quarta-feira, 10 de junho de 2009

Um parto prematuro (e desastrado)

No ano passado, a revista DOM foi às bancas às vésperas da Parada Gay com um guia de bolso, o Kit Parada DOM, feito por mim e por Marcos Costa, com a agenda das melhores festas, endereços de comes, bebes e pegações, e mais uma porção de dicas úteis para as pessoas aproveitarem. Neste ano, a Junior resolveu copiar a ideia: quem comprar a edição número 11, lançada ontem, leva de brinde um guia para a Parada. Assim que li a notícia no Mix Brasil, portal de notícias do grupo que edita a revista, fui garantir meu exemplar na banca - como, aliás, fiz com todas as demais edições, desde que a revista foi lançada (ok, minto: o número 10 eu ganhei de presente).

A essa altura do campeonato, já assimilei bem a proposta de cada uma das revistas gays do mercado, suas virtudes e suas limitações. Por isso, sei bem o que esperar de cada uma delas quando entrego o dinheiro ao jornaleiro. Acho que o Brasil hoje tem potencial e espaço para ter uma boa imprensa gay, existe uma abertura e também uma demanda por isso, pelo menos nos grandes centros. É tudo questão de formar um mercado consumidor, e também de reunir boas cabeças: gente culta e preparada, que saiba o que é uma revista e o que está fazendo ali. Ainda estamos verdes, falta ousadia e um bocado de substância, mas quero acreditar que dá para chegar lá. Enquanto espero, faço questão de continuar comprando, ajudando e prestigiando: solidariedade LGBT é isso aí. Mesmo assim, com toda a condescendência possível, com toda a vontade de gostar de tudo o que eu leio, fiquei decepcionado com o tal Guia Junior.

Não vou falar dos erros de português (especialmente concordância) que sempre aparecem na revista, porque hoje entendo que o leitor médio da Junior nem consegue perceber essas coisas, portanto não se incomoda. Mas dessa vez as derrapadas foram menos sutis: o Guia tem pérolas como "comindinhas", "brincandeira", "instrasitável", "logevidade", "pool pary", "eletrõnica", "doungeun", "enderçeo", "qunado", "nortuna". Desculpem, queridos, mas revista não pode ter esse tipo de coisa. Pô, eles têm pelo menos um jornalista que sabe escrever, que é o Hélio Filho. Se não dava pra colocarem o fofo escrevendo a revista inteira, custava terem contratado um revisor? Na pior das hipóteses, usar o corretor do Word já pouparia uma parte dos micos.

A outra parte dos micos também seria evitada com revisão, essa palavrinha que faz parte da rotina de qualquer veículo jornalístico profissional. Dos quatro hotéis indicados, três saíram com o mesmo endereço - que não é o correto de nenhum deles, e sim o do bar Farol Madalena! Será que vai chegar muita gente no bar das meninas pedindo um lugar para dormir? Com a sauna Wild, foi pior: saiu com o endereço da SoGo (que aparece logo antes) e ainda com o telefone "00 0000-0000". Pega mal, fofitos. Como é que os turistas poderão confiar em um guia em que todas as indicações podem ter sido coladas no lugar errado?

Isso sem falar na seção de festas da parada, que tem cara de coito interrompido. Eles dão quatro indicações de festas na quarta, quando muita gente ainda nem chegou em SP, e apenas uma no sábado, justamente o dia mais bombado?! A GiraSol pode até ser a favorita de muitos, mas claro que tem muito mais coisa rolando na cidade. Não adianta dizerem "você que não viu no título que eram festas off-clube", porque todas as festas listadas na quarta são dentro dos clubes. Fica parecendo que aconteceu alguma coisa no meio do caminho (ou entrou um anúncio na página seguinte e o espaço encolheu, ou acabou o prazo para fechar) e eles simplesmente decidiram interromper a seção onde estavam, e tchau. Nem se deram ao trabalho de remanejar as festas para deixar a coluna equilibrada.

Enfim, a impressão que fica é de um trabalho feito nas coxas, às pressas e sem o menor cuidado. O leitor está pagando para ler um material inacabado, cheio de falhas, que nem sequer foi conferido! Isso é mais do que amadorismo: é desleixo puro, descaso mesmo. É algo que depõe totalmente contra - para fazer desse jeito, seria melhor não ter feito o guia. Depois dessa, fiquei até com medo de abrir a revista. O que mais será que eu posso encontrar lá dentro?

Antes que comecem a encher meus comentários com chochos e bobagens, já vou logo dizendo que não fiz este post por despeito, inveja, mágoa-de-cabocla ou qualquer coisa do tipo. Também não é gongo maldoso de quem joga no time concorrente. Escrevo estas palavras não na qualidade de colaborador da DOM, mas sim como leitor da Junior. Como um consumidor que quer que a revista melhore e valha o dinheiro, antes que ele perca a paciência e desista dela. São críticas construtivas, que estou dando a eles de presente, de lambuja - e nem sei se eles merecem, pelo tanto que são pretensiosos, arrotando caviar nos editoriais como se fossem protagonistas de uma nova revolução cultural. Se admiram tanto a Têtu, como vivem dizendo por aí, deveriam aprender mais com ela e se tornar menos amadores (e mais humildes). E com isso, certamente me ajudarão a continuar comprando a revista. Enquanto isso, o post vale como conselho para meus leitores: se for só pelo Guia Junior, economizem o dinheiro da revista e confiram o mesmo material, de graça, nas matérias no Mix Brasil. Pelo menos no site eles ainda têm a chance de corrigir as coisas que escrevem errado...

16 comentários:

Paparazzo Campinas disse...

Meu amigo, eu tenho pavor de erros deste naipe.
Se eu fosse ficar em Sampa, eu iria comprar a revista.
Mas mudei meu rumo do feriado e da compra da revista.
heheh
Abração

S.A.M disse...

Em breve teremos uma consolidação do mercado de informação gay e espero que até lá, este tipo de coisa esteja pro passado.


Como diria um amigo: Ai Brasil!

whateveeer disse...

Foda =/

Anônimo disse...

será que o Andre "Fischer-Price" vai se pronunciar sobre isso???

abs,
Alex Bez

Tony Goes disse...

Passei só uma vista d'olhos no guia da "Junior" e gostei: vi que todos os lugares que importam estavam lá, e não senti falta de nenhum. Mas não li com atenção, e essas falhas que você apontou são imperdoáveis.

A revista em si está muito boa. Tanto ela quanto a "Dom" melhoraram muito, estão cheias de matérias interessantes. Acho que o mercado editorial gay está amadurecendo, a ferro e fogo, mas amadurecendo.

Você colaborou na nova "Dom"? Estou curioso para ler.

Ah, e parabéns pelo pioneirismo da foto que ilustra o post: deve ser a primeira vez que um blog gay estampa a imagem de uma xoxota arreganhada... rs

Manoel Jr disse...

Ofensa ao "indioma" é fato constante. Se no trato da língua a marcha é assim enquanto a apuração e checagem não devem ser diferentes, dá vontade de ler revista assim? Sem o menor veneno, custa quantos VIPs para aparecer no roteiro? Se eu fosse dono de casa ou promoter de festa, iria ao PROCON reclamar. Ou não deveriam, como preço a pagar pelas produções caça-níquel que muitas vezes oferecem por um preço anos-luz além do justo.
Honestamente neste momento existem os bons blogs como refúgio ou frente de combate ao mau jornalismo, se é o caso de enquadrar a publicação nisso.
Fica sempre a pergunta: o MixBrasil é o maior portal por uma certa dose de pioneirismo ou por qualidade? Porte por porte, tem muita página de gente vista por outro como "metida a escrever" que dá banho. Confetes a parte, seu roteiro de 2008 para ser direto e enxuto.
Não se assuste se o miguxês chegar ou virar moda de vez. É provável de que tantos erros sejam sim um sintoma da dificuldade em sair da coloquialidade medíocre e vazia ao se aventurar no impresso, corroborando a máxima de que papel aceita qualquer coisa. Felizmente eu não sou papel.

R. paschoal disse...

Decerto, a pressa em colocar a revista nas bancas contribuiu para estes lapsos. Um pena, já que poderiam primar pela perfeição.

Abraço!

isadora disse...

Erro de digitação e concordância não dá. Sei que acontece, mas tem coisa que abusa da nossa paciência.

Agora a foto... Thi, só percebi que o bebê estava nascendo mesmo depois do comentário do Tony. Antes, tinha olhado rapidinho, só registrei mentalmente os cabelinhos da criança. Confesso que deu uma certa aflição - não estou acostumada a ver essa parte da anatomia feminina desse ângulo!

Beijo!

uomini disse...

O pessoal pensa a mídia escrita com a mesma falta de cuidado que é aceitável(?) na net (podemos voltar e corrigir, corrigir, corrigir...).
Acho que sua crítica foi um presente e tanto para a Junior. Eles entenderão o toque se forem espertos!

Adriano Queiroz disse...

Li as duas primeiras edições e não gostei. Acho o conteúdo fraco.
Tenho um perfil no twitter que divulga post de blogs que abordem o tema LGBT.
Divulguei o seu lá.
Se tiver indicações de post e blogs interessantes, pode me mandar e-mail.
Obrigado.

E-mail: lgbt_blogs@gmail.com

twitter.com/LGBT_Blogs

Abraços.

MM disse...

Xunior é uma indigência. E DOM parece NOVA. Mas o leitor não nota nem uma coisa nem outra. Com um cenário desses vc realmente acredita que alguma coisa melhore na "imprensa gay" (se é que isso exite)? Acredito que não.

Diógenes de Souza disse...

Thiago, eu lei as duas sempre que posso e, na boa, sua crítica é muito propícia! Ambas tem muito a melhorar, se pensarmos numa coisa mais ativista, mas acho que só por existirem já têm grandes méritos.

Na Junior do mês passado, entretanto, havia um erro grotesco de digitação no título da matéria sobre o Lampião da Esquina. Muita falta de cuidado,a inda mais pelo dead-line deles.

Um amigo meu diz que o sonho da Junior é ser a Têtu. Sonhar não paga, né?

Marcelo disse...

eu queria ter essa solidariedade glbtzxy... mas não dá para ler essas coisas. Tentei ler essas revistas, mas só consegui ver. fotinhos e mais fotinhos.

Aqui no sul, sempre tentamos ir a um restaurante gay, ou bar, mas não tem. andamos loucos para ser solidários, mas o pessoal dificulta!

Anônimo disse...

A REVISTA DOM TB TEM ERROS DE PORTUGUES GROSSEIROS, QUE ISSO SIRVA PARA AS DUAS.

Denis disse...

Eçelente testo. Bom saber ki, + gente alem de nos revisores, estão atentos nos herros de portuges. É 1 falta de vergonha na kra qundo vc compra alguma revista xeia de erro.

Renato disse...

Eu tb já vi erros grotescos na Júnior, como a mesma palavra com grafias diferentes na mesma matéria. Acho amador e certamente é um critério de exclusão já que não compro todas as revistas.