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sexta-feira, 31 de julho de 2009

Rapidinhas baladeiras

NOITE DOS SONHOS Um dos mais concorridos festivais gays do mundo, o Black & Blue faz milhares de belos circuiteiros baterem cartão em Montreal a cada mês de outubro. O site da fundação que organiza o B&B já começou a soltar as informações da edição 2009, e eu fiquei simplesmente pretérito quando soube quem vai tocar na festa principal, em 11/10: Sasha, John Digweed e Dave Seaman. Ouvir os três papas da progressive house, juntos, num centro de convenções gigante [o Palais des Congrès, na foto ao lado] apinhado de homens lindos, parece até um sonho. Enquanto aqui somos obrigados a engolir a gritaria tribal sem reclamar, no Canadá até as barbies ouvem música boa...

YO NO CREO EN BRUJAS... Já em outro festival gay bombado, o Circuit Festival, que começa amanhã em Barcelona, o clima é tenso nos bastidores. Segundo fofoca que ouvi do meu provável único leitor português, as autoridades fecharam o Souvenir, afterhours tradicionalíssimo onde aconteceriam algumas das festas mais esperadas do programa. O Matinée Group, que organiza o festival, corre contra o tempo para achar outro lugar e salvar o fervo das bilus. Não é de hoje que a Espanha anda intolerante com a jogação: de 2007 para cá, a prefeitura de Ibiza vem fechando clubes e proibiu toda e qualquer festa após as 6 da manhã - jogando areia nas day parties da Space, que eram justamente as festas mais especiais da ilha.

DOMINGO EU QUERO VER Tô gostando bastante dessa nova movimentação em torno de baladinhas dominicais em São Paulo (o Mix avisa: é tendência). Como o inverno não inspira pool parties, o jeito é pensar em festas indoor. Primeiro veio a despretensiosa Gambiarra, no Cambridge - que nem é gay, mas começou a atrair um povo cansado das matinês de sempre. Agora, dois projetos novos vêm aí. Dia 9/8, o Sonique estreia seu Café com Vodka, sob a batuta do fervido Duda Hering. No domingo seguinte, é a vez da festa Dalva, que Ailton Botelho e Marcos Costa farão quinzenalmente no Vegas, com o promissor André Garça como DJ residente. Ainda sou fã incondicional da Blue Space, mas vou adorar ter novas boas razões para não sofrer com a aproximação da segundona.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

O mapa da mina para uma farra em Barcelona

A vida é injusta: enquanto aqui no Brasil andamos pelas ruas tremendo de frio, de guarda-chuva na mão e barra da calça ensopada, Barcelona está ensolaradíssima e apinhada de homens interessantes, que chegam de várias partes do mundo atrás de um verão de hedonismo, curtição e aventuras. A ferveção gay na capital catalã chegará ao seu auge a partir do próximo fim-de-semana, quando começa a segunda edição do Circuit Festival, com cinema, palestras e muuuuitas festas (a The Week vai levar alguns de seus DJs para tocar no famoso after Souvenir). Fui conferir o Circuit Festival em 2008 e garanto: é babado & confusão mesmo.

Aos amigos e leitores que já estão de malas prontas, uma dica: escrevi para a revista DOM deste mês (com o ator Júlio Rocha na capa) uma matéria de viagem sobre Barcelona, entregando o serviço completo para quem quiser aproveitar ao máximo a cidade. Está tudo lá, bem mastigadinho: hospedagem de vários tipos, restaurantes, compras, praias, baladas, pegação... Buen viaje, y que disfruten! Entre uma jogação e outra, você pode dar pinta cas culega no Parc Güell.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Rapidíssimas

EMPÓRIO ::: Amanhã e domingo vai ter Mercado Mundo Mix, em novo endereço: um estacionamento na Av. Paulista, perto do prédio da Gazeta. Quando comecei a sair, nos idos de 1998-1999, eu adorava ir ao MMM e também ao Mambo Bazar (que rolava naquele casarão lindo em frente ao Bob's). Depois, acho que tudo se pasteurizou demais e perdeu a essência. Mas vou dar uma conferida, nem que seja por nostalgia!

DORIL ::: Os usuários do Manhunt estão bem desgostosos. A reformulação visual do site, feita às pressas e de qualquer jeito, simplesmente deletou as mensagens da caixa de entrada e o histórico de visitantes dos usuários. Pra piorar, muitos não conseguem fazer login e recebem a informação de que tiveram o perfil desativado. Melhor se tivesse ficado como estava, não?

BACALHOADA ::: São Paulo sempre teve opções para os amantes do sexo por atacado: Gladiators, Blackout, RG31 e as festas da sauna Wild são alguns exemplos. Tinham lá seus adeptos, mas o grande público torcia o nariz. A popularidade da 269, com seu grande estábulo no piso superior, provocou uma mudança de atitude: o povo foi perdendo o pudor de se jogar na frente de todo mundo. Hoje, outro sex club abre as portas: o Upgrade, tocado por um ex-sócio do RG31. Será que agora a coisa pega?

PASSAPORTE ::: E a The Week finalmente começa a dar seus primeiros passos no exterior. Alguns especulavam sobre uma possível filial em Buenos Aires, mas, por enquanto, o clube fala apenas em festas. A primeira será na DBOY de Barcelona, no dia 11/4, aproveitando o fluxo de europeus que vão passar a Páscoa na capital catalã. Depois, virão França, Inglaterra, Canadá, Argentina e México. Gostei da DBOY, mas acho que será ainda mais legal quando a TW fizer day parties em lugares abertos!

DORMINHOCO ::: Confesso que não esperava que a procura pelo Skol Sensation fosse tão grande. Resultado: demorei para comprar meu convite, a meia entrada acabou e agora eu simplesmente não quero pagar R$160. Depois eu pergunto pros amigos como foi. Next...

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Circuit Festival, tintim por tintim

Verdadeiras maratonas da jogação, as chamadas circuit parties nasceram e se consolidaram na América do Norte, que todos os anos espera ansiosamente por eventos como a Black & Blue (Montreal) e a White Party (Miami). Já na Europa, esse formato não tem a mesma tradição: só foi introduzido em 2005, ano de estréia do LoveBall, que teve edições em Bruxelas e Barcelona.

Neste ano, o LoveBall chegou à sua quinta edição e ganhou um concorrente à altura: o Circuit Festival. Ambos foram realizados em Barcelona e chegaram a ter eventos simultâneos durante 4 dias. No entanto, as festas principais foram estrategicamente distribuídas em sábados diferentes (um cuidado que os produtores cariocas, em eterna guerra de egos, poderiam tomar).

Escolhi Barcelona porque meu primeiro contato com a cidade me fascinou e eu queria me aprofundar nela. Mas já sabia dos festivais e resolvi unir o útil ao agradável. Dentro desse propósito, de combinar turismo e jogação sem que um sacrificasse o outro, fiz uma seleção de cinco festas do Circuit e me joguei. Aqui vão minhas impressões...

1) DEVOTION
Quando: terça, 5 de agosto de 2008, 23h-5h
Onde: Sala Apolo, Barcelona
DJs: Yuri (IT), Antoine 909 (FR) e Enrico Arghentini (IT)
O que: a festa de abertura do Circuit Festival foi realizada na tradicional Sala Apolo, antigo salão de baile com galerias forradas de veludo e bares com balcão em madeira. O palco foi ocupado por uma grande caravela, com a mesa do DJ na popa e dançarinos e go-go boys na proa e no convés.
Uau: havia festas mais importantes nas noites seguintes (sem contar que o LoveBall ainda estava rolando). Mesmo assim, a Devotion bombou e deu uma ótima prévia do que seria o Circuit: um festival de homens lindos, esculturais e cheios de vontade de se divertir.
Uó: a Sala Apolo podia ser cheia de glórias e tradições, mas era totalmente inadequada para um evento desse tipo: não havia nenhum tipo de ventilação e o calor era insuportável. Com calças e bermudas grudadas no corpo, as pessoas se abanavam com guardanapos e arfavam em busca de ar. Não agüentei mais do que 45 minutos e fui embora, chocado com tamanho desrespeito. Se fosse no Brasil, o povo daria o maior basfond e o produtor ficaria queimado para sempre.
Nota deste blog: 3,0 para não ser azedo

WATER PARK
Quando: sexta, 8 de agosto de 2008, 10h-22h
Onde: Parc Aquàtic Illa Fantasía, Vilassar de Dalt
DJs: J. Louis, Iordee, Taito Tikaro (todos do Matinée Group)
O que: um dos destaques da programação, essa day party foi feita em um grande parque aquático, cerca de 30 minutos ao norte de Barcelona. Os rapazes do Circuit e as meninas do Girlie Festival (braço lésbico do evento) ficaram em áreas separadas [quer dizer, vieram uns 4500 homens e umas 78 mulheres, o que parece confirmar que nossas amigas sapas não curtem uma boa jogação]. Para eles, a pista principal foi montada dentro de uma enorme piscina com profundidade progressiva: quem estava mais perto do enorme palco dançava fazendo hidroginástica, quem estava mais longe apenas molhava os pés.
Uau1: O Illa Fantasía tinha uma excelente estrutura, com diversas piscinas, grande variedade de tobogãs, áreas para tomar sol, bares, massagem... Da parte mais alta do terreno, tinha-se uma linda vista do balneário de Vilassar de Dalt, com o Mar Mediterrâneo ao fundo.
Uau2: O clima não poderia ser mais leve e descontraído, verão total. Quem estava na parte rasa da piscina ou do lado de fora fervia, conversava, paquerava, fazia novos amigos e reencontrava velhos conhecidos. Quem estava dentro batia pés e mãos na água, feito criança, quando a música empolgava.
Uau3: A equipe da Matinée foi a cereja do bolo. Os DJs tocaram o electrohouse alegre típico das festas do clã. Atrás deles, a mise-en-scène da produção colocou uma horda de dançarinos sarados de sungão e boné da mesma cor dançando numa arquibancada, enquanto uma abusada magricela com perucão loiro sarará balançava sua enorme cauda de sereia verde-metálica, roubando a cena. E os barmen foram escolhidos a dedo: lindos, dourados e gostosérrimos, estavam em pé de igualdade com os homens mais belos do parque.
Uó: Foi um dia divertido e alegre, mas não bafônico como prometia. Mesmo com o visual maravilhoso do parque e algumas das buneetas mais buneetas de toda a Europa, a festa não chegou aos pés de uma boa GiraSol. Muito menos daquela mágica pool party da Estação do Corpo, que entrou para a história do Rio no Carnaval 2006.
Nota deste blog: 8,0 seria bastante justo

3) TOUR INFINITA '08
Quando: sexta, 8 de agosto de 2008, 23h59-6h
Onde: DBOY, Barcelona
DJs: David Berna (ES) e Ismael Rivas (ES); Jeremy Reyes (FR), Fabio White (UK) e Francesco Belais (IT)
O que: festa organizada pelo pessoal do InfinitaMente Gay, maior festival gay de Madrid, responsável também pela parada do orgulho da capital espanhola. Eles trouxeram para a DBOY (resultado de uma caprichada repaginação da antiga boate Salvation) os dois residentes da Space of Sound, a balada mais incrível de Madrid, que acontece das 9h às 15h de domingo dentro de uma estação de trem.
Uau1: quem já teve o privilégio de passar um domingo na Space of Sound sabe que Ismael Rivas é "o" cara [já falei dele várias vezes no meu blog, mas não adianta, a The Week não o chama para tocar!]. Com um som às vezes denso e envolvente, outras vezes totalmente pra cima, ele comanda a pista com muita classe, sem jamais tocar farofa [aliás, já estou há um mês sem ouvir uma só notinha de tribal-bate-cabelo! uhu!!!]. Em Madrid o povo sempre fica passado com ele; em Barcelona não poderia ter sido diferente. Ismael arrasou.
Uau2: sabe aquela noite "ideal" dentro de um clube? Clima gostoso na pista e todo mundo envolvido pela música? A festa foi assim. Astral lá em cima, muita gente linda, o povo interagindo. A equação perfeita (não fosse a pequena ressalva logo abaixo).
Uó: a DBOY é legal. A pista principal tem bom sistema de som e ótima iluminação, com colunas centrais que acendem e teto forrado com néons que piscam e mudam de cor. Mas essa estrutura só proporciona conforto se o clube estiver operando até um certo limite de pessoas. Como tout le monde et son père resolveu se jogar lá, a festa ficou intransitável e bastante quente (e olha que o ar condicionado do lugar era bastante potente). Mas isso não fez com que deixasse de ser uma ótima noite (bastava estar com o espírito preparado).
Nota deste blog: 9,0 com um sorriso no rosto

4) CIRCUIT FESTIVAL MAIN PARTY
Quando: sábado, 9 de agosto de 2008, 23h30-6h
Onde: Pabellón Olímpico de Badalona, Badalona
DJs: Deux (David Penn & Toni Bass) e Peter Rauhofer; live acts de Ultra Naté, Coco Star e Luca G
O que: a festa principal do festival aconteceu dentro de um imenso pavilhão olímpico em um município vizinho. Ao entrar, subir as escadarias e chegar ao alto da arquibancada, a visão que se tinha era algo impactante: milhares de homens descamisados fritavam lá embaixo, na pista montada no centro do ginásio.
Uau1: O som de Peter Rauhofer é perfeito para arenas e espaços com pé-direito bem alto. Numa apresentação compacta (foram duas horas e meia de set), Peter fez o que está acostumado e deu à festa a cara de "main party" de que ela precisava. Se eu não me impressionei mais, foi porque apresentações dele tornaram-se algo bastante corriqueiro na minha vida.
Uau2: a anunciada special appearance do astro pornô François Sagat deixou a pista boquiaberta. Ele e mais dois performers de dotes igualmente descomunais (um deles, fardado) fizeram um pocket-show tão sexy, quente e intenso que Peter Rauhofer simplesmente desapareceu, reduzido a um mero tocador de música ambiente.
Uó1: se à primeira vista a grandeza do pavilhão impressionava, um olhar mais atento mostrava que não havia produção alguma: praticamente alugaram o estádio e jogaram as bichas lá dentro. Tirando o grande telão erguido atrás do DJ, o que se via era uma iluminação bastante modesta para a dimensão do lugar e nenhuma decoração. Os bares funcionavam em esquema precário e ainda tinha o calor, o empurra-empurra... Em outras palavras: a Main Party foi uma máquina de fazer dinheiro fácil. Ou somos nós brasileiros os mal-acostumados a produções caprichadas.
Uó2: totalmente desnecessários os tais live acts. Botar uma cantora fazendo pose de diva e tentando se conectar com o "lado espiritualizado das bichas" é algo anos 90 demais para minha cabeça (pode ser Ultra Naté, Amannda ou quem quer que seja). E aquele mestre-de-cerimônias (?) com roupa branca de garçom (sim, de gravata-borboleta e tudo!) "animando a galera", dizendo "are you reeeaaaady???" e "let's have a good time Barcelonaaaa!!" chegava a ser constrangedor.
Nota deste blog: 8,0 e olhe lá

5) SOUVENIR
Quando: domingo, 10 de agosto de 2008, a partir das 6h
Onde: Souvenir, Viladecans
DJs: Phil Romano (IT), Hector Fonseca (NY), Enrico Arghentini (IT) e Sens Division (FR); Elias (FR) e Nicolas Nucci (FR)
O que: desde sua abertura em 2001, numa ruela afastada no caminho para o aeroporto, o Souvenir é o principal afterhours de Barcelona e um dos melhores de toda a Europa. A pista principal, retangular, é mais ou menos como a da Blue Space (mas mais escura), com uma parede de bolas que mudam de cor no fundo; há uma segunda pista, menor, no subsolo. A clientela costuma ser variada, como nas melhores noites de Ibiza, mas aquele era um fim-de-semana atípico. Com o Circuit Festival, alguns dos homens gays mais bonitos da Europa estavam na cidade - e todos eles saíram da Main Party com um fogo incrível, direto para a Souvenir. Resultado? Bafo, né. O melhor bafo de todos.
Uau1: o clima daquele lugar é indescritível. É uma atmosfera de hedonismo, luxúria, devaneio. É como um universo paralelo que se abre, um Mundo de Marlboro povoado pelos caras mais lindos, mais interessantes, de todas as partes, num clima de total perdição. Lembrei do quanto eu ficava maravilhado nos áureos tempos da X-Demente na Fundição Progresso e me surpreendi por estar vivendo uma sensação parecida oito anos depois, tendo vivido e passado por tanta coisa. Se a X foi a graduação e a The Week foi a pós, o Souvenir é o MBA. Em Harvard.
Uau2: Corpos perfeitos, sozinhos, não movem moinhos. A noite gay do eixo Rio-SP está cheia deles. Para que se crie um clima de magia, é preciso que exista uma música adequada, que ajude a criar e embalar essa viagem. Talvez esteja aí o diferencial da Souvenir. A música estava muito, muito, muito boa. Os DJs mandaram um tech house bem gay, viajante e extremamente sensual. Era difícil não se entregar, não se deixar levar. Quando eu não agüentava o calor e ia tomar uma água no bar da pista 2, que ficava na pista de baixo, me surpreendia com um som igualmente maravilhoso, bem progressivo, acolhedor. Queria tanto que nossos DJs estivessem lá comigo e vissem que é possível agradar aos gays (inclusive as barbies) com outras sonoridades que não o tribal surrado de sempre!
Uó: Apesar de todos esses predicados, temos que lembrar que o Souvenir é um simples after e não um megaclube. Como era de se esperar, a fila na porta foi dramática; lá dentro, até metade da manhã, a pista principal estava um aperto só. Era um tal de abanar os leques do Gaydar e tirar par-ou-ímpar para ver quem ia comprar a próxima água... Porém, se a queixa do calor e da lotação também esteve presente em outras festas, aqui ela foi plenamente recompensada. Não sei como teria sido sem o fluxo de turistas do Circuit Festival, mas, pela experiência que eu tive nesse domingo, posso afirmar que o Souvenir é o melhor after gay em que estive em toda a minha vida.
Nota deste blog: 10,0 com louvor

COMENTÁRIO: Em seu primeiro ano, o Circuit Festival já pegou. O público realmente acreditou na idéia e Barcelona recebeu gente de todos os cantos, inclusive do Brasil. Em termos de estrutura, muitas vezes as nossas festas são melhores (sabemos fazê-las muito bem quando queremos). Mas o Circuit tem seus diferenciais. O maior deles: as pessoas. Sou orgulhoso da minha nacionalidade e não babo ovo para os europeus, mas acho delicioso e enriquecedor poder conhecer homens de tantos outros lugares: holandeses, franceses, israelenses, espanhóis, italianos. Além de muitos serem lindos de verdade, em geral eles são mais liberais, mais bem-resolvidos em relação a uma série de tabus. E bastante receptivos com os brasileiros. É ótimo estar entre eles e aproveitar, com muito ou pouco juízo. E tem também Barcelona, que é um caso à parte, minha cidade preferida na Europa, que eu recomendo para todo mundo. O Circuit Festival não é absolutamente insubstituível, como nenhuma festa o é. Mas, para quem se interessa por esse tipo de jogação e tem a possibilidade de viajar, fica a dica: fiquem de olho no Circuit em 2009.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Um delicioso déjà vu

Sabe aquela capital que é unanimidade quando o assunto é fervo no verao? Aquela cidade para onde todo mundo toma um aviao quando está precisando de um bom fim-de-semana de sol, festa e azaraçao? Onde as pessoas sao mais relaxadas, sorriem mais, andam de bermuda e chinelos o tempo todo e quebram todos os protocolos? Onde corpos dourados flanam para cima e para baixo, olham-se uns aos outros de um jeito maroto e puxam conversa espontaneamente? Onde paira no ar uma irresistível nonchalance que é parte do espírito local? Se voces pensaram na Cidade Maravilhosa, chegaram onde eu queria. Barcelona é o Rio de Janeiro da Europa.

Para completar o déjà vu, a cidade mais vibrante da Espanha está recebendo nao um, mas dois megafestivais gays: o Loveball (de 1 a 7/8) e o Circuit Festival (de 4 a 11/8). Ou seja, quem está em Barcelona agora vive o típico frenesi de um Carnaval carioca, com pencas de festas e eventos rolando ao mesmo tempo. Com seus cartazes espalhados por toda a cidade (o Loveball mostra um fofo imigrante brasileiro chupando um pirulito em forma de coraçao, enquanto o Circuit aposta no astro pornô François Sagat), os dois festivais disputam a atençao, os euros e os neurônios de um exército de bees que veio de todos os cantos do mundo e deixou ainda mais viada uma cidade que já era totalmente gay. Barcelona ovula, e mesmo quem está gastando sua energia com parcimônia (porque sao muitas e intensas as jogaçoes) nao consegue escapar do fervo.

Ontem à noite, por exemplo, troquei uma pool party que iria até 5h da manha por um drink no Hotel Axel, e me surpreendi com o lindo deck do terraço completamente apinhado de bees que entornavam tacinhas e tricotavam ao som de boa house music. No Eixample, bairro adotado pelas culegas de classe, cheio de bares coloridos e lojas multimarcas com os objetos de desejo de toda bee globalizada, é só ir andando e os flyers começam a se acumular na sua mao. Chega uma hora em que é preciso parar a caminhada e fazer uma triagem para processar tanta informaçao.

No entanto, por maior que possa ser a tentaçao de sucumbir ao gueto, Barcelona é rica demais para isso. Fundada pelos cartagenenses e depois ocupada por romanos, visigodos e muçulmanos, a cidade é o resultado do cruzamento de todas essas referências, que se manifestam na incomparável arquitetura, na culinária e na cultura de forma geral. Dos prédios emblemáticos projetados pelo mestre modernista Antoni Gaudí às irresistíveis lojinhas descoladas que se espalham pelas ruelas tortuosas dos bairros que formam a Ciutat Vella (Barri Gòtic, El Raval e Born), há muito o que ver e descobrir. E o melhor: a brincadeira sai pela metade dos preços de Paris, com bons restaurantes que fazem menus do dia com dois pratos, sobremesa, vinho e café a módicos 9 euros. Nem preciso dizer que já providenciei a remarcaçao da minha passagem de volta. Barcelona alucina, enfeitiça, pega você de jeito. Exatamente como o Rio de Janeiro.