terça-feira, 20 de novembro de 2007

Panela velha é que faz comida boa

Sempre tive muito carinho pelo festival de cinema Mix Brasil, que nesse ano está fazendo sua 15ª edição em São Paulo. É uma chance única de ver filmes que jamais entrariam em cartaz por aqui, mesmo nos chamados "cinemas de arte". E tem também todo um oba-oba que se monta em torno do festival. Nas sessões mais concorridas, o saguão do Espaço Unibanco fica abarrotado - ótimo para conhecer gente nova, divertida e interessante, com horizontes mais amplos do que os muros da boate.

Para estar na programação do Mix, não é preciso discutir diretamente a homossexualidade. Claro que existem os filmes que tratam de temas específicos do universo GLS, mas há também aqueles com tramas absolutamente banais - e que, por acaso, têm algum personagem gay. E há também espaço para outras sexualidades que não a homo - afinal, é um festival "da diversidade sexual", e não simplesmente gay ou lésbico. Sem falar dos documentários, retrospectivas de grandes cineastas e, last but not least, programas de curta-metragens que vão desde o experimentalismo até o mais divertido nonsense.

Com tanta variedade, montar a própria grade de filmes vai do gosto de cada um. Alguns vão atrás de atores gostosões; outros procuram temas de seu interesse (como a adoção de crianças por gays, o hedonismo desenfreado das circuit parties, os fetiches do mundo leather etc.). Mas algumas das boas surpresas do Mix estão reservadas justamente para os que se arriscam a olhar para fora de seu mundinho habitual e experimentam filmes que mostram outras realidades: de outros grupos sociais, de outros países ou até mesmo de outras épocas.

Nessa 15ª edição do festival, o que mais me encantou até agora foi um documentário de 20 minutos chamado 69 - Praça da Luz. Assinado por Joana Galvão e Carolina Marcowicz, ele investiga um universo que eu desconhecia completamente: o das prostitutas de meia-idade que fazem ponto no Parque da Luz, atrás da Pinacoteca do Estado, no centro de SP. Alternando trechos dos depoimentos de cinco dessas senhoras, o filme consegue ser ao mesmo tempo engraçado (as confissões dos gostos e taras dos clientes rendem momentos impagáveis) e comovente (ao mostrar o passado sofrido e o desencanto delas com os homens e o amor), sem jamais se render a fórmulas fáceis, muito menos julgá-las. Cada uma do seu jeito, são mulheres valentes que ainda batem um bolão.

69 faz parte do programa Competitiva 2, que mostra outros 4 documentários (dois deles muito interessantes), e terá mais duas exibições em São Paulo, antes de passar por Porto Alegre, Rio e Brasília.

5 comentários:

Alexandre Lucas disse...

O Mix Brasil de parabéns pela continuidade e você pelo post :)

Celso Dossi disse...

Como esse seu post é anterior ao longa filipino, não sei o que vc achou dele.
Eu achei muuuito bom.
Viu que atitude no final? hahahaah

hotspot_fortaleza disse...

Super Parabéns ao Mix



http://hotspotfortaleza.blogspot.com/

Marco Tulio Cicero disse...

Menino, adorei te encontrar lá no bristol. Foi bom o filme? A correria não tá me deixando ver nenhum, fazer o quê? Logo o YouTube dá um jeito!
Beijão!

[clebs] disse...

Confesso que ando ansioso para a estreia do festival no Rio, que nunca teve o burburinho e importância que tem em SP... Até lá, vale a sua dica, vale fazer a programação e vale todo esse oba-oba que o MIX faz....