são aceitos). Sem essa taxa paga, você não embarca!!! [UPDATE: desde maio de 2009, a taxa de embarque de Ezeiza passou a vir embutida no próprio valor da passagem, como sempre foi praxe em qualquer país civilizado do mundo. Portanto, este item 10 não se aplica mais].

[Foto: Plaza San Martín, no Centro, meu cantinho preferido em Buenos Aires]

21 comentários:

Tony Goes disse...

Os furinhos dos saleiros são mais grossos!!

A que nível de detalhe você conseguiu chegar!!

Fabuloso.

Alexandre Lucas disse...

Adorei a seqüência dos posts:)
Só achei muito anos 80 comprar pesos em casa de câmbio. Esse povo tem que aprender a usar rede bancária internacional... Ainda mais em país vizinho.

André disse...

Até fiquei com vontade de ir pra Buenos depois do seu post.
Aperto eu não passarei.
Thanks....

Alberto Pereira Jr. disse...

vou indicar a um amigo meu q vai agora no feriado..
ótimos posts!

Anônimo disse...

Assim que voltar de Buenos Aires, fale da censura que o carioca virtual sofreu.

[clebs] disse...

Tipo, fico imaginando aquele infeliz que gastou tudo na Argentina e ficou preso no aeroporto sem poder pagar os U$18! hehehehehehe....

Muito bom seu guia, passagens na mão!!!

Abração!

Tiago disse...

Oi, poxa, comecei a frequentar seu blog há algumas semanas, quanta coisa boa!

Você escreve bem e vê a nossa cena sob uma ótica bem peculiar, sem, no entanto, ser exclusivista. Sinto-me comungado em concepções e pensamentos.

Mas, me diga uma coisa, a respeito deste post, passarei o reveillon em BA, você teria alguma dica para me dar ? Local da Virada? Algum conselho abaixo você acha que não se aplica ao reveillon?

Obrigado e abraço!

introspective disse...

Tiago: Os "conselhos de mãe" do post são atemporais, valem sempre! Quanto ao réveillon, eu pessoalmente nunca passei lá, mas até onde eu sei é parecido com o de São Paulo. Ou seja, muita gente viaja, a cidade fica mais vazia (e quente!) e as boas festas são em lugares fechados. Não tem tipo uma Times Square ou Praia de Copacabana com uma virada coletiva. Agora, é claro que, só por estar numa cidade gostosa como Buenos Aires, de preferência em boa companhia, já será um começo de ano feliz... :)

Leo disse...

Outra dica boa para levar dinheiro é usar um cartão chamado CASH PASSPORT. Trata-se de um cartão de débito Visa Electron que vc carrega em casa de câmbio com dólares.
Eu carreguei numa casa de cambio chamada CONFIDENCE aqui em Curitiba, mas sei que tem em várias outras cidades

Dá uma olhada no site: http://www.cashpassportcard.com
tem várias informações.

O legal é que vc pode controlar tudo pela internet e em alguma emergência alguem pode carregar um saldo remotamente informando o numero do seu cartão. Assim como qq outro cartão tem que cuidar pra não perder... de qq forma é bem mais seguro que andar com dinheiro ou deixar dinheiro vivo no cofre.

Usei para ir pra Buenos Aires duas vezes esse ano e funcionou perfeitamente, quase todos os lugares lá aceitam Visa Electron.
Se precisar fazer um saque vc pode fazer em qualquer caixa eletrônico ligado às redes dos grandes bancos argentinos.

Vale a pena!

LEO CWB
leonardow@hotmail.com

Alexandre Lucas disse...

Verifiquem se seu banco trabalha com a rede Cirrus. O meu eu posso usar com o cartão de débito comum e funciona em mais de 1 milhão de caixas eletrônicos ao redor do mundo :)
http://en.wikipedia.org/wiki/Cirrus_(interbank_network)

Alexandre Pellizzon disse...

Seu guia é melhor que os guias gays ou guias turisticos. Eu só tive problemas com taxi no aeroporto, no resto da cidade nenhum! Nunca fui tao bem tratado por taxistas como fui saindo durante umas 20 noites em Buenos Aires pra baladas...alem de ser barato, sao mto simpaticos. Mas no aeroporto é um problema. Em vez de pagar os 68 pesos, peguei um taxi na saida e acabou saindo por 79 pesos e ele keria cobrar mais 10 pesos pelos pedagios ( que eu vi ele pagando 50 centavos em um e 2 pesos em outro).

Quanto a trocar dinheiro em casas de cambio é bobagem. Pagam MUITO POUCO por reais! Já por dolares pagam bem.
Entendam: compram dolar a 3,15 e revendem a 3,18 ( ou seja lucram apenas 3 centavos em cada dolar). Ja o nosso REAL eles compram por miseros 1,35 ou 1,40 e revendem pros argentinos a 1,70, lucrando 30 ou 35 centavos. Portanto se conseguir dolar barato no Brasil vale a pena...
No aeroporto logo que vc sai tem uma casa de cambio lotada que paga miseros 2,70 pesos por dolar, mas logo na saida do aeroporto tem o Banco de La Nacion! Nao sei se so funciona no horario comercial, mas eles pagaram 3,18 nos dolares q eu haia levado. Levei bem pouco so pro taxi e comida asssim que chegasse..
O melhor eh usar cartao do seu banco no brasil ( desblokeie antes de viajar em qqer cx eletronico) e sakar em qqer cx eletronico 24hrs de buenos aires. paga-se 2,50 dolares por saque, mas eles tvam pagando 1,67 pesos por Real qdo sai de la! Ou seja, SUPER COMPENSA!

Anônimo disse...

é Serginho, o Carioca Virtual incomoda tanto que a Drops Magazine tirou do ar a pagina GLS de seu site, que existia antes mesmo da contratação do Marcos Carioca.

Será que a Drops descobriu que se não pode ter o melhor, é melhor não ter ninguém?

Quem saiu perdendo foi a Drops!

Ana Flavia Corujo disse...

Olá querido! Não sei vc recebe a resposta pelo meu blogg, mas mando por aqui tb... :-) Obrigada pelas dicas... já coloquei tudo no meu super manual de dicas de Bue! :-) A dica das lojas foi ótima lembrança! Todas as vezes que fiz isso em viagens deu super certo, em Miami então!! Foi batata! Quando eu falo ZS = Zona Sul, desculpe...não sou muito frequentadora de Baronneti não... mais um esquema 00, Melt essas coisas... de q q forma suas dicas foram mais do que ótimas! Nem vou ter tanto tempo assim! :-) Sobre o Blogg super gentil de sua parte.... mas, mesmo assim não conigo me entender... heheh, pq queria fazer como vc fez: colocar um texto de abertura que ficasse sempre a mostra (o seu ficou na lateral) com os links (marcadores) nas laterais tb... mas, o meu fica só uma tripona... hehehe... Enfim.... acho que vou copiar todos os textos, separar melhor, apagar tudo e colocar de novo, será?? :-) Mais uma vez obrigada pela respostas, dicas e atenção!! Bjkassss Ana

Ivo disse...

Querido, eu quero ler você! Já tem muito tempo que você não atualiza, nós temos fome de Thiago! :*

Dona das Horas disse...

olá,

Estou indo passar o reveillon em Bs As, gostaria de saber se você tem alguma dica para me passar sobre os locais que são bacanas para se passar a virada. Estou pensando em me hospedar no el sol hostel- recoleta. Você conhece...

Aguardo contato: dennyse@gmail.com

introspective disse...

Dona das Horas: Não tenho dicas de réveillon não... não costumo ir para lá nessa época. Tb não conheço esse hostal, mas a Recoleta é uma boa zona para ficar.

Homossexual e Pai disse...

parabens! excelente guia! eu adoro BsAs e já estive algums vezes por lá!
Só acrescentaria o Café TorToni no roteiro, um lugar deliciosamente decadente com excelentes shows no subsolo e doces de dar ataque glicemicos em subnutridos!
parabens novamente

introspective disse...

Eu costumo indicar o Tortoni para quem quer escutar um pouco de tango sem cair naquelas casas de show para turista. O bar é lindo, aconchegante e os shows são bem intimistas. Quanto aos doces, minha cota de calorias vai toda na Persicco e na Freddo... :)

Ana Flávia disse...

Hola que tal? Amigo querido, voltei de viagem e suas dicas foram fantáticas!! Vc super fez parte de minha viagem complementando a minha rota do glamour!! Desde o alfajor sabor que eu não conhecia de nozes, até Brocolino com massa de lula e frutos do mar... fiz o circuito completo incrementado com vários outros atrativos, como Casa Cruz - espetáculo; La Cabrera - melhor cerne que comi; Grand Bar Danzón - melhor comida contemporânia e lugar descolado que fui! Milion, uma casa / bar de arquitetura fantática com garçons lindíssimos e uma frozen de Albaca maravilhosa! Drink no FAENA, o que é esse hotel??? Surreal!! SUCRE, amei o restaurante, tb contemporâneo e superrrrrrr descolado.... além disso, sorvetes e etc, ah!! Sem falar no happy hour no Museu, o melhor!! Um mar de gente bonita! Fui a todos o museus, parques, passeios pelas ruas, palermo, compras, Alvear... Colônia de Sacramento (desnecessário) e uma esticada até Punta del Leste onde tive o privilégio de compartilhar o por do sol mais fantástico da minha vida na Casa Pueblo e como se não bastasse, conheci o artista Uruguaio - Carlos Paez Vilaró que muito me tocou e emocionou, sendo presenteada com um livro autografado por ele, um fofo! Obrigada pelas dicas, minha viagem foi um SONHO e suas dicas deram um sabor todo especial. Grande beijo!

Anônimo disse...

Se conselho fosse bom agente não dava...vendia. Estou em BsAs e recebi 100 pesos falsos na suuuper confiável casa Metrópolis...Nossos hermanos são bem safados...

Camila disse...

Adorei as dicas! Vou pra lá mês que vem e elas serão muito úteis!!!!