domingo, 4 de abril de 2010

Atualizando Buenos Aires, parte 1: impressões gerais

A melhor época para visitar Buenos Aires é nos meses de meia-estação, como este. Em julho, o frio rigoroso exige levar peso demais na mala, e o aumento na demanda, provocado pelas nossas férias escolares, inflaciona os preços; o verão (incluindo réveillon e carnaval) é um mico, com um calor insuportável e a cidade chocha, porque todo o agito (gay inclusive) se transferiu para Mar del Plata. E por falar em calor, uma campanha maciça contra a dengue está bombando por toda parte; essa não é uma preocupação só nossa. Buenos Aires é cosmopolita até nos nomes das ruas: Billinghurst, Clay, Pringles, Fitz Roy, French, Pasteur, Voltaire, Jean Jaurès, Bonpland, Humboldt, Vidt, Boulogne Sur Mer... O Rosedal, trecho mais bonito dos Bosques de Palermo, está interditado ao público, infelizmente. Um efeito da invasão sem trégua dos brasileiros é que o português falado pelos vendedores, garçons, taxistas e atendentes em geral está cada vez melhor. Antigamente, eu ficava intimidado quando entrava nas lojas e era recebido por um segurança mal-encarado, controlando a porta para evitar furtos. Hoje, já levo tudo para o lado do fetiche: tem cada coisinha... Palermo continua sendo a melhor área para caminhar, com os restaurantes e lojas mais descolados. Para quem ainda não conhece, o "centro nervoso" fica entre as ruas Honduras, El Salvador, Malabia, Armenia e Gurruchaga. E quem sempre freqüenta vai perceber que, de um ano pra cá, muita coisa abriu, fechou ou mudou de lugar. Já no Microcentro, região da hotelaria mais tradicional e que recebe a maioria dos pacotes brasileiros, a sensação de decadência é incômoda. As calçadas estreitas e esburacadas de sempre ficaram ainda piores com a sujeira deixada pelos mendigos, que abrem e reviram os sacos de lixo à procura de comida. Mas os meus dois restaurantes do coração continuam sendo bem ali: o Broccolino, com os Sorrentinos Tony que eu sempre cito no blog, e o Filo, que parou no tempo em algum lugar dos anos 90, mas ainda tem uma onda ótima, uma pizza idem e uma relação custo-benefício fantástica. E a Plaza San Martín [foto] nunca vai deixar de ser meu cantinho favorito para aqueles momentos de introspecção, pensando na vida e curtindo a própria companhia. A muvuca da Recoleta aos domingos, por conta da tradicional feirinha, é um desafio para a paciência, especialmente quando você se jogou horrores no sábado e ainda está meio cansado. O tal "renascimento cool" de San Telmo, de que se fala há uns bons três anos, ainda não me convenceu. E o Hotel Axel de lá faz menos barulho do que o original de Barcelona - talvez pela localização no meio do nada, talvez pelo fato de os hóspedes serem em sua maioria casais de meia-idade norte-americanos (um povo não lá muito festeiro, não é mesmo?). Que tal dar uma boa relaxada, cuidar da beleza ou até fazer um Botox básico? Dizem que o Markus, primeiro day-SPA exclusivamente masculino de Buenos Aires, é um luxo só. Para fazer ligações telefônicas, os locutorios continuam sendo uma maravilha (pena que não existe isso no Brasil). Para quem insistir em usar o roaming do celular, TIM vira Personal, Vivo vira Movistar e Claro continua sendo Claro, que é campeã de reclamações também entre os argentinos. E alguém pode me dizer por que TODO filme argentino precisa ter o Ricardo Darín encabeçando o elenco? Não existe oficina de atores na Argentina, não? Aliás, dá pra comprar El secreto de sus ojos baratinho, em DVD original com encarte e pôster, em qualquer banca de jornal. Incomodada ficava a sua avó: ninguém precisa mais guardar US$18 na carteira para pagar a taxa de embarque do voo da volta. Desde maio de 2009, a taxa passou a ser embutida no valor da passagem, como acontece em qualquer país minimamente desenvolvido. E falando em aeroporto, que tal uma ponte aérea para Buenos Aires? Me contó un pajarito que em breve teremos voos diretos de Congonhas (!?) ao Aeroparque Jorge Newbery (o aeroporto doméstico deles, convenientemente situado dentro da cidade). Tudo de bom!

19 comentários:

Daniel disse...

Sério sobre essa ponte aérea? ano passado ou retrasado, a ANAC ou o Min da Defesa (sei lá quem) tinha extinguido todos os (poucos) voos internacionais que ainda existiam em Congonhas. Acho que eram poucos só pro Paraguai.

Aguardo o resto das impressões. Buenos Aires vai entrar para minha lista de viagens anuais, nem que seja uma escapadinha de final de semana.

Introspective disse...

Daniel: Sobre essa novidade, também fiquei surpreso... Seria mais plausível se fosse via Guarulhos, né (até pra gente não perder o duty free!). Se não me engano, os voos internacionais de CGH foram descontinuados no final dos anos 80. Não tinha nada de voo pro Paraguai não!

Fernando BSB disse...

Thi,

Como já havia lhe falado, essa maneira bem humorada que você desenvolveu para descrever suas impressões dos locais que visita, deveria ser patenteada.

(Ainda rindo muito dos seguranças das lojas -fetiche; e da falta de oficina de atores na Argentina kkkkkk).

Sobre a ponte aérea, infelizmente CGH perdeu seu status de aeroporto internacional em 2008 (se não estou enganado), então nada de vôos internacionais diretos para CGH. O que se sabe é que a Aerolineas, TAM, GOL, LAN, etc... voarão de AEP (Aeroparque) para os aeroportos internacionais para os quais já operam aqui no Brasil (GRU, GIG, CWB, POA, FLN e SSA).

Vou me juntar aos que aguardam as suas outras impressões para quem sabe uma nova viagem relâmpago a BsAs.

Abração,
Fernando

PS: Teremos impressões de BsAs "uomini mode ON"? ;-)

Introspective disse...

Nada como ter amigos bem informados! Obrigado pelas informações!

Respondendo ao seu PS: a parte 3 vai tratar do assunto sexo, sim. Mas eu acho que o "Uomoni mode" também é algo que deveria ser patenteado, pelo próprio Uomini! ;)

Daniel disse...

É verdade, CGH já não operava voos internacionais, mas em 2008 é que a ANAC rebaixou a classificação dele. achei a notícia aqui: http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL747861-5605,00-CONGONHAS+SO+RECEBERA+VOOS+INTERNACIONAIS+DE+AUTORIDADES.html

acabei de confirmar com mamá que já existe esse vôo entre Galeão e Aeroparque Jorge Newbery pela Aerolíneas.

Mas só vale a pena para o voo de ida. Para o voo de volta, é melhor voltar por Ezeiza mesmo para aproveitar aquele Free Shopzão tentador de lá. Comprar no free shop da ida é bobagem, mas no da volta é tentador.

Aliás, mostrei essa atualização para minha mãe e ela concordou com suas observações. Apesar de eu ter ido depois da última visita dela, eu estava indo pela 1a vez, então não tinha muito com o que comparar. Vocês têm que ir junto pra BA algum dia.

uomini disse...

Thi, fiquei com vontade de ir a Buenos Aires com vc. Vamos?

Too-Tsie disse...

Como eu amo BsAs, até com os seus piores problemas. Amo mais ainda quando você escreve sobre a cidade.

Super aguardo as outras duas partes da saga :)

Gui Sillva disse...

Também super aguardo as outras duas partes da saga :)
saudades!
bjooo

Cesar disse...

Locutorio, Thiago?
Compra um chip pré-pago, homi... :P

Bjin.

Introspective disse...

Daniel: sua mãe tem pique pra comer comida boa a viagem inteira, no almoço e no jantar? Se sim, eu topo! Agora, aqueles tipos de viajante que se empanturram no café da manhã grátis do hotel pra depois ficarem sem fome e comerem só uma empanada pra economizar... não dão muito certo comigo :)

Uomini: Vamos! Vc tá me devendo uma viagem, depois que abortamos o Ceará, lembra?

Too-Tsie e Gui Sillva: Obrigado, fofos! Amanhã tem mais :)

Cesar: Eu sempre compro chip pré-pago em todas as cidades em que passo mais tempo (tenho inclusive um de Maceió sobrando, quer?) Mas essa não é uma opção viável em BsAs, porque lá o pré-pago desconta créditos também para RECEBER chamadas (mesmo quando você está dentro da área, ou seja, nada a ver com roaming). Vc gasta uma fortuna, e tem q carregar o tempo todo, pq qdo tá sem crédito a pessoa nem consegue completar a chamada. Não serve pra mim, sorry.

CriCo disse...

Nem me fala do free-shop de volta, no Ezeiza... só eu contei quatro. Estou até hoje me livrando das dívidas adquiridas no cartão de crédito...

Eu esperava um pouco mais de BsAs... logo que eu cheguei, logo depois da quarta-feira de cinzas, já fui logo enfrentando uma enchente, que atingiu principalmente a Recoleta e Palermo... fiquei preso no cemitério da Evita durante não sei quantas horas... não tinha taxi (quem mandou ser barato?), então já viu né... sendo a maioria das boates se localizar em Palermo, minha sexta-feira foi enfurnado no hotel...
Mas a gastronomia é absurda, vale muitíssimo a pena. Puerto Madero é o que há. Muitas opções de restaurantes por um preço mais do que honesto. Fora os vinhos, que são excelentes.
A noite deixou a desejar um pouco... fui numa tal de Glam (nada de glamurosa, por sinal) e depois numa tal de Amerika, na noite do banho de espuma... sem comentários! só uma pergunta... cadê os bofes-bem que tanto vi nas Platas Quemadas da vida?...

Daniel disse...

Thiago, minha mãe tetesta viajar para ficar em hotel. Ela é daquelas que adora sair cedo e bater perna pela cidade e só voltar a noite. No máximo ela faz um pit stop a tarde no hotel pra desovar o que ela comprou até aquele momento. Marquem logo uma viagem você, minha mãe e o Cris (ALOOOKA!).

Vaca Jersey disse...

Um belo relatório, meu caro... vou inclusive perdoar teu sumiço em virtude da qualidade informativa deste post... hehehe!!!!
Melhor que ele só o teu comment lá na Vaca... saber que te "afeiçoas" à minha figura e que o sorvete de "leche jersey" te lembra da bovina foi divino-maravilhoso... hehehe... tenha certeza de que a recíproca é verdadeira, Sr. Introspective! A chance de conhecer melhor está aí... basta agarrar... hehehe!!!!
Ps: tb li o comment sobre o cafuçu... Hugzzzzz, guri!!!

Edu disse...

Fiquei no tal microcentro ano passado (a trabalho, 2 dias) e muito mal impressionado com a decadência. Era tão bacaninha em 1998 (minha primeira e até então última vez). Nem cartão de crédito os restaurantes aceitam (nem no Mac!!). Triste, a Argentina é bem legal.

Junior disse...

Como sempre, essencial!

Marco de BH disse...

Buenos Aires é daqueles lugares que a gente tem sempre a impressão de que será uma "boa pedida". Depois dos seus posts... a gente passa a ter é certeza disso!

Jorge disse...

Thiago... era habituee de Buenos Aires ate conhecer Santiago. Nao tem o mesmo burburinho da hermana argentina, nem o laque da Cristina K, mas tem uma infra-estrutura formidavel, mesmo com o terremoto. So neste ano ja estou na minha segunda incursao por la. E com o inverno chegando... :P

Introspective disse...

Jorge, eu dei uma chance a Santiago em 2000. Não digo que não gostei: os chilenos são ultragentis, o Cerro Santa Lucía é lindinho, os cafés con piernas são pitorescos, come-se bem e Las Condes parece um bairro residencial norte-americano, com aquelas casas belíssimas sem cercas ou muros. Mas faltou justamente carisma, a magia que me faz voltar todo ano pra BsAs - Santiago simplesmente não tem a mesma graça. Pelo menos pra mim. Mas pode ser que eu mude de opinião se revisitar a cidade, afinal dez anos se passaram.

Ingrid Brack disse...

Adorei esses posts sobre Bs As. Estive lá em 08, hospedada no Malabia House, em Palermo Soho. Maravilhoso! Entre os restaurantes, me lembro do Cluny, Azema (recomendo muito!) e Don Julio.
Semana que vem vou para Buenos e Mendoza! Vou tentar visitar alguns dos lugares que você citou.
Agora, sobre a 'ponte' SP-BUE, já há voos do Brasil para o Aeroparque e mais baratos do que para Ezeiza, pelo menos pela Aerolineas.
Abs