terça-feira, 19 de agosto de 2008

O sobe-e-desce da Europa no verão

Qual a melhor época para visitar a Europa? Há controvérsias. Muitos não trocam o verão por nada. Mas também há quem não encare uma viagem ao Velho Mundo em julho ou agosto "nem morto". De fato, é na estação mais quente do ano que a Europa ferve - em todos os sentidos. No entanto, é preciso estar preparado para lidar com uma série de inconvenientes. Vamos colocar os prós e contras na balança.


UAU:

1) A EUROPA EM TODO O SEU ESPLENDOR. Convenhamos: com sol e céu azul, até um lugar como São Paulo fica muito mais bonito e fotogênico. No caso da Europa, o inverno deixa a paisagem cinzenta, triste e algo monótona - todos os cenários ficam com a mesma cara e não faz muita diferença estar na Bélgica, na Holanda ou na Áustria, por exemplo. Já o verão enaltece as peculiaridades dos diferentes países e regiões, valorizando o que há de mais bonito em cada um. Arquitetura, vegetação, moda, costumes locais, tudo ganha um novo sabor nesses dias em que o verde é mais verde e o azul é mais azul. E as fotos ficam lindas, claro.

2) OH HAPPY DAY! O calor é muito precioso para os europeus. Durante boa parte do ano, os dias são curtos e as temperaturas ficam bem abaixo da média a que estamos acostumados em nosso abençoado país tropical. Por isso, nos poucos meses que fogem a essa regra, todos ali parecem tomados por uma ânsia de aproveitar tudo ao máximo: trocam a habitual melancolia por uma revigorada alegria de viver, saem das tocas e ganham as ruas, praças e bares. Uma simples canga transforma qualquer gramadinho em praia improvisada, e o sol não se põe antes das oito (em muitos lugares, o dia ainda está claro até 21h30). Partilhar desse súbito alto-astral coletivo não tem preço.

3) É QUANDO TUDO ACONTECE. O crème de la crème da programação cultural e boêmia acontece no verão. É nessa época que rolam praticamente todos os festivais de música que importam, com música eletrônica, rock e os respectivos cruzamentos: Sónar, Glastonbury, Benicàssim, Reading, Creamfields (em vários países) e muitos, muitos outros. A cena gay primeiro se mobiliza em torno das Paradas do Orgulho, em junho, depois doura o bumbum em balneários como Sitges e Mykonos e ainda encontra energias para se jogar nos festivais em Barcelona. Em Ibiza, os superclubes Space, Pacha, Amnesia e Privilege recebem os melhores DJs do mundo, numa temporada pra lá de intensa que só termina no final de setembro. Difícil é dar um breque e não se jogar.

4) BABADO FORTÍSSIMO. Assim como você, os europeus também estarão em férias, cheios de charme e com um desejo enorme de se aventurar. Quem se joga no verão carioca conhece bem essa história: todo mundo está na pista para negócio, a fim de mostrar o corpo (previamente preparado, bien sûr), conhecer gente nova, acasalar, viver o momento intensamente. O babado é ainda mais forte se tiver algum evento especial para atrair mais gente (com o Circuit Festival, Barcelona virou um verdadeiro Carnaval gay). Se você quer voltar para casa cheio de histórias para contar (ou abafar...), não tem jeito: the time is now.

UÓ:

1) FILAS, FILAS, FILAS. Se há uma forte razão para fazer você repensar uma viagem nessa época, a razão é esta: a bombação de turistas transforma a Europa num interminável martírio de filas e mais filas. Nas atrações mais importantes, como a subida à Torre Eiffel em Paris e à cúpula do Reichstag de Berlim, a espera no verão dificilmente leva menos de duas horas (e, numa viagem de turismo, pode apostar: você pegará várias filas por dia). Para entrar nos clubes mais incríveis (Space de Ibiza, Berghain-Panorama), também é preciso ter muita paciência (no Berghain, a fila é enorme em qualquer época e o staff barra eventuais furões). Restaurantes com espera monstro e praias lotadas completam o cenário - e fazem você passar a valorizar a primavera.

2) O CALOR COMO INIMIGO. É óbvio que quem decide viajar no verão está predisposto a viver - e aproveitar - o calor. O que nem todos levam em conta, porém, é que bater perna e fazer o circuito de passeios e atrações turísticas com o sol a pino não é nada fácil (sem falar que a luminosidade do meio-dia "estoura" as fotos). Em localidades como a região central da Espanha (Madrid, Andalucía), as temperaturas freqüentemente passam dos 40 graus - em Sevilla, às 21h os termômetros ainda marcam inacreditáveis 36ºC. O jeito é fazer uma siesta compulsória ou se enfurnar em lojas até o sol dar uma trégua, ainda que com isso se perca um tempo precioso.

3) O CUSTO VERÃO. Desfrutar os raros dias de sol e dar pinta cas bunita tem seu preço. A brincadeira sai mais cara já no Brasil, na hora de providenciar passagens e pacotes. Afinal, o verão europeu bate com nossas férias escolares de inverno, portanto os operadores de turismo daqui praticam preços de alta temporada. Chegando na Europa, é nítido que tudo encarece devido à alta da demanda local, de simples picolés e refrescos até o preço da hospedagem - hotéis, pousadas e albergues trabalham com três tabelas diferenciadas, conforme a época do ano.

4) CHIUSO PER FERIE. Todo mundo tem direito a aproveitar o verão. Incluindo quem trabalha nos melhores lugares - justamente aqueles que constam como obrigatórios no seu roteiro. Por isso, não se espante: você poderá dar com a cara na porta onde menos espera - até a Berthillon, sorveteria mais venerada de Paris, se dá ao luxo de fechar as portas para férias em pleno verão. Felizmente, consegui garantir (no último dia de funcionamento) minha saborosa bola de praliné au citron. Mas não tive a mesma sorte na Colette (a descoladíssima loja estava em reforma, bah!), nem no concorrido Pinotxos, que serve as melhores tapas de Barcelona e é freqüentado pelo chef-estrela Ferran Adrià.

[Fotos: a prefeitura da sempre irreverente Barcelona criou uma campanha com valentes super-heróis que combatem o lixo e defendem a praia da sujeira].

8 comentários:

Clebs disse...

Eu acho que o seu signo só pode ser Libra... hehehehe!

O meu verão europeu foi maravilhoso, realmente tudo fecha e é normal encontrar recados nas portas avisando que o estabelecimento só voltará a funcionar em meados de setembro! O Europeu em média foge das grandes cidades...Paris estava vazia de franceses quando cheguei! Já Londres é impossível ficar vazia e mesmo no verão, peguei um clima estranho típico inglês que parecia muito o frio bizarro que faz no Rio no inverno....

Não pode-se esquecer que tudo florece e as cidades ficam lindas!! Bruxelas estava um canteiro de flores e mais fofa do que qualquer outra cidade...E sim, qualquer canga vira praia, mesmo em Amsterdã onde o povo ADORA uma praça ou parque....será que é por causa da lei que libera o sexo!?? hehehehe.

O bom de você ter ido para a Europa no mesmo momento que eu é reviver lembranças comprovadas....hehehehe!

Bjon

Anônimo disse...

fico impressionado com a riqueza de detalhes em seus posts...isso sem falar na subjetividade para descrever os lugares, as pessoas, o clima!!! uau!!!
pq vc não faz igual a "Carrie Bradshaw", organiza todos os seus posts e lança um livro!?
EU CERTAMENTE IRIA NA NOITE DE AUTOGRAFOS, rsrsrs.
abs, Alex

Estefanio disse...

Anotei tudo na minha agenda da Barbie!
Achei digno lembrar de mim logo na hora do Sagat! haha
Bjon

Pegante disse...

sempre ótimos seus comentários.
mas fico do lado dos contras.
Europa é para ir em junho (talvez maio) ou então setembro.
No inverno, só para masoquista, pois andar o dia inteiro no frio tb é um saco.
Não se pega o calor, tb não se passa frio (a não ser que seja carioca ou do nordeste), não tem fila... e as grandes cidades funcionam a pleno vapor. Nada de coisas fechadas, de clubes terem migrado para o mediterrâneo.

Antonio disse...

Vou imprimir tudo isso quando sair de férias novamente!! Utilidade Pública!!ADORO!!
:)

Lindinalva Zborowska disse...

Sorry, Thy, mas o verão europeu não é "quando tudo" acontece não. A Berlin que vc conheceu ferve muito mais do outono à primavera. Se vc gostou, volte no inverno, que agora as bilús berlineneses estão em Ibiza, ilhas canárias, e Mykonos. Ninguém vai fazer pegação no Tiergarten quando está -5C (quer dizer... tem as loucas plus plus plus), mas toda a programação cultural de exposições, concertos, óperas, galerias, e tudo mais que seja indoor é feito no outono/inverno. Ninguém fica em casa não viu fio!! Vá a Kopenhagen em fevereiro e vc entenderá o que estou falando. Abstraia seu olhar tropicalizado e tente entender uma cultura com estações bem demarcadas. Um beijo e me liga, fio!! SMACK!!

introspective disse...

Lindi amiga, eu não sou que nem você, que nasceu em Praga e foi criada em Berlim (né?), por isso meu olhar é tropicalizado mesmo! Eu sou brasileiro, fia! Beijo!

Luís disse...

hahahah
adorei as fotos da protectora e do salvador! tirei umas do tótem da maravella: "eh! residu, on vas?"
saudades déja...