BUTCHER'S MARKET [foto] O segmento de hamburguerias diferenciadas está cada vez mais concorrido em SP. A novidade do pedaço é essa casa, com jeitão de bar e acabamento falsamente rústico, com tijolos aparentes e decoração dentro do tema "açougue". É pequeno e está na moda, ou seja, a espera é inevitável. Testei o mushroom burger, que custa R$27 - sem batatas fritas, pagas à parte. O hambúrguer veio no ponto pedido (gosto da carne realmente malpassada), mas sem sal; por cima, uma fatia de queijo quase desonesta de tão fina, e cogumelos apenas cozidos, sem qualquer tempero. Pelo preço praticado, deveria ser bem melhor. Onde: Rua Bandeira Paulista, 164, Itaim.
COSÍ Escondido em uma rua improvável de Santa Cecília, tem fachada envidraçada e ambiente clean, mas aconchegante. O cardápio, curto, apresenta massas, carnes e risotos, com roupagem contemporânea. Adorei os raviólis de pupunha com creme de limão e camarão - massa delicada, molho leve, recheio surpreendentemente interessante (não sou lá muito chegado em palmito) e camarões carnudos. Gostei tanto que pedi uma segunda porção. A casa abriu recentemente uma filial na Vila Nova Conceição, com preços 20% mais caros. Onde: Rua Barão de Tatuí, 302, Santa Cecília.
PIAZZA 36 Quem trabalha ou circula pelo centro velho da cidade tem poucas opções charmosas para o almoço. Faltam lugares que preencham o hiato entre os quilos populares e os restaurantes mais tradicionais, caros para o dia-a-dia. Esta casa fica no meio do caminho: por um preço fixo (R$49 por pessoa) oferece uma convidativa de mesa de saladas, antepastos e petiscos, e mais dois pratos quentes por dia - normalmente uma massa e um risoto, que podem ser acompanhados por um grelhado. Tudo bem apresentado e gostoso. Onde: Praça da República, 36, Centro (fica na esquina da Rua Basílio da Gama).
NOU Uma graça esse lugar! Casa pequena, com cara de residência adaptada e algumas mesas no quintal, na parte mais tranquila de Pinheiros. O cardápio segue uma linha até trivial, mas com pitadas de bossa. Um exemplo bem ilustrativo é o bife à milanesa, empanado numa macia crosta de pão e acompanhado por um risoto de limão-siciliano de delicado perfume. Durante a semana, serve almoço executivo a R$27,90 - as opções do dia, escritas numa lousa, incluem truta com linguini ao pesto de rúcula e medalhão ao gorgonzola com batata rösti. Onde: Rua Ferreira de Araújo, 419, Pinheiros.
FIGO A poucos passos do Parque do Ibirapuera, esse restaurante bonitinho é outro que segue a linha contemporânea, com pratos como a fraldinha na cerveja com cebola caramelizada e o camarão thai ao curry, com leite de coco, abacaxi e arroz de jasmim. As mesas mais disputadas ficam numa espécie de varanda coberta, na frente da casa. Muito simpática, a chef passa pelas mesas para saber se a comida agradou. Onde: Rua Diogo Jácome, 372, Vila Nova Conceição.
[Foto: Fernando Moraes/VEJA]
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Rapidinhas gastronômicas
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Thiago Lasco
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terça-feira, 30 de agosto de 2011
Rapidinhas candangas
A melhor época do ano para visitar Brasília, na minha opinião, é justamente nos meses de outono e inverno. A estiagem garante dias lindíssimos, de céu aberto, como na foto acima. Para driblar o tempo seco, basta levar no bolso um bom protetor labial e passar creme hidratante no rosto antes de dormir. Para marcar meu batismo brasiliense, nada mais típico do que uma autêntica passeata do MST. Ainda bem que a Esplanada dos Ministérios tem espaço de sobra, com oito faixas - o que significa um transtorno bem menor do que o das manifestações na apertada Av. Paulista. O turismo cívico é facinho de fazer: os prédios oficiais ficam próximos uns aos outros, e alguns oferecem visitas guiadas (para quem não estiver de bermuda, é claro). A decepção fica por conta da rampa do Palácio do Planalto, menor e menos glamourosa do que se supõe pela TV. O grande barato de Brasília é mesmo o projeto urbanístico do Plano Piloto. Os prédios, todos com 3 ou 6 andares, mostram como a contenção da verticalização deixa uma cidade muito mais agradável. A organização em superquadras é, no mínimo, curiosa. Não dá pra não se sentir em uma versão king size do campus da USP. Como as quadras são em geral parecidas entre si, a sugestão para o turista é visitar a 308 Sul, que serviu de modelo para as demais. Ela é enfeitada pela Igrejinha N. Sra. de Fátima, com desenho de Oscar Niemeyer e azulejos de Athos Bulcão, que rendem um ótimo pano de fundo para retratos. Mesmo se você não for muito chegado em igrejas, não deixe de visitar a Catedral Metropolitana, também desenhada por Niemeyer, e o Santuário Dom Bosco, com seus vitrais azuis. Não confundir com a minúscula Ermida Dom Bosco, um pequeno monumento erguido num terraço às margens do Lago Paranoá, com uma bela vista. Tecnicamente falando, o Distrito Federal não contém cidades, e sim regiões administrativas. Isso quer dizer que Brasília e as cidades-satélite vizinhas não têm eleições para prefeito - seus administradores são nomeados diretamente pelo governador do DF. Ou seja, quando a população elege um governador corrupto, ela se ferra duas vezes. As cidades-satélite têm uma cara completamente diferente do Plano Piloto. O noticiário nacional destaca sempre as mais pobres, como Ceilândia e Paranoá, essa última um cenário propício para quem curte um amor bandido. Mas há algumas com expressiva classe média, caso de Águas Claras, cujo boom desordenado de prédios altíssimos lembra um Tatuapé em construção. O brasiliense médio fala com sotaque capixaba, tem conta no Banco do Brasil mesmo se não for servidor público (pois ali há 8 agências do BB para cada 2,5 da concorrência) e ficou blasé com a escolha da capital federal para receber jogos da Copa. Ele considera os goianos meio jecas e provincianos, e é tido como carudo e esnobe por eles. Se há um lugar adequado para empinar o nariz logo pela manhã, é a pâtisserie do Daniel Briand, na 104 Sul, que serve saladas, quiches e doces franceses. O truque para não se sentir lesado pelos preços é dividir entre duas pessoas um único café-da-manhã completo (Première Formule, R$29), e pedir à parte a bebida extra do seu acompanhante. Tenho que admitir que os pães são realmente incríveis. Os chefs mais badalados de Brasília são a Mara Alcamim e o Dudu Camargo, cada um com seu pequeno império gastronômico (ela comanda três casas e ele, seis). Eu estava prestes a escolher um deles para o jantar de sexta, mas meus amigos locais sopraram no meu ouvido que a comida de ambos era meio overrated e não estava à altura dos preços praticados. Não desisti deles, mas deixei para a próxima. E minha escolha não poderia ter sido melhor: Taypá, um digno representante da onda neoperuana que tem varrido o mundo. Comecei com um ceviche nikkey (salmão, abacate, leite de coco, molho de ostras e teriaki) e emendei um salmón novoandino (recheado de risoto de quinua, camarão, champignons e molho teriaki). Adorei tudo e pretendo voltar. Outra surpresa foi o Nossa Cozinha, um bistrô minúsculo, escondido no lado residencial da 402 Norte. Lugar charmoso, preços honestos, serviço atencioso (os próprios donos vêm falar com a freguesia) e uma das melhores cheesecakes que já comi. Outra guloseima digna de nota é o famoso sorvete de pistache da Saborella, com textura aveludada e sabor doce na medida. O precinho é bem brasiliense: R$11 por uma bola, R$106 por um quilo. Foi bem legal voltar ao Pontão do Lago Sul e ver aquilo fervendo em um lindo domingo de sol. O corredor gastronômico à beira do Paranoá ficou maior, com a chegada de filiais da rede carioca Devassa e do japonês ocidentalizado Soho, aquele mesmo de Salvador. Acabei conferindo o tradicional Bier Fass, que só valeu pelo cenário e pelas boas companhias: a comida, mediana, demorou inexplicáveis 80 minutos para chegar à mesa. Outras dicas: o italiano Villa Tevere, os peixes do Coco Bambu, o mexicano El Paso, o sushi do Kojima, o bife à parmegiana do Panelinha, as pizzas da Valentina, o vegetariano Naturetto, os sucos e wraps do Bendito Suco, os bolos da Casa dos Biscoitos Mineiros e, para uma extravagância maior, os menus fechados do Aquavit, que giram entre R$140 e R$192/pessoa. Quando o assunto é noite gay, o circuito brasiliense não chega a emocionar - Goiânia está bem melhor na fita. Entre os bares, o tradicional Beirute só satisfaz aquele público desencanado de boteco; já o Savana, que teoricamente seria a opção mais arrumadinha, precisa melhorar em tudo, do ambiente à cozinha. E a Blue Space, principal boate da cidade, fica num lugar simplesmente horroroso. Por isso, não é de se admirar que as label parties sejam aguardadas e vividas tão intensamente. No sábado, o fiel público da Fun! dançou até 10 da manhã, e muitos ainda continuaram a jogação em um chillout. Se a locação não contribuiu (era a Blue em si), os go-go boys eram deslumbrantes e o som me surpreendeu. Daniel Mendes fez um warm up ao mesmo tempo chique e acessível, conquistando a pista sem fazer concessões, e Grá Ferreira mostrou um som de festa totalmente seguro de si, digno de atração principal, com direito a versão de "Heart of Glass", do Blondie. As novas esperanças da noite repousam nos meninos do site Parou Tudo. Eles já abriram o Glow Lounge, um espaço multiuso que tem reunido os bonitos da cidade às quintas, e se unirão a Lili Santana, da festa que leva seu nome, para fundar um novo clube. O lugar se chamará Victoria Haus e preencherá a lacuna deixada pela Blue Space, que fechará as portas em breve, ainda bem. Quando for pedir sua vodquinha, muito cuidado: circula pela noite de Brasília um bizarro energético de garrafão que só pode ser coisa do Demo. Tomei menos de duas doses e não consegui pregar o olho por quase 24 horas. E quando o assunto é pegação, as bees brasilienses já estão plugadíssimas no aplicativo Grindr, com seus perfis mula-sem-cabeça. Se você prefere mais fibra e menos laquê, os cafuçus do cerrado frequentam uma certa sauna em Taguatinga, fica a dica. Só não vi mesmo o tal entardecer vermelho/laranja/roxo que aparecia em várias fotos de Brasília. Vai ver que isso era coisa da Embratur se jogando no Photoshop. Mas não há de ser nada. Fui tão bem recebido e conheci tantas pessoas legais, que já estou fazendo planos de voltar. E quem sabe dar uma esticadinha até Pirinópolis e mesmo Goiânia, que tem sido cada vez mais recomendada!
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Thiago Lasco
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quinta-feira, 2 de junho de 2011
Bits and pieces from North America's prettiest town
Mas afinal, qual a receita da beleza de San Francisco? Pense em uma cidade à beira de uma baía, emoldurada por duas pontes icônicas, com relevo todinho acidentado e arquitetura dominada por casinhas vitorianas fofas, como as da foto acima. A cada esquina, uma ladeira revela novos ângulos, e a baía reaparece ao fundo. Uma geografia deslumbrante. Para apreciar o cenário, é fundamental subir em um dos cable cars (bondinhos) que são o símbolo da cidade, e operam 3 linhas que atravessam Downtown. Nas extremidades dos trajetos há fila, mas você pode embarcar e desembarcar em vários pontos durante o percurso. Outras vistas memoráveis, você tem do alto de Twin Peaks, da Coit Tower e de Marin Headlands - uma espécie de mirante que fica do outro lado da Golden Gate Bridge, já fora da cidade. Falando nessa ponte, que é o principal cartão-postal de San Francisco, uma boa sugestão é alugar uma bicicleta no Fisherman's Wharf e cruzá-la pedalando, num lindo passeio que termina em Sausalito, a cidadezinha charmosa do outro lado da Baía. Muitos também usam a ponte como cenário para um suicídio em grande estilo - uma morte odara! O bairro hippie é Haight-Ashbury, mas o clima paz-e-amor reina em todo lugar: em San Francisco tudo é orgânico, ecológico, reciclado, sustentável, decafeinado, biodegradável, não-poluente, democrata, enfim, baixos teores. Nesse contexto, o carro-sensação da cidade só poderia ser o Toyota Prius: feio como um mango-sucking dog (cão chupando manga, em inglês), mas totalmente híbrido, sendo que o rodar com energia elétrica é macio e silencioso, como uma gueixa servil. A cidade tem um conjunto bem interessante de museus, com destaque para o SFMoMa (de arte moderna, pouco menor que o irmão de Nova York), o Asian Art Museum, o De Young Museum e a California Academy of Sciences, sendo que os dois últimos estão instalados dentro do Golden Gate Park. Esse belo parque, que só perde em tamanho para o Central Park de NY, tem várias atrações que valem a visita, como os Japanese Tea Gardens, perfeitos para um chá no meio da tarde, e o Conservatório das Flores, onde a exposição Wicked Plants ("plantas do mal"; até 30/10) incluiu até mesmo a pavorosa Euphorbia milli, nossa popular coroa-de-cristo. Há também várias praças e parques menores espalhados pela cidade - o Dolores Park é o preferido das bees para curtir um solzinho no domingo à tarde, esparramadas na grama, quando o tempo ajuda. Na região da Union Square ficam todas as compras que importam, das grandes lojas de departamento às melhores grifes, incluindo um prático shopping center, o Westfield, que tem lojas-âncora como Nordstrom e Bloomingdale's. Aliás, essa é a melhor região da cidade para você se hospedar, não só pela fartura de compras, mas também pela proximidade do posto de informação turística, pelo farto transporte e pelo fácil acesso ao Fisherman's Wharf e ao Castro. Os são-franciscanos torcem o nariz e ignoram o Fisherman's Wharf, área do porto tomada por lojas de souvenirs e restaurantes de frutos do mar, frequentados basicamente por turistas. O Pier 39, um deque de madeira que enfileira bares temáticos como o Hard Rock Cafe, resume bem o espírito do lugar. Mas ali também há alguns tesouros. Um deles é o Scoma's, restaurante escondidinho atrás do Pier 43, que serve frutos do mar fresquíssimos desde 1965. E eles não brincam em serviço. Peça Dungeness crabcakes de entrada e prossiga com os raviólis de lagosta ou caranguejo - você ainda vai me agradecer por isso. Outro é a flagship store da Boudin, padaria que é uma instituição local, com pé-direito altíssimo, café, bistrô, um empório que vende livros e utensílios de cozinha e até um museu. Aos sábados, um programa imperdível para quem gosta de comer bem é ir até o Ferry Building Marketplace, na outra extremidade do porto, em direção à Bay Bridge. Do lado de fora, o Farmer's Market tem várias barraquinhas que vendem de bagels de salmão defumado a pratos mexicanos. Dentro do prédio, difícil é escolher entre os quitutes vendidos a peso pela San Francisco Fish Company (não perca o salpicão de caranguejo), os pães finos da Acme Bread, os frios italianos da Boccalone, os laticínios da Cowgirl Creameries, a cozinha asiática descomplicada do Delica e os doces da Miette (gente, o que foi aquela panna cotta?). Alguns bairros têm núcleos gastronômicos bem específicos: North Beach é o epicentro da imigração italiana, Mission é a meca dos burritos e comidinhas latinas, e Chinatown é o lugar para comer dim sum, noodles e afins. Outros são mais ecléticos. Em Pacific Heights, perto do cruzamento da Fillmore com a California, o latino-contemporâneo Fresca rendeu o melhor jantar da viagem; do outro lado da rua, a pâtisserie Citizen Cake tem sete sabores de petit gâteau, entre outras delícias. Na região de Downtown/Union Square, faça uma pausa das compras e almoce no ótimo italiano Kuleto's, ou perca-se entre as mais de trinta versões de cheesecake da bombada Cheesecake Factory, no oitavo andar da Macy's. No buxixo gay do Castro, dicas certeiras são o contemporâneo 2223, os peixes do Catch, o café e os hambúrgueres do simpático Cafe Flore (meeting point das bibas a qualquer hora), a comfort food do Home (que funciona até meia-noite, uma raridade) e os deliciosos crepes e massas do Squat and Gobble (vá no domingo de manhã, pegue uma mesa externa e assista de camarote ao vaivém da homarada). Aliás, no Castro, os endereços que interessam, tanto de dia quanto à noite, estão concentrados em duas áreas: no trecho da Market entre as ruas Castro e Noe, e em torno da esquina da Castro com a 18th (é só pensar no cruzamento como um sinal de "mais"). Isso sim é globalização: você sai na noite, conhece caras de países como Laos, e descobre que eles têm muito mais em comum conosco do que você imagina (e não estou falando da camisetinha óbvia da Abercrombie). São bem esporádicas as festas para dançar (como a Fresh, que acontece mensalmente no Ruby Skye, clube hétero eletrônico que tem um quê de bufê de casamento). A balada mais comum são bares, alguns com telão exibindo videoclipes pop, caso do Badlands, o mais fervido do pedaço. Tanto é que a música do momento na noite de San Francisco é "On The Floor", a releitura genial (NOT) de Jennifer Lopez para "Chorando Se Foi", do Kaoma. (Mas o som que marcou a minha viagem foi "S&M", da Rihanna, remixado pelo craque Dave Aude). Se, como eu, você prefere música eletrônica de verdade, confira a programação dos clubes Ruby Skye, Mezzanine e Mighty no site Resident Advisor - eu tive a sorte de dançar com o top Steve Lawler, no Ruby Skye. "Mítico" e "lendário" são algumas das palavras que já foram usadas para descrever o Endup, afterhours histórico que reunia todas as tribos, em maratonas eletrônicas que avançavam pelas manhãs de sábado. Mas a molecada de 20 anos que hoje faz fila na porta não me apeteceu nadinha. Os endereços mais sexuais da cidade estão no SoMa (região ao SOuth da rua MArket): a Mr. S, megastore leather e verdadeiro templo do consumo para quem tem qualquer tipo de fetiche de A a Z, o bar Powerhouse e o sex club Blowbuddies. Mas o melhor basfond, você encontra mesmo é na Steamworks, supersauna que fica na cidade vizinha de Berkeley (dá para ir com o trem BART) e é uma espécie de "269 do futuro". San Francisco foi o paraíso da liberação sexual, das experimentações, das dorgas... e o saldo disso é que hoje em dia só tem gente DOIDA na rua. Nunca vi tanta gente desvairada, surtada, falando sozinha, gargalhando, com tiques nervosos, dos mendigos até a classe média. Chega a ser hilário. O lado menos engraçado é que a taxa de contaminação pelo vírus HIV entre a comunidade homossexual está na proporção de 1 para 4, uma das mais altas do país. O que talvez ajude a explicar por que San Francisco teve tanta gente living on the edge, se jogando como se não houvesse amanhã, é o fato de que a própria cidade vive sob a constante ameaça de um grande terremoto, que pode simplesmente destruir tudo. Se a cidade não tiver sumido do mapa (ou, pior, sido reconstruída em estilo neoclássico paulistano!), estou até pensando em pedir para jogarem um quarto das minhas cinzas do alto de Twin Peaks (os outros três quartos já têm destino certo desde sempre: Ibirapuera, Arpoador e Plaza San Martín). Eu amo San Francisco.
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Thiago Lasco
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segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Salvador: nada ficou no lugar
Sinto desapontá-los, isto dói mais em mim do que em vocês, mas Salvador não presta mais. Agora que o Bar da Ponta fechou as portas, não tenho mais nada para fazer naquele fim de mundo, então beijos e nos vemos no Rio de Janeiro. Claro que estou brincando: mesmo com a perda irreparável do meu xodó (que era tudo de bom, fiquei arrasado), o saldo da minha quinta visita à capital baiana foi bastante positivo. Mas é fato que encontrei uma cidade menos legal, já que várias de suas atrações mais bacanas simplesmente deixaram de existir. O saudoso Bar da Ponta, que Deus o tenha, foi engolido por um empreendimento imobiliário de alto padrão, junto com o bacanudo restaurante Trapiche Adelaide, do qual era anexo. Quem também deixa saudade são as megabarracas que transformavam as praias do Flamengo e Stella Maris em puro fervo. Por conta de uma quizila jurídica com a União, todas elas foram sumariamente demolidas em agosto. Isso mesmo: não existe mais Barraca do Lôro, nem Margueritta, nem Gaúcho, não existem mais drinques servidos em espreguiçadeiras rústicas-chiques, nem corpos malhados dançando house music em deques à beira-mar. O Litoral Norte de Salvador mó-rreu! Já o Porto da Barra felizmente continua o mesmo, com a água deliciosa para nadar, um pôr-do-sol mais aplaudido que o do Arpoador, e aquela mistura única de classes sociais, etnias, estilos e pegadas. E corpos babadeiríssimos ali e acolá. Aliás, sem querer ferir brios ou fomentar bairrismos, a Bahia tem os homens mais bonitos do Nordeste, né? Nos finais de semana, quando a superlotação deixa o Porto da Barra intransitável, o novo plano B da galere é o Buracão, uma prainha escondida no Rio Vermelho que só os moradores do bairro freqüentavam, e agora vem sendo adotado pelos descolados, num clima low profile. Para quem gosta de conforto, uma opção é ir até o Corredor da Vitória e tomar sol no Mahi-Mahi, bar do hotel Sol Victoria Marina que tem um píer que avança sobre a Baía. Você paga uma consumação e passa o dia comendo, bebendo e tomando banho de mar. Parece que o esquema é bem gay friendly. A Barra não tem a fartura de comidinhas pós-praia de Ipanema. Acabei adotando o Ramma, um simpático restaurante natural escondido na Rua Lord Cochrane (como será que os baianos pronunciam isso?). Depois de horas de sol nordestino, o suco de tangerina deles descia que era uma maravilha. Adoro que na Bahia essa fruta dá o ano todo, não tem época certa como aqui em São Paulo. A doceria A Cubana inaugurou uma filial na Pituba, num shoppingzinho na Praça Nossa Senhora da Luz. Isso significa que agora você pode comer o melhor pudim de leite condensado do mundo, sem ser molestado a todo instante pelos pedintes do Elevador Lacerda. Outro endereço que continua firme e forte no topo da minha lista de laricas pecaminosas é a Doces Sonhos, na Vitória. Os bolos de lá são pura felicidade cortada em pedaços. Morri três vezes a cada garfada. A vista da Baía de Todos os Santos transforma qualquer ida ao complexo gastronômico Bahia Marina em um programão. Matei a saudade do japonês Soho, que continua bem gostoso e badalado. Voltei também ao contemporâneo Lafayette - mas os pratos criados por Carla Pernambuco já não têm o mesmo brilho de antes. Acabei não conseguindo ir a nenhum restaurante especializado em frutos do mar. Da próxima, quero provar os camarões ao prosecco com risoto de amêndoas do Mistura, em Itapuã, e as moquecas mutcholocas com frutas e ingredientes naturais do Paraíso Tropical, que funciona dentro de uma chácara distante no Cabula e virou cult. Para um jantar mais informal e barato, aprovei o Mariposa, no Jardim Apipema, atrás da Ondina. Tem um longo menu de sucos, crepes e temakis, numa casa colorida bem praiana, supersimpática. O Pelourinho, que já não era minha área preferida em Salvador, está com um arzinho largado, abandonado. Parece que todo o dinheiro da região foi para o Carmo, onde a inauguração do hotel-boutique Convento do Carmo acabou dando um sopro de vida em todo o entorno. Já o MAM, que estava totalmente ao deus-dará, deu um merecido tapa em seu Jardim de Esculturas, que ainda é meu segundo lugar favorito para ver o pôr-do-sol soteropolitano (o primeiro é a Ponta do Humaitá). Com a morte de bares como Marquês (que fazia as vezes de Ritz baiano), Babalotim e Boomerangue, hoje Salvador não tem nenhum endereço gay friendly onde se possa fazer um esquenta antes de ir dançar. Ou você toma os primeiros drinques onde estiver jantando (a pizzaria Piola já foi uma opção, mas agora o hype passou e ela está às moscas), ou então aciona seus contatos e descola um chill in na casa de algum amigo local. Aliás, num desses esquentas, fui descobrir que as blogueiras Katylene e Cleycianne também são adoradas por lá, e estão colocando suas gírias na boca das bees. Tive a oportunidade de conhecer a bombada San Sebastian em sua última semana no antigo endereço - a casa está de mudança para outro imóvel na mesma rua. Deve existir um "jeito soteropolitano de construir boate": estreito e comprido, com andares e mezaninos, o clube me lembrou muito a primeira Off. A propósito, a Off Club, que reinou sozinha na noite por anos, perdeu o trono e se tornou a boate "do meio". Nos extremos estão a San Sebastian, para onde migrou o pessoal mais bonito, e a Tropical, opção mais popular e bagaceira. Uma pulga me contou que a dona da Off pensa até em se desfazer do negócio. Entre os DJs locais, quem mais chamou minha atenção foi o Bernardo Chez. Além de ser um gentleman e um fofo de marca maior, o loirinho-angelical está fazendo um som bem bacana, criando inclusive seus próprios bootlegs e mashups. Tem tudo para conquistar mais espaço na cena, e não só em Salvador. Na boate, depois de certa hora da noite, elas ficam bem soltinhas, e a beijação rola em esquema drive-thru, tipo assim bem solto. Vai ser bom, não foi? Cansada de quebrar louça? Pois saiba que o percentual de atividade em Salvador beira os 90% - nenhuma outra capital tem tamanho superávit! E ó, tem que levar preservativos GG na nécessaire, viu? Para os adeptos dos vapores vespertinos, a Rios continua sendo o endereço mais indicado. E quem curte um perigón na linha Uomini se refestela no Paredão, no Jardim de Alah - uma falésia que esconde encontros furtivos e sorrateiros na calada da noite. Bateu uma vontadinha de ir (ou voltar) a Salvador? Se fosse você, eu me hospedaria na Barra, para poder ir à praia a pé, e daria uma olhada nas tarifas do Sol Barra, do Grande Hotel da Barra e do Marazul, nessa ordem. Ou então ficaria no Rio Vermelho e decidiria entre o funcional-padronizado-insípido Ibis e o charmoso Catharina Paraguaçu, todos numa faixa de preço viável. As músicas que ilustram este post são "Happiness" (Dave Aude Club Mix), de Alexis Jordan, e "Empire State of Mind" (na versão que o André Garça toca) . Elas deram o tom da minha semana em Salvador e também do fim de semana no Sauípe, no festival Hell & Heaven - que será o assunto do próximo post.
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Thiago Lasco
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quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Rapidinhas gastronômicas
A COCOTA DO BAIRRO Esqueça o que você já ouviu sobre "restaurantes de bairro". Apesar de estar escondido no Ipiranga, fora dos holofotes da badalação, o Nico Pasta & Basta não faria feio se estivesse em plena rua Amauri. O ambiente projetado por Roberto Migotto é belíssimo, com mesas dispostas em torno de um átrio iluminado por uma espécie de clarabóia. O menu, de sotaque italiano, tem massas artesanais como o pappardelle com ragu de filé mignon (tem massa mais apetitosa do que o pappardelle?), além de risotos, polentas e carnes - o stinco de cordeiro com risoto de ervas é sensacional. Ótima sugestão para dar uma cara diferente ao seu almoço de domingo - depois, é só dar um giro pelo Parque da Independência para fazer a digestão.
ONDE A ONÇA BEBE ÁGUA Não é de hoje que a revalorização do Centro paulistano devolveu ao Edifício Copan o status de "cult". Quem tem ajudado a trazer buxixo ao sinuoso edifício de Oscar Niemeyer é o Bar da Dona Onça, que virou queridinho da crítica especializada e dos modernos ao propor releituras de pratos clássicos brasileiros, em clima de boteco estilizado (vide os motivos felinos na roupa dos garçons e no cardápio). Confesso que esperava muuuuito mais do picadinho, mas fiquei boquiaberto com o stinco de leitoa caipira com feijão tropeiro e couve refogada. Como diria meu finado pai, é "batuta"! Isso sim é comida brasileira contemporânea. De sobremesa, o pudim já entra no ranking dos melhores da cidade. Só não vá esperando fazer economia. Os preços da casa estão à altura do seu hype, com pratos de R$40 ou mais, o que significa uma conta que chega fácil a R$100 por cabeça.
MUITO ALÉM DO MIOJO No meu último post sobre comidinhas cariocas, dei a entender que o Brasil não tinha casas especializadas em macarrão oriental. Tem sim: um bom exemplo é o Lamen Kazu, um autêntico noodle bar que fica no Largo da Pólvora (Liberdade) e está sempre cheio. Uma boa pedida para quem quer ir além do sushi e explorar outros terrenos da cozinha japonesa. Outro lugar de que tenho gostado muito é o Sobaria, na Vila Mariana, uma casa dedicada à cozinha do... Mato Grosso do Sul. Isso mesmo: por conta de uma imigração maciça de japoneses da ilha de Okinawa, o sobá tornou-se a comida mais típica de Campo Grande, onde é consumida nas ruas e em todo lugar, inclusive como prato-de-resistência das bees na saída da boate. Feita de trigo sarraceno, a massa vem num reconfortante caldo de shoyu e gengibre, com cebolinha e tiras de lombo e omelete. Uma delícia - por apenas R$20 no Sobaria.
THE AMERICAN WAY Uma boa surpresa deste ano que está acabando foi o 210 Diner, em Higienópolis. Depois do francês Ici Bistrô e do italiano Tappo Trattoria, o chef Benny Novak resolveu abrir uma terceira casa, desta vez para servir especialidades da cozinha dos Estados Unidos. Não espere o clima adolescente de casas como Friday's e Outback: 0 210 é mais low profile, quase minimalista. O cardápio é variado e tem preços diferenciados (ligeiramente menores) no almoço. Entre os hambúrgueres, recomendo o piggie burger, coberto com uma saborosa costelinha de porco desfiada em molho barbecue. Se quiser algo mais leve, não perca a omelete, que põe a do Ritz no chinelo. Você escolhe os ingredientes - a combinação de cogumelos, queijo de cabra e molho pesto é simplesmente fodástica.
ÁRABE NADA CLICHÊ Até curto comer uma esfiha benfeita de vez em quando, ou mesmo fazer um pratinho saudável de kibe cru com tabule. Mas acho restaurante árabe/sírio/libanês um programa meio boring. Não me anima a ideia de gastar nisso o meu orçamento de "comer fora". No entanto, fui ao Saj e adorei. Talvez porque não se pareça com restaurante árabe. A casa fica na Vila Madalena e tem aquele "jeitão Palermo de ser" do bairro, com mesas dispostas em uma espécie de terraço interno com muita luz natural. Por uma janela, é possível ver o trabalho de preparação do pão sírio - que chega à mesa quentinho e macio e é um dos pontos altos. Já que está num lugar diferente, saia do lugar-comum e peça a fraldinha cozida na coalhada. Os cubos da carne desmancham no garfo [quer tentar fazer em casa? a receita está aqui].
PARA COMER COM AS DUAS MÃOS Na esquina da Melo Alves com Alameda Tietê, o bar Balcão vem animando os papos-cabeça do povo culturette há mais de 15 anos. Mas só recentemente fui descobrir que, no simpático balcão que serpenteia por todo o salão e dá o nome à casa, é possível comer alguns dos melhores sanduíches da cidade, num pão ciabatta macio como há muito tempo eu não via. Gostei especialmente do Vegetariano, com cogumelos frescos, tomates secos pra lá de saborosos, pesto, rúcula e mussarela de búfala (ingrediente que não consta da receita original, mas pode ser incluído). Tão bom que voltei para repetir a dose já no dia seguinte.
BÍBLIA ANUAL A revista Veja já publicou a edição 2010-2011 do seu anuário Comer & Beber, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Na semana em que saem, os guias são vendidos junto com a revista Veja. Depois, algumas bancas de jornal continuam oferecendo o volume separado por algum tempo. É uma fonte de consulta obrigatória, seja pelos restaurantes (divididos por especialidades), seja pelos bares (separados por região da cidade), seja pelas comidinhas (com todas as guloseimas de que você precisava e não sabia). Outras capitais como Salvador e Curitiba também devem estar para ganhar suas edições [aliás, se algum leitor caridoso quiser me mandar os guias dessas cidades, ficarei agradecido!]. Em tempo: o Rio está vivendo sua terceira Restaurant Week, até o dia 31/10. Os cardápios, você confere aqui.
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Thiago Lasco
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quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Rapidinhas comestíveis
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Thiago Lasco
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sexta-feira, 16 de julho de 2010
Rapidinhas diversificadas
DA JABULANI À JABIROSCA Quem não morreu de vergonha de ser brasileiro quando veio ao mundo o logotipo oficial da nossa Copa do Mundo 2014? A tosqueira tem cara de improviso - parece aqueles trabalhos que crianças de 6 anos fazem na aula de artes da pré-escola - e recebeu críticas de todos os lados, das mais embasadas às mais escrachadas. Levando a sério a máxima de que só pode criticar quem faz melhor, o blogueiro Guilherme Bandeira desenvolveu várias versões alternativas do logotipo, todas disponíveis em seu blog Olha Que Maneiro. A minha favorita ilustra este post. Realmente, era bem fácil fazer melhor.
INVERNO GRATINADO Com a frente fria violenta que varreu o Sul e o Sudeste, nosso apetite pede pratos quentes mais substanciais. Enquanto não tomo coragem para escrever outro roteiro gastronômico, vou dar duas dicas pontuais, ambas em São Paulo. Uma é o Marcel, no Brooklin, disparado o melhor endereço da cidade para comer suflês - o Maison, minha receita favorita, leva camarões, queijo e cogumelos. A outra é o Bar do Alemão, um restaurante que há várias décadas faz os paulistanos viajarem até Itu para saborearem seu gigantesco filé à parmegiana. Agora não é mais preciso pegar a estrada: a casa abriu uma filial em Moema. A versão grande do prato, com 700g de bife, alimenta até 5 paladares.
CORTINAS DE VELUDO RELOADED Último clube de sucesso no tempo em que a Consolação ainda era o epicentro da noite GLS de São Paulo, o Ultralounge viveu sua melhor época entre 2000 e 2001 - quando Sérgio Kalil já tinha fechado a B.A.S.E. e ainda não tinha aberto a Level. Com um enorme candelabro e cortinas de veludo bordô, o Ultra se pretendia pomposo e reforçava a aura convidando artistas e fashionistas para comandar as pickups no início da noite. Foi o último clube menor e intimista, antes da era dos descamisados e do colocón: ali, bacana era ir de camisa social, com atenção especial para o cabelo bem esculpido. Varrido da cena por um complô entre vizinhos e prefeitura, deixou muitos órfãos. E agora está de volta, sob a forma de um projeto que ocupará uma ou duas sextas por mês, no clube Lions. [Faltava mesmo uma noite gay no Lions, eu já tinha cantado essa pedra aqui]. A estreia é hoje, e os habituês do Ultra devem comparecer em peso. Será que o Cecin vai tocar aquele remix de "Don't Tell Me" que foi o hino absoluto dos velhos tempos?
A TRILHA DO PARAÍSO E por falar em balada, já saiu a programação das festas do Hell & Heaven, babadeiríssimo evento gay que fará sua segunda edição em novembro, na Costa do Sauípe (BA). O line up superou as minhas expectativas. Na noite do dia 4/11, a festa de boas vindas traz Cella e Rafael Calvente, em parceria com as domingayras Café Com Vodka (SP) e Duo (RJ). No dia seguinte, a abertura oficial tem Renato Ratier (D-Edge) e o francês Tristan Garner, do hit "Stomp That Shit". Sábado será a maratona suprema da jogação: de dia tem pool party com Felipe Lira, André Garça e Danny Verde, e à noite tem festona com Ana Paula e Peter Rauhofer. Já estaria de bom tamanho, mas ainda tem mais: a manhã de domingo será em ritmo de after, com Rodolfo Bravat, André Queiroz e - tcharam! - o argentino Aldo Haydar, fazendo o gran finale perfeito. Partiu Sauípe?
PLUMAS, MULLETS & MARIACHIS E ainda no embalo do post de ontem, a Secretaria de Turismo da Cidade do México anunciou que dará de presente uma viagem de lua-de-mel ao primeiro casal gay a se casar na Argentina. O mimo será uma parceria da prefeitura com a iniciativa privada: o governo municipal arcará com as passagens aéreas, enquanto hotéis e restaurantes da Cidade do México e de Cancún oferecerão hospedagem e alimentação. A ideia busca incentivar o turismo gay friendly no México, cuja capital já reconhece a união gay desde dezembro. Fofo, não?
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Thiago Lasco
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segunda-feira, 5 de julho de 2010
Rapidinhas e fresquinhas
CONFESSIONS 2, O RETORNO A cantora australiana Kylie Minogue vende bem e lota shows na Europa, mas nunca chegou a emplacar nos Estados Unidos. Isso pode mudar com seu próximo álbum, Aphrodite, que será lançado oficialmente amanhã. A produção foi assinada pelo inglês Stuart Price, que tem uma pegada dançante infalível - ele é o homem por trás do clássico Confessions on a Dancefloor, de Madonna. Como era de se esperar, o novo disco de Kylie foi todo pensado para as pistas, sem baladinhas, e está sendo recebido com entusiasmo pela crítica especializada. O adorável primeiro single, "All The Lovers", ganhou clipe fofo e pansexual, bem ao gosto do público gay, que vê nela uma espécie de madrinha. No último fim de semana, a diva foi o destaque da Semana do Orgullo de Madri, onde cantou para 1 milhão de pessoas. Aphrodite tem tudo para virar febre entre as bees e, quem sabe, ajudar nossos ouvidos a descansarem da Lady Gaga. [UPDATE: acabo de escutar Aphrodite e achei o entusiasmo da crítica exagerado. O disco não é tão legal assim (nem tão dançante), embora tenha alguns acertos. A minha opinião, vocês podem ler dois posts acima].
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Thiago Lasco
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quarta-feira, 9 de junho de 2010
E la nave va...
::: Pois é, a Parada dobrou a esquina e passou (e foi bem melhor do que as edições anteriores), o feriado acabou e a vida segue. Quem passou semanas ou meses criando expectativas e se preparando para a data (como várias pessoas que eu conheço) se vê agora em uma espécie de vácuo: e agora, o que fazer? Parar um pouco de sair e pagar as contas? Pode relaxar a dieta e comer o que quiser? Pode pular a academia por causa do frio? Dar um tempo na galinhagem e arranjar um namorado? Ou já pensar na próxima festa do calendário e continuar se preparando?
::: O assunto da semana é o novo vídeo de Lady Gaga, "Alejandro". Vai ficando cada vez mais difícil para ela causar impacto. O clipe é uma repetição de fórmulas; a música, com alguma reminiscência de Abba, Ace of Base e subprodutos teens do pop europeu, não tem pegada (e vai dar um trabalhão para os DJs remixarem, como observou o Daniel). Agora a cantora quer posar para a Playboy norte-americana: ela vê no ensaio uma "nova forma de expressão" e a possibilidade de "crescer como artista", fazendo algo inédito na história da revista. Se ela é a vanguarda em pessoa ou totalmente overrated, não sei. Mas lembro do recente fiasco que a Playboy daqui amargou quando uma mulher "de atitude" tentou fazer "algo inédito", e pergunto: quem pagaria para ver Lady Gaga nua?
::: E por falar em montação, a geração hipster promete baixar em peso no Lions, na sexta, para a terceira edição da festa carioca Buati (aquela em que tive que pagar R$8 por uma água, e dancei música velha de festinha de prédio). Essa não me pega mais, mas um outro projeto carioca - que ainda não chegou a São Paulo - chamou minha atenção. É a Bootie, uma festa só de mashups (aquelas colagens absurdas feitas com duas músicas nada-a-ver, gerando um resultado surpreendente). A segunda edição rola também na sexta, no simpático Fosfobox (Copa), e traz o DJ Faroff, um craque que cria pérolas como esta. O jornalista Ronald Villardo foi à estreia da festa e escreveu uma resenha ultraempolgada. Ele achou incrível que ali "os pagantes são tratados como VIPs", ou seja, quem paga ingresso entra primeiro. Ué, não deveria ser sempre assim?
::: Assinei a TV a cabo bem depois dos demais mortais, e com isso acabei não criando o hábito de acompanhar os seriados que a maioria dos meus amigos segue, comenta e compra. De todos eles, o que me despertava maior curiosidade é Sex And The City, indicado por 10 entre 10 amigos: "você tem que ver, são quatro mulheres mas é totalmente gay, somos nós retratados ali!". Até decidi não assistir aos filmes antes de conferir a série em DVD. Mas confesso que levei um tremendo banho de água fria quando li este texto, muito bem escrito pelo Diego. Será SATC mais uma referência gay à qual eu serei imune, depois do house tribal?
::: E o frrrrrio que está fazendo em São Paulo parece ter vindo para ficar. No fim de semana, a temperatura promete chegar a trincantes 7ºC. Com um tempo desses, só consigo pensar em programas light: dormir cedo, ver bons filmes (no cinema ou em casa) e, é claro, comer! Será uma boa oportunidade para postar aqui um roteiro com os restaurantes paulistanos que fui conhecer nos últimos meses. Outra ideia em pauta, sugerida por um leitor, é um miniguia só de cafés. Aguardem.
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Thiago Lasco
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quarta-feira, 21 de abril de 2010
Rapidinhas cariocas
ÓPIO DO POVO Tirei o fim de semana para mais um giro pelo Rio de Janeiro, e aproveitei para conferir alguns lugares que estavam na minha lista. Um deles era o Opium, restaurante asiático no térreo do hotel Ipanema Plaza, com uma gostosa varanda aberta para a rua. O cardápio tem umas vinte páginas, com uma parte de sushi e outra de pratos que citam Tailândia, China e Vietnã. Eu e meus amigos começamos com um mix de 10 pares de dim sum; depois, pedimos dois peixes em estilo thai, com curry e leite de coco, e um pato cantonês, com molho agridoce. Os pratos não desapontaram, mas também não chegaram a impressionar. Até porque a concorrência é forte: a comida do Nam Thai é muito superior e, mesmo se a ideia é apenas badalar, o Sawasdee é bem mais fervido.
PASSAGEM SECRETA Gostei mesmo foi do Market, o destaque gastronômico dessa visita. Um corredorzinho escondido na Visconde de Pirajá conduz a um pátio aberto, com plantas, mesas e cadeiras coloridas, que casam bem com a culinária leve e saudável proposta pelo lugar. Se o menu segue a mesma lógica grelhado+acompanhamento de que tantas casas cariocas são reféns, pelo menos aqui o trivial ganha uma pitada de bossa. Uma prosaica carne assada sai do lugar-comum na companhia de um surpreendente purê de grão-de-bico e manjericão, enquanto o creme de milho que acompanha o frango leva um toque de erva doce. Além dos pratos, há sanduíches, saladas e, para beber, sucos, smoothies e uma extensa seleção de chás verdes e pretos, servidos quentes ou gelados. Ótima pedida para o pós-praia, sem a lotação do Delírio, nem o carão sem cabimento dos garçons do Líquido.
SUCOLÉ, SACUALÉ? Fui educado desde cedo para passar bem longe de alimentos vendidos por ambulantes ou em carrinhos de rua, como os clássicos hot dogs (com salsicha recheada de jornal velho, diziam as mães nos anos 80), os camarões fritos de praia (condenados por 10 entre 10 nutricionistas) ou os recentes yakissobas da Paulista. Por isso, nesses dez anos de idas ao Rio (59 ao todo), sempre relutei em comer qualquer coisa oferecida nas areias de Ipanema. Mas meus amigos locais recomendaram o Sucolé do Claudinho com tanta ênfase que decidi fazer o sinal da cruz e me jogar. Para os não-iniciados, trata-se de uma espécie de picolé feito e congelado dentro de um saquinho plástico (em alguns estados, o nome é "chup-chup"). Tenho que admitir: o de mousse de maracujá é simplesmente in-crí-vel. Depois fiquei sabendo que o tal Claudinho comanda um exército de vendedores, gerou várias imitações e foi parar no programa do Jô Soares, onde chorou em rede nacional contando sua história de vida.
QUITUTES UNGIDOS Outra velha dívida do meu roteiro pessoal que saldei foi o bar Chico & Alaíde, aberto por um barman e uma cozinheira que ajudaram a dar fama ao lendário boteco Bracarense. O chamariz da casa são os célebres quitutes de Alaíde, como o famoso bolinho de mandioca, ops, aipim com camarão e catupiry. O "totivendo", uma espécie de escondidinho turbinado de camarão, é de comer de joelhos. Desta vez, porém, não vou exagerar nos elogios: consta que Chico dirigiu-se a um casal gay que havia trocado um beijo dentro do bar, pediu que os moços parassem ou se retirassem, e depois ainda explicou ao jornal O Globo que "este é um bar de família" (oi?). Agora que já matei minha curiosidade, talvez seja o caso de passar a prestigiar os salgadinhos do Bracarense original.
SESSÃO DA TARDE Veterano na noite gay carioca, o Galeria Café sempre foi o destino certo dos rapazes mais comportados, alheios a modismos, que destoam do binômio "ditadura do corpo + drogas sintéticas" que dominou as festas e clubes maiores. É um lugar querido por muitos: além de tolerante à diversidade de estilos e faixas etárias, tem fama de ser bom para arranjar namorado. Eis que um novo bar-com-pistinha abriu para atender esse mesmo nicho de público: o TV Bar, no Cassino Atlântico, em Copa. Instalado onde um dia funcionou a sede da extinta TV Rio, o lugar tem decoração colorida, inspirada na história da televisão. Na pista, o VJ Greg (que cuidava do som do antigo The Copa) exibe DVDs com hinos pop, enquanto o povo dança, canta (horrores!) e assiste às imagens no telão. Uma opção divertida para quem cansou das caras e bocas do circuitão, ou se sente velho demais para ele.
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Thiago Lasco
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sábado, 10 de abril de 2010
Atualizando Buenos Aires, parte 3: quando a noite cai
Por conta de uma lei nova que está em vigor em Buenos Aires, bebidas alcoólicas só podem ser vendidas até as 5 da manhã e consumidas até 5h30. E nenhum estabelecimento pode continuar aberto depois das 7. Com isso, aqueles after hours inesquecíveis que Aldo Haydar e sua trupe pilotavam no Caix até o começo da tarde de domingo viraram história do passado. Quem não viveu, não vive mais. Para os que ficaram inconsoláveis, nem tudo está perdido: agora Aldo comanda uma concorrida domingueira no Palacio Alsina, das 18h à 1h. Na prática, o que era after virou matinê - e o cenário passou de um terraço à beira do Rio da Prata para um clube imponente, com ares de catedral. Aliás, o Palacio Alsina as we knew it (como lugar gay) agora só rola uma sexta-feira por mês, em festas bombadas - recentemente, João Neto tocou em uma delas. Se não tiver festa ali, o destino das bunitas na sexta é o Rheo Bar, que ocupa um anexo do megaclube Crobar, no Paseo de La Infanta. Já no sábado, a balada gay do momento é a Human, que acontece no clube Mandarine (o antigo Mint, na Costanera Norte). Quando você perguntar a algum portenho sobre o Rheo e a Human e ele responder que nesses lugares todas son histericas, não pense em uma Gaiola das Loucas: histerico, na gíria local, é quem faz carão. O Amerika continua sendo um coringa. Na quinta o som é ligeiramente mais eletrônico, sexta e sábado são noites de canilla libre (bebida grátis, imaginem o resultado), e no domingo ele acaba sendo o destino oficial depois do Palacio. Durante a semana, o clube eletrônico Bahrein ainda é uma ótima pedida, sendo que as quartas e sextas estão bem mais gays. Quinta, como sempre, é dia de ir ao bar-com-pistinha Glam, se você for gay, ou à clássica festa Club 69 (que voltou ao Niceto Club), se você quiser dançar house e electro em meio a performances extravagantes, quase circenses, que os gringos adoram. Falando em extravagância, Lady Gaga não virou febre em Buenos Aires - ali, ela deve ser menos popular que a Shakira. Se você adora dançar n'A Lôca e/ou é fã da Trash 80's, então há duas festas que você não pode perder: Plop! (na sexta) e Ambar La Fox (no sábado), ambas no Teatro Roxy. Você vai se sentir em casa. Modernos, hipsters e afins devem dar uma olhada no que está rolando no lounge El Living e no novíssimo Salon Real. E quem leva música eletrônica a sério pode começar com uns drinks no The Shamrock; depois, é só descer as escadas e dançar ali mesmo, no Basement Club. Ou pegar um táxi até o Cocoliche, o mais underground dos clubes, que costumava funcionar até altas horas (antes da lei nova) e só não abre às segundas. Agora, se o seu negócio é progressive house (totalmente a minha praia!), o Pacha continua trazendo grandes nomes da cena - vale a pena consultar o site do clube antes de escolher a data de sua viagem. Fui ver o Martín García e tive uma noite sen-sa-cio-nal. O próximo sábado (17/4) também promete ser fodástico, com o trio holandês 16 Bit Lollitas. Os portenhos continuam umas graças, mas Buenos Aires parece cada vez menos sexual. Não é se de admirar que eles cheguem ao Rio de Janeiro e fiquem loucos feito perras no cio. Na happy hour ou na xepa pós-clube, é constante o entra-e-sai das cabines nos cruising bars Tom's e Zoom. No capítulo saunas, a Nagasaki é a "269 portenha" e chegou com a missão de desbancar a tradicional Buenos Aires A Full (não conheço nenhuma das duas). Abriu também um clube de sexo, que atende pelo nome de Kadu (é sério). Nas sextas, o fervo é por invitación, dedicado a novilhos selecionados de 18 a 37 anos, enquanto os sábados são dedicados ao leather e festas temáticas. Ah sim, os portenhos gostam mesmo é de um bom cunete. Pronto, o roteiro de Buenos Aires já está devidamente atualizado! Buen provecho!
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Thiago Lasco
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terça-feira, 6 de abril de 2010
Atualizando Buenos Aires, parte 2: comes e compras
O Brasil continua na moda: música brasileira é o som ambiente em boa parte dos lugares que se pretendem cool. Já em lojas mais populares e todo lugar onde a bagaceirice reine, o que dá o tom é o reggaeton (mêda!). Os preços ainda estão camaradas, graças ao câmbio que nos favorece (AR$1,00=BR$0,53), mas não é tudo que vale a pena. Compensa comprar roupa: há marcas locais com peças lindas, que você não vai ver aos montes na boate (tipo aquela manjadérrima camiseta gola V com estampa de asas da Armani Exchange, sabe?). Se você fala ou está aprendendo espanhol, uma ótima ideia é passar uma tarde na suntuosa El Ateneo Grand Splendid e escolher uns bons livros na língua do Walter Mercado. Aproveite e compre um bom dicionário espanhol-espanhol, coisa difícil de se achar por aqui (eu uso e costumo recomendar o Larousse Enciclopédico). Marombados e aspirantes podem trazer na mala alguns potes de creatina, que não foi proibida na Argentina e é vendida em qualquer Farmacity, de marca a escolher. Por outro lado, eletrônicos, perfumes e óculos (desatualizados, diga-se), é melhor você deixar para comprar no duty free do aeroporto mesmo. Tênis? Foi-se o tempo em que o "valor numérico" na etiqueta era idêntico aqui e na Argentina (e, portanto, tudo lá custava a metade). Os preços são pouca coisa menores e há menos variedade (Asics e Mizuno, marcas adoradas pelos praticantes de corrida, inexistem). As lojas da Avenida Santa Fe já viveram dias melhores. A Florida vale só pela Zara e pela arquitetura quero-ser-Milão das Galerías Pacífico (que, como centro de compras, perde para shoppings maiores, como o Abasto e o Paseo Alcorta). Se você também é louco pelo sorvete de lá, leve para o Brasil! Você encomenda na Persicco com um dia de antecedência, eles acondicionam num isopor cheio de gelo seco (cabem até 3kg de sorvete), y ya está. Você vai levar na bagagem de mão, os guardas da Polícia Federal vão fazer cara de desconfiados e abrir o isopor, mas depois eles lacram de novo. Não deixe para comprar o sorvete na Persicco do aeroporto: a loja de Ezeiza é uma franquia, com poucos sabores - e nenhum dos especiais. Aos caçadores de ofertas que se jogam nos outlets da Avenida Córdoba, uma dica nova: perto dali, mas longe dos olhos dos desavisados, há um outro pólo de pechinchas, que atende pelo nome de Palermo Queen (na verdade, é um pedaço de Villa Crespo que foi rebatizado pelas imobiliárias, em "homenagem" ao Queens nova-iorquino). Os outlets das marcas bacanas estão escondidos na calle Aguirre. Nos restaurantes, tudo é barato: num lugar de bom padrão, os pratos mais caros dificilmente passam de AR$60. Mesmo as extravagâncias gastronômicas supremas - os champagne brunches dos hotéis de luxo, com as iguarias mais refinadas e garçons re guapos mantendo sua taça de espumante sempre cheia - continuam valendo a pena pelo que oferecem: AR$280 no Alvear e AR$210 no Four Seasons. O chato, em qualquer lugar, é ter que dar a propina (gorjeta) em dinheiro, porque os restaurantes não podem incluí-la no valor passado no cartão de crédito. As empanadas do El Sanjuanino ainda são as melhores da cidade, sendo que a de queso y cebolla é divina (e olha que eu não gosto de empanada, vocês nunca me verão pedindo uma no Brasil). Se você estiver em Palermo, a segunda loja deles, na Sanchez de Bustamante, fica mais perto. Curte ceviches? Saiba que a cena gastronômica portenha está vivendo uma onda nipo-peruana fortíssima. No Microcentro tem o Sipan (escondido numa galeria na Paraguay), em Palermo tem o concorrido Osaka e o novíssimo Parú - isso sem falar no Astrid & Gastón (mais tradicional, sem japonismos), que tem filial na cidade. Outro modismo que chegou chegando é o das cupcakes - a meca desses bolinhos-bebê-com-roupa-de-festa é a Muma's Cupcakes, uma lojinha branca toda fofa, em Palermo, que faz pequenas obras de arte que dão pena de morder. O elogiado tailandês Lotus Neo Thai se mudou de Las Cañitas para Belgrano, no coração do Barrio Chino (sim, existe um em Buenos Aires, poucos brasileiros sabem, eu mesmo não sabia). No quesito jantar-buxixo, quem cansou do Casa Cruz pode ir ao Tegui, do mesmo dono, ao Sucre, lindão, ou ao Gran Bar Danzón, que tem sushi e pratos contemporâneos, além de DJs nas noites de sexta. Gostei de conhecer o Quimbombó, na Plaza Palermo Viejo: três andares (o terraço é tudo), preço ótimo, gente bonita, drinks perfeitos e pratos contemporâneos com um pezinho no natural e outro no asiático. Você amava o espaço ao ar livre do Olsen, mas acha que a comida decaiu? Dê uma sapeada no Home Hotel, que tem um jardim parecido, e agrada tanto no brunch como nos drinks pré-balada. E para não dizer que não falei de carnes (afinal, estou escrevendo sobre Buenos Aires!), os turistas migram de uma casa para outra na medida em que vão se descolando. Começam no Siga La Vaca; depois aprendem que o La Caballeriza é bem melhor; aí percebem que Puerto Madero datou, passam a freqüentar Palermo e adotam o La Cabrera; e por fim, quando já começam a querer tirar onda de insiders, descobrem o Miranda, a parrilla do momento.
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Thiago Lasco
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domingo, 4 de abril de 2010
Atualizando Buenos Aires, parte 1: impressões gerais
A melhor época para visitar Buenos Aires é nos meses de meia-estação, como este. Em julho, o frio rigoroso exige levar peso demais na mala, e o aumento na demanda, provocado pelas nossas férias escolares, inflaciona os preços; o verão (incluindo réveillon e carnaval) é um mico, com um calor insuportável e a cidade chocha, porque todo o agito (gay inclusive) se transferiu para Mar del Plata. E por falar em calor, uma campanha maciça contra a dengue está bombando por toda parte; essa não é uma preocupação só nossa. Buenos Aires é cosmopolita até nos nomes das ruas: Billinghurst, Clay, Pringles, Fitz Roy, French, Pasteur, Voltaire, Jean Jaurès, Bonpland, Humboldt, Vidt, Boulogne Sur Mer... O Rosedal, trecho mais bonito dos Bosques de Palermo, está interditado ao público, infelizmente. Um efeito da invasão sem trégua dos brasileiros é que o português falado pelos vendedores, garçons, taxistas e atendentes em geral está cada vez melhor. Antigamente, eu ficava intimidado quando entrava nas lojas e era recebido por um segurança mal-encarado, controlando a porta para evitar furtos. Hoje, já levo tudo para o lado do fetiche: tem cada coisinha... Palermo continua sendo a melhor área para caminhar, com os restaurantes e lojas mais descolados. Para quem ainda não conhece, o "centro nervoso" fica entre as ruas Honduras, El Salvador, Malabia, Armenia e Gurruchaga. E quem sempre freqüenta vai perceber que, de um ano pra cá, muita coisa abriu, fechou ou mudou de lugar. Já no Microcentro, região da hotelaria mais tradicional e que recebe a maioria dos pacotes brasileiros, a sensação de decadência é incômoda. As calçadas estreitas e esburacadas de sempre ficaram ainda piores com a sujeira deixada pelos mendigos, que abrem e reviram os sacos de lixo à procura de comida. Mas os meus dois restaurantes do coração continuam sendo bem ali: o Broccolino, com os Sorrentinos Tony que eu sempre cito no blog, e o Filo, que parou no tempo em algum lugar dos anos 90, mas ainda tem uma onda ótima, uma pizza idem e uma relação custo-benefício fantástica. E a Plaza San Martín [foto] nunca vai deixar de ser meu cantinho favorito para aqueles momentos de introspecção, pensando na vida e curtindo a própria companhia. A muvuca da Recoleta aos domingos, por conta da tradicional feirinha, é um desafio para a paciência, especialmente quando você se jogou horrores no sábado e ainda está meio cansado. O tal "renascimento cool" de San Telmo, de que se fala há uns bons três anos, ainda não me convenceu. E o Hotel Axel de lá faz menos barulho do que o original de Barcelona - talvez pela localização no meio do nada, talvez pelo fato de os hóspedes serem em sua maioria casais de meia-idade norte-americanos (um povo não lá muito festeiro, não é mesmo?). Que tal dar uma boa relaxada, cuidar da beleza ou até fazer um Botox básico? Dizem que o Markus, primeiro day-SPA exclusivamente masculino de Buenos Aires, é um luxo só. Para fazer ligações telefônicas, os locutorios continuam sendo uma maravilha (pena que não existe isso no Brasil). Para quem insistir em usar o roaming do celular, TIM vira Personal, Vivo vira Movistar e Claro continua sendo Claro, que é campeã de reclamações também entre os argentinos. E alguém pode me dizer por que TODO filme argentino precisa ter o Ricardo Darín encabeçando o elenco? Não existe oficina de atores na Argentina, não? Aliás, dá pra comprar El secreto de sus ojos baratinho, em DVD original com encarte e pôster, em qualquer banca de jornal. Incomodada ficava a sua avó: ninguém precisa mais guardar US$18 na carteira para pagar a taxa de embarque do voo da volta. Desde maio de 2009, a taxa passou a ser embutida no valor da passagem, como acontece em qualquer país minimamente desenvolvido. E falando em aeroporto, que tal uma ponte aérea para Buenos Aires? Me contó un pajarito que em breve teremos voos diretos de Congonhas (!?) ao Aeroparque Jorge Newbery (o aeroporto doméstico deles, convenientemente situado dentro da cidade). Tudo de bom!
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Thiago Lasco
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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Rapidinhas cariocas
Como fiquei no Rio de 26 a 30 de dezembro, peguei dias de muito sol e um praião fantástico, e consegui dar um "up" no meu tom dourado alagoano. Aliás, eu nunca consegui entender: por que o Rio de Janeiro é sempre muito mais quente do que o Nordeste, se está mais longe da linha do Equador? Em época de balanços e melhores-do-ano, concluo que a música que deu a cara do Rio em 2009 (pelo menos pra mim) foi "Hush Hush", das Pussycat Dolls. O metrô da cidade está um desastre! A nova estação General Osório (prometida há 11 anos) ficou bonita, mas o trem chega a demorar quinze minutos para passar, e não há um único banco na plataforma inteira para os usuários sentarem e esperarem! A muvuca logo se acumula e as composições já partem abarrotadas. Se em verões anteriores o balneário parecia ter virado destino dos gringos mais bagaceiros, de 2008 pra cá um público bem bacana tem flanado pela Zona Sul. Dos hotéis trendy aos albergues-carandiru, muita gente linda na pista pra negócio. Bem bacana a nova edição limitada das Havaianas - branca, com estampa de várias fitinhas coloridas à la Bonfim, representando os desejos de ano novo - à venda por R$32 na loja própria da marca na Farme, quase em frente ao Bofetada. O tal "choque de ordem" imposto pelo prefeito Eduardo Paes para disciplinar a vida na praia desagradou muita gente. Cada barraca agora só pode oferecer 80 cadeiras - ou seja, chegue muito cedo, ou passe nas Lojas Americanas e compre a sua. O comércio ambulante foi drasticamente reduzido, e proibiram aqueles latões de mate que eram verdadeiros ícones da praia carioca. O lado bom: os folgados que distribuíam boladas nos banhistas agora só podem mais jogar frescobol e "altinho" na beira da água após as 17h. Depois de uma era em que o must era ser o mais bombado possível, a palavra de ordem deixa de ser volume e passa a ser definição. O músculo ainda impera, mas corpo inchado virou cafona: quanto mais seco e rasgado, melhor. A minha descoberta nessa viagem foi o Meza Bar, na Capitão Salomão com a Visconde Silva (ali onde era o Madame Vidal, no Humaitá). Delícia de lugar pra ir com os amigos: aconchegante e escurinho na medida, música perfeita, público bacanudo e sem afetações, comidas sofisticadas e criativas, que chegam à mesa em potinhos. Tudo de bom! Outra delícia, essa já tradicional, é assistir ao vaivém de Ipanema tomando um sorvetinho mara sentado no pequeno deck da Mil Frutas. Para quem gosta de sabores cremosos e doces, uma trinca matadora: o novo beijinho e os clássicos chocolate branco com maracujá e queijo com doce de leite. Hummm! Mais dicas de comidinhas cariocas em breve: vou postar uma versão revista e atualizada do meu roteiro gastronômico do Rio, que publiquei aqui em 2006. Sobre as festas: como voltei pra SP no dia 30, não peguei as festonas da cena barbie (eu soube que a Maxima e a R.Evolution agradaram). Mas fui conferir a edição de 5 anos da Moo, na varanda do Museu de Arte Moderna. Locação desbundante, público desencanado e bonito e música entre electro e disco house, criando um clima superfofinho. Tive minha última dose de cafuçus do ano, no quartel-general-nagô do Rio de Janeiro, o Buraco da Lacraia, que nunca decepciona e estava simplesmente bafônico. E por falar em cafuçus, já começou a votação para o Mulato do Góis 2010, concurso do jornal O Globo que elege o mais bonito entre um dream team de sambistas das escolas do Grupo Especial. Escolha o seu favorito aqui. Não tem jeito: entra ano e sai ano, com sol ou com chuva, com todas as virtudes e defeitos, a Cidade Maravilhosa continua me deixando amarradão! Se meu amor é por São Paulo, minha paixão é pelo Rio! Um beijo e feliz 2010 para os meus amigos e leitores cariocas! [Foto: Eugene Zhukovsky]
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Thiago Lasco
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terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Picadinho nordestino (parte 2)
Contraste social existe no Brasil inteiro, mas em Alagoas algo chama a atenção: os ricos são muito, muito, ricos. Por algum motivo que desconheço (será o calor?), a grã-finagem local usa e abusa de looks monocromáticos em bege, fazendo a linha "safári do sertão". Os alagoanos estufam o peito de orgulho ao lembrar que o cantor Djavan é de lá. Outra filha ilustre por quem eles nutrem muita simpatia é a ex-senadora (e hoje vereadora) Heloísa Helena. Já quando se fala em Renan Calheiros, eles gaguejam e tentam desconversar. E, antes que se chute o pau da barraca de vez, fazem questão de frisar que o ex-presidente Fernando Collor (que teve um romance com Leila Lopes, segundo a autobiografia deixada pela atriz, vocês viram?) é do Rio de Janeiro. As praias do Nordeste não costumam ter trechos segmentados por tribos, como Ipanema. Mas o trecho mais gostoso da Ponta Verde para ficar é entre os bares Lopana e Kanoa. Aliás, falando em Ipanema, esqueça o grito de "AAAAAAAAAAA-bacaxi!": a marca registrada de Maceió é o mantra "Pi-co-lé e-sor-ve-te CAI-CÓ! Pi-co-lé e-sor-ve-te CAI-CÓ!", repetido ad nauseam pelos falantes de um exército de carrinhos. Eu não conseguia parar de pedir o suco de abacaxi, laranja e gengibre do quiosque Guaraná Ponta Verde - tomava pelo menos três por dia. Estou longe de ser um santo e já vi diumtudo nessa vida, mas fiquei chocado com o quanto as camisetas com dizeres chulos (produto tipicamente nordestino que faz sucesso entre os turistas da classe C) estão pesadas. Coisa de tirar as crianças da sala! Onde o Brasil vai parar? Alugue um carro e passe um dia redondo no litoral norte: pegue praia em Guaxuma, depois siga até Ipioca, entre no condomínio Angra de Ipioca, almoce com os pés na areia no Hibiscu's (peça camarão ao champagne), e na volta para Maceió, tire fotos no mirante da Praia da Sereia. Já no litoral sul, a minha sugestão para quem tem pouco tempo é pegar praia no Gunga de manhã e em Barra de São Miguel à tarde (quanto mais você se afastar das barracas centrais, em direção às casas de praia, melhor). No fim da viagem, eu já estava me acostumando a ser chamado de "galego" pelos nativos. Para dar um up na vida dos filhos, há quem resolva batizá-los com nomes próprios inspirados no inglês: Kléberson, Dayane, Maicon, Rosicleide. Em Maceió, não vi muitas amostras do "estilo Creysson" - mas notei que nomes comuns recebem grafias diferenciadas, como Kaio, Karllos e Rogéryo. Morro de saudade da torta caseira de mousse de chocolate, pedaços de morango e creme de doce de leite que eu comia no Massarella, meu restaurante favorito em Maceió junto com o Takê. Aqui em São Paulo, muitos torceram o nariz para a favelização do Orkut e migraram para o Facebook - que, até o fechamento deste texto, ainda era tido como cool. No Nordeste, porém, o Orkut ainda é ferramenta de contato fundamental e necessária - todo mundo que você conhece em qualquer situação pergunta se você tem perfil e pede para te adicionar. Não existem gays em Maceió (e nem no Irã), mas, com um mínimo de perspicácia, é fácil encontrar um macho que curta uma brincadeira "na baixa". E a brincadeira que o moço quer, em 99% dos casos, é colocar a "pomba" dele no seu "boga". Mas gay é somente aquele que brinca com a pomba deles, capisce? Bom mesmo é dar risada de tudo isso, e ainda disparar a seguinte pérola, na iminência do abate: "Essa pomba gosta de um carinho?" Ah sim, e antes que perguntem: a amostragem realizada constatou que os alagoanos moram longe, bem longe. Se a liberdade de viajar sozinho e aprontar à vontade não tem preço, é duro ter que pedir para os outros nos passarem filtro solar nas costas - as alagoanas recusavam, ruborizadas: "não posso, eu sou uma mulher casada!".
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Thiago Lasco
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Picadinho nordestino (parte 1)
Os homens pernambucanos ainda têm o sotaque mais gostoso do Nordeste. A Praça da República pegou emprestado algumas medusas luminosas da Rosane Amaral para fazer sua decoração de Natal. Brasília Teimosa era imbatível na categoria "bairros com nome bizarro"; agora o nome mudou para Brasília Formosa, coisa mais sem-graça. Na gíria recifense, menino é "boyzinho". E menina? É "boyzinha", ora! A sinalização nas estações do metrô de Recife segue a mesma identidade visual do metrô paulistano - a linha Centro tem fontes e cores idênticas às da nossa linha 3-Vermelha (eu me senti no Carrão!). Aliás, eu ainda fico espantado com a devoção que os recifenses nutrem pela cidade de São Paulo. As incansáveis carrocinhas de CD pirata, que fazem a trilha sonora compulsória da praia, adoram desenterrar alguma música do além e transformá-la em hit do verão. Em 2007, foi o hino disco "Dance Little Lady Dance", da Tina Charles (1976); agora é a vez de "Muito Estranho", que fez a fama do cantor Dalto nos idos de 1982 ("cuida bem de mim! então misture tudo... dentro de nós!"). No quesito gente bonita, o trecho em frente ao Edifício Acaiaca continua sendo pura propaganda enganosa. E o mais gostoso para ficar é aquela clareira tranqüila que sempre se forma entre a muvuca do Acaiaca (número 3232) e a concentração gay-penosa na altura do finado Hotel Savaroni (3772). Tomei uma caipiroska de uva incrível no Clássico Cozinha Afetiva, novíssimo restaurante que serve pratos de comfort food assinados pelo famosinho Douglas Van Der Ley. Aliás, também é dele o cardápio do It, que funciona dentro da bacanérrima multimarcas DonaSanta e é a opção mais cool para almoçar em Boa Viagem (adorei a mesona coletiva, com tentáculos que se espalham por todo o salão). Fui me dar mal justamente no meu restaurante predileto, o Oficina do Sabor, em Olinda. Quis inventar moda e pedi um camarão com creme de gengibre uó - o molho levou o troféu Xuca da Silva. Não tem jeito: lá o negócio é pedir o bom e velho Jerimum Frevoé! Engraçado que Las Bibas From Vizcaya são idolatradas aqui em SP, mas lá em Recife ninguém fala nelas. O buxixo da Galeria Joana D'Arc deu uma reanimada, mas está menos gay. É sempre difícil escolher entre os 57623 crepes do cardápio da Anjo Solto. O Marquinhos, que acessa meu blog todo dia e reclama quando não tem post novo, é muuuuuito fofo! Os pernambucanos que foram ao Sauípe se jogar no Heaven & Hell estão falando bem do festival até agora. Quando o assunto é qualidade de som e público, a nova New Misty é bem melhor que a veterana Metrópole. Mas eu me divirto mesmo é com a mundiça do MKB ("Meu Kaso Bar", que tal?), que pra mim continua sendo, de longe, a melhor balada de Recife. Ainda acho que a Thermas Boa Vista, que dá de 10 na nossa 269, é a melhor sauna gay do Brasil (OK, ainda preciso conhecer a tal Dragon, de Fortaleza). Mas o público era melhor e mais jovem em 2007. Esqueça os melindres semânticos dos baianos: em Recife, você pode chamar os cafuçus de cafuçus sem medo, porque eles têm orgulho de ser cafuçus. Viva os cafuçus!!! [Quer ler Recife 2007? Clique aqui].
Postado por
Thiago Lasco
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10:40 PM
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sábado, 3 de outubro de 2009
Rapidinhas com um pouco de tudo
SORVETE NA TESTA 2.0 Zapeando os canais anteontem, acabei caindo no VMB 2009, a premiação anual da MTV (que um dia já foi bacana, lembram?). Duas palavras definem: vergonha alheia. Foi constrangedor. A pergunta que não quer calar: qual a idade mental do público-alvo com quem eles tentam se comunicar: oito anos? Alguém realmente acha graça nas palhaçadas da emissora? Fazer discurso de agradecimento berrando, e dizer que algo é "muito foda", por acaso é... muito foda? Mó atitude, véi? Premiar o "Twitter do ano", êta falta do que fazer, hein!? E o Marcos Mion ainda existe? Devo ter virado um velho anacrônico, só pode ser. A única coisa que prestou foi ver a cara de bunda da Mallu Magalhães e do Nando Reis quando a banda Fresno foi anunciada como artista do ano.
SEGURE COM AS DUAS MÃOS Tenho mais uma larica superluxo para dividir com vocês. Desta vez, o destaque gastronômico não poderia ter um nome mais fuleiro: Zé do Hamburger. Quando me indicaram, logo pensei em uma Kombi estacionada em frente a um desses terminais de ônibus da periferia. Nada disso: é uma lanchonete apertada, mas charmosa, na rua Caiubi, em Perdizes. A carne do hambúrguer de picanha é suculenta, mesmo tendo quase dois dedos de espessura. E o Diner Burger - que leva alface, tomate, pedacinhos de bacon, molho de queijo, um toque de barbecue e finíssimas onion rings - é simplesmente arrebatador. O reinado do St. Louis como melhor hambúrguer de SP corre perigo.
JOGA PEDRA NA GENI O Don Diego tem sido um dos meus blogs gays preferidos ultimamente. Longe da superficialidade que domina tantos outros espaços, o rapaz propõe reflexões lúcidas e muito bem articuladas sobre comportamento, sexualidade e outros temas do nosso cotidiano - mas sem ser chato. Dia desses, ele me mandou o link deste post de um blog americano, comentando a repercussão do assassinato de um homem dentro de um parque em Atlanta, às 2 da manhã, em junho passado. Na opinião pública, houve um senso comum (latente, não escancarado) de que ele teve o que merecia, afinal estava ali fazendo pegação. O mais curioso é que muitos dos que endossaram tal discurso também eram gays - o que mostra como esse assunto ainda é tratado com recalque e hipocrisia até mesmo dentro do meio.
BRAINWASH CATÓLICA, NÃO "Você é favorável ao ensino religioso facultativo nas escolas públicas?" Essa pergunta é objeto de uma enquete que o Senado brasileiro está fazendo em seu site. Por trás disso, está um acordo que o Brasil assinou com a Santa-Sé e que é uma violação ao Estado laico. Por um simples motivo: não se trata de um ensino pluralista, que contemple as religiões em geral, mas tão somente a doutrina católica, que seria imposta goela abaixo nas escolas públicas. O próprio Vaticano já confirmou isso, e a Igreja Católica brasileira, como não poderia deixar de ser, está fazendo a maior propaganda para os fiéis votarem a favor. Se você não concorda com mais essa ingerência e acha que religião deve ser uma escolha pessoal, clique aqui e vote contra. A enquete está no canto direito inferior da página.
MALANDRO É O GATO E falando em religião, fiquei passado na manteiga de cacau com a entrevista com um ex-pastor da Igreja Universal do Reino de Deus que foi publicada pela revista Época, há coisa de duas semanas. A ovelha desgarrada, Gustavo Alves da Rocha, explica com detalhes como Edir Macedo forma seus pastores e os ensina a arrancar dinheiro dos fiéis. Lógico que temos de deixar a ingenuidade de lado, ler nas entrelinhas e lembrar que as motivações por trás de uma reportagem como essa não são necessariamente nobres - nem as do ex-pastor, que Edir deixou na miséria, nem as da Globo, que se sente acuada pelo avanço da Record. Ainda assim, a matéria vale o confere. Leia aqui.
A VITÓRIA É SÓ O COMEÇO Claro que fiquei superfeliz com a notícia de que nosso querido Rio de Janeiro vai sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Simbolicamente, isso nos traz um reconhecimento e uma visibilidade que são muito bem-vindos (ainda que isso custe ao país um preço que certamente será cobrado). Comemoremos, então, pois temos todo o direito. Mas não deixemos que o ufanismo canarinho nos distraia e nos imbecilize, como já fez em tantos outros carnavais. O Rio - e o Brasil - têm muita lição de casa para fazer. Até a Copa e os Jogos, não dá pra virar Primeiro Mundo, mas dá pra promover melhorias drásticas em diversos aspectos, dos mais localizados (o transporte urbano) aos mais conjunturais (sobretudo a segurança). Não vamos desperdiçar essa chance de arrumar a casa - para os convidados e para nós mesmos. Se esse empurrão não servir, então o que servirá?
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Thiago Lasco
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4:00 PM
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