sábado, 16 de agosto de 2008

10 razões para incluir Berlim no seu próximo giro europeu

Quando se pensa em ir à Europa, os primeiros e mais óbvios destinos costumam ser Londres e Paris. A Espanha também é muito procurada: o clima agradável, a receptividade dos nativos, a culinária e a vida noturna são um denominador comum com o gosto dos brasileiros. Por outro lado, poucos se lembram de Berlim. A cidade não chega a ser underground, tem lá os seus ícones, mas eles não têm tanto apelo para as massas como uma Torre Eiffel ou um Coliseu. Melhor assim: lá você encontra pessoas que estão atrás de coisas bem mais interessantes do que apenas fotografar cartões postais. Aqui vão alguns dos encantos da capital alemã.

1) UMA TRAJETÓRIA PECULIAR. Berlim é a única cidade do planeta que foi atravessada por um muro e dividida em dois mundos completamente diferentes, um capitalista e outro socialista, sintetizando o cenário geopolítico do período conhecido como Guerra Fria, do qual ela esteve no epicentro. Derrubado o muro, coube a Berlim se reorganizar em busca de uma nova unidade - sem esquecer os importantes acontecimentos que protagonizou. A ascensão do Reich nazista, o holocausto judeu, a ocupação pelas tropas aliadas e o próprio muro, tudo está imortalizado em museus e memoriais, numa verdadeira aula de história in loco.

2) O CONTRASTE ENTRE O ANTIGO E O SUPERMODERNO. Berlim tem seu eixo monumental, com o Portão de Brandemburgo [primeira foto do post, ícone maior da cidade], a Ilha dos Museus [ilha dentro do rio Spree, é o berço da cidade e reúne oito museus e edifícios históricos] e belos bulevares como a avenida Unter der Linden. Por outro lado, com a reconstrução após a queda do muro, a cidade deu à luz construções moderníssimas, especialmente na região da Potsdamer Platz, que ficou com jeitão de metrópole norte-americana high tech. A síntese desse contraste está no Reichstag, o prédio do Parlamento europeu: em cima de seu "corpo" clássico foi construída uma cúpula ultramoderna [foto ao lado], de onde se tem uma vista absurda da cidade.

3) PRIMEIRO MUNDO DE VERDADE. Algumas capitais européias têm zonas inóspitas e perigosas, trânsito caótico, sujeira, focos de tensão étnica. Num certo país povoado por carcamanos (dos quais sou descendente), a bagunça lembra o Brasil e não se pode descuidar dos pertences nem um segundo. Já em Berlim, tudo funciona às mil maravilhas. Para uma cidade de seu porte, ela é limpa, organizada e bastante segura. Uma questão de riqueza (táxi lá é só Mercedão, com GPS e o escambau), mas também de mentalidade. O metrô não tem bilheteria nem catracas (você mesmo emite, paga e valida seu ticket), e pergunta se algum espertinho usa sem pagar? Se implantássemos esse sistema aqui, em dois meses o Metrô iria à falência.

4) O CHARME DOS BAIRROS DO ANTIGO LADO ORIENTAL. Com a queda do Muro e a abertura da antiga Alemanha Oriental para o capitalismo, os bairros do leste se modernizaram, uns de forma mais agressiva e mainstream (o Mitte, que rapidamente abraçou nomes como Diesel e Haagen-Dazs), outros de um jeito menos asséptico e mais genuíno (Prenzlauer Berg [foto ao lado], que foi urbanizado pelos próprios moradores e eu comparei no outro post a um "Leblon soviético"). O melhor jeito de explorar esses bairros é alugar uma bicicleta (7 euros por quatro horas ou 10 pelo dia inteiro) e sair descobrindo os lugares fofos e descolados que aparecerem pelo caminho.

5) PREÇOS SIMPÁTICOS. Berlim é um alívio para bolsos castigados pelos preços astronômicos de Londres e Paris. A surpresa de encontrar um restaurante vietnamita descolado, fervido e delicioso fica ainda melhor quando você vê que os pratos custam apenas 7 euros. E as compras são boas. A cidade não chega a ser um paraíso dos sacoleiros, mas tem tudo o que você possa precisar, com direito a uma "Champs-Elysées local" (a avenida Kurfürstendamm), uma filial das célebres Galeries Lafayette de Paris (na Friedrichstrasse), a KaDeWe (loja de departamentos que é um templo do consumo berlinense) e lojinhas modernas e cool no Mitte e em Prenzlauer Berg.

6) UMA CIDADE DE PIQUE JOVEM. Berlim tem atrações para se visitar e fotografar, mas é menos procurada por turistas tradicionais do que outras capitais. Ou seja, você provavelmente não vai ouvir "benhê, vamu na Lafayette de novo?" enquanto pega seu metrô. Os visitantes da cidade são em geral pessoas jovens, interessadas em explorar as baladas, a cultura de rua e o lado alternativo da cidade. Isso dá um outro pique a Berlim, principalmente no verão.

7) TOLERÂNCIA E DIVERSIDADE. Nenhuma capital preza tanto a individualidade como Berlim. Aqui, ninguém cuida da vida dos outros. No Tiergarten, principal parque da cidade, um casal pode esticar uma toalha na grama e deixar suas partes pudendas dourarem sob o sol sem atrair a atenção dos passantes, muito menos da polícia ou das emissoras de TV. Durante o dia ou à noite, as pessoas se vestem dos mais variados estilos, dispensando rótulos, sem a preocupação de serem classificadas em tribos. Você pode ser, parecer e preferir o que quiser. "Viva e deixe viver" é o lema.

8) TRÊS VEZES GAY. Óbvio que uma cidade tolerante como Berlim não poderia deixar de acolher as bees - o próprio prefeito, Klaus Wowereit, saiu do armário com a maior naturalidade. Mas ela não economizou: na falta de um núcleo gay, há três. Neles, você pode encontrar cafés, restaurantes, lojas, cruising bars, uma livraria GLS enorme e completíssima (com títulos em alemão, inglês e francês) e os melhores sex shops de toda a Europa. A diversidade impera, mas chama a atenção a quantidade de trintões e quarentões gostosos, bem-resolvidos e always ready for the action: em Berlim não existe uma idade-limite para aparecer socialmente e ser desejável, como no Brasil.

9) UMA VIBRANTE CENA ELETRÔNICA. A relação de Berlim com a música eletrônica não é nova: basta lembrar que foi lá que nasceu o grupo Kraftwerk, com seus teclados, terninhos e sonoridades completamente visionárias para os anos 80. Hoje em dia, a cena alemã continua antecipando tendências: um exemplo disso é o clube Robert-Johnson, de Frankfurt, que não divulga os nomes dos DJs escalados para cada noite, mas somente trechos de seus sets, para que o público valorize apenas a música (quer algo mais moderno do que isso?). Berlim tem um excelente circuito eletrônico, do qual fui conhecer dois endereços. O Watergate é um clube bem bacana, que eu mais do que recomendo, mas o bafo do bafo do bafo foi mesmo o inesquecível Berghain-Panorama, sem dúvida alguma o segundo melhor clube a que eu fui na vida (só perdeu para a Space de Ibiza). Claro que essa experiência vai ser relatada num post próprio.

10) LAB.ORATORY, O MELHOR PLAYGROUND ADULTO DO MUNDO. Se o Berghain-Panorama é o must do must em termos de balada, quando o assunto é sexo entre machos Berlim tem uma infinidade de opções, mas é no Lab.oratory que a onça bebe água (ou o que ela preferir beber, hehehe). Esse também será assunto para um post em separado (e dos grandes), mas só para adiantar: imaginem uma usina termoelétrica desativada transformada em um playground do sexo. Um lugar perdido como a Terra do Nunca, onde homens lindos e fogosos se livram de suas inibições (inibições? em Berlim?!) e vão brincar como crianças, felizes feito pintos no lixo (essa expressão carioca não poderia ser mais apropriada!). Um bafo fortíssimo, mas com um clima maravilhoso. Definitivamente, o melhor lugar de pegação a que eu estive no mundo (sei que tenho feito esse tipo de comparação com freqüência, mas o que posso fazer se a viagem foi cheia de lugares the best?). Aguardem o post completo em breve.

12 comentários:

Ivo disse...

Comme d´habitude, o máximo! Fiquei com vontade de ir.

Lia disse...

Amei seu post! Berlim é tudo isso mesmo que vc falou e mais um pouco. É por isso que nao quero mais sair daqui. E o Berghain é muito bafo. Voce chegou a ir ao Schwuz? Bjs

Anônimo disse...

sou outro fã incondicional de berlim.
foi a última grande cidade européia que conheci. mas foi amor (e putaria) à primeira vista.
toda viagem que faço agora, dou um jeito de encaixar berlim.
excelente para o turismo tradicional (muito museu, cultura, palácio), preços ótimos sendo Europa Ocidental e uma putaria de primeira - sem vestígios do carão tão predominante nas terceiro-mundistas SP e RJ.
lab-oratory é tudo de bom.. berghain tb.. e ainda tem muitos outros, não se fica entediado jamais em berlim!
já o schwuz que comentaram aí em cima, achei bem fraquinho.
parabéns pelo top 10 de berlim, srrssr.

camille disse...

Ola,
Passei para dizer que adorei te conhecer. Este post deve ser o maximo e vou ler com calma mais tarde. Ai vai o endereço do meu blog: cameliadepedra.blogspot.com
Beijos,
Camille

Anônimo disse...

...FUI A BERLIN.....DEU TUDO ERRADO....MAS SENTI QUE FOI UMA FATALIDADE E ESTOU LOUCO PRA VOLTAR E PAGAR ESSA MATERIA DENOVO.
GATO....TU TA ARREBENTANDO ....BREVE TU VAI BOTAR ZECA CAMARGO NO GELO....LOVE V

deco disse...

Muito bacana o post. Daqueles de guardar para depois ser usado como guia ou referência. Como já fiz com os de Salvador e o farei com os de Bs.As.Só uma ressalva.Catraca no metrô nem sempre é sinal de atraso.Só para citar: ela existem em Barcelona,Londres e NYC entre tantas outras cidades .

Lindinalva Zborowska disse...

Que bom que vc se rendeu aos encantos de minha cidade, e se deu bem mesmo sem falar alemão. O Swutz é o ponto das quá-quás de Berlin. Não perdeste nada. Um beijo e me liga, fio!!

Clebs disse...

Com um relato, ou seria um pré-relato, desses, impossível não ter vontade de visitar Berlim...fiquei babando. Mas fica para as outras férias. Certeza que serão aproveitadas de perto com seu mini-guia!!!

Bruno Lex disse...

To indo estudar 6 meses em portugal no próximo mês, conhecer berlim já estava nos meus planos, mas agora ela passa na frente de diversas cidades como prioridade.

Leo Lazzini disse...

e ae bonitao!! soh pra marca presença ;)

Anônimo disse...

Thiago,

Passando por aqui para agradecer as dicas de berlim... foi um máximo! segui à risca, descobri outros lugares bacanas e pra coroar a viagem me apaixonei pelo cara que certamente é o homem da minha vida! Definitivamente apaixonado pela cidade!

abs,
caio

Fernando disse...

Tiago,

Berlim é cidade que se gosta depois de se insistir muito. Ou antes de viajar, pesquisar bastante. Porque putz, o cidadezinha fácil para se enfiar em buraco.

Ok, eu faco intercambio em Hamburgo - o lado "playboy/eu tenho dinheiro/eu sou a elite"-liberal da Alemanha (como eles dizem aqui, emergente e caipira é Munique). Gostou de Hamburgo, é foda gostar de Berlim: Hamburgo consegue ser a segunda maior cidade do país, e com certeza a mais organizada, segura e limpa das grandes. E é bonita também. :)