É A SUA PRAIA? Antes de embarcar, reconheço que não sabia se iria curtir. Nunca fui fã de axé e tive medo de que a experiência se resumisse a uma dança da garrafa coletiva. Mas não foi nada disso. O choque cultural foi bem menor do que eu esperava, e durou só até a segunda vodca. O importante é ir sem preconceitos: encare a coisa como "música pop" (e não é, oras?), baixe a guarda e se deixe levar. As bandas que tocam nos grandes trios são afiadas e constroem linhas de baixo rebolativas, cheias de groove, muitas vezes tão dançáveis quanto uma boa house music. Com o diferencial de que a multidão toda sabe cantar o refrão, o que produz um efeito multiplicador de alegria do qual não dá para escapar ileso. Sabe aquele clichê de "todo mundo no mesmo astral, na mesma vibe"? Não poderia ser mais verdadeiro. Na terça, saí atrás de dois blocos, num total de mais de doze horas seguidas - e fiquei triste quando acabou.
MAS O QUE TOCA AFINAL? Vou reforçar o que eu disse no item anterior. Você não vai ouvir só aqueles chicletes de gosto duvidoso, herdeiros da Dinastia Tchan, que traduzem a nossa concepção mais leiga de "axé music". Claro que eles também marcam presença: são lançados justamente nessa época, para tentar estourar no Carnaval de Salvador e, com isso, ganhar espaço nos programas de auditório da classe C pelo Brasil afora (a pérola de 2011 foi "Liga da Justiça", do Leva Nóiz, com o refrão "foge foge Mulher Maravilha, foge foge com o Superman"; você ainda vai ouvir essa música, querendo ou não). Por outro lado, o som de cantoras como Ivete Sangalo já está muito mais próximo do pop, um pop genuinamente brasileiro, do que qualquer outra coisa. Além disso, as atrações não se prendem ao seu próprio repertório: estão sempre cantando músicas de outros artistas. O momento musical mais marcante do meu Carnaval não foi nenhum desses hits mais óbvios, do tipo "na boca e na bochecha", mas uma versão de "Toda Menina Baiana", do Gilberto Gil, que Ivete apresentou em frente ao camarote do próprio, e me deixou cantando "ô-ô-ô, ah-ah-ah" por três dias seguidos. Outra bola dentro, também da fofa, foi uma releitura de "Corazón Partío" (Alejandro Sanz) - que me pegou totalmente de surpresa. Tive que me render.
QUEM VEM? Todo mundo: grupos de jovens querendo pegar geral, famílias inteiras que vêm em caravanas do sertão e superlotam apartamentos alugados, crianças, adolescentes, gente mais velha (no Nordeste as pessoas não "baixam a bola" depois de uma certa idade, como em SP), héteros e gays. Nada de guetos: aqui, o povão se mistura mesmo, e a cidade fica em polvorosa. Dentro das cordas dos trios é que rola uma (relativa) segmentação. Por isso, o lance é você fazer aquela pesquisa prévia básica, e então ir montando a sua programação de blocos. Seus critérios de escolha serão: o perfil do público (tô indo pra beijar moin-to? só quero encontrar paulista e mineiro? recebo Ogum ou seguro o Tchan?), o preço do abadá (que também é altamente relativo, como discutirei mais adiante) e, of course, a atração que puxará o bloco (caso você tenha um ladinho oculto que adooora Cláudia Leitte, por exemplo).
OSMAR OU DODÔ? Todo mundo está cansado de saber - menos você, que é tão desinformado quanto eu era: os 2 maiores circuitos são o Osmar (também conhecido como Avenida) e o Dodô (ou Barra-Ondina). Alguns blocos fazem apresentações em ambos, em dias diferentes. Mais antigo, o Osmar sai do Campo Grande, com o sol do meio-dia a pino, e percorre as tortuosas ruas do Centro; o Dodô pega a orla, do Farol da Barra até a metade de Ondina, e os blocos saem principalmente à noite. No Osmar, o calor é maior, o trajeto é mais apertado e convém redobrar os cuidados com a segurança; já o Dodô parece um sambódromo, largo, iluminado, refrescado pela brisa do mar - e amplamente televisionado para o Brasil e o mundo. Por outro lado, é mais divertido estar cercado pela multidão humilde, que interage e vibra das janelas dos cortiços puídos do Centro, do que pelo povo insípido dos camarotes da Barra, que olha tudo com cara de tédio, em meio a balões infláveis de bancos e portais de internet. O Dodô é confortável e ultracomercial, o Osmar é roots e mais autêntico. Na dúvida, vá de Dodô - mas experimente pelo menos um dia de Osmar.
APARTHEID Sim, o Carnaval de Salvador tornou-se megacomercial e esse é um caminho sem volta. Muita gente reclama que antigamente era melhor, que o sentido de festa popular se perdeu, com as pessoas divididas em castas, dentro e fora das cordas, com ou sem abadás... Confesso que tenho mixed feelings em relação a isso. Por um lado, seria lindo se todos que quisessem pudessem ter acesso. Os próprios cordeiros - os cafuçus contratados pelos trios para segurar as cordas e garantir que os penetras não entrem - pedem esmolas a você durante o percurso, fazendo você lembrar que faz parte de uma elite. É triste, e falo isso sem qualquer demagogia. Por outro lado, sem corda e sem abadá, a coisa toda se tornaria impraticável - seria tanta, mas tanta gente, que os trios não sairiam do lugar. Quem não tem bala na agulha tem que se contentar com a "pipoca" (assistir ou seguir os trios no aperto do lado de fora das cordas), ou então esperar a quarta-feira de cinzas - quando o tradicional Arrastão, sem cordas, reúne estrelas como Ivete e Timbalada.
MADRINHA DAS GUEI Acredite se quiser: Daniela Mercury não pendurou as chuteiras em 1992, após "O Canto da Cidade". Ela continua gravando discos, vende superbem na Bahia e, mais do que isso, comanda um dos blocos mais fervidos do Carnaval baiano, o Crocodilo. Enquanto nos outros blocos os gays se infiltram, aqui eles são absoluta maioria. É um verdadeiro mar de homens desfilando e se beijando em plena avenida, a céu aberto, sob os olhares dos camarotes e das câmeras de tevê. Não que o público se choque - mas várias bees de Salvador não seguram a onda de tanta exposição pública e acabam evitando esse bloco, tão notoriamente gay que o abadá em si já vem com um carimbo "SIGNIFICA". Daniela se comporta como uma verdadeira mestre-de-cerimônias: começa com um show de delicadeza, pedindo que foliões, cordeiros e pipocas respeitem-se uns aos outros, e depois conduz a massa com absoluto domínio e um repertório dançante (zum-zum-ba-ba!), que funde épocas e estilos. A noite passa voando. O Crocodilo sai entre domingo e terça, sendo que a primeira noite é a obrigatória, em que todo mundo vai, e a última também é especial pelo clima de despedida. Segunda é a noite que se convencionou pular.
MADONNA BRASILEIRA Dentro e fora do Carnaval de Salvador, poucas cantoras do universo pop brasileiro desfrutam hoje de um status tão privilegiado quanto Ivete Sangalo. Na folia soteropolitana, primeiro ela se apresenta como contratada em outros trios (Salvador na sexta, Cerveja & Cia. no sábado), depois comanda três dias no seu próprio bloco, o Coruja (domingo e terça no Osmar, segunda no Dodô). É uma reunião de fãs: diante da simples visão de Ivete no topo do trio, o público sorri abobado e completamente entregue. Sejamos justos: Ivete é linda, tem carisma e está acumulando um repertório respeitável de sucessos. E pincela umas covers bem bacanas, como eu disse mais acima. Só que ela canta no máximo uns 30% da letra: ela manda um verso, joga o microfone pro público e só vai completar o trabalho no final da estrofe seguinte. Assim, até eu faço cinco apresentações seguidas, meu bem. Fui no último dia (terça). No começo do bloco, eu via tantas meninas de rabo de cavalo que pensei que tinha caído em algum fretamento para a Disney. Aos poucos, os gays foram aparecendo, a bebida foi subindo e começaram a pipocar uns beijos aqui e ali. A pegação é mais esparsa, mas o pessoal é beeem mais bonito do que no Crocodilo.
MUITO MAIS Nessa minha primeira experiência, procurei escolher blocos que tivessem alguma presença gay e um clima mais solto. Afinal, não queria correr o risco de me sentir um peixe fora d'água. Ivete e Daniela são as duas divas, ao ponto de cada biu local ter e defender a sua preferida (uma coisa "Britney vs. Aguilera"). Mas o Carnaval de Salvador vai muito além dessa dualidade: há outras atrações tão ou mais bombadas, como Cheiro de Amor, Banda Eva, Chiclete com Banana, Asa de Águia, Olodum e Timbalada. Isso sem falar do célebre afoxé Filhos de Gandhy (só Freud explica por que as mulheres têm taaaanto fetiche por aqueles homens vestidos de baiana do aracajé!), dos blocos eletrônicos (neste ano foram três: David Guetta, Will.I.Am/Skol e Liberty, um bloco tribal-GLS que foi o erro) e dos blocos menores, que desfilam sobretudo no circuito Batatinha, no Pelourinho. Da próxima vez, não vou abrir mão de um Crocodilo e um Coruja, mas pretendo dar uma diversificada.
É DIA DE FEIRA Um dos maiores inconvenientes é o preço dos abadás, especialmente dos blocos de artistas mais bombados, como Chiclete com Banana, Asa de Águia e a própria Ivete. Pelas vias oficiais (Central do Carnaval ou Axé Mix, conforme o bloco), você chega a desembolsar mais de mil reais por um único abadá, e sem direito a open bar. Para quem não é rykah de berço, o jeito é se jogar nas duas feiras de cambistas: no Jardim Brasil (atrás do Shopping Barra) e nas imediações do Aeroclube. A economia pode passar de 80%, especialmente se você comprar mais em cima da hora (afinal, depois que o trio passou, o abadá perde todo o valor). Tenha sangue frio e negocie. Como o pagamento só pode ser em cash e todos sabem que você estará com os bolsos cheios, vá em grupo e tome cuidado para não ser roubado, especialmente no Aeroclube. Vencida a batalha da compra, é só customizar seu abadá e sensualizar na avenida. Você pode recorrer a uma das inúmeras oficinas espalhadas pela cidade, ou arrasar sozinho com sua tesoura, tomando o cuidado de não cortar o nome do bloco, o logo do patrocinador e as marcas de autenticidade, o que pode inutilizar o abadá. Se estiver com preguiça, apenas passe o abadá por trás da cabeça - pagar peitinho sempre funciona.
SURVIVOR E por falar em dinheiro, se você se deparar com um caixa eletrônico que funcione, aproveite: essa poderá ser sua última chance. Se uma das máquinas for daquelas que só soltam notas de R$2 ou R$5, deixe escorrer uma lágrima de emoção e faça tantos saques quanto for possível: na avenida, dinheiro miúdo vale ouro, porque é muito difícil estender uma nota de R$20 e esperar o troco quando se está bêbado, no meio de uma multidão tomada por Iansã. O negócio é jogo rápido: com uma mão você estende a nota, com a outra pega a bebida e desaparece. Ah sim, é fun-da-men-tal andar com um daqueles porta-dólares por baixo da roupa: nele você leva seu dinheiro, sua chave e um documento velho. No bolso, não leve nada. E nos pés, um tênis velho e confortável - que ficará imprestável, portanto traga também um par sobressalente para os momentos off-bloco.
CAMAROTES Outra maneira de curtir a festa é comprar ingresso para um dos muitos camarotes que ficam dispostos ao longo do circuito Barra-Ondina, e assistir ao desfile dos blocos com mais conforto. Cada camarote é uma festa em si, com comida, bebida e música independente (a cargo de bandas e/ou DJs), o que significa que você pode passar a noite curtindo ali dentro e simplesmente abstrair os blocos, se quiser. Assim como acontece com os trios, há camarotes para todos os gostos e faixas de preço. Fatores para comparar: o tipo de público (desde celebridades até o povo da firrrrma), as atrações (bandas/DJs, que só interrompem o som quando um bloco está bem em frente ao camarote), a comida e bebida (nos mais simples, a bebida é vendida à parte; nos mais caros, all inclusive, há até sushi e comida contemporânea) e a localização (afinal, um dos grandes atrativos é a visão privilegiada que se tem da avenida, aquela multidão vista do alto é uma cena e tanto). Minha opinião sincera? Vale a pena pegar um camarote naquele dia em que você precisa fazer uma pausa e descansar. Mas, enquanto quem está no camarote assiste ao Carnaval, quem está no bloco participa, protagoniza, vive o Carnaval. Quando eu olhava lá de baixo os rostos debruçados nos camarotes, tinha a impressão de que ninguém ali estava se divertindo tanto quanto eu.
ABRIGO O melhor dos cenários, na minha opinião, seria você alugar um apartamento na Graça, meu bairro preferido: prédios antigos, apês enormes, perto o suficiente dos dois circuitos para você ir a pé, mas sem nenhum barulho ou muvuca. Caso você fique em hotel, reduza suas escolhas a três bairros: Barra, Ondina ou Rio Vermelho, cada qual com prós e contras. Na Barra, você tem fácil acesso à "largada" do circuito, mas será obrigado a respirar carnaval 24 horas, pois o bairro, que tem poucas ruas, fica tomado de gente, lixo e barulho o tempo todo. Na Ondina, onde ocorre a dispersão, o barulho noturno também pode incomodar - boa parte dos hotéis fica ao redor dos camarotes, por onde passam os trios. Pelo menos você sairá do bloco, exausto, a poucos passos da sua cama. No Rio Vermelho, você terá que se deslocar diariamente para a Barra (e pegar congestionamentos, dependendo da hora e caminho escolhidos), mas você tem a melhor estrutura de bares e restaurantes (na Barra as opções são sofríveis), além de uma rede hoteleira mais recente. Outros bairros? No Carnaval, eu só consideraria se fosse para ficar como convidado na casa de alguém.
BABADO FORTE? Aposto que tem leitor meu que só seguiu o texto até aqui porque estava esperando pela parte em que eu falo dos cafuçus. Pois é, para quem curte essa beleza bem brasileira, a Bahia é o paraíso na Terra - já declarei publicamente por aí que os baianos estão no topo da minha lista de preferências. Os braus locais ("cafuçu" é coisa de pernambucano, jamais ouse pronunciar esse termo na Bahia, eles acham pejorativo!) são mesmo de babar, colega. Além disso, a capital soteropolitana é a terra dos "héteros que fazem" - aqueles bofes que, na maior discrição, mandam ver mesmo, e nem venha você querer definir a sexualidade deles. No entanto, por incrível que pareça, o Carnaval de Salvador não é tão sexual como alguns podem imaginar. Claro que as pessoas estão ali para se permitir, mas, em sua grande maioria, o que elas querem é beijar, não necessariamente transar. É um clima muito mais puro e brincalhão, de curtir a música, sair com sua galera, beijar muito, dar risada e não ter grandes preocupações, do que um açougue da carne como em outras praças.
RELAXE, MEU REI Aos cri-críticos de plantão: venham vacinados para conviver com os problemas da cidade, sem deixar que eles azedem o seu bom humor. Nesses dias frenéticos, Salvador fica ainda mais suja. É preciso manter-se alerta contra os furtos (mas sem neurose! também não é tão perigoso assim). As avenidas de acesso que formam o yakissoba viário da cidade (Centenário, Garibaldi, Vasco da Gama, Cardeal da Silva, Vale do Canela) freqüentemente engarrafam - escolher o caminho mais livre é pura questão de sorte. O serviço é um dos piores do Brasil, oscilando entre a simples ineficiência e os maus tratos ao cliente. Não espere ouvir um "por favor", "com licença" ou "obrigado" - e, quando você agradecer, tampouco ouvirá resposta. Mas nada disso estraga o brilho da festa. É só você ir com o espírito preparado. Ninguém ali quer receber suas lições de civilidade. E lembre-se: na Bahia, uma hora tem 90 minutos.
COMBUSTÍVEL Salvador tem excelentes restaurantes [já falei sobre alguns no blog e voltarei ao tema no próximo post]. Nada como pedir um prato com camarão e receber camarão de verdade. Mas vá por mim: nos dias de Carnaval, você dificilmente vai querer perder tempo com grandes deslocamentos e comida que pode pesar no estômago. Se quiser usufruir da gastronomia e das atrações turísticas de Salvador, o ideal seria viajar em outra época, ou pelo menos pegar mais alguns dias antes (lembrando que a festa começa já na quinta, não no sábado!) ou depois do Carnaval. No corre-corre do circuito, você vai ter que se virar com comida rápida de barracas (salgados, pizzas etc.) e os sanduíches e vitaminas do Suco 24 Horas. Provavelmente, sua maior preocupação será o álcool (que é absolutamente essencial, diga-se de passagem). Dentro dos trios, tudo é mais caro: fora deles, se você não curte cerveja e acha as bebidas ice fraquinhas demais, terá um pouco mais de trabalho até achar uma vodca que seja confiável. Por isso, os mais espertos compram uma garrafa de Smirnoff ou Absolut, gelam em casa e levam para o trio em garrafinhas de água de 500ml, ou naquelas mochilas etílicas do tipo camelbak.
FOI BOM PRA VOCÊ? Posso afirmar com segurança que essa foi a melhor escolha que eu poderia ter feito para o Carnaval de 2011. Se eu voltarei? Não tenho a menor dúvida que sim. Todo ano? Provavelmente não, porque os preços são salgados demais para o meu bolso [nem sei como teria sido sem o apoio e a hospitalidade de meu amigo David, a quem deixo meu beijo e muito obrigado!]. E porque eu também curto o Carnaval do Rio de Janeiro e de Florianópolis, cada um do seu jeito. Salvador provavelmente vai entrar no meu rodízio com as outras duas cidades - ainda que o astral de lá seja dez vezes maior do que o da primeira e duzentas vezes maior do que o da segunda. Sem tanto carão, sem tantos guetos, conhecendo gente diferente. Na terça, quando os trios chegavam perto do fim, tocando os clássicos eternos, os foliões felizes e nostálgicos ao mesmo tempo, não querendo que aquilo acabasse... aquilo foi um momento totalmente emocionante, uma sensação que eu nunca pensei que pudesse ter. Foi aí que caiu a ficha que eu tinha realmente entendido o Carnaval de Salvador.
terça-feira, 15 de março de 2011
Carnaval de Salvador para não-iniciados
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Thiago Lasco
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12:42 AM
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terça-feira, 1 de março de 2011
Baianizer
Escrevo este post na maior correria do mundo. Estou tentando dar conta das últimas pendências no trabalho, para poder sair depois do almoço e cruzar a cidade (alagada) até o aeroporto de Guarulhos. Meu Carnaval começa hoje, e dessa vez vou romper com o tradicional rodízio entre Rio de Janeiro e Florianópolis. Neste ano que está sendo marcado por tantas novas experiências, chegou minha hora de finalmente conhecer o Carnaval de Salvador. Vou cair na folia e depois dar uma descansada por lá até o dia 13.
Assim que confirmei a viagem, saí à caça de informações para poder montar minha programação. Conheço bem a cidade, mas sou totalmente leigo nesse assunto: se me pedirem o nome de três músicas de axé, vou saber dizer "Arerê", "A Dança do Vampiro", "O Canto da Cidade" e olhe lá. A festa baiana é um emaranhado de blocos e camarotes, espalhados por três circuitos diferentes, ao longo de seis dias (na Bahia, o babado começa já na quinta). É preciso pesquisar um pouco para entender as sutilezas, qual o tipo de público, se é mais friendly, se vale ou não a pena, e então tomar as decisões e comprar os respectivos abadás. Até porque é tudo caro pra cacete: para entrar na cordinha do Coruja, o bloco de Ivete Sangalo, pagam-se escorchantes R$650 por dia! E tem muita gente que compra os três dias e paga sem reclamar, jurando de pés juntos que é uma magia toda mágica, algo que não tem preço, que só vivendo para entender.
Engana-se, porém, quem pensa que o Carnaval de Salvador se resume ao axé. Existem trios com outros estilos musicais, desde as clássicas marchinhas até rock, reggae e música eletrônica - neste ano representada por nomes como Armin Van Buuren e David Guetta. Outro equívoco, reforçado pelas transmissões da televisão, é pensar que nessa festa só os héteros se dão bem. O bloco Crocodilo, capitaneado por Daniela Mercury, tem maciça presença gay. A fama do Crocodilo é tanta que muitos nativos, não querendo ter seu filme queimado numa sociedade onde as coisas acontecem por baixo do pano, acabam migrando para outros blocos, como o próprio Coruja, onde se jogam do mesmo jeito, no meio da multidão. Para quem prefere fazer a linha barbie-túrica, sábado será dia da Pool Party Salvador, com produção caprichada e Offer Nissim e Ana Paula no som - uma festa que promete não ficar devendo às similares do Sudeste, e será emendada num bloco eletrônico (Liberty) que percorrerá o circuito Barra-Ondina.
É claro que vou conferir a programação GLS, que ainda contará com o camarote Vipado, do fofo Ailton Botelho [informações aqui] e as madrugadas do repaginado clube San Sebastian, que funcionará em clima de after. Mas confesso que estou até mais curioso com os blocos não especialmente direcionados, como o de Ivete, que fazem a cabeça de verdadeiras multidões. Nunca fui muito fã do estilo, mas não ficarei admirado se, de repente, eu me pegar dançando e cantando junto, e simplesmente me deixar levar. Tudo pode acontecer. Estou embarcando nessa para me surpreender - coisa que certamente não aconteceria no Rio ou em Florianópolis, onde as mesmas festas trarão os mesmos DJs nos mesmos dias da semana dos anos anteriores, e a única novidade será tocar "Born This Way" no lugar de "Bad Romance". Bom carnaval a todos! Segurucu!
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Thiago Lasco
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11:35 AM
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Bloco do Eu Sozinho
"Excesso de informações, conexões, expectativas, demandas, novidades... como lidar com isso e administrar o tempo enquanto não aumentam as horas do dia?". Essa linha-fina antecipa o conteúdo do ensaio "Era da Moderação", de Ronaldo Bressane, publicado pela Livraria Cultura na Revista da Cultura de janeiro. O autor explica que vivemos uma era em que o mundo virtual nos bombardeia com uma quantidade monstruosa de informação e cultura. A digitalização da produção e distribuição dessa informação permite que nós tenhamos acesso a tantos livros, vídeos, jornais, músicas e revistas quanto quisermos. Por outro lado, paradoxalmente, usufruímos cada vez menos de tudo isso: descartamos as coisas muito rápido, pois a velocidade com que a informação nos é oferecida não deixa que a gente se concentre e se detenha por muito tempo nela, antes que venha o próximo bombardeio. São discos que baixamos pela internet e deixamos de lado sem antes tê-los ouvido por inteiro, por exemplo.
Diz o pensador de cultura digital Gustavo Bittencourt, citado no ensaio: "Temos uma vasta oferta e uma fome interminável, porém uma capacidade cada vez mais limitada de prestar atenção e investir tempo no consumo de todo esse manancial a nós ofertado. Estamos à frente de um banquete, beliscando rapidamente um pedacinho de tudo que nos põem à frente, maravilhados com a variedade e quantidade de sabores, mas perigando perder lentamente a noção de desfrute". Outra fonte ouvida por Bressane, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, faz uma comparação parecida. "O mundo cheio de possibilidades é como uma mesa de bufê com tantos pratos deliciosos, que nem o mais dedicado comensal poderia esperar provar de todos. A infelicidade dos consumidores deriva do excesso, e não da falta de escolha: será que utilizei os meios à minha disposição da melhor maneira possível?".
Pois bem, sabem onde fui sentir isso na carne? Justamente no Carnaval de Florianópolis, tema do post anterior, e ao qual hoje volto com mais sobriedade, agora que o pileque de vodka passou e a volta à vida real se impôs.
A cena se monta como o bufê desenhado por Bauman. Milhares de homens belíssimos, vindos de várias partes do Brasil e até do Exterior, depois de dedicar meses (anos) a dietas e treinos intermináveis na academia, e comprar os óculos e sungas da hora, chegam sedentos à Ilha da Magia, dispostos a viver uma maxiexperiência hedonista carnavalesca. Compram logo o "combo" que dá direito a frequentar todas as festas, ainda que isso implique passar cinco dias seguidos dormindo e comendo pouco ou nada. E se jogam, com fé e força. Para onde quer que você olhe, na praia ou no clube, são tantos, mas tantos. Um mais bonito e sarado que o outro. É difícil mesmo fixar o olhar em alguém, porque logo passa um melhor, e mais outro. Parece mesmo o paraíso.
Eu também me preparei para o Carnaval, física e psicologicamente. À minha maneira, acho que cumpri minha missão a contento, pois cheguei pronto para o melhor, sentindo-me bem, com a autoestima em dia, louco para matar a saudade dos cenários, rever os amigos de fora e conhecer pessoas novas. Quando pisei ali, não consegui conter o deslumbramento: uau! Os dias foram passando, estive nos lugares certos nas horas certas. E me diverti, sim. Mas, estranhamente, com tanta gente linda em volta, não vi surgir ali nenhum casinho, nenhuma historinha gostosa. Apenas algumas pegações pra lá de fugazes (não raro, anônimas), e olhe lá. Voltei pra casa satisfeito pela metade: eu não tinha ido a Floripa para procurar namorado, ou mesmo me prender a alguém, mas achei que poderia ter vivido pelo menos uns momentos mais significativos, e nada aconteceu.
Eu já estava começando a pensar que talvez meu poder de fogo não estivesse tão bom assim, e eu deveria me preparar melhor para 2011, quando comecei a falar com outras pessoas que também haviam ido para lá. E fui descobrindo que com eles havia acontecido a mesma coisa. Pouquíssimos haviam voltado para casa com histórias para contar. A maioria não tinha ficado com ninguém - incluindo algumas pessoas de quem não se esperaria isso, como C., um personal trainer que tem o tipo de corpo que todas as bilus querem pegar. Ficou todo mundo tão apalermado com a quantidade de oferta no bufê, que ninguém conseguiu se servir. Ficaram ali se olhando, se olhando, e só. Mesmo os que ficaram com alguém viram a coisa evaporar antes que pudessem dizer "rama-ramama-ah, gaga-oh-la-la".
Talvez eu não devesse ter me surpreendido tanto com o saldo do Carnaval. Afinal, não é de hoje que as relações sociais que se constroem no nosso meio vem sendo empobrecidas pela ânsia do imediato e do descartável. Que encontra um símbolo apropriado nas redes sociais virtuais: eu canso de receber pedidos de "add", no Facebook e Orkut, de pessoas que não me conhecem, e nem estão efetivamente interessadas a me conhecer. Assim como outros tantos "amigos" que engordam meu círculo virtual são pessoas que podem passar por mim ou mesmo estar ao meu lado na boate sem sequer me cumprimentarem (esses, eu periodicamente deleto da minha rede, mas faxina virtual é o tipo de coisa que a gente só tem saco de fazer quando está realmente ocioso).
Aliás, na boate, o interesse nasce, evolui para beijos e agarros e dura somente o tempo em que os aditivos agem no corpo. Passada a onda, tudo se esfarela, um (ou o outro) mira um ponto no horizonte, sai de fininho e desaparece. Valeu. Entre um drink e outro, meu amigo L.A. me diz que "essa sua geração parece ter vindo de fábrica sem o chip para relacionamentos". M., num papo animado ao telefone, divide comigo sua última lição: aprendeu que o approach na balada tem que ser minimalista. Oi, tudo bem? Tá tudo essa festa, quero pegar você, crau. Qualquer palavrinha a mais, tipo perguntar coisas básicas sobre o cara, querer saber algo sobre ele, é papo de "gente que quer arranjar namorado", ihhh, mela tudo na hora. Então tá, lição anotada.
E olha que nem precisamos entrar na velha e cansada discussão de "namoro versus aversão a compromisso". Até a sacanagem pura e simples está sendo prejudicada pela síndrome do fast-eject. Vejam o caso de B., um sujeito bastante prático, que não tem paciência para se relacionar com ninguém, e assume sem pudores ou rodeios seu interesse exclusivo pela putaria. Pois bem: no começo do mês, B. foi a uma dessas festas-do-cabide onde se pratica a fagocitose múltipla por atacado (ou seja, uma suruba). Machos fogosos, luz baixa, zero inibições, estrutura e conforto necessários para arranjos acrobáticos típicos de molécula química complexa. Pois bem, disse ele que chegou disposto, brincou com uns vinte e cinco e... gozou litros, saiu com o bilau esfolado e ficou três dias sem sentar? Não: foi embora pra casa sem gozar. "Cada brincadeira não durava mais do que dois minutos. Quando a coisa começava a ficar boa, o cara se dispersava, ia trepar com outro, depois outro". Sair sem gozar de uma suruba é, decididamente, sinal de que alguma coisa está fora da ordem, não acham?
Enfim, parece que nosso universo gay está tão super-mega-hiper que ficamos prostrados diante de tantas opções, protagonistas de um videogame coletivo em que tudo é descartável e ninguém chega feliz ao final. O texto de Bressane sugere que cada um encontre seu jeito para desacelerar, cavar brechas na loucura e escapar da pressão dos estímulos, simplificando a vida. Talvez a própria noite gay seja uma ciranda da qual às vezes é preciso dar um tempo para a cabeça. Passado o Carnaval, as atenções começam a se voltar para a próxima big thing: as festas da Parada de São Paulo, em junho. Por incrível que pareça, já tem amigo meu planejando os preparativos até lá. Sempre aguardei essa época do ano com muita alegria. Agora, começo a pensar que o bufê que não mata a fome irá apenas mudar de lugar.
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Thiago Lasco
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3:20 AM
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Carnaval de Floripa, num caleidoscópio sem lógica
De 2008 pra cá, o crescimento do Carnaval gay de Floripa saltou aos olhos: a muvuca em torno do Bar do Deca agora se esparrama até as pedras do canto esquerdo e mais uns 50 metros em direção à metade hétero da Praia Mole. Orkutização define. Não sei se tem a ver com esse boom, mas faltou luz dois dias seguidos nas imediações. Chinelo Calvin Klein Jeans is the new sunga Aussiebum: mais carne-de-vaca, impossível. Receita de sucesso? Estômago vazio, bee. Pro abdome ficar chapadinho e fazer bonito na praia, pra onda bater mais rápido, pra conseguir achar a comida do Bar do Deca comível. Por esse mesmo motivo, passei bem longe do Bistrô Isadora Duncan, Mar Massas, Patagônia, Café Riso ou qualquer refeição que pudesse ser comida com garfo e faca: sobrevivi basicamente à base de uns poucos sanduíches naturais e muitos sucos-vitaminas-exóticos (hits absolutos: os servidos pelo Oculto, que veio substituir o antigo Quiosque da Mole). Com uma estrutura majestosa, staff ultramegacordial e eficiente, vibe lá em cima e homens lindos saindo pelo ladrão, a The Week Floripa em 2010 esteve próxima do impecável. Pra não dizer que foi absolutely flawless: levei um certo tempo para digerir os ingressos a R$150, e achei uó o bar vender Pepsi (mas quem se importa? o povo se jogou no Gatorade). Bem que eles podiam adotar o sistema de "dinheirinhos The Week" o ano todo, fikadika! Sensacional mesmo foi a derradeira pool party de terça, que terminaria à 1h, ser esticada em três horas por conta do set-surpresa de ninguém menos do que Mr. Peter Rauhofer, que já tinha feito long set na véspera e ostentava um raro bom humor. E que obsessão é essa que o Peter tem com "Everybody Wants To Rule The World" do Tears for Fears, hein? Será que alguém foi à Concorde neste Carnaval? Maniqueísmos à parte, André Almada passou o rolo compressor sobre a concorrência: todas as bunitas bateram cartão na TW nos cinco dias em que a casa funcionou, incansáveis. Se Floripa em si era só ais e uis com tantas beldades, na TW rolou a peneira da peneira. Quem quiser aparecer em 2011 precisa investir no corpitcho desde já, and I mean it! Este foi meu quarto carnaval na ilha, e posso dizer: nunca vi tanto homem bonito all around. Chega uma hora em que você fica até anestesiado. E olha que desta vez não deu tempo de ir pra Jurerê, Campeche, Itajaí, Balneário: fiquei só no circuitinho Mole-TW mesmo. Aliás, o Carnaval daqui tá ameaçando o do Rio neste aspecto. É claro que o Rio é de se descabelar e bater com a cabeça na parede no quesito "corpos pecadores". Só que ali a beleza é muito mais massificada e homogênea: no gueto gay, às vezes parece que só existe aquele tipinho barbie-michele-pseudomarrenta-de-corrente-grossa-que-pega-no-pau-por-cima-da-calça-e-quer-se-encostar-em-um-namorado-gringo-rico, enquanto em Floripa existem vários tipos de beleza (e olha, o pessoal do Sul aprendeu a moldar o corpo direitinho! a inocência de outrora se foi, meu bem!). Agora, um ponto para o Rio: eu não aguento mas descer trilha e subir trilha enlameada para ir e voltar da praia, e ficar com a perna toda imunda e as unhas profundamente encardidas mesmo depois de um banho demorado! Ainda bem que é a locadora que vai limpar o assoalho do carro... Por outro lado, o serviço nos bares e restaurantes em Floripa consegue ser tão ruim quanto o do Rio: é menos grosso, mas muito mais demorado. De Salvador para mais! A Lei Seca parece inexistir em Florianópolis. Se tivessem colocado uma blitzinha que fosse na estrada que liga a Praia Mole à Barra da Lagoa, metade de São Paulo teria saído presa, for sure. Estou fazendo uma enquete com os amigos mais atentos sobre qual foi o hino do Carnaval 2010 de Floripa, e todos apontam para uma música instrumental, que começa "pam pam... pam pam pam pam pam pam". Assim fica difícil, né! "Sweet Disposition" (Axwell & Dirty South Remix), do Temper Trap. Outra que rendeu bastante foi "Sweet Dreams", da Beyoncé (mas não sei em qual remix). Claro que o ladygaguismo marcou presença, mas, mesmo assim, ouvi bem menos "Bad Romance" do que eu esperava. Uó mesmo foram os temporais do fim da tarde - e ficar preso dentro do Bar do Deca até a tormenta passar, enquanto guardassóis voavam, grelhas de queijo coalho idem, calhas e toldos despejavam as Cataratas de Paulo Afonso e bichas desesperadas se debatiam, numa espécie de 2012 gay. E, no melhor estilo limões-que-viram-limonada, os espertos reinventaram a própria sorte e transformaram o que seria um simples refúgio bagaceiro contra a chuva num beach club bombadíssimo. Ah, o poder da vodka! Aliás, foi esse mesmo feitiço que embalou a feitura deste post verborrágico, que estou despejando freneticamente no teclado de uma lan house cheia de argentinos com franjas emo. No cansaço físico e mental em que me encontro, o relato deste Carnaval não poderia ter sido feito de outro modo. Continuo amando o Rio com todas as minhas vísceras (confesso que no começo até me senti culpado, traindo a Cidade Maravilhosa), mas estou seriamente tentado a repetir Floripa em 2011. O Rio, eu já tenho a sorte de frequentar várias vezes por ano, graças a Deus. Mas Floripa tem um descompromisso e um astral de praia e férias que o purgatório carioca da beleza e do caos jamais conseguirá ter, sorry. Vou mandar logo pro ar este post, pro assunto não ficar velho, mas ainda tenho 24 horas em Floripa, com direito a uma edição manezinha do Café Com Vodka, daqui a 45 minutos [update: foi incrível! terraço com vista linda, gente idem e a Cella arrasando no som] e, oxalá, um lindo dia de sol e praia amanhã. Porque Floripa pode ter 1001 encantos mas, para mim, nenhum deles bate a praia da Galheta. Aquele lugar me devolve o equilíbrio, zera meus contadores, pacifica meus sentimentos, é um lugar único onde consigo estar em contato comigo mesmo. Amo! E não, seus maldosos, isso não tem nada a ver com a tal ecopegação (assunto que poderia render um post próprio ou até uma tese de mestrado, mas, como diz o ditado, "what happens in Vegas stays in Vegas")! Espero que todos tenham aproveitado o Carnaval, até a próxima!
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Floripa 2010: roteiro gastronômico
Eu juro que ia postar aqui um roteirinho gastronômico caprichado de Floripa. Esse é o tipo de texto que eu adoro escrever. Mas as circunstâncias não estão colaborando comigo: tempo, tarefas, disposição, problemas paralelos, tudo conspira contra. Como a largada já é depois de amanhã, eu já estava ficando preocupado e achando que ia acabar deixando meus leitores na mão. Até que os gentilíssimos Destemperados me avisaram que postaram um roteiro sob medida para quem vai passar o carnaval na ilha. Li e respirei aliviado: gostei muito.
Das indicações na região da Lagoa (as mais úteis para as bees, que vão aderir ao combo Mole-TW), a maioria já me era familiar: o italiano Mar Massas (um clássico), o asiático Thai (sempre tento ir e nunca consigo, mas desta vez não passa; pretendo jantar lá no domingo, alguém topa?), o charmoso Bistrô Isadora Duncan (meu favorito até hoje), os frutos do mar do Ponta das Caranhas. Mas também há dicas no Centro e na parte norte da ilha, incluindo umas boas boquinhas al mare na cena jetsetter de Jurerê Internacional. O post é bem redondinho, tem fotos dos pratos e links para resenhas individuais dos restaurantes, com endereço e serviço. Passem lá e prestigiem!
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Thiago Lasco
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sábado, 6 de fevereiro de 2010
No próximo bloco...
O Carnaval já está batendo à porta e, como de costume, vou deixar algumas dicas para os leitores que vão se jogar nos principais destinos gays, Rio de Janeiro e Florianópolis (quem sabe num futuro próximo eu não possa dar dicas para o Carnaval de Salvador também?).
A essa altura do campeonato, todo mundo está com transporte e acomodação reservados e já conferiu o calendário das festas (eu postei a programação de Santa Catarina aqui; a agenda carioca, vocês conferem aqui). Em relação a Floripa, eu já postei algumas dicas mais gerais aqui e aqui; quem está indo pela primeira vez pode ler meu balanço do Carnaval 2008, ter uma ideia de como a coisa rola por lá - e depois comparar o texto com 2010, para ver se todo ano é sempre igual. O Rio de Janeiro dispensa maiores apresentações, né? Em todo caso, aqui vão algumas dicas que escrevi para o Carnaval de 2007, quando este blog era bem menos conhecido.
Do que falta falar então? De comida, ora - um assunto importante, mas que muitas vezes acaba negligenciado nessas viagens, por falta de informação e preguiça de correr atrás. Vou montar roteiros de boas comidinhas no Rio e em Floripa. Já indiquei os meus restaurantes prediletos do Rio, mas o texto, de 2006, merece uma boa atualizada. Para as dicas de Floripa, como tenho muito menos vivência ali, pedi uma ajudinha para os guris do Destemperados, um blog gaúcho fofíssimo que disseca as melhores mesas de todo o Sul. Aguardem os próximos posts.
[UPDATE 7/2/10: Hoje, meu avô faleceu, depois de oito meses de muito sofrimento no hospital. Sei que ele está melhor agora e a morte não deixa de ser um alívio e uma libertação, mas não sei se terei cabeça para cumprir a promessa deste post e montar os roteiros gastronômicos a tempo. Conto com a compreensão de todos.]
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Thiago Lasco
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Corrida maluca
Suellen entrou na faca. Rosemary passou a tarde na Oscar Freire e entrou no cheque especial. Soraya associou Coscarque e Magrins. Samanta comprou O Pequeno Príncipe e dois livros de auto-ajuda. Solange pediu pra vizinha trazer de Ciudad del Este um estojo de maquiagem da MAC. Pamela cobriu a tatuagem com o nome do ex-bofe. Grace está sobrevivendo à base de atum enlatado e clara de ovo frita. Fabíola já separou o dente de alho contra o mau olhado. Veronika comprou uns óculos iguais aos da Lady Gaga. Alexandra enviou uma caixa de bombons enorme para cada rival amiga. Shirley está fazendo um curso de pompoarismo anal. Wannessah fez um estoque de comprimidos para as mais variadas necessidades. Linda besuntou o corpo de óleo de cozinha e foi fritar na laje. Samara mostrou uma foto da Rihanna para seu cabelereiro no Méier e pediu um corte igual. Kátia alugou o vídeo de malhação da Jane Fonda. Marriucha está fazendo aplicações diárias de florais no bumbum. Quando viram que o ingresso de cada festa custaria inacreditáveis 150 reais, Estela soltou uma gargalhada alta, Alicinha teve que recorrer a um empréstimo pessoal, Bruna voltou a fazer programas e Sueli achou melhor ficar em casa mesmo. Ludmilla investiu em aulas de pole dancing. Valkyria grudou uma foto da Solange Frazão de biquíni na porta da geladeira. Magali comprou uma calça jeans dois números menor - e sem elastano. Selma aprendeu a dublar "Bad Romance". Natasha fez uma simpatia poderosa e encomendou seis dias de sol. E agora... quem chegará mais preparada ao Carnaval de Florianópolis?
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terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Carnaval SC 2010: quem, quando e onde
Quando comecei a ir para Florianópolis, em 2004, o Carnaval da ilha era uma opção mais low profile à jogação descontrol do Rio de Janeiro. O esquema era muito simples: os dias na praia Mole, onde um desleixado Bar do Deca reinava soberano, e as noites na única boate da cidade, a Concorde (cuja pista, redonda e giratória, eu apelidei carinhosamente de "drag grill"). Não havia carão, todo mundo baixava a guarda e interagia, e o colocón era bem tímido, só para dar um brilho mesmo. Esse clima leve, aliado ao sabor de novidade e à beleza das praias, foi atraindo mais e mais gays de outras regiões do Brasil.
Eu também gostei da brincadeira, e passei a alternar meus carnavais entre RJ e SC [os prós e contras de cada um, eu analiso aqui]. A cada nova viagem para o sul, o crescimento era nítido. O grande salto foi dado em 2008, quando a ilha deixou de ser um destino regional e ganhou projeção nacional. Enquanto o sucesso de Jurerê Internacional fez com que os mais empolgados e até a imprensa passassem a se referir a Floripa como a "Ibiza brasileira", a cena gay passava a um novo nível com a chegada da The Week, que comandou uma maratona de festas e DJs típica do eixo Rio-São Paulo. Os manezinhos perderam a inocência e começaram a se jogar como gente grande.
Continuo fazendo o meu rodízio, e 2010 será meu quarto Carnaval em Floripa. Como tenho o hábito de planejar as minhas viagens, tratei de fazer um levantamento das festas e DJs que vão agitar a ilha, e dou todo o serviço aqui, para que você, leitor do blog, também possa fazer sua programação. Com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, um planejamento decente é a melhor maneira de conciliar festas e fervos diurnos, sem se perder pelo caminho.
Tudo indica que não haverá grandes novidades nesta temporada. Para os turistas gays, a The Week continua sendo a opção mais prática e cômoda, e deverá lotar todos os dias, apoiada em DJs residentes e convidados que já são velhos conhecidos do seu público. Correndo por fora, estão o clube Concorde, que só não abrirá no domingo, e a festa E.Joy, que fará uma edição justamente no domingo. A Sunrise, festa do barco que já havia virado tradição no domingo de Carnaval, não será realizada neste ano.
Você acha que já ouviu "Bad Romance" o suficiente? Uma sugestão é juntar um grupo de amigos e se jogar nos superclubes eletrônicos, que receberão top DJs como Hernán Cattáneo, Erick Morillo e Armin Van Buuren. O Pacha fica em Jurerê Internacional, no norte da ilha; já o Warung, o Green Valley e o estreante Blue Coast ficam na região de Balneário Camboriú e Itajaí, a uma hora de carro de Floripa. Tenho amigos (gays) que não trocam o Green Valley e o Warung por nada: afinal, a vibe é incrível e os homens são de babar.
Aliás, mesmo quem preferir não arriscar uma jogação noturna tão distante (e ter que voltar dirigindo para casa depois!) pode dar uma olhada em Jurerê durante o dia: os beach bars Parador 12 e El Divino têm bons DJs animando a praia e muita gente bonita. Outra pedida para quem quer mudar de ares é conferir a Praia do Campeche, que, de dois anos pra cá, vem recebendo os belos que cansaram da Mole.
Aqui vai a agenda de atrações [vou atualizar caso surjam novidades ou alterações]:
QUINTA (11/2) Slam T & Romulo Azzaro, Concorde.
SEXTA (12/2) Life is a Loop, Warung. Erick Morillo, Green Valley. Abel, The Week (casa abre às 23h). Café com Vodka, Jivago. Marcinha & Paty Laus, Concorde.
SÁBADO (13/2) Armin Van Buuren, Green Valley. Kaskade, Pacha. J. Louis & Isaac Escalante, The Week (casa abre às 17h). Danny Verde, Concorde.
DOMINGO (14/2) Sharam (Deep Dish), Warung. Steve Angello, Green Valley. Life is a Loop, Parador 12. Juanjo Martin & Tony Moran, The Week (casa abre às 17h). Ralphi Rosario, Ana Paula & Ale Bittencourt, E.Joy @ Alameda Casa Rosa. Phil Romano, Splash @ Concorde (festa da espuma, só para homens).
SEGUNDA (15/2) Bob Sinclair, Green Valley. Seb Fontaine, Ned Shepard & Nadia Ali, Blue Coast. Hernán Cattáneo, Pacha. Peter Rauhofer, The Week (casa abre às 23h). Tiago Vibe & Joe Welch @ Concorde.
TERÇA (16/2) Luciano, Warung. Kaskade, Green Valley. Gui Boratto, Parador 12. Steve Angello & Moony, Pacha. Chris Cox, The Week (casa abre às 17h). DJ Paulo, Concorde.
QUARTA (17/2) Café Com Vodka, Latitude 27.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Chorinho carioca (a pedido do Uomini)
Com tanta coisa pra fazer, infelizmente não consegui ir ao Forte de Copacabana conhecer a roda gigante (e dar uma pinta ouvindo balearic house no Café Del Mar instalado lá). O Papa Fina, um dos melhores quilos de Ipanema, ficou lindo reformado. As mesas no deck lembram o saudoso Gula Gula da Aníbal e já nascem hit. Terapia de regressão na pool: um plantava bananeira na piscina, enquanto os outros brincavam com uma enorme bola de plástico. Já fui pro Rio __ vezes [depois atualizo com o número exato], e ainda assim fiquei espantado com a quantidade de homem bonito na cidade. Tinha um bofe na Ataulfo com a Antero de Quental que era tão lindo, mas tão lindo, que quase me arrisquei a levar coió, só pra me declarar a ele (mas meu superego não deixou). Não é só a gente que perde a linha: uma vovó fervida declarou ao RJTV que estava virada havia vários dias, só se jogando entre um bloco a outro. Perdi a conta de quantas pessoas tiveram celulares furtados na muvuca dos blocos (esse povo não aprende nunca?). Mas chato mesmo eram os playboys embriagados tocando o terror nos ônibus, cantando alto, batucando e sacaneando as pessoas. E uma vadiazinha que espremia uma bisnaga de catchup nos outros passageiros (!), porque sabia que ninguém ia meter a mão na cara de uma menina. A Lapa estava a própria torre de babel, gente de tudo quanto é tipo, uma bagunça bem divertida. Mas, na terça, o cheiro de cinco noites de mijo acumulado estava quase dando onda de colocón. Falando em colocón, perguntei pros socorristas do posto médico da Pool Party o que fazer quando um amigo passa mal, e eles se limitaram a responder: simplesmente não tomem nada nunca! Dã. Como em todos os anos, a porta do Elite continua sendo o destino certo para encontrar os melhores cafuçus. E sabe que a República Dominicana também tem cafuçus, e com uma pegada ó-ti-ma? Putos ficaram os amigos que compraram ingresso pra B.I.T.C.H. pela internet, chegaram na Fundição e o guichê já estava fechado. Rosane Amaral finalmente melhorou os bares da Pool; bem que ela podia fazer mais umas duas edições por ano. E a The Week Rio fica bem mais agradável quando não está tão lotada e convida um DJ que foge do tribal. Fiquei devendo o 00 de domingo, mas, quando você está exausto, melhor descansar do que ir pra night com cara de bunda. Nunca gostei de samba, mas agora estou até considerando ir ver os desfiles na Sapucaí no ano que vem. Os salgados da The Bakers continuam imbatíveis. Diálogo bairrista (afffe, ainda isso?) no Bibi de Copa: "Paulista deixa de ir à academia para ir ao shopping". "E carioca deixa de ir à escola para ir à academia". Tô cada vez mais carioca: tenho uma linha de celular 021, comprei um cartão pré-pago de metrô e agora finalmente aprendi a mijar no mar! E o sol continua a pino, ai que vontade de voltar hoje mesmo pra lá...
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Thiago Lasco
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Um Carnaval à prova de urucas
"O quêêêêê, você vai pro RIO?!?!?! Mas comooooo??? Não vai ter ninguém lá, vai todo mundo para Floripa!!! Tem certeza? Troca essa passagem, gato!" Tive que explicar que ia pro Rio mesmo, e parecia que eu estava dizendo que ia passar o Carnaval em Cuiabá. De uma hora para outra, a Cidade Maravilhosa, que sempre foi a referência número 1 em termos de carnaval gay, era reduzida a um mero prêmio de consolação pelas bilus paulistanas, ávidas por mais um ano de Bar do Deca, certas de que iriam participar de um momento histórico na Ilha da Magia.
Eu adoro Florianópolis, passei três carnavais incríveis por lá (o último deles, em 2008, eu comentei aqui), sabia que em 2009 a bombação seria ainda maior, mas desta vez preferi investir no Rio. E não me arrependi nem um pouco. Gastei um terço (ou até menos) do que teria gasto em SC e me diverti muito mais do que eu pensava - foi um dos melhores Carnavais que passei. Fiz um planejamento menos rígido e, surpreendentemente, as coisas fluíram melhor: meus dias ficaram mais redondos, amigos e peguetes foram aparecendo no meu caminho, e no final tudo se encaixou numa boa.
Pra começar, não dá pra não achar graça no tamanho da pretensão de quem pensa que o Carnaval carioca precisa do aval dos paulistas para decolar. "Não vai ter ninguém"?! A cidade estava lotada - e, antes que retruquem que quantidade não é sinônimo de qualidade, esclareço que os homens estavam de enlouquecer. A quantidade de machos bonitos de todas as facções possíveis (garotos dourados da Zona Sul, gringos boa-praça, barbies for export, surfistas, santateresófilos, cafuçus-delícia) era uma coisa de louco, era de bater com a cabeça na parede. Tanto na praia (o hype do Coqueirão já está mais do que confirmado; a Farme continua intransitável) quanto pelas ruas, nos bares e nos blocos.
Aliás, uma característica marcante deste Carnaval foi a explosão dos blocos de rua. Eles sempre existiram, é verdade, mas parece que neste ano eles se multiplicaram e cresceram muito mais. Os mais conhecidos, como o Boitatá e o Bola Preta, juntaram multidões enormes, mas aconteceram muitos outros, grandes e pequenos, em todas as partes. É impressionante como os cariocas têm uma vocação genuína para a folia: eles fazem festa até dentro de elevador quebrado. Famílias inteiras se montam e saem às ruas brincando feito crianças, imbuídas de um espírito carnavalesco que não se vê mais aqui em São Paulo. É no mínimo curioso ver homens héteros vestindo-se de mulher e até arriscando algumas experiências novas, sem que sofram qualquer tipo de censura ou cobrança por causa disso: o Carnaval perdoa tudo.
Com dias perfeitos de céu azul e nenhuma chuva (o sol era mais ardido de manhã e mais ameno no decorrer da tarde), era um prazer curtir o Rio ao ar livre. Depois da praia, a muvuca na rua Farme de Amoedo parecia melhor do que nos outros anos: com o quarteirão entre Visconde e Prudente também fechado, o Tô Nem Aí juntou um pessoal mais bonito, enquanto a porta do Bofetada manteve a pegada popular, com axé e samba. Ótimo poder sair um pouco daquela função "clubes fechados" e curtir uma noite gostosa e descompromissada, indo e vindo à vontade, encontrando os amigos e beijando muito.
Para quem queria se jogar, tinha muita coisa rolando. Na cena barbie-tribal, a The Week não estava tão insuportavelmente lotada quanto no Réveillon (o Seamus Haji destruiu, mostrou que dá para tocar para gay sem ser bagaceiro!) e as pool parties da Rosane foram um repeteco do que todo mundo já conhece e gosta (a de domingo estava bem tranqüila, uma delícia). Ainda no domingo, teve festinha de house no 69 (com Pareto, Márcio Vermelho, Tatá, MM e Serge) e um 00 bombando de gente linda (segundo uma fonte confiável, pois não consegui ir). No circuito eletrônico, o Rio Music Conference trouxe DJs fodões (Sven Vath, Pete Tong, Erick Morillo etc.), mas desanimei quando vi os ingressos (antecipados!) a R$180. Uma boa alternativa era a festa na bolha gigante do Aterro do Flamengo, com o top John Digweed (entre R$30 e R$80). Ah sim, a Lapa também bombou (um povo bem misturado, com direito a beijação gay na frente do Lapa Mix) e a gafieira do Elite reuniu os melhores cafuçus do pedaço.
Enfim, o Rio continua tendo o Carnaval mais completo do Brasil. Fiz só metade do que poderia ter feito, e voltei pra casa pra lá de satisfeito. Se o Rio ficou devendo em algum quesito, só consigo pensar em um: a presença de paulistas. De fato, não vi nem sinal das figurinhas carimbadas que vejo o tempo todo (acho que até a tia da limpeza da The Week foi conferir o hype de Floripa). Mas posso garantir que o Rio não sentiu falta e passou muito bem sem eles. Não duvido que o fervo em Floripa tenha sido ótimo (eu ainda não falei com ninguém que foi), mas também tenho certeza de que nosso mercado, hoje, comporta pelo menos dois Carnavais incríveis ao mesmo tempo. Que bom!
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Thiago Lasco
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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Mulato do Gois: a coroação dos cafuçus diliça
Você é daqueles que, digam o que disserem, não resiste aos encantos rústicos e à beleza bem brasileira de um bom cafuçu? Já se viu em boates, festas, ensaios e outros fervos que não têm nada a ver com o seu gosto habitual, só para estar perto dessas beldades nagô e eventualmente tirar uma boa casquinha? Fica com o pescoço torto sempre que vai a Salvador? Então este post é para você, mulatólatra. Todos os anos, nas semanas que antecedem o Carnaval, a coluna de Ancelmo Góis no jornal carioca O Globo organiza um concurso para que os leitores escolham a mulata e o mulato mais bonitos das escolas de samba do Rio de Janeiro. A votação já está no ar na página do concurso na internet. O rapaz acima é Ricardo Portela, o preferido do meu amigo Juliano, do blog Made In Brazil. Também gostei dele, mas, se pudesse escolher um brau para uma boa cafungada no cangote, eu pegaria o Jair Azevedo, da Grande Rio. Êêêê, lá em casa!
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Thiago Lasco
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Floripa: um guia para ferver em 2009
COMO IR. Obviamente, o avião é a opção mais confortável - quem planeja a viagem com antecedência consegue tarifas bem mais em conta. Nesse caso, a menos que você fique hospedado na própria Praia Mole, é melhor alugar um carro para se locomover (o custo fica bem mais suave se dividido entre 3 ou 4 pessoas, as distâncias são grandes e há poucos táxis e ônibus na ilha). Por outro lado, ir de carro desde São Paulo não é impossível: um grupo bem entrosado, com 1 ou 2 motoristas experientes, consegue tirar de letra as 8 horas de viagem (isso sem imprevistos, como acidentes ou quedas de barreira). O pior trecho da BR-116 fica no sul do estado de SP (Miracatu, Registro), onde o asfalto é bastante esburacado e há uns bons 50km de pista não-duplicada (sendo que o excesso de caminhões torna qualquer ultrapassagem perigosa).
ONDE FICAR. O mais cômodo para o turista gay é se hospedar na Praia Mole: não precisa de carro nem para ir à praia mais fervida da ilha, nem para se jogar na The Week. Mas o único hotel disponível, o Praia Mole Eco Village, não faz jus aos altos preços: o conforto dos quartos não é superior ao de uma boa pousada. Outra opção, sem sair da Mole, é tentar alugar uma das casas do novo condomínio que se instalou ao lado do hotel. O Centro tem preços convidativos, mas a distância e os inevitáveis engarrafamentos para ir e voltar da praia podem não justificar a economia. A Lagoa da Conceição é encarecida pela proximidade com as praias, mas sofre com o trânsito dia e noite. A região que melhor concilia conveniência e preço é a Barra da Lagoa: tem fácil acesso à Mole (é a praia vizinha, mas na direção oposta à do Centro, o que a livra do trânsito complicado) e boa variedade de pousadas (a Girassóis da Barra tem piscina e atendimento fofíssimo), além de casas para alugar.
ONDE COMER. A gastronomia não chega a ser uma atração de Floripa: a cidade é uma das capitais brasileiras com menor número de restaurantes estrelados. Durante o dia, acaba-se comendo na praia mesmo - na Mole, vale a pena deixar para trás o serviço ineficiente do Bar do Deca e ir almoçar no lado hétero da praia. O Quiosque da Praia tem sucos e vitaminas deliciosos, além de salgados assados e sanduíches naturais; já o Barraco da Mole tem bons pratos de peixe e camarão e ótimas caipiroskas - é mais caro, mas tem boa freqüência e uma house music deliciosa. À noite, há opções ligeiras no Centrinho da Lagoa, passando a ponte após a Av. das Rendeiras (mas a muvuca adolescente pode incomodar). Para jantar bem na estrada da Mole para a Barra da Lagoa, tente o Ponta das Caranhas, com pratos fartos à beira da Lagoa da Conceição, ou o charmosíssimo Bistrô Isadora Duncan, um dos melhores da cidade - não perca o Camarão Encantado, flambado no cointreau com laranja e pimenta verde, mais arroz de côco e batatas sautée.
E SE CHOVER? Cruze os dedos para o tempo ajudar: não espere de Florianópolis o mesmo número de "planos B" para dias de chuva de São Paulo ou do Rio de Janeiro. O grande atrativo da ilha são mesmo suas lindas praias - saindo do burburinho Praia Mole-Lagoa da Conceição, há muito mais a se conhecer: Ribeirão da Ilha, a Baía dos Golfinhos, a Ilha do Campeche... [veja aqui algumas fotos de Floripa feitas por Renata Diem, uma talentosa fotógrafa nativa]. Agora, se o tempo fechar mesmo, não tem jeito: só resta pegar um cineminha em algum dos novos shopping centers da cidade (Floripa e Iguatemi). Ou mesmo descansar e ler um bom livro. Para os que curtem sauna, a Thermas Oceano, no Centro, mistura ilhéus e turistas e pode render animadas tardes de pegação.
AS FESTAS. A estrela do último Carnaval gay foi a The Week, que montou um clube de verão à beira da Lagoa da Conceição. Suas cinco festas, com os DJs residentes da matriz mais atrações gringas de peso, atraíram todas as "circuiteiras" de plantão, num desfile de corpos sarados - todos os rostos conhecidos da noite paulistana estavam lá. Para 2009, a TW promete uma estrutura ainda maior. Outro grande sucesso que deve se repetir é a Sunrise, festa que acontece a bordo de um barco que faz um passeio ao redor da ilha, e considerada por muitos a melhor do Carnaval. Já os nativos e boa parte do pessoal do Sul preferem os favoritos locais, como a boate Concorde e o Mix Café (que abrem todos os dias do Carnaval e lotam), além da pool party Troy. No meio-termo, quem quer ver paulistas e sulistas deve apostar na festa E-Joy (esse selo paulista já investe em Floripa há bastante tempo). No circuito eletrônico, top DJs da cena mundial se apresentam nos megaclubes El Divino (em Jurerê Internacional, Floripa), Green Valley (em Balneário Camboriú) e Warung (na Praia Brava de Itajaí, acessível somente de carro). A Brava de Itajaí, diga-se de passagem, respira música eletrônica também durante o dia, com as day parties promovidas na praia pelo Kiwi.
sábado, 9 de fevereiro de 2008
O sobe-e-desce do Carnaval Floripa 2008
Este foi "o" verão para Florianópolis.
A cena gay vinha crescendo devagar até o ano passado, quando a The Week começou a investir lá, ainda de forma experimental. Mas 2008 foi o ano da consagração. E não só entre os gays - com o balneário de Jurerê Internacional na moda entre os emergentes, Floripa também ganhou espaço na mídia careta, incluindo uma reportagem de capa na Veja São Paulo. O auge de tudo isso foi o Carnaval: a ilha ferveu como nunca. E muitos gays que pisaram ali pela primeira vez ficaram encantados. Não era para menos: quem apostou em Floripa teve dias lindos de sol, festas incríveis e muita, muita gente bonita. Aquele era, definitivamente, o lugar para se estar. Duro foi voltar para casa!
UAU:
1) SOL, SOL, SOL! O prognóstico era de assustar: a poucos dias do começo da folia, o Sul do Brasil era castigado por chuvas fortíssimas, que fizeram a prefeitura de Florianópolis declarar estado de emergência e pedir para as pessoas não saírem de casa. Várias barreiras caíram nas estradas - teve gente de Porto Alegre que foi obrigada a pernoitar no caminho e levou 22 horas para chegar em Floripa. Mas quem resistiu à tentação de cancelar a viagem (ou transferir os planos para o Rio) não se arrependeu: tirando os leves chuviscos no fim das tardes de sábado e domingo, a ilha foi presenteada com dias ensolarados e perfeitos, de céu azul sem uma nuvem no céu. Já quem escolheu o Rio... pegou uma corzinha na sexta e no sábado, mas passou o resto do Carnaval embaixo de chuva.
2) O TOQUE DE MIDAS DA THE WEEK. Floripa já agradava os gays pelo fervo na Praia Mole. Mas suas poucas opções noturnas, a boate Concorde e o Mix Café, faziam feio diante da opulência das festas do carnaval carioca. Agora a The Week trouxe o ingrediente que faltava para transformar a ilha em destino gay de primeira linha: baladas com o padrão de qualidade do eixo Rio-SP. A estrutura montada à beira da Lagoa da Conceição abusou da beleza natural do lugar, deixando as festas muito mais bonitas do que no Cine-Ideal-de-luxo.
Como era de se esperar, nos cinco dias em que esteve aberta, a casa de André Almada reuniu o filé mignon da beleza masculina: os caras mais gatos do circuito estavam lá e todas as festas bombaram. Eu preferi a de sábado: o astral era o mais alto possível, com os amigos de todo o Brasil se reencontrando, deslumbrados com a beleza do espaço, e o DJ da Matinée Group arrasando com um set de electrohouse chique e animado. Mas quem agradou mais a todos foi Isaac Escalante, em performance elogiadíssima no domingo. O único que não convenceu ninguém foi Offer Nissim.
3) SUNRISE. Enquanto no Rio a chegada da The Week foi como um trator que passou em cima da concorrência, em Florianópolis aconteceu o inesperado: com a cidade cuspindo biba pelo ladrão, a demanda por festas era tão grande que todas elas encheram, até mesmo as mais improváveis. Não existiram perdedores nesse Carnaval. Mesmo assim, algumas festas conseguiram se destacar. E foi a Sunrise que levou o prêmio de melhor da temporada pelo júri popular. Foi uma feliz coincidência de fatores: o tempo ajudou, a propaganda prévia nas rodinhas certas reuniu um público muito bonito e já completamente entrosado (o clima era de festinha de amigos) e a beleza do passeio foi uma atração à parte. O resultado: a "festa do barco" foi um sucesso e conquistou de vez seu lugar ao sol no calendário gay de Floripa.
4) O CLIMA DO BAR DO DECA. Mesmo sem nenhum grande predicado, o Bar do Deca é o lugar certo na hora certa: todo o fervo diurno das bees acontece ao seu redor. O clima é absolutamente leve, descompromissado, relaxado. Por algum motivo, aqui é mais fácil deixar o carão de lado, socializar e conhecer gente nova. Talvez seja pelo cenário isolado da muvuca urbana: sem uma avenida da orla e uma montanha de prédios atrás, aqui as pessoas se sentem realmente de férias. Embalado pela música animada dos DJs (que neste ano estava infinitamente melhor do que o habitual), o povo conversava, dançava, fervia, paquerava... e as tardes iam passando gostosas, sob o céu azul e ensolarado da Praia Mole. A clientela, democrática, tem gente de todos os tipos - mas, com esse novo boom gay de 2008, não dava para negar que o nível das beldades estava muito mais alto.
5) AH... A GALHETA! É impressionante como a Galheta consegue manter intacto o seu encanto, mesmo estando a apenas cinco minutos do fervo muvucado do Bar do Deca.
Assim como todos temos nosso prato, música e filme preferidos, eu tenho a Galheta como a praia do meu coração, minha favorita em todo o Brasil. Logo que atravesso as pedras e piso na areia, eu sinto uma energia diferente. Vou me afastando do início da praia e me vejo perdido na imensidão daquele lugar, extremamente calmo, acolhedor, tranqüilo. Parece que estou a salvo de todos os problemas e coisas negativas do mundo, protegido em um lugar mágico. Em paz. E o mar é meu cúmplice. No entardecer, vejo o céu em tons degradê de azul e rosa, enquanto o sol se põe do outro lado, por trás da Praia Mole. Se voltei para casa com algum arrependimento, com certeza foi o de não ter passado mais tempo na Galheta. Foi com tristeza que me despedi dela. Mas eu volto, com certeza volto. Queria estar lá neste momento, enquanto escrevo estas linhas.
6) A CENA ELETRÔNICA "CLASSE A" DE ITAJAÍ. Foi duro abrir mão de um dia e noite inteiros em Floripa, com tanta coisa acontecendo.
Mas valeu a pena sair um pouco do gueto: a Praia Brava de Itajaí é bem bacana. O lugar respira música eletrônica de alta qualidade e tem uma fauna humana melhor ainda - os homens são de enlouquecer. Durante o dia, o fervo do Kiwi era uma delícia, com o povo se jogando feliz da vida na praia, dançando, bebendo, paquerando. À noite, fui conferir o hype do clube Warung. Confesso que achei o lugar meio superestimado ("terceiro melhor do mundo" pela DJ Mag?! será mesmo que só existem dois clubes mais legais no mundo todo?! o próprio Sirena é muito mais bonito!), mas a noite foi excelente, com som in-crí-vel do Deep Dish e os homens mais perfeitos que eu já vi em uma pista de dança (ainda tenho sonhos com um deles...).
UÓ:
1) O EXCESSO DE TUDO.
Foram cinco dias com festas demais, sol demais e homens bonitos demais. Era impossível dar conta de tudo, e péssima a sensação de ser obrigado a perder coisas incríveis - seja porque não se podia estar em dois lugares de uma vez, seja porque o corpo não agüenta ficar online por tanto tempo. Para aproveitar as festas, era preciso jogar pela janela os dias lindos de sol e praia bombando e (tentar) descansar. E, mesmo assim, chegava uma hora em que o cansaço era tanto que o corpo já não respondia mais, e você já não conseguia aproveitar e curtir mais nada de verdade. E ainda assim a maratona não acabava, as pessoas não paravam... Depois de cinco dias de estragação, quando todos já deveriam estar mortos, Rogério Figueiredo ainda resolve armar mais uma "festinha imperdível", começando às 2h30 de quarta-feira, logo depois de a TW encerrar o expediente. E não é que a festa... bombou? Pra mim, depois de um certo ponto, tudo o que era bom demais passou a ser ruim.
2) A CIRCULAÇÃO SEMPRE COMPLICADA. Transporte sempre foi um dos grandes perrengues de Florianópolis. A cidade não tem uma estrutura que faça frente ao grande número de turistas da alta temporada - especialmente nas praias da ilha, que são onde o bicho pega de verdade. A única estrada que circunda a Lagoa da Conceição e percorre o litoral tem uma pista só - portanto, fica engarrafada de dia (nos horários de chegada e saída da praia) e também à noite (por causa dos bares e restaurantes do centrinho da Lagoa). Curiosamente, os poucos táxis de Floripa passam longe dali; mesmo sendo essa a região com maior demanda de passageiros, eles acham que vão perder tempo e dinheiro ficando presos no trânsito. Ônibus? Existem, mas passam em loooongos intervalos. E quem está de carro ainda enfrenta, além dos longos engarrafamentos, a falta de vagas para estacionar ("manobrista"? o que é isso?). Moral da história: qualquer que seja seu meio de transporte, circular é um problema constante.
3) A FALTA DE OPÇÕES PARA COMER. E olha que nem estou falando de alta gastronomia, de restaurantes estrelados do quilate dos de São Paulo, mas de lugares para quebrar o galho mesmo. Com o fervo na Mole avançando até a noite, você saía da praia e não tinha nenhuma opção à mão. Era obrigado a pegar o carro/esperar o ônibus e ir láááá para o centrinho da Lagoa, exausto, correr atrás de alguma coisa para matar a fome. Floripa até tem um punhado de bons restaurantes espalhados por aí, mas nem de longe tem a versatilidade de que o turista precisa. Bem ou mal, no Rio você sai das areias de Ipanema a pé e consegue o que quiser, de um simples açaí até uma comida mais substancial. Em Floripa, a praia não tem nada depois do entardecer - e mesmo os restaurantes mais longe fecham cedo, tipo meia-noite. Fome na madrugada? Vai acabar na lojinha de conveniência - se você tiver carro e souber achar um posto de gasolina.
4) O SERVIÇO DEPLORÁVEL DO BAR DO DECA. Justiça seja feita: de 2005 pra cá o Bar do Deca melhorou muito. A música deu um salto enorme de qualidade - parece que finalmente alguém ali começou a dar alguma importância ao assunto. A comida também melhorou: comi um salmão bem OK e uma porção de lulas à dorê boa de verdade. Mas o serviço (que já não é uma maravilha em lugar algum, é verdade) continua insuportavelmente ruim. Lido, Cíntia & cia. até se esforçam para ser gentis, mas esperar 45 minutos por um simples copo com gelo e o dobro disso por um simples prato de peixe, não dá. Isso quando não esquecem literalmente do seu pedido (o que acontecia o tempo todo). O pessoal do Deca precisa dar um jeito urgente nisso - que mude o sistema, comece a usar aqueles palmtops, qualquer coisa. O tamanho da freqüência na alta temporada mais do que justifica algum investimento.
5) A NOITE DE SEGUNDA NA THE WEEK. Tinha tudo para ser a melhor noite, mas foi a que eu menos gostei. A culpa não foi do DJ: Peter Rauhofer, cada vez mais à vontade diante do público brasileiro, tocou com gosto até quase oito da manhã (burlando o horário-limite imposto pela prefeitura, que era 7h). O principal problema foi a superlotação: com todos os espaços abarrotados, circular pela casa era um estorvo, não havia espaço para dançar, a única fila dos caixas dava voltas e mais voltas, bares e banheiros entraram em colapso. Para piorar, depois de três ou quatro noites de jogação, todos estavam cansados demais para enfrentar tudo isso - e as caras lindas de antes já pareciam meio estragadas. Sabe quando uma festa é tão mega que acaba passando do ponto? O que no sábado era totalmente happy, na segunda passou a ser too much.
6) O PAISAGISMO DA THE WEEK DESTRUÍDO PELAS CHUVAS. A The Week preparou uma área externa bem caprichada em Floripa, com belos jardins que terminavam num píer na Lagoa da Conceição. Mas as chuvas torrenciais que caíram até quase a véspera do Carnaval levaram tudo embora e destruíram o paisagismo da casa. A equipe de Almada fez o que pôde, mas não teve como recuperar os estragos a tempo. Resultado: toda a área foi interditada, incluindo o acesso ao píer e à Lagoa, e ficou aquele aspecto de obra inacabada. O deck e a piscina, liberados, tinham um bom tamanho e atenderam as necessidades de todos, mas o que foi bom poderia ter sido muito melhor.
Mesmo com essas ressalvas, tenho que dizer que foi um Carnaval maravilhoso. Florianópolis foi a escolha mais acertada possível, eu não teria sido tão feliz em nenhum outro lugar. Mesmo com todos os seus problemas estruturais (que certamente estarão lá em 2009, até porque durante os oito meses restantes a ilha fica deserta), Floripa tem um astral incrível. As praias são lindas, as pessoas ficam muito relaxadas e receptivas, e agora não faltam jogações de qualidade para os mais exigentes. É tudo questão de saber equilibrar as coisas, relaxar e se divertir. Afinal, tudo passa rápido, muito rápido. E, quando você vai ver, só sobraram as memórias... ah, que saudade de lá!
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Thiago Lasco
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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Carnaval 2008: mini-guias do Rio e SP
Complementando o post anterior (Floripa), aqui vai um roteirinho básico do Carnaval no Rio de Janeiro e em São Paulo.
RIO DE JANEIRO
O que fazer. Não vou nem mencionar cartões-postais como o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar. Quem não vem pro Rio com freqüência pode até aproveitar e fazer alguns passeios turísticos (já aviso: a fila será grande), mas a maioria quer mesmo é curtir a ferveção do Carnaval.
A cidade atinge o ápice da lotação (para desagrado dos cariocas menos festeiros, que fogem de lá) e as ruas ovulam com rostos de todas as origens e corpos incríveis. O centro do babado gay, todos sabem, é Ipanema - com as areias da Farme abarrotadas e, depois, o quarteirão do Bofetada interditado para uma folia bagaceira (mas bastante divertida) até a madrugada. Aqui, todo mundo está na pista para negócio.
Onde comer. Segunda cidade do país em gastronomia, o Rio tem opções inesgotáveis para todos os gostos, bolsos e necessidades: aqui você encontra minhas 20 preferidas [atualizações: o Ataulfo fechou, o B! agora se chama Bazzar Café, o Ateliê mudou-se para Ipanema, dentro da Casa Laura Alvim, e hoje prefiro os sorvetes da Mil Frutas aos da Itália]. Complementando aquele roteiro, algumas indicações úteis para quem quer sair da praia e comer bem sem andar muito: o fervido Cafeína, a temakeria Yiá! (ambos na própria Farme de Amoedo), o quilo Frontera (na Visconde de Pirajá pouco antes da Teixeira de Melo) e o charmoso Felice (na Gomes Carneiro). Ah, e aqui vão minhas sugestões para o jantar.
Festas. As grandes surpresas do Carnaval carioca vieram de última hora. Quando muitos já davam a X-Demente como morta e enterrada, Fabio Monteiro promete uma superfesta na bela Marina da Glória, terça, com um back-to-back dos espanhóis Pablo Ceballos e Oscar de Rivera (especulou-se na internet que também haveria uma X no sábado, no Centro Cultural Ação da Cidadania, mas isso não chegou a ser oficialmente confirmado). Enquanto isso, a E.njoy aproveita o hype da Roda Skol para fazer sua festa no Forte de Copacabana, segunda-feira, em inusitado esquema matinê (19h-3h), com o também espanhol Eric Entrena. Fora as surpresas, tem muito mais: uma edição superbombada da Fase no sábado, Offer Nissim lotando a B.I.T.C.H. na Fundição no domingo, a The Week mandando ver com suas atrações internacionais (Peter Rauhofer, Isaac Escalante e as day parties com a Matinée Group e o totoso Brett Henrichsen) e Rosane Amaral com suas duas tradicionais pool parties e mais R.Evolution com Tony Moran no Sky Lounge (já que o Clube de Remo foi embargado de última hora). Acha pouco? Tem ainda os desfiles da Sapucaí, a Banda de Ipanema, o Bofetada, o Elite, os animadíssimos blocos de rua... sobreviva se for capaz.
Conselhos de mãe. No ano passado, dei aqui aquelas dicas que os habitués do carnaval carioca já conhecem de cor. Mantenho todas elas em 2008, com dois pequenos complementos. O Rio G Spa vem bem a calhar para quem conheceu alguém na rua e não sabe onde consumar o ato (sem falar que é uma ótima opção à descuidada Studio 64). E a ameaça de ataques de pitboys, que rondava a Farme em 2007, agora espreita Florianópolis. No mais, é só respirar fundo e aproveitar - no Rio, o Carnaval é vivido intensamente, como se não houvesse amanhã.
SÃO PAULO
O que fazer. Quem estiver na cidade terá a chance de testemunhar a São Paulo ideal: com todos os predicados que fazem dela uma cidade completa e nenhum de seus problemas. Com muito menos gente atravancando as ruas e poluindo o ar, a cidade fica incrivelmente gostosa de se passear e até mais bonita. Aqui você encontra minhas sugestões de coisas para fazer em Sampa. São programas para qualquer época, mas que no Carnaval você fará com muito mais facilidade e conforto.
Onde comer. Para o pessoal de fora que veio se jogar na Parada Gay 2007, preparei aqui um post bem simplificado, com algumas opções de alimentação na cidade. A esse roteiro eu poderia acrescentar lugares como o novo Octavio Café, que merecerá uma resenha depois do Carnaval, e o velho Achapa, que está com hambúrgueres cada vez mais suculentos. Essa é uma boa oportunidade para você matar a vontade dos seus pratos favoritos em restaurantes concorridos (como o Spot), sem ter que amargar a espera dramática dos dias normais.
Festas. Principais clubes gays de São Paulo, The Week, Blue Space, Bubu e Flexx garantem o fervo de quem ficou na cidade - e também dos muitos interioranos que vêm se divertir aqui. Espere ver muitos rostos novos na sua pista de sempre.
A Bubu deve ter sua noite mais interessante na sexta, com o mexicano Erich Ensastigue. A The Week prefere receber DJs gringos no Rio e em Floripa; em SP, ela investe em marchinhas de carnaval (mas os amantes de house tribal poderão dançar na pista 2, com Vlad e Herbert Tonn). A Flexx só abrirá no sábado (sem marchinhas); a Blue Space, de sábado a segunda; Bubu e Cantho, todos os dias. Outra opção é cair no circuito underground: o D-Edge estará fechado o carnaval inteiro, mas Vegas, Clash, SPKZ e A Lôca estarão a postos para salvar a pátria. Para quem gosta de house progressivo, uma boa pedida são as quatro festas que o Sirena fará no Casa Grande Hotel, no Guarujá, com os DJs Sander Van Doorn, Paulinho Boghosian, Buga e Ingrid.
Conselhos de mãe. Os conselhos que eu dei no guia para a Parada Gay 2007 não valem aqui: a cidade certamente estará bem vazia, sem trânsito caótico, motoboys assassinos ou grandes filas nos restaurantes. É pouco provável que você tenha qualquer tipo de dor-de-cabeça. No máximo, pegará uma fila rápida na porta da The Week (ainda assim, nada comparável a um bom sábado normal). A única recomendação que continua valendo é a da camisinha, sempre - em São Paulo e em qualquer outro lugar.
Bom Carnaval a todos vocês!
Postado por
Thiago Lasco
às
12:01 AM
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Floripa: mini-guia de última hora
Na reta final para o Carnaval, estamos todos nos últimos preparativos, e a bola da vez é mesmo Florianópolis. Por isso, estou passando aqui um mini-guia para os marinheiros de primeira viagem. No post de amanhã, vou dar uma pincelada nas opções do Rio de Janeiro e de São Paulo.
O que fazer. Floripa até tem outras atrações turísticas, mas o que torna a ilha tão bacana e procurada são mesmo suas praias:
a Mole para a juventude sarada e os gays, a Galheta para o povo zen, os naturistas e os adeptos da ecopegação, a Joaquina para os farofeiros brasileiros, Canasvieiras para os farofeiros argentinos, Jurerê Internacional para os jetsetters e emergentes em geral... tem para todos os gostos e tribos. Agora, se a previsão de chuva se confirmar, não há passeio que sobreviva. Por isso, trate de ir munido de um bom plano B. Vale trazer um bom livro, um iPod, um baralhinho... ou então se jogar nos vapores libertinos das Thermas Oceano, no Centro. A diversão preferida do paulistano médio também está garantida, com dois shopping centers novinhos em folha, o Iguatemi e o Floripa Shopping, que vieram se juntar ao tradicional Beira-Mar e deram um merecido upgrade na oferta de cinemas da cidade.
Onde comer. A Praia Mole, onde boa parte dos leitores do blog deve passar o dia, não tem confortos de praia urbana (para isso, existe Jurerê Internacional). As melhores opções para comer estão na parte hétero (o canto direito): o Barraco da Mole e o Quiosque da Praia. Neste último (meu favorito na Mole), prove os sucos Paulada, com laranja, açaí, morango, banana e xarope de guaraná, e Baba Baby, com abacaxi, melão, kiwi e xarope de guaraná. Os lanches e salgados também são ótimos. Já na ala gay, o Bar do Deca tem serviço descuidado e cozinha pobre (de lá, só consigo comer o pastel de camarão). À noite, as boas pedidas estão ao redor da Lagoa da Conceição, com lugares despretensiosos que servem massas, crepes e pizzas, e no Centro, nas imediações da Avenida Beira-Mar Norte.
Festas. Mais uma vez, é na The Week que estão depositadas as maiores expectativas: as novas instalações prometem ser deslumbrantes e o clube terá o melhor line up para o público gay, com Offer Nissim, Peter Rauhofer e uma pool party feita pelo experiente grupo Matinée, de Barcelona. Correndo por fora, a festa Sunrise, a bordo de um iate, deve roubar a cena na tarde de domingo (caso o tempo ajude, é claro), rivalizando com a Troy, bem mais barata e que deve receber muitos nativos. Tem ainda a festa E-Joy, na noite de sábado, com Chris Cox, e os clássicos fixos da cidade: a boate Concorde, que costuma ficar impraticável de tão cheia, e o Mix Café, bar que tem uma pistinha no andar superior. Enquanto isso, no circuito hétero de Floripa, o El Divino receberá Fatboy Slim (2/2), David Guetta (3/2) e Tiësto (5/2) - mas não é todo mundo que gosta de dançar com patricinhas de echarpe de oncinha jogando o cabelão na sua cara. Quem gosta de house progressivo e vai ver Deep Dish ou Sasha no Warung deve lembrar que precisa retirar os ingressos comprados online com antecedência, em Balneário Camboriú, nos dias 1, 2 e 3/2 até as 21h.
Conselhos de mãe. Vai de carro? Muito cuidado na estrada: o trecho da BR-116 entre SP e Curitiba é perigoso, e o estado de Santa Catarina só perde para Minas Gerais em número de acidentes fatais. Para evitar engarrafamentos e conseguir estacionar, tente chegar na praia cedo (difícil, se você se jogou na véspera) e ir embora antes da hora do rush (17h30) ou bem mais tarde. Leve sua canga (a Mole não tem cadeiras para todo mundo, muito menos vendedores de canga) e papel higiênico, para usar no único e escabroso banheiro disponível. Se quiser dar um pulo na Galheta, um tênis ou papete são melhores do que um simples chinelo de dedo - a trilha de acesso tem pedras bem escorregadias. Com a lotação da ilha, ou você chega nas festas antes da 1h da manhã, ou só depois das 3 (perigando ficar para fora dos lugares mais concorridos).

