segunda-feira, 9 de novembro de 2009

72 horas em Natal

EM FASE DE CRESCIMENTO
Pequena, limpa e segura (especialmente em comparação com Salvador e Recife), Natal ainda é pouco verticalizada e não tem cara de metrópole, mas de "cidade de praia". Tem apenas 800 mil habitantes e vive do turismo - que chega ao auge em dezembro, com o Carnatal, maior micareta do país. Deve crescer bastante nos próximos anos, com um incipiente boom imobiliário e investimentos para a Copa de 2014, que incluem a construção do maior aeroporto da América Latina. O sol nasce e se põe cedo: às 6h, já dá para ir à praia, e pouco depois das 17h já está completamente escuro e a lua brilha no céu (!). Como a cidade é espalhada e cortada por grandes avenidas, o turista precisa de carro o tempo todo - especialmente se ficar hospedado na Via Costeira, que alinha os hotéis mais novos e de maior porte.

AL MARE
Ponta Negra é a praia urbana mais famosa de Natal. No canto direito (emoldurado pelo Morro do Careca), existe um centrinho urbano meio bagaceiro, que lembra o Porto da Barra, em Salvador; ali, a presença gringa é constante. No canto esquerdo, a orla é menos muvucada e mais residencial; a moçada fica na altura dos quiosques 20 e 21, em frente ao Manary (hotel charmoso e friendly, com um ótimo restaurante). Ponta Negra é essencialmente uma praia de turistas: o natalense (que é bem menos praieiro do que os nordestinos de outros Estados) prefere ir para Redinha, na zona norte, ou para Cotovelo, Pirangi e Búzios, que ficam fora de Natal, no caminho para Pipa.

HAPPY PIPA
Aliás, uma esticada até Pipa, vila charmosinha uns 80km ao sul de Natal, vale muito a pena. A praia do centro é meio farofa: o belo visual é poluído por uma profusão de mesas e cadeiras de plástico, ocupadas por famílias em pacotes turísticos. Prefira a Praia do Amor, à direita (dá para ir andando, se a maré não estiver cheia): mais rústica, com espreguiçadeiras, reúne o povo jovem e bonito do pedaço. Para quem quiser ficar em Pipa (e estiver com o orçamento folgado), duas dicas top são a pousada Toca da Coruja e o restaurante Camamo, nova casa do chef do fantástico Beijupirá, de Porto de Galinhas. Se, por outro lado, você preferir relaxar em uma praia realmente low profile, troque Pipa por Galinhos, 150km ao norte de Natal.

BUGUE-WOOGIE
O passeio mais típico é feito a bordo de um bugue e toma um dia quase inteiro. O circuito começa nas lindas dunas de Genipabu (onde os mais empolgados fazem passeios de dromedário, com direito a turbante na cabeça e foto-recordação). O toque de aventura fica por conta do bugueiro, que sobe e desce as dunas em alta velocidade, fazendo manobras bruscas, especialmente se o turista pediu o passeio "com emoção". Nas próximas paradas, mais esportes radicais: esquibunda (descer uma longa duna sentado em uma prancha, caindo na água) e aerobunda (aqui, você despenca na água a partir de um teleférico improvisado). Antes de voltar para Natal, escala para almoço num desses restaurantes industriais para o turismo de massa. A real: as dunas são lindas e os 'esportes' são divertidos, mas... o que na primeira vez é novidade, numa segunda já se tornaria um programa de índio.

ENCHENDO O BUCHO
Tive excelentes surpresas no capítulo gastronomia: restaurantes grandes, vistosos e com preços camaradas, transitando entre o regional e o internacional. O que mais me impressionou foi o Camarões Potiguar, tão bom que visitei duas vezes (em apenas três dias de estada). Os pratos de camarão custam R$55 e servem duas pessoas; entre tantas opções, o Creme Shiitake e o Fondue são imperdíveis. Outro que não pode ficar de fora é o Mangai, um bufê regional gigantesco, divino, que coloca o Parraxaxá de Recife no chinelo. A carne de sol com natas é deliciosa, e a mesa de doces é uma afronta. Na churrascaria Tábua de Carne, você come um macio filé mignon de sol com acompanhamentos típicos e ganha de brinde uma bela vista panorâmica. Para algo menos típico, duas pedidas são o badalado Temaki Lounge, que investe nos sushis com toques fusion, e o versátil Guinza, que serve culinária japonesa e internacional. Os sucos do Mangaboo e os doces da Daguia Tortas Finas estão entre os melhores da cidade.

PUSSYCAT FORRÓ
Sabe qual é a música típica de Natal? Beyoncé, Pussycat Dolls... em versões forró, é claro. O hit da hora é uma versão de "Angel", do Jon Secada, que toca a cada cinco minutos; acho que cheguei a ouvir "Halo" (Beyoncé) com duas letras diferentes. Na balada, saem os DJs e entram as bandas: são elas as atrações das casas mais concorridas da cidade, como o Decky e o Sargent Pepper's (que tem programação na linha pop-rock e é tido como um dos melhores "esquentas" de Natal). Mesmo na principal boate gay, Vogue Natal, a pista de tribal-bate-cabelo (mal equalizado, distorcido, de agredir os ouvidos) é menos animada do que o ambiente com música ao vivo. A Vogue divide as bees com o Feitiço, outro espaço para shows dominado pelo público GLS. O único endereço que aparentemente tinha uma proposta mais eletrônica, o incrementado Crystal Club, acabou fechando as portas. O jeito é aprender a cantar "Halo" em português.

O LADO RUIM
Como nem tudo são flores, quem quiser se engraçar com os nativos precisa de muita paciência. Se em todo o Nordeste a cultura machista/ patriarcal deixa os gays acuados, em Natal o problema se agrava, porque todo mundo se conhece e morre de medo de se expor. Caçar pelo Disponível ou Manhunt? Choverão mensagens (sempre te chamando de "brother"!), mas 99,9% dos perfis mostram só o pipi e o popô - e marcar encontro com uma mula-sem-cabeça local pode gerar grandes sustos. Na balada, não é menos complicado: os caras te olham por horas, mas nunca tomam uma atitude; você faz a abordagem, o cara fica sem jeito e, meia hora de papo depois, você vê que a coisa não deslancha nunca. Isso se algum conhecido seu não vier te cumprimentar e o cara praticamente sair correndo, branco como papel, porque você conhecia alguém ali. Ou você fica com algum outro turista, ou faz a linha marginal e cai no perigón da pegação noturna de Ponta Negra, ou se contenta em provar os sabores da culinária.
[FOTOS: Morro do Careca, em Ponta Negra, símbolo de Natal; Praia do Amor, em Pipa]

11 comentários:

FOXX disse...

descreveu natal mto bem
e é um natalense falando

Leo Maia disse...

Ô Thiago! E quando é que você vem aqui em Fortaleza? Garanto que vai gostar muito da cidade, pois tem o agito de Recife junto com a calmaria de Natal, sendo um meio-termo entra estas duas cidades nordestinas.
Me dá um toque se tiver previsão de vir por aqui, que terei grande prazer em ser teu guia na cidade!
Forte abraço e adoro teu blog!

Leo Maia (lmaia@hotmail.com)

Anônimo disse...

Thiago,
Ficou genial o relato: Natal é isso mesmo, tal e qual. Um dos melhores lugares do mundo para se morar, também, é bom que se diga.
Estamos sempre aqui te esperando. Oito dias depois da sua passagem relâmpago, rolou a parada Gay, vc teria adorado.

beto disse...

como sempre, vários de seus comentários são na mosca: adoro os restaurantes lá; os passeios perto de natal são muito bons, mas pra fazer 1x (uma dica: os passeios de buggy nas dunas perto de Natal são as melhores do Nordeste, ganha de longe dos perto de Fortal ou Aracaju); Pipa em si não vale como praia mas o entorno é lindo; não se pode ir à praia no horário Sudeste pois o sol acaba logo; ficar na Via Costeira é fria (só serve pra família com pacote e carro); a noite é péssima (mas quem vai pra Natal por causa da moite???)...
o boom de natal já está a todo vapor, a cidade dobrou de tamanho muito rápido.
sobre o lado ruim: vc está certo sobre o armário enorme que Natal é (como outras cidades do mesmo porte, em especial no Nordeste)... mas acho que vc deu azar. me diverti horrores toda vez que fui. e não foi nem com turista nem no perigón!
no resumo, adoro Natal, já fui 4x e sempre que acho uma passagem em conta, vou de novo.

Mel Oliveira disse...

hun, enfim, algo sobre Natal!
passei muitas ferias por la! tenho tios em ponta negra, a 500km metro do "morro do careca"! :D
vc nao conheceu o maior cajoeiro do mundo... mesmo sem caju, é interessante! rs

beijocas

Anônimo disse...

MEU DEUS...
Que ótima hora para ler essa crítica sobre a cidade. Estarei desembarcando lá dia 03 para o famoso CARNATAL.

Valeu pelas dicas rapaz...
To sempre por aqui...

Abração.

Fábio Lima

CriCo disse...

Já estive diversas vezes em Natal... aliás, conheci um dos meus grandes amigos lá, há quase 3 anos. Ía esse ano denovo lá, mas a viagem para o Oriente Médio saiu na mesma época... já viu né? mas ano q vem estou lá denovo. Desses restaurantes q vc citou, a-do-ro o Mangai, como de me fartar um bom aimpim frito com paçoca. tem uma pizzaria tb q não lembro o nome, e que foi eleita uma das melhores do Brasil. A de rúcula e tomates secos é um manjar dos Deuses! Esse lance das pessoas viverem em recluso é a mais pura verdade. tive um affair que era apresentador de uma televisão local q não podia ir a lugar nenhum gay por lá. sobrou pro meu amigo, que me levou no meu primeiro forró gay, dancei até a 2 lá(!)

Ailton Botelho disse...

advinhe onde estou agora? rsrs. fernnado manda bjos.

Diego Rodrigo disse...

sou de Natal, e vc conseguiu organizar meus pensamentos em palavras... a noite de natal é monotona e muito seletiva, quando vou a um pub por aqui, principalmente os do bairro de petropolis (mais frequentado pelos locais) praticamente se identifica quase metade das pessoas q estão na casa ( se não a conhecemos, sabemos ao menos onde mora, de qual é a familia, onde estuda, etc...) e nesses locais (a principio heteros) os kras te olham por horas e fikam cum vergonha se vc toma uma atitude...
os locai GLS não são bem visto (Nem frequentados) pelo pessoal de melhor renda, que em maioria, vive no armario

Lucas disse...

CAra, curti muito seu blog. PArabéns para suas intervenções e comentários. Sou da Bahia e estou indo pra Natal em Julho e muito me valeu seu relato.

Abção.

Anônimo disse...

humm...
interessante os comentários aqui...
vou pra Natal entre agosto e setembro, e o pior (ou melhor), sozinho!
Se alguém tiver alguma dica para os solteiros, meio seletivos tb e bem resguardados, será válida!
abraços!