Como fiquei no Rio de 26 a 30 de dezembro, peguei dias de muito sol e um praião fantástico, e consegui dar um "up" no meu tom dourado alagoano. Aliás, eu nunca consegui entender: por que o Rio de Janeiro é sempre muito mais quente do que o Nordeste, se está mais longe da linha do Equador? Em época de balanços e melhores-do-ano, concluo que a música que deu a cara do Rio em 2009 (pelo menos pra mim) foi "Hush Hush", das Pussycat Dolls. O metrô da cidade está um desastre! A nova estação General Osório (prometida há 11 anos) ficou bonita, mas o trem chega a demorar quinze minutos para passar, e não há um único banco na plataforma inteira para os usuários sentarem e esperarem! A muvuca logo se acumula e as composições já partem abarrotadas. Se em verões anteriores o balneário parecia ter virado destino dos gringos mais bagaceiros, de 2008 pra cá um público bem bacana tem flanado pela Zona Sul. Dos hotéis trendy aos albergues-carandiru, muita gente linda na pista pra negócio. Bem bacana a nova edição limitada das Havaianas - branca, com estampa de várias fitinhas coloridas à la Bonfim, representando os desejos de ano novo - à venda por R$32 na loja própria da marca na Farme, quase em frente ao Bofetada. O tal "choque de ordem" imposto pelo prefeito Eduardo Paes para disciplinar a vida na praia desagradou muita gente. Cada barraca agora só pode oferecer 80 cadeiras - ou seja, chegue muito cedo, ou passe nas Lojas Americanas e compre a sua. O comércio ambulante foi drasticamente reduzido, e proibiram aqueles latões de mate que eram verdadeiros ícones da praia carioca. O lado bom: os folgados que distribuíam boladas nos banhistas agora só podem mais jogar frescobol e "altinho" na beira da água após as 17h. Depois de uma era em que o must era ser o mais bombado possível, a palavra de ordem deixa de ser volume e passa a ser definição. O músculo ainda impera, mas corpo inchado virou cafona: quanto mais seco e rasgado, melhor. A minha descoberta nessa viagem foi o Meza Bar, na Capitão Salomão com a Visconde Silva (ali onde era o Madame Vidal, no Humaitá). Delícia de lugar pra ir com os amigos: aconchegante e escurinho na medida, música perfeita, público bacanudo e sem afetações, comidas sofisticadas e criativas, que chegam à mesa em potinhos. Tudo de bom! Outra delícia, essa já tradicional, é assistir ao vaivém de Ipanema tomando um sorvetinho mara sentado no pequeno deck da Mil Frutas. Para quem gosta de sabores cremosos e doces, uma trinca matadora: o novo beijinho e os clássicos chocolate branco com maracujá e queijo com doce de leite. Hummm! Mais dicas de comidinhas cariocas em breve: vou postar uma versão revista e atualizada do meu roteiro gastronômico do Rio, que publiquei aqui em 2006. Sobre as festas: como voltei pra SP no dia 30, não peguei as festonas da cena barbie (eu soube que a Maxima e a R.Evolution agradaram). Mas fui conferir a edição de 5 anos da Moo, na varanda do Museu de Arte Moderna. Locação desbundante, público desencanado e bonito e música entre electro e disco house, criando um clima superfofinho. Tive minha última dose de cafuçus do ano, no quartel-general-nagô do Rio de Janeiro, o Buraco da Lacraia, que nunca decepciona e estava simplesmente bafônico. E por falar em cafuçus, já começou a votação para o Mulato do Góis 2010, concurso do jornal O Globo que elege o mais bonito entre um dream team de sambistas das escolas do Grupo Especial. Escolha o seu favorito aqui. Não tem jeito: entra ano e sai ano, com sol ou com chuva, com todas as virtudes e defeitos, a Cidade Maravilhosa continua me deixando amarradão! Se meu amor é por São Paulo, minha paixão é pelo Rio! Um beijo e feliz 2010 para os meus amigos e leitores cariocas! [Foto: Eugene Zhukovsky]
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Rapidinhas cariocas
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Thiago Lasco
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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Destaques do réveillon carioca 2008
Hoje começa mais um ano de batente (ainda que nosso inconsciente considere que o início oficial é só depois do Carnaval). Muitos ainda estão se recuperando do pé-na-jaca que foi o réveillon. Quem apostou no Rio de Janeiro teve que se dar por satisfeito com o famoso "sol-entre-nuvens" definido pelo Climatempo, mas desfrutou a presença maciça de machos di catiguria, que deram sopa pelas ruas da cidade e nas festas. E quanta jogação! Se eu (que só cheguei no dia primeiro) estou exausto, imagino quem chegou logo depois do Natal e engatou nove dias de cha cha cha...
Como para frente é que se anda - e, no fundo, tudo o que rolou não deixa de ser uma repetição do que já conhecemos muito bem, com mínimas variações - vou destacar apenas aquilo que considerei melhor. Coberturas mais detalhadas vocês encontram nos blogs amigos (que, pelo que andei presenciando, terão muito o que contar). Let 2009 begin!
A PRAIA: COQUEIRÃO. O êxodo começou tímido, há dois ou três anos atrás, quando uma discreta parcela de bees cansou do gueto da Farme e foi atrás de novos ares. Neste verão, o que era um hype entre poucos atingiu um público bem maior, e a presença gay no trecho em frente ao tal Coqueirão tornou-se muito mais visível, com direito a mãos dadas e beijo na boca. E os héteros do pedaço parecem estar levando tudo na boa. Claro que a Farme continua líder quando o assunto é quantidade (e os gringos em geral continuam indo lá); já no quesito beleza humana, ela já era bastante irregular e agora sofreu um duro golpe, porque as bunitas estão todas apostando no Coqueirão. Que é novidade, não tem favelização na areia e, de quebra, tem também um monte de hétero bonito para se olhar.
A LARICA: LÍQUIDO. Enquanto alguns (como eu) são capazes de cruzar a cidade atrás do que querem comer, muita gente prefere andar o mínimo possível para matar a fome pós-praia. Com o deslocamento para o Coqueirão, os preguiçosos podem aposentar os manjadíssimos New Natural, Cafeína e Frontera e descobrir novos lugares. Meu novo queridinho é o Líquido, na Barão da Torre 398, entre Joana Angélica e Maria Quitéria (ou seja, exatamente na altura do Coqueirão). Moderno, com cadeiras coloridas dispostas em um deck agradável, o lugar investe em culinária saudável e serve sucos deliciosos, saladas, sanduíches e alguns pratos mais elaborados. Destaco os excelentes dosas, crepes indianos feitos com farinha de arroz integral e recheios como frango ao curry com espinafre e passas, mais um molhinho esperto para acompanhar (há vários tipos de chutney a escolher). O cardápio é criativo o suficiente para você ir várias vezes sem enjoar e os preços são bastante justos para Ipanema.
A FESTA: POOL PARTY @ ESTAÇÃO DO CORPO. Para quem pagou R$120 de entrada, é inadmissível que os banheiros (químicos) sejam tão poucos e tão nauseabundos (às 19h, já estavam sem condições de uso, e a festa só foi acabar às 3h). Também não dá para aceitar um serviço de bar tão despreparado, sem um mínimo de treinamento e cortesia, que não atende quem chegou primeiro, faz tudo de cara feia e não sabe o que é Red Bull (tive que refazer o pedido: "um energético"). Mas esses defeitos não conseguiram estragar o brilho da festa, que se deve principalmente à escolha acertada da locação. A Estação do Corpo é maravilhosa e quem esteve lá pôde entender por quê as famosas pool parties de 2006 ficaram na memória (afinal, até a decoração era a mesma). Nenhuma festa da temporada teve um astral tão incrível e Rosane Amaral tem todas as razões para comemorar o sucesso. Pena que ela leve o ditado "em time que está ganhando, não se mexe" tão ao pé da letra.
O DJ: RAFA ARIZA. Não costumo falar daquilo que não conheço (muito menos elogiar). Mas, entre todos os amigos que consultei - gente que tem senso crítico e presta atenção no som que escuta - o espanhol Rafa Ariza foi uma unanimidade. Pertencente ao clã da Matinée Group, o DJ foi trazido pela The Week e tocou nos dias 29 e 31, quando arrancou mais elogios do que o próprio Peter Rauhofer, atração principal da noite da virada. Entre os DJs que vi e ouvi, a vertente sonora das festas da Rosane não é do meu gosto pessoal (o que foi o momento fogos de artifício com "Amigos Para Siempre"?!), mas achei o Flávio Lima bem honesto. E tenho que elogiar o set do João Neto na noite do dia 3, na The Week. Mais instrumental do que vocal, foi pesado na medida certa para bombar uma pista que mal conseguia se mexer, tamanha a lotação da casa.
A SURPRESA: TÔ NEM AÍ. Por melhores que sejam os clubes e as festas, é ótimo ter lugares em que você não paga nada e pode conhecer gente e se divertir, indo e vindo de forma descompromissada, justamente porque não existe a barreira do ingresso. As praias cumprem esse papel; na falta delas, em São Paulo temos a Praça Benedito Calixto. No Rio, o Bofetada foi por muitos anos um ponto de encontro certo; depois, decaiu até o completo esquecimento (só no Carnaval é que lembram dele). Neste verão, o povo que não quis se montar para ir ao Felice passou a se reunir na frente do Tô Nem Aí. Na última sexta, sem grandes festas e com a Combo e o Galeria absolutamente inviáveis, fiquei boquiaberto com a quantidade de homens bonitos muvucando a esquina da Farme com a Visconde até altas horas da madrugada. Tô Nem Aí is the new Bofetada, só que muito melhor.
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Thiago Lasco
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domingo, 6 de janeiro de 2008
O sobe-e-desce do réveillon carioca 2007
Foi um réveillon de contrastes. Os dias não poderiam ter sido mais leves: tempo maravilhoso (um milagre para a época), praias cheias, turistas felizes e alto astral em todo lugar. Isso sem falar naquele desfile de corpos dourados que é de enlouquecer (o Ministério da Saúde deveria advertir: o Rio de Janeiro provoca torcicolos). Já as noites foram surpreendentemente pesadas, com lotação além da conta, excesso de colocón e som nem sempre bom - isso sem falar nos furtos. Ao mesmo tempo em que se profissionaliza, o circuitão carioca, que já nos deu noites inesquecíveis, parece estar perdendo uma parte do encanto e do astral de antigamente. Uma pena.
UAU:
1) O VERÃO QUE A GENTE MERECE. Enquanto o réveillon passado teve chuva ininterrupta por quinze dias (e deixou os turistas estrangeiros tiriricas de raiva), desta vez o Rio foi agraciado com dias de sonho: céu de brigadeiro, sem uma nuvem sequer, e um solzão ardido que embelezava os pontos turísticos e mergulhava no mar como uma bola de fogo - um espetáculo que não devia nada aos famosos sunsets de Ibiza, e ainda com direito a aplausos na praia. E mais: em meus oito verões na cidade, eu nunca tinha visto a água tão gostosa e calma para nadar - nem sinal daquele mar gelado e revolto que puxava os banhistas de Ipanema para o fundo e os tragava numa furiosa arrebentação.
2) THE WEEK: OS MELHORES CORPOS. Com apenas seis meses de idade e vivendo seu primeiro verão, a filial carioca do maior clube gay do país já se consagrou como o endereço definitivo dos corpos mais bonitos da cidade, desbancando o posto que, por muito tempo, foi ocupado pela festa X-Demente. A concorrência luta pelo seu espaço, contrata DJs gringos e investe em locações bem mais interessantes, mas nada disso impede o clube de André Almada de bombar sistematicamente em todas as noites (às vezes, até demais). O apreço dos fãs é tanto que eles não deixam de ir à casa nem quando há alguma outra grande festa: não foram poucos os que prestigiaram a R.Evolution nos dias 29 e 31 e, mesmo assim, foram terminar sua noite na TW.
3) ROSANE: A MELHOR VIBE. Com a The Week estabelecendo um novo padrão de qualidade na noite carioca, as festas de Rosane Amaral de repente já não parecem tão bem feitas - e soluções caseiras como usar chuveiro de vestiário como mictório ficam ainda mais toscas. Ainda assim, a produtora tem como trunfo a beleza de suas locações - especialmente o Clube de Remo do Flamengo, à beira da Lagoa, com um visual tão lindo que até compensou a produção com cara de quermesse e o tribal jurássico dos DJs escalados. Além disso, talvez até mesmo por serem ao ar livre, suas festas têm uma vibe muito mais leve e feliz: as pessoas conversam umas com as outras e parecem realmente se divertir. Com todos esses ingredientes (e mais o carinho de seus seguidores), Rosane não deixou de fazer festas bastante movimentadas - sendo que sua Original Pool Party, no dia 1º, foi a mais gostosa de toda a temporada (mesmo enfrentando a concorrência de outra day party abarrotada na TW).
4) RIO G SPA. Finalmente alguém teve a iniciativa de abrir algo que fazia muita falta no Rio: um lugar prático e seguro onde você pode ir transar com aquele gostosão que acabou de conhecer na praia de Ipanema, sem os riscos de trazer um desconhecido para o hotel ou a casa dos seus anfitriões cariocas. Novinho e limpinho, o Rio G Spa tem saunas seca e a vapor, café, internet, tratamentos de beleza e um bom número de cabines, muito melhores que as da sauna 64 (que vai perder os clientes se não investir em reformas rapidinho). O melhor: você pode pedir uma pulseira e voltar quantas vezes quiser no mesmo dia - ideal para os que estão com o diabo no corpo, ou mesmo para aproveitar e fazer uma sauninha e tomar um bom banho depois da praia.
5) O PROJETO FASE E O NOVO CLUBE 69. Com o gongo da festa de réveillon Hotel Carnival, a Fase, projeto conjunto do clã da Moo e dos clubes D-Edge e Vegas (SP), foi o que fez valer o fim de ano dos modernos no Rio. Com uma linda fachada, espaço para dançar em vários andares, bares e banheiros eficientes e uma simpática parede de leds atrás do DJ, as Casas Franklin bombaram até as nove da manhã - e todo mundo que foi saiu satisfeito, seja pelo som, seja pela qualidade do público. Outro destaque da temporada é o 69, novo clubinho eletrônico de Ipanema. Muti Randolph agora inventou uma pista iluminada por um painel de persianas gigantes, que recebem grafismos coloridos emitidos por um retroprojetor e refletidos em um espelho. Simples, barato e muito cool. O clube acertou a mão em tudo: tem o tamanho certo, o clima ideal para festinhas de house e um DNA genuinamente carioca (não, não é um clone do nosso D-Edge).
UÓ:
1) SER ROUBADO NA THE WEEK. Sempre vi a The Week como um clube "de Primeiro Mundo" e confesso que, na época em que circulavam rumores sobre roubos, furtos e extorsões na matriz paulistana, cheguei a pensar que tudo não passava de intriga da oposição. Tanto que mencionei o fator "segurança" ao destacar a TW como uma das melhores opções para o réveillon do Rio. Pois bem, paguei minha língua: levaram exatos R$150 do meu bolso. Eu adoraria ter meu prejuízo ressarcido, mas gostaria mais ainda de saber, um dia, que a casa voltou a ser um clube seguro e recomendável. O incidente foi um grande balde de água fria no meu fim de ano e, confesso, me deixou com um certo bode de voltar na casa do Rio.
2) O ENTERRO DA X-DEMENTE. A X-Demente foi um divisor de águas na minha vida. Foi lá que comecei a ter interesse por música eletrônica e acabei aprendendo a enxergar a noite gay de uma maneira completamente diferente. Um novo mundo se descortinava diante dos meus olhos. Na Fundição Progresso, vivi momentos que me marcaram e vão ficar pra sempre na minha memória: tenho um enorme carinho pelo lugar e pela festa. Por tudo isso, foi com um certo pesar que eu constatei: a X-Demente passou. Depois do sopro de vida na Parada Gay de SP, a produção voltou a dormir no ponto, demorou horrores para bolar tudo e, quando soltou as informações, ninguém mais estava interessado: a festa foi olimpicamente ignorada. Para descobrir alguém que tivesse ido à X e saber como foi, tive que perguntar para o amigo do amigo do amigo.
3) CHRIS COX @ COSMOPOLITAN. Sei que alguns vão discordar: muitos consideraram esta a melhor noite da temporada de réveillon. Saio de casa decidido a me divertir (e não botar defeito em tudo), mas desta vez realmente não consegui. A The Week estava insuportavelmente lotada, tanto que foi obrigada a liberar a circulação na área vip (mas depois, de uma hora para outra, voltou a proibir; com isso, quem estava com os amigos e foi dar uma volta não pôde mais reencontrá-los). O som do Chris Cox era muito chato (não entendi o hype em cima do fofucho). A iluminação excessivamente escura em todos os ambientes e a falta de uma área externa que desse uma aliviada no clima (como em São Paulo) deixaram tudo ainda mais deprê. Enfim, nada a ver com tantas festas bonitas que a The Week já fez em seus mais de três anos.
4) O GONGO DA HOTEL CARNIVAL. Os moradores de Santa Teresa bateram o pé, fizeram abaixo-assinado, chamaram a polícia e a prefeitura e conseguiram impedir a festa que prometia ser o melhor réveillon moderno de todos os tempos. Foi um verdadeiro anti-clímax para algo que estava sendo preparado com carinho e prometia reunir só as pessoas mais legais. Pelo visto não é só em São Paulo que a música eletrônica e a diversão são malvistas por certas camadas da sociedade. E olha que dessa vez nem era uma "festa rave"...
5) O DE SEMPRE. A cidade fica superlotada, com trânsito caótico em todas as principais vias de circulação da Zona Sul, a qualquer hora do dia. Para quem vem de carro, estacionar é desesperador: não há vagas, nem estacionamentos, e quem vai para Ipanema ou Copacabana pode ter que parar o carro em Botafogo e ir de táxi. Os cariocas aumentam artificialmente os preços de tudo para explorar os turistas - o quilo Frontera, por exemplo, passou a cobrar inacreditáveis R$59,90/kg só porque era fim de ano. Isso sem falar que a multidão de banhistas deixa tanto lixo na praia que chega uma hora em que você fica com nojo de pisar na areia. Não tem jeito, todo ano é assim - mas a gente sabe, e não consegue deixar de voltar.
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Thiago Lasco
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quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
Tudo o que você pode fazer no Rio no dia 31
Depois de um ano bastante movimentado para a cena, os cariocas se despedem de 2007 com um número recorde de opções para a noite do dia 31. Nunca se teve tantas festas para escolher - confesso que até eu estou um pouco perdido diante de tanta informação. Aqui vai um apanhado das principais possibilidades para a hora da virada, com os prós e contras de cada uma, para ajudar a todos nessa difícil decisão... muita calma nessa hora!
1) THE WEEK
Pode ser uma boa. Escolher a TW é jogar no seguro: optar pelo conforto e segurança de um clube com boa estrutura, ar condicionado e bares que funcionam a contento, além do serviço atencioso e bem-treinado. A parte nova da casa é um atrativo extra e permite que a comemoração vá até tarde.
Por outro lado... É preciso ter disposição para cruzar a cidade no dia 31, com Copacabana e o Aterro fechados a partir da tarde. O acesso à Saúde não deve ser fácil, mesmo pelo Túnel Rebouças e com a TW oferecendo vans gratuitas para o transporte. Além disso, a casa abre todo sábado e já fará uma Cosmopolitan especial na noite do dia 29 - por isso, o Réveillon lá não terá nenhum grande diferencial, a não ser (mais uma) atração gringa.
2) RÉVEILLON IPANEMA 2008 (hotsite)
Pode ser uma boa. A festa promovida por André Garça (Cena Carioca) aposta em DJs experientes da cena tribal nacional, como Marcus Vinicius (B.I.T.C.H.), Patricinha Tribal, Aless (BH) e André Queiroz (DF), um prato cheio para fãs do estilo. O buffet inclui comida japonesa - temakis são leves, nutritivos e fáceis de comer. A localização é estratégica (Vieira Souto com Farme) e você ganha uma pulseira para sair e voltar quando quiser, podendo conferir também o fervo na praia.
Por outro lado... R$ 300 é um preço alto, se você considerar que o antigo Espaço Lundgren é uma casa relativamente pequena e pouco funcional para festas. Outras opções com o mesmo foco (house tribal) devem roubar parte do público, cobrando menos (The Week, Sky Lounge).
3) SKY LOUNGE
Pode ser uma boa. O réveillon de Rosane Amaral tem relação custo-benefício interessante, se comparado com outras opções na Zona Sul. O acesso não chega a ser dramático - a interdição da orla deixa o trânsito na Lagoa carregado, mas ainda assim o Sky é relativamente perto. E a festa já tem uma certa tradição, conquistada com a ajuda dos "passaportes", ingressos promocionais que dão acesso às 3 festas da Rosane por um preço menor.
Por outro lado... O line up é animado, mas não chega a emocionar - Vlad e Flávio Lima são duas delicinhas, mas seus únicos predicados à disposição do público serão os musicais. Além disso, edições anteriores foram bastante criticadas por conta de soluções caseiras, como sacos de lixo preto para diminuir a claridade, e da política de preços progressivos para a água mineral (que chegou a R$7 no meio de uma festa).
4) HOTEL CARNIVAL (hotsite)
Pode ser uma boa. Para quem curte um som mais underground, o line up estrelado (Pareto, Mau Lopes, Serge) é uma bênção em meio a um cenário dominado pelo house tribal. O cenário é maravilhoso - uma mansão tombada no meio da Mata Atlântica, com lindas vistas da cidade - e o buffet promete caipirinhas sofisticadas e até ceviche. A nata dos modernos da cidade estará lá.
Por outro lado... Você passará por maus bocados se cismar de voltar para casa antes da hora. A casa fica no alto de Santa Teresa, numa área que estará totalmente isolada do resto da civilização, incluindo táxis (a idéia é essa). E outra: você se deprime vendo as barbies tombando de G no fim da festa? Isso é porque você não sabe o que são os modernos ficando bicudos de padê...
5) DREAM 2008 @ FELICE CAFFÈ
Pode ser uma boa. A localização é excelente, a poucos passos da praia de Ipanema, do Arpoador e do Posto 6 em Copa. A comida oferecida é mais do que confiável (embora seja menos elaborada do que o usual, já que a idéia da casa é justamente ganhar dinheiro com essa festa). Rafael Calvente deve tocar um som mais fino do que o das festas dedicadas ao tribal, já que a proposta aqui é mais selecionada (pelo valor da entrada e pelo próprio público da casa).
Por outro lado... R$300 é bastante salgado pelo limitado espaço da casa, mesmo contando com a extensão improvisada para a rua (o Felice fechará todo o quarteirão para a festa). Além disso, a peneira do preço não necessariamente dará a selecionada que você gostaria - a casa receberá todo tipo de cliente do restaurante, e não só as bees (que estarão pulverizadas entre várias outras opções).
6) WONDERLAND IN RIO @ IPANEMA PLAZA
Pode ser uma boa. O Ipanema Plaza é um hotel de alto nível e não parece ser do tipo que economiza no réveillon. No mínimo, a festa valerá pelo terraço, com uma vista absurda de Ipanema. A escalação de Rafael Calvente para tocar sinaliza uma preocupação em não fazer algo totalmente careta. É grande a chance de você encontrar gringos lindos - se esse é seu alvo, você deve considerar com carinho a opção.
Por outro lado... O preço (R$400) é ainda mais exorbitante do que o das festas "caras". Você precisa se dar muito bem por lá para o investimento valer a pena. E essas festas são freqüentadas basicamente por panelinhas fechadas - isso quando não é uma panelinha só. Ou seja: é preciso ter carão, corpão, inglês bom - e muita vontade de conhecer e ser aceito pelos gringos.
7) DUO @ LOUNGE 69
Pode ser uma boa. Poucas informações foram divulgadas até agora (o Cena Carioca apenas mencionou na agenda), mas pode ser uma opção low profile bem interessante, se os preços não forem astronômicos. O som fica por conta de Rafael Calvente (o belo está em todas!), Tzo (00 e Redondo Lounge) e dois DJs gringos. Quem conhece o 69 diz que é um "D-Edge genérico" - o projeto é do Muti Randolph, o mesmo que criou as barras de néon coloridas do clubinho paulistano. A festa semanal de house Maja mudou-se pra lá.
Por outro lado... Por mais que o lugar e o line up houseiro sugiram um clima fofo, não dá pra imaginar que essa seja uma noite "escândalo", considerando tantas outras festas acontecendo ao mesmo tempo. Se seu desejo para a virada é bombação, aqui provavelmente vai faltar gás para você.
8) FOGOS EM COPACABANA
Pode ser uma boa. O réveillon na praia de Copacabana é uma das maiores festas de rua do mundo. É emocionante, a começar pelo êxodo de milhões de pessoas vestidas de branco em direção ao bairro, numa euforia silenciosa, um crescendo que culmina em uma explosão de energia, uma verdadeira catarse coletiva. Você precisa viver isso pelo menos uma vez na vida. Além disso, é de graça e depois você pode ir para outro lugar.
Por outro lado... Como em qualquer evento de massa que atrai milhões de pessoas, o desconforto é total, com momentos que beiram o caos. É fácil se perder dos amigos e impossível marcar pontos de encontro; o celular, inexplicavelmente, não pega. Precisa ter muito cuidado com roubos e furtos (a maioria não resiste e leva a câmera para tirar fotos dos fogos) e com as brigas por conta do inevitável excesso de álcool. E também gostar de estar entre o "povão", sem preconceitos.
9) IPANEMA STEREO BEACH @ POSTO 9 (hotsite)
Pode ser uma boa. Tá aí um jeito diferente de começar o ano: dançando música eletrônica na praia, numa mistura de festival e rave na areia. Os mais esotéricos dizem que entrar o ano com o pé descalço na areia, na beira do mar, atrai ótimas energias e fluidos. É de graça e não tem como ficar vazio. A localização no Posto 9 ajuda a atrair meninos bonitos e desencanados de Ipanema e imediações - pelo menos em tese.
Por outro lado... As atrações mais legais (pelo menos para quem curte house) rolam todas antes da meia-noite - o evento começa às 16h. E quem lembra de toda a confusão ocorrida no ano passado (aquilo virou uma grande maloca) com certeza vai passar bem longe da praia de Ipanema dessa vez.
10) JANTARES NOS RESTAURANTES DA AVENIDA ATLÂNTICA
Pode ser uma boa. Os restaurantes da orla de Copacabana fazem jantares especiais na noite do dia 31, com buffet diferenciado e open bar, a um preço fixo (cerca de R$300 por pessoa). Suas mesas na calçada são cercadas por seguranças (só entra que fez reserva) e viram uma espécie de camarote, de onde se tem uma visão cômoda e protegida do show de fogos. Se você lembrar que outras festas cobram o mesmo valor para servir belisquetes e finger food, uma ceia "de verdade" é muito mais retorno pelo seu dinheiro.
Por outro lado... O público dessas festas reúne casais, famílias e idosos endinheirados - uma fauna bem pouco interessante para jovens e/ou gays. Ao beijar e abraçar seu namorado e seus amigos na hora da virada, você possivelmente deixará o pessoal das mesas em volta completamente passado.
11) FESTINHAS PRIVÊ EM APARTAMENTOS
Pode ser uma boa. Festinhas em apartamentos alugados podem ser uma alternativa confortável e intimista para a virada. Dá para curtir e conversar bastante com os amigos e também com as outras pessoas que você poderá conhecer. Se o apê for na orla, melhor ainda: você assiste ao espetáculo dos fogos de camarote. Há um rateio, mas costuma ser bem mais barato do que a entrada de festas "comerciais" - já que, em geral, o dinheiro é só para a festa pagar as próprias despesas.
Por outro lado... Você fica totalmente limitado às pessoas presentes. Se forem só os seus amigos, ótimo. Agora, se tiver gente estranha no meio (o que é mais comum, pois o aluguel desses apartamentos costuma ser caro), pode dar ou não dar "liga". De qualquer maneira, nada te impede de ir terminar a noite em outro lugar.
12) LE BOY
Pode ser uma boa. Se quantidade é o que importa, você nem deveria ter lido as outras onze opções: a veterana "Lelê" é o seu lugar. Não interessa quantas outras festas estejam rolando: no inferninho (infernão?) da Raul Pompéia a lotação é sempre completa, com filas dobrando a esquina e chegando até a Nossa Senhora. Garantia de beijo na boca e pegação - o dark room da casa possui fama internacional. Fora da residência das festas da Rosane, o fortão Dudu Marquez ajudará a pista a bombar.
Por outro lado... Qualquer "macaca véia" sabe que o clima na Le Boy é meio pesadinho - com muitos michês, gringos perdidos e, seguramente, a maior taxa de incidência de boa-noite-cinderelas do Rio de Janeiro. Sem falar que o clima é altamente bagaceiro - as "bonitas" consideram muitas outras opções (The Week, Sky Lounge, festas caras) e só caem na LB em caso de necessidade e pela localização conveniente da casa. Afinal, bem ou mal, ali todos sabem exatamente o que vão encontrar.
Ou seja: com tanta coisa acontecendo, o jeito é olhar para dentro de si e responder: de que tipo de comemoração eu estou realmente a fim? Vale lembrar que, se você se jogar no dia 28, no dia 29 e no dia 30 (festas não vão faltar), provavelmente chegará à noite do dia 31 completamente destruído - nesse caso, vale a pena investir numa festa cara? Mais importante do que todas essas divagações, porém, é descobrir onde os amigos estarão. Porque, na companhia das pessoas de quem se gosta, qualquer réveillon acaba sendo um programão.
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Thiago Lasco
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Vem aí mais um verão de muita jogação
Estamos a poucos dias da estação mais aguardada do ano - é tempo de sol, praia, gente nova e muita festa. Para quem gosta de dançar, o verão tem um atrativo extra: a programação eletrônica costuma esquentar no mesmo ritmo dos termômetros. Afinal, nessa época as pessoas têm pique extra para se jogar.
Como sempre, São Paulo dá uma acalmada e o foco passa a ser o Rio de Janeiro. Mas há cada vez mais coisas acontecendo em Santa Catarina, e esse verão também deve ser bastante agitado por lá. Aqui vai um resumo das principais festas que estão por vir.
RIO DE JANEIRO
Foi-se o tempo em que tudo girava em torno da X-Demente, a mãe das label parties do Brasil. A apenas 10 dias da data da tradicional Check In, a produção ainda não soltou o line up, nem sequer confirmou a realização da festa - o que não cheira nada bem. Com isso, as atenções se voltam para o duelo entre a The Week Rio e as festas de Rosane Amaral - o clube e a produtora baterão de frente nos dias 29, 31 e 1. A TWRJ acaba de inaugurar sua expansão: com pista 2, lounge e deck com micropiscina, a casa finalmente passa a ter o mesmo porte da TWSP e a possibilidade de receber day parties (mais detalhes aqui). Já Rosane aposta em uma nova (e ótima) locação para a R.Evolution do dia 29 (o Clube de Remo do Flamengo, na Lagoa) e nos demais dias repete o de sempre: R.Evolution Réveillon no Sky Lounge e Pool Party no Clube de Regatas (não consigo deixar de achar esse espaço uó; quem mandou ela fazer aquelas festas inesquecíveis na Estação do Corpo em 2006?).
A noite do dia 31 tem opções para todos os gostos. Além da TW e R.Evolution, há festas no Felice Caffè, Espaço Lundgren (festa oficial do Cena Carioca), Ipanema Plaza e Hotel Ouro Verde - todas com open bar, buffet, DJs e ingressos antecipados a partir de R$300. Os modernos têm destino certo: a Hotel Carnival, festona num lindo casarão tombado no alto de Santa Teresa, com vistas incríveis do Rio, open bar e buffet, top DJs da cena (Pareto, Maurício Lopes, Serge) e ingressos a R$ 130 (2º lote). Quem não quiser mais gastar dinheiro pode curtir, de graça, as atrações do Ipanema Stereo Beach - espécie de luau eletrônico coletivo que, pelo segundo ano consecutivo, levará o caos às areias do Posto 9.
Se as barbies cresceram esperando pela X-Demente, os modernos aprenderam a aguardar a Moo - festa que reúne a nata dos descolados da cidade e já trouxe gente como Derrick Carter, Magda e Richie Hawtin para tocar. A Moo está cada vez melhor e, neste verão, vai se juntar aos nossos queridos clubes D-Edge e Vegas para um projeto ainda mais bacana: o FASE. Serão várias festas até o final de fevereiro, sempre aos sábados, tendo como locação as Casas Franklin, no Centro (lindo lugar, mas bem que podiam fazer só-mais-uminha no Morro da Urca, né?). As atrações de dezembro e janeiro já estão confirmadas: Tim Sweeney e Juan Maclean (29/12), Todd Terje (5/1), Steve Bug e Troy Pierce (12/1) e Prins Thomas (19/1). Espere misturas ousadas e descompromissadas de electro, house, minimal, techno, disco, rock e o que mais esses gringos doidos imaginarem.
SANTA CATARINA
Enquanto isso, Floripa confirma sua vocação como destino gay de verão. A "ilha da magia" tem programação de réveillon digna de Rio de Janeiro - com pelo menos uma grande festa por dia a partir do dia 28 (veja a programação completa aqui e aqui). Os destaques são a Sunrise, day party realizada à bordo de um iate, com Ana Paula e Alê Bittencourt no som, a partir das 14h do dia 30, e as festonas de Réveillon do selo paulista E-Joy e da boate Concorde (com sua pista giratória, que eu chamo carinhosamente de "drag grill"). Mas é em fevereiro que Floripa vai pegar fogo, naquele que deve ser o carnaval mais bombado de sua história. Repetindo o sucesso de 2007, a The Week reabrirá sua "filial de verão" no Praia Mole Hotel, para cinco dias de festa - e a primeira atração escalada é ninguém menos que Offer Nissin, amado por muitos. E todo mundo já disse que vai.
Mas quem abomina house tribal e bate-cabelo também tem grandes razões para passar o verão em Santa Catarina. A cena eletrônica local vai muito bem, obrigado - impulsionada por grandes clubes, DJs internacionais de peso e, claro, a beleza dos garotos e garotas do Sul. O carro-chefe ainda é o megaclube Warung, na Praia Brava de Itajaí, que nesta temporada inaugurou um lounge dançante em estilo balinês chamado Madê Pantai (que está para o Warung assim como o Morocco está para o Sirena). A programação do Warung e do Madê não está de brincadeira: traz feras da house e progressive house como Martín García (na inauguração do Madê, dia 27/12), Satoshi Tomiie (28/12), 16 Bit Lolitas (31/12), Nick Warren (4/1), Desyn Masiello (5/1), Roger Sanchez (9/1), Smokin' Jo (18/1), Bushwacka (19/1) e Dave Seaman (26/1), além de um supercarnaval com Sasha (5/2) e duas noites com a dupla Deep Dish (3/2 e 4/2). Os ingressos já estão à venda.
Mas o Warung não está sozinho nessa. A alguns quilômetros dali, em Balneário Camboriú, o suntuoso clube Green Valley, construído entre três lagoas artificiais, no meio da Mata Atlântica, também está investindo em boas atrações gringas para o verão 2008. Os convidados incluem Robbie Rivera, D-Nox & Beckers, Seb Fontaine e, no carnaval, o adorado Tiësto. E, na própria capital catarinense, os clubes El Divino, Confraria das Artes e KM7 investem em gringos de peso - só o El Divino trará Infected Mushroom, Paul Van Dyk, Mark Knight, Fatboy Slim, David Guetta e Tiësto. E, no final do ano, a cena de Floripa deve ganhar mais dois clubes: o Posh e o Life Club.
Moral da história: se você gosta mesmo de se jogar, é melhor economizar nos presentes de Natal...
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Thiago Lasco
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sexta-feira, 5 de janeiro de 2007
O sobe-e-desce do réveillon carioca 2006
Estamos em cinco de janeiro e ainda há muita água para rolar aqui na Guanabara. Mas, com a passagem do réveillon, já dá pra ter uma idéia de alguns hypes e bolas fora e fazer um termômetro do verão carioca 2007, ainda que essa seja apenas uma prévia parcial. Então aqui vai um pouco do que está por cima e por baixo por estas bandas...
UAU:
ROSANE AMARAL. A produtora deve estar exausta, mas rindo sozinha até agora. Todas as suas festas foram sucesso absoluto de público, alavancadas pela venda do esperto pacote promocional para as três datas - R.Evolution do Cais do Porto (30/12), R.Evolution do Sky Lounge (31/12) e Pool Party (1°/01). A produção das locações foi apenas OK - nem a esperada Pool Party conseguiu repetir o impacto das mágicas edições de 2006 na Estação do Corpo - e os DJs em geral não surpreenderam (exceção feita para o colírio chipriota Angelos Styliano, que pesou legal e acertou a mão na segunda metade de seu set no dia 30), mas a verdade é que todo mundo prestigiou os eventos dessa mulher. Inclusive o público fiel da X-Demente.
SHOPPING LEBLON. O novo centro de compras da Zona Sul já chegou arrebentando e com toda vocação para ser o hit deste verão. Os trunfos: uma boa oferta de lojas de alto padrão, para pisar no calo do Fashion Mall (Armani Exchange, Jeans Hall, pencas e pencas de óticas de luxo), uma Livraria da Travessa ci-ne-ma-to-grá-fi-ca (com direito inclusive a um Bazzar Café no mezanino, recriando o clima Sex And The City da livraria de Ipanema), oferta de gastronomia enxuta mas selecionada (do carioquíssima Bibi ao paulistaníssimo Ráscal - o primeiro do Rio - passando pelo sempre bem recebido Outback Steakhouse), cinemas by Kinoplex e, para dar o arremate final, uma praça de alimentação emoldurada por nada menos que a vista da Lagoa Rodrigo de Freitas. Tá???
GRINGOS LINDOS. Como em outros verões, a gringolândia desceu em peso, mas desta vez com muito mais qualidade. Esqueça aquelas tias velhas sem senso de ridículo com fio-dental verde-limão: o que se vê pelas ruas e cafés de Ipanema são belíssimos exemplares de macho, que parecem ter saído ora das capas da Men's Health, ora dos catálogos da Abercrombie & Fitch. Não há dúvidas de que o nível das beldades (que andava meio bagaceiro, diga-se) aumentou muito (para a alegria das caçadoras especializadas, que já são parte do folclore carioca). E as procedências são as mais variadas: ainda tem muito americano, mas cada vez mais gente de outras paragens, como Escandinávia, Austrália, África do Sul e Leste Europeu. Até os argentinos estão bonitos!
00. O bar-restaurante-clube da Gávea, já mais do que consagrado entre os descolados da cidade, está vivendo uma temporada de glória, com noites sistematicamente lotadas (e um verdadeiro caos na hora de pagar a comanda), e se firmou mais uma vez como o destino certo para encontrar as pessoas mais bonitas possíveis, com todos os sotaques imagináveis. O lounge ao ar livre recebeu um bom trato no visu, a ovulante pistinha está com ar condicionado bombando, o sushi bar despacha enrolados sem demora - e, para quem ainda se lembra da tal cozinha contemporânea que dá nome ao lugar, vale conferir os "belisquetes" (acho tão fofo esse carioquismo!) e a releitura que eles fazem do cachorro quente - aqui, com lingüicinha temperada, queijo gruyère derretido e um punhado de onion rings. O 00 está com tudo e não está prosa.
CAFEÍNA E DEVASSA DA FARME. O Cafeína da Farme já vinha se superando em quantidade de público desde o meio do ano, e recebendo uma freqüência cada vez mais gay - a essas alturas, as outrora simplórias atendentes da casa já estão todas familiarizadas com os fervos e gongos do mundinho. E a novíssima filial do Devassa (bar de grife que vai bem inclusive em São Paulo), na esquina com a Prudente, vive com sua varanda apinhada de gente interessante, beneficiada pelo aporte de gringos da alta que se hospedam no Ipanema Plaza, do outro lado da rua, e pelo fluxo natural de banhistas saídos da praia. Cada um com sua proposta, esses dois endereços são as vitrines do momento em Ipanema.
UÓ:
GUERRA DAS MILÍCIAS. OK, este blogueiro sabe bem que o Rio não é tão perigoso como parece e os fuzuês são bem sazonais. Mas não tem jeito: quando acontece uma barbárie como esse ataque ao ônibus da Itapemirim na Av. Brasil, com 18 turistas mortos carbonizados, não dá pra não ficar perplexo e pensar que o Rio de Janeiro infelizmente não tem força suficiente diante do poder paralelo. O que mais me apavora é pensar que, diferentemente das mortes que costumam acontecer em lugares perdidos como o Complexo da Maré, nesse caso poderia ter sido comigo - eu vivo voltando de ônibus pra São Paulo e, com um bom Dramin na cabeça para viajar sonhando com os anjos, eu provavelmente não conseguiria ter escapado da morte no incêndio.
SÃO PEDRO DE MAL DO RIO. Em termos de metereologia, esse foi um dos piores réveillons de todos os tempos. Desta vez não é só aquela trovoada de fim de tarde, e sim dias e dias a fio de céu fechado e tempo chuvoso. Só peguei praia um único dia desde que cheguei, e depois de amanhã já volto pra casa, provavelmente ainda branquelo e com aquela baita cara de derrotado de quem teve a praia micada. Pior ainda é a situação dos estrangeiros, que desembolsaram uma boa grana pra vir pra cá e constataram o que nós paulistanos já sabíamos faz tempo: quando o tempo fecha, no Rio realmente não tem nada pra se fazer. Pelo menos eu estou aproveitando para escrever um post no blog, coisa que em outras condições eu jamais estaria fazendo, em plena Visconde de Pirajá...
RÉVEILLON EM IPANEMA. A virada na praia prometia, com dois grandes eventos de massa - um da Nokia, estrelado pelo show do Black Eyed Peas (que em português quer dizer "feijão fradinho", sabiam ?), e outro patrocinado pelo Guaraná Antarctica, com uma salada eletrônica de ingredientes bem contrastantes, como Infected Mushrooms e Patricinha Tribal (!). A realidade é que Ipanema acabou sendo o pior destino possível na noite do dia 31: a babel de tipos variados que desembarcou por lá viveu cenas de pura selvageria, com muito empurra-empurra, brigas a rodo, os inevitáveis roubos e furtos e uma chuvinha pentelha que insistia em castigar quem teimasse em não fugir dali correndo, na esperança de que depois a festa melhorasse.
SUNGAS ESTAMPADAS. A partir de 2002/2003, a conhecida "moda praia alternativa" de Ipanema começou a soltar sungas irreverentes e coloridíssimas, com as estampas mais diversas, do camuflado-militar ao op-art. Depois de anos de caretice, em que tudo o que existia eram as monótonas listas laterais da Blue Man, a novidade foi muito bem recebida - e os camelôs da Farme venderam que nem água. Mas a idéia já deu o que tinha que dar, virou cafona, e o que era um diferencial bacanudo passou a cansar visualmente, deixando o banhista com aquele ar de 'bissinha da Farme'. Agora, menos é mais - que venham as sungas lisas, vermelhas (salva-vidas é um eterno fetiche !), pretas, azuis e, se a morenice permitir, brancas. E as estampadas da Aussiebum ? Sim, são cafonas também - a marca foi hypada de um jeito tão rápido e tão errado que em questão de semanas já virou carne-de-vaca e brega - quem não comprou pela internet ganhou de brinde, em ações mal-direcionadas promovidas pelo marketing da marca australiana no Brasil.
FÁBIO MONTEIRO. Quem diria, a dinastia X-Demente parece mesmo ter sido posta a nocaute. Depois de anos e anos vivendo da fama de suas festas (merecidamente conquistada, é verdade) e deitando e rolando em cima do público, investindo o mínimo e lucrando o máximo, o antigo sultão da noite carioca perdeu feio a briga para Rosane Amaral. E olha que nesse fim de ano o som dele estava bem melhor do que o dela: o americano Eddie X caprichou no caldeirão, e o terraço só tinha pérolas da finesse brazuca - Mr. Spacely, Pareto, Breno Ung. Ainda assim, o público resolveu deixar Fábio de castigo, e mesmo seus freqüentadores mais assíduos escolheram a R.Evolution. Nem tudo está perdido para ele: o cara tem know how de sobra, e o nome da X ainda ecoa pelo mundo afora. Mas ele precisa reconquistar a confiança e o respeito de uma parcela grande do público, que não tem rabo preso nem ganha vip, e migrou para a concorrência em busca de um tratamento melhor (entrada sem filas, seguranças não truculentos, banheiros em condições mínimas de uso, bar com água suficiente para a noite toda) e, especialmente, de novidades. Como dar a volta por cima ? Voltando a investir em produção e decoração, erradicando os problemas apontados (que são velhos conhecidos de todos !) e, especialmente, caprichando mais no line up. OK, há quem enxergue qualidade na residente Ana Paula, mas os gringos convidados têm sido sempre da vertente mais pobre e manjada do tribal americano. Fábio tem que se empenhar mais - e para isso nem precisa bookar gente caríssima tipo Peter Rauhofer. Tem um monte de DJs fodões, talentosos e renomados lá fora, como o argentino Aldo Haydar (Caix/Buenos Aires) e o espanhol Ismael Rivas (Space of Sound/Madrid), que tocam uma house muito mais rica e agradam em cheio ao público gay de seus países - inclusive as barbies colocadas que Fábio Monteiro tanto corteja. Um bom começo seria trazer de volta o DJ espanhol Oliver, que fez um set sensacional na Marina da Glória no carnaval do ano passado, a única bola dentro que a X-Demente deu em anos. Ficam aí as minhas dicas para ele (a X merece voltar a brilhar e, na boa, a concorrência nem está tão boa assim).
Postado por
Thiago Lasco
às
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