terça-feira, 6 de abril de 2010

Atualizando Buenos Aires, parte 2: comes e compras

O Brasil continua na moda: música brasileira é o som ambiente em boa parte dos lugares que se pretendem cool. Já em lojas mais populares e todo lugar onde a bagaceirice reine, o que dá o tom é o reggaeton (mêda!). Os preços ainda estão camaradas, graças ao câmbio que nos favorece (AR$1,00=BR$0,53), mas não é tudo que vale a pena. Compensa comprar roupa: há marcas locais com peças lindas, que você não vai ver aos montes na boate (tipo aquela manjadérrima camiseta gola V com estampa de asas da Armani Exchange, sabe?). Se você fala ou está aprendendo espanhol, uma ótima ideia é passar uma tarde na suntuosa El Ateneo Grand Splendid e escolher uns bons livros na língua do Walter Mercado. Aproveite e compre um bom dicionário espanhol-espanhol, coisa difícil de se achar por aqui (eu uso e costumo recomendar o Larousse Enciclopédico). Marombados e aspirantes podem trazer na mala alguns potes de creatina, que não foi proibida na Argentina e é vendida em qualquer Farmacity, de marca a escolher. Por outro lado, eletrônicos, perfumes e óculos (desatualizados, diga-se), é melhor você deixar para comprar no duty free do aeroporto mesmo. Tênis? Foi-se o tempo em que o "valor numérico" na etiqueta era idêntico aqui e na Argentina (e, portanto, tudo lá custava a metade). Os preços são pouca coisa menores e há menos variedade (Asics e Mizuno, marcas adoradas pelos praticantes de corrida, inexistem). As lojas da Avenida Santa Fe já viveram dias melhores. A Florida vale só pela Zara e pela arquitetura quero-ser-Milão das Galerías Pacífico (que, como centro de compras, perde para shoppings maiores, como o Abasto e o Paseo Alcorta). Se você também é louco pelo sorvete de lá, leve para o Brasil! Você encomenda na Persicco com um dia de antecedência, eles acondicionam num isopor cheio de gelo seco (cabem até 3kg de sorvete), y ya está. Você vai levar na bagagem de mão, os guardas da Polícia Federal vão fazer cara de desconfiados e abrir o isopor, mas depois eles lacram de novo. Não deixe para comprar o sorvete na Persicco do aeroporto: a loja de Ezeiza é uma franquia, com poucos sabores - e nenhum dos especiais. Aos caçadores de ofertas que se jogam nos outlets da Avenida Córdoba, uma dica nova: perto dali, mas longe dos olhos dos desavisados, há um outro pólo de pechinchas, que atende pelo nome de Palermo Queen (na verdade, é um pedaço de Villa Crespo que foi rebatizado pelas imobiliárias, em "homenagem" ao Queens nova-iorquino). Os outlets das marcas bacanas estão escondidos na calle Aguirre. Nos restaurantes, tudo é barato: num lugar de bom padrão, os pratos mais caros dificilmente passam de AR$60. Mesmo as extravagâncias gastronômicas supremas - os champagne brunches dos hotéis de luxo, com as iguarias mais refinadas e garçons re guapos mantendo sua taça de espumante sempre cheia - continuam valendo a pena pelo que oferecem: AR$280 no Alvear e AR$210 no Four Seasons. O chato, em qualquer lugar, é ter que dar a propina (gorjeta) em dinheiro, porque os restaurantes não podem incluí-la no valor passado no cartão de crédito. As empanadas do El Sanjuanino ainda são as melhores da cidade, sendo que a de queso y cebolla é divina (e olha que eu não gosto de empanada, vocês nunca me verão pedindo uma no Brasil). Se você estiver em Palermo, a segunda loja deles, na Sanchez de Bustamante, fica mais perto. Curte ceviches? Saiba que a cena gastronômica portenha está vivendo uma onda nipo-peruana fortíssima. No Microcentro tem o Sipan (escondido numa galeria na Paraguay), em Palermo tem o concorrido Osaka e o novíssimo Parú - isso sem falar no Astrid & Gastón (mais tradicional, sem japonismos), que tem filial na cidade. Outro modismo que chegou chegando é o das cupcakes - a meca desses bolinhos-bebê-com-roupa-de-festa é a Muma's Cupcakes, uma lojinha branca toda fofa, em Palermo, que faz pequenas obras de arte que dão pena de morder. O elogiado tailandês Lotus Neo Thai se mudou de Las Cañitas para Belgrano, no coração do Barrio Chino (sim, existe um em Buenos Aires, poucos brasileiros sabem, eu mesmo não sabia). No quesito jantar-buxixo, quem cansou do Casa Cruz pode ir ao Tegui, do mesmo dono, ao Sucre, lindão, ou ao Gran Bar Danzón, que tem sushi e pratos contemporâneos, além de DJs nas noites de sexta. Gostei de conhecer o Quimbombó, na Plaza Palermo Viejo: três andares (o terraço é tudo), preço ótimo, gente bonita, drinks perfeitos e pratos contemporâneos com um pezinho no natural e outro no asiático. Você amava o espaço ao ar livre do Olsen, mas acha que a comida decaiu? Dê uma sapeada no Home Hotel, que tem um jardim parecido, e agrada tanto no brunch como nos drinks pré-balada. E para não dizer que não falei de carnes (afinal, estou escrevendo sobre Buenos Aires!), os turistas migram de uma casa para outra na medida em que vão se descolando. Começam no Siga La Vaca; depois aprendem que o La Caballeriza é bem melhor; aí percebem que Puerto Madero datou, passam a freqüentar Palermo e adotam o La Cabrera; e por fim, quando já começam a querer tirar onda de insiders, descobrem o Miranda, a parrilla do momento.

14 comentários:

Daniel disse...

Gente, mas você passou alguns dias ou um mês em Buenos Aires?

Too-Tsie disse...

Isso que eu acho super dinâmico em BsAs: a cada visita, tudo renovado, novos lugares, acho NY igual, guardando as devidas proporções.

Dessa última vez eu conheci o Dot Baires, novo shopping deles. Comprei muita coisa local. E realizei um sonho de ficar hospedado no Hilton de Puerto Madero. Meu restaurante preferido desta vez foi o Mauro.it em Belgrano, lugar bem simples mas muito acolhedor. Vi de longe as comemorações do ano novo chinês pertinho do restaurante. Também realizei meu sonho de comer no El Rey de las Papas Fritas, fora o chamariz da casa que são as batatas fritas infladinhas, achei a carne maravilhosa também.

Só uma coisa que eu não curti: não consegui um chip 3G pré pago, tive que ficar pagando diária de internet no quarto do hotel que é um absurdo, ou usar algum wi-fi grátis na rua (ainda bem que tem bastante).

Fiquei curioso pra ver as ofertas desses outlets e perdi 2 horas preciosas vendo gente se acotovelando para comprar uma polo Lacoste que nem era tão barato assim. E nas outras lojas que entrei também não vi nada interessante. Muito mais gostoso é você ir ao shopping que eles frequentam e pagar um pouco a mais, mas pelo menos não é refugo da estação passada.

E o lance da dengue, a coisa tá feia, os mosquitos estavam em todos os lugares, até nos taxis, dentro das lojas, eu andava com um tubo de Off! na bolsa.

Wans disse...

Comprei um fone de ouvido maravilhoso da Panasonic e um box do Massive Attack que foi uma pechincha em BA. Falando em box, já reparou como os lançamentos por lá são muito melhores do que aqui? Encontrei muita coisa bacana que até hoje o brasil só vê em importação.

bj

Paparazzo Campinas disse...

Adoro ler seu blog, pois vc sempre descreve nos mínimos detalhes. Tive que adiar minha viagem pra BA, mas na próxima oportunidade lá/aí estarei. Beijos

Douglas Mendez- O Homem é um ilha disse...

A Miranda é uma delicia com as mesinhas na rua e foi onde eu tomei os melhores vinhos em bs as, incluindo uma loja local na sua lista: Tascani, roupas bacanas e os vendedores mais lindos da cidade.

Fernando (BSB) disse...

Só uma coisa vem a minha cabeça depois de ler esse post: ainda tem lugar na próxima trip para BsAs? Pode ser no tour com as mães mesmo, pelo menos para as partes 1 e 2, já a parte 3, eu troco as mães pelos filhos... no bom sentido ;-)

Abração Thi e posta logo a parte 3, antes que pense em desistir do blog e da carreira jornalística novamente. rsrs

Vítor disse...

Meu novo amor em BsAs responde pelo nome de Tascani. Um rombo no meu cartão...

Vaca Jersey disse...

i-n-v-e-j-a!
Hahahahaha!!!!
E vem cá... não quer jogar Vacapólio comigo, não?
Hehehehe!!!!
Hugzzzzzzz, man!

Anônimo disse...

BRAVO... BRAVISSIMO
ESSE THI É UM ESPETACULOOOOOOOOOOOOOO
AMO DE PAIXAO!

bello disse...

Ola tudo bem ?
Estou indo pela primeira vez agora dia 15, aluguei um ap na regiao de palermo, perto do jardim botancio, o que vc recomenda em termos de carne pela area e custoxbeneficio? o La Cabrera ou o La Caballeriza ?
e a noite ? estava pensando com meu Bf conhecer a Amerika/Rheobar/human club ?
o que achas ?
Ja li todas as outras dicas, parabens mesmo!!!

ps: a gente ja se falou muito rapido a muito tempo na festa do tino, no vips !!!
abraços

Introspective disse...

Bello: se é sua primeira vez em BsAs, vc vai querer conhecer Puerto Madero, nem pra dizer que já esteve lá. Então, acho que eu iria ao La Caballeriza, que é um dos restaurantes que eu considero melhorzinhos de lá. Pelo custo x benefício em si, suspeito que o La Cabrera ganhe... mas o La Caballeriza é bem mais vistoso.

Em relação a baladas, aguarde meu próximo post, que vai falar justamente sobre isso! Até amanhã já deve estar no ar :)

beto disse...

acho que você cometeu dois enganos:

* o povo daqui quer mesmo é comprar roupas para ficar IGUAL a todo mundo, os clones continuam em alta...

* e acho que vc trocou os ritmos latinos: sim, tem um pouco de reggaeton em BsAs, mas o que bomba mesmo por lá é cumbia, importada da colômbia e reprocessada na periferia porteña.

* e quem ganhou sua degustação de sorvetes: Persicco ou Volta? páreo duro! e mesmo o Freddo não fica muito atrás.

Daniela disse...

Adorei!

Anônimo disse...

IA ATENDER SEU TELEFONE ONTEM: COM UM BRAVO! BRAVISSIMO...
MAS PENA QUE A LIGAÇÃO NAO ESTAVA BOA E O LOCAL QUE ESTAVAMOS ESTAVA MUITO BARULHENTO...
DEPOIS VOU TE LIGAR!!
ABRAÇO