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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Carnaval de Floripa, num caleidoscópio sem lógica

De 2008 pra cá, o crescimento do Carnaval gay de Floripa saltou aos olhos: a muvuca em torno do Bar do Deca agora se esparrama até as pedras do canto esquerdo e mais uns 50 metros em direção à metade hétero da Praia Mole. Orkutização define. Não sei se tem a ver com esse boom, mas faltou luz dois dias seguidos nas imediações. Chinelo Calvin Klein Jeans is the new sunga Aussiebum: mais carne-de-vaca, impossível. Receita de sucesso? Estômago vazio, bee. Pro abdome ficar chapadinho e fazer bonito na praia, pra onda bater mais rápido, pra conseguir achar a comida do Bar do Deca comível. Por esse mesmo motivo, passei bem longe do Bistrô Isadora Duncan, Mar Massas, Patagônia, Café Riso ou qualquer refeição que pudesse ser comida com garfo e faca: sobrevivi basicamente à base de uns poucos sanduíches naturais e muitos sucos-vitaminas-exóticos (hits absolutos: os servidos pelo Oculto, que veio substituir o antigo Quiosque da Mole). Com uma estrutura majestosa, staff ultramegacordial e eficiente, vibe lá em cima e homens lindos saindo pelo ladrão, a The Week Floripa em 2010 esteve próxima do impecável. Pra não dizer que foi absolutely flawless: levei um certo tempo para digerir os ingressos a R$150, e achei uó o bar vender Pepsi (mas quem se importa? o povo se jogou no Gatorade). Bem que eles podiam adotar o sistema de "dinheirinhos The Week" o ano todo, fikadika! Sensacional mesmo foi a derradeira pool party de terça, que terminaria à 1h, ser esticada em três horas por conta do set-surpresa de ninguém menos do que Mr. Peter Rauhofer, que já tinha feito long set na véspera e ostentava um raro bom humor. E que obsessão é essa que o Peter tem com "Everybody Wants To Rule The World" do Tears for Fears, hein? Será que alguém foi à Concorde neste Carnaval? Maniqueísmos à parte, André Almada passou o rolo compressor sobre a concorrência: todas as bunitas bateram cartão na TW nos cinco dias em que a casa funcionou, incansáveis. Se Floripa em si era só ais e uis com tantas beldades, na TW rolou a peneira da peneira. Quem quiser aparecer em 2011 precisa investir no corpitcho desde já, and I mean it! Este foi meu quarto carnaval na ilha, e posso dizer: nunca vi tanto homem bonito all around. Chega uma hora em que você fica até anestesiado. E olha que desta vez não deu tempo de ir pra Jurerê, Campeche, Itajaí, Balneário: fiquei só no circuitinho Mole-TW mesmo. Aliás, o Carnaval daqui tá ameaçando o do Rio neste aspecto. É claro que o Rio é de se descabelar e bater com a cabeça na parede no quesito "corpos pecadores". Só que ali a beleza é muito mais massificada e homogênea: no gueto gay, às vezes parece que só existe aquele tipinho barbie-michele-pseudomarrenta-de-corrente-grossa-que-pega-no-pau-por-cima-da-calça-e-quer-se-encostar-em-um-namorado-gringo-rico, enquanto em Floripa existem vários tipos de beleza (e olha, o pessoal do Sul aprendeu a moldar o corpo direitinho! a inocência de outrora se foi, meu bem!). Agora, um ponto para o Rio: eu não aguento mas descer trilha e subir trilha enlameada para ir e voltar da praia, e ficar com a perna toda imunda e as unhas profundamente encardidas mesmo depois de um banho demorado! Ainda bem que é a locadora que vai limpar o assoalho do carro... Por outro lado, o serviço nos bares e restaurantes em Floripa consegue ser tão ruim quanto o do Rio: é menos grosso, mas muito mais demorado. De Salvador para mais! A Lei Seca parece inexistir em Florianópolis. Se tivessem colocado uma blitzinha que fosse na estrada que liga a Praia Mole à Barra da Lagoa, metade de São Paulo teria saído presa, for sure. Estou fazendo uma enquete com os amigos mais atentos sobre qual foi o hino do Carnaval 2010 de Floripa, e todos apontam para uma música instrumental, que começa "pam pam... pam pam pam pam pam pam". Assim fica difícil, né! "Sweet Disposition" (Axwell & Dirty South Remix), do Temper Trap. Outra que rendeu bastante foi "Sweet Dreams", da Beyoncé (mas não sei em qual remix). Claro que o ladygaguismo marcou presença, mas, mesmo assim, ouvi bem menos "Bad Romance" do que eu esperava. Uó mesmo foram os temporais do fim da tarde - e ficar preso dentro do Bar do Deca até a tormenta passar, enquanto guardassóis voavam, grelhas de queijo coalho idem, calhas e toldos despejavam as Cataratas de Paulo Afonso e bichas desesperadas se debatiam, numa espécie de 2012 gay. E, no melhor estilo limões-que-viram-limonada, os espertos reinventaram a própria sorte e transformaram o que seria um simples refúgio bagaceiro contra a chuva num beach club bombadíssimo. Ah, o poder da vodka! Aliás, foi esse mesmo feitiço que embalou a feitura deste post verborrágico, que estou despejando freneticamente no teclado de uma lan house cheia de argentinos com franjas emo. No cansaço físico e mental em que me encontro, o relato deste Carnaval não poderia ter sido feito de outro modo. Continuo amando o Rio com todas as minhas vísceras (confesso que no começo até me senti culpado, traindo a Cidade Maravilhosa), mas estou seriamente tentado a repetir Floripa em 2011. O Rio, eu já tenho a sorte de frequentar várias vezes por ano, graças a Deus. Mas Floripa tem um descompromisso e um astral de praia e férias que o purgatório carioca da beleza e do caos jamais conseguirá ter, sorry. Vou mandar logo pro ar este post, pro assunto não ficar velho, mas ainda tenho 24 horas em Floripa, com direito a uma edição manezinha do Café Com Vodka, daqui a 45 minutos [update: foi incrível! terraço com vista linda, gente idem e a Cella arrasando no som] e, oxalá, um lindo dia de sol e praia amanhã. Porque Floripa pode ter 1001 encantos mas, para mim, nenhum deles bate a praia da Galheta. Aquele lugar me devolve o equilíbrio, zera meus contadores, pacifica meus sentimentos, é um lugar único onde consigo estar em contato comigo mesmo. Amo! E não, seus maldosos, isso não tem nada a ver com a tal ecopegação (assunto que poderia render um post próprio ou até uma tese de mestrado, mas, como diz o ditado, "what happens in Vegas stays in Vegas")! Espero que todos tenham aproveitado o Carnaval, até a próxima!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Floripa 2010: roteiro gastronômico

Eu juro que ia postar aqui um roteirinho gastronômico caprichado de Floripa. Esse é o tipo de texto que eu adoro escrever. Mas as circunstâncias não estão colaborando comigo: tempo, tarefas, disposição, problemas paralelos, tudo conspira contra. Como a largada já é depois de amanhã, eu já estava ficando preocupado e achando que ia acabar deixando meus leitores na mão. Até que os gentilíssimos Destemperados me avisaram que postaram um roteiro sob medida para quem vai passar o carnaval na ilha. Li e respirei aliviado: gostei muito.

Das indicações na região da Lagoa (as mais úteis para as bees, que vão aderir ao combo Mole-TW), a maioria já me era familiar: o italiano Mar Massas (um clássico), o asiático Thai (sempre tento ir e nunca consigo, mas desta vez não passa; pretendo jantar lá no domingo, alguém topa?), o charmoso Bistrô Isadora Duncan (meu favorito até hoje), os frutos do mar do Ponta das Caranhas. Mas também há dicas no Centro e na parte norte da ilha, incluindo umas boas boquinhas al mare na cena jetsetter de Jurerê Internacional. O post é bem redondinho, tem fotos dos pratos e links para resenhas individuais dos restaurantes, com endereço e serviço. Passem lá e prestigiem!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

No próximo bloco...

O Carnaval já está batendo à porta e, como de costume, vou deixar algumas dicas para os leitores que vão se jogar nos principais destinos gays, Rio de Janeiro e Florianópolis (quem sabe num futuro próximo eu não possa dar dicas para o Carnaval de Salvador também?).

A essa altura do campeonato, todo mundo está com transporte e acomodação reservados e já conferiu o calendário das festas (eu postei a programação de Santa Catarina aqui; a agenda carioca, vocês conferem aqui). Em relação a Floripa, eu já postei algumas dicas mais gerais aqui e aqui; quem está indo pela primeira vez pode ler meu balanço do Carnaval 2008, ter uma ideia de como a coisa rola por lá - e depois comparar o texto com 2010, para ver se todo ano é sempre igual. O Rio de Janeiro dispensa maiores apresentações, né? Em todo caso, aqui vão algumas dicas que escrevi para o Carnaval de 2007, quando este blog era bem menos conhecido.

Do que falta falar então? De comida, ora - um assunto importante, mas que muitas vezes acaba negligenciado nessas viagens, por falta de informação e preguiça de correr atrás. Vou montar roteiros de boas comidinhas no Rio e em Floripa. Já indiquei os meus restaurantes prediletos do Rio, mas o texto, de 2006, merece uma boa atualizada. Para as dicas de Floripa, como tenho muito menos vivência ali, pedi uma ajudinha para os guris do Destemperados, um blog gaúcho fofíssimo que disseca as melhores mesas de todo o Sul. Aguardem os próximos posts.

[UPDATE 7/2/10: Hoje, meu avô faleceu, depois de oito meses de muito sofrimento no hospital. Sei que ele está melhor agora e a morte não deixa de ser um alívio e uma libertação, mas não sei se terei cabeça para cumprir a promessa deste post e montar os roteiros gastronômicos a tempo. Conto com a compreensão de todos.]

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Corrida maluca

Suellen entrou na faca. Rosemary passou a tarde na Oscar Freire e entrou no cheque especial. Soraya associou Coscarque e Magrins. Samanta comprou O Pequeno Príncipe e dois livros de auto-ajuda. Solange pediu pra vizinha trazer de Ciudad del Este um estojo de maquiagem da MAC. Pamela cobriu a tatuagem com o nome do ex-bofe. Grace está sobrevivendo à base de atum enlatado e clara de ovo frita. Fabíola já separou o dente de alho contra o mau olhado. Veronika comprou uns óculos iguais aos da Lady Gaga. Alexandra enviou uma caixa de bombons enorme para cada rival amiga. Shirley está fazendo um curso de pompoarismo anal. Wannessah fez um estoque de comprimidos para as mais variadas necessidades. Linda besuntou o corpo de óleo de cozinha e foi fritar na laje. Samara mostrou uma foto da Rihanna para seu cabelereiro no Méier e pediu um corte igual. Kátia alugou o vídeo de malhação da Jane Fonda. Marriucha está fazendo aplicações diárias de florais no bumbum. Quando viram que o ingresso de cada festa custaria inacreditáveis 150 reais, Estela soltou uma gargalhada alta, Alicinha teve que recorrer a um empréstimo pessoal, Bruna voltou a fazer programas e Sueli achou melhor ficar em casa mesmo. Ludmilla investiu em aulas de pole dancing. Valkyria grudou uma foto da Solange Frazão de biquíni na porta da geladeira. Magali comprou uma calça jeans dois números menor - e sem elastano. Selma aprendeu a dublar "Bad Romance". Natasha fez uma simpatia poderosa e encomendou seis dias de sol. E agora... quem chegará mais preparada ao Carnaval de Florianópolis?

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Carnaval SC 2010: quem, quando e onde

Quando comecei a ir para Florianópolis, em 2004, o Carnaval da ilha era uma opção mais low profile à jogação descontrol do Rio de Janeiro. O esquema era muito simples: os dias na praia Mole, onde um desleixado Bar do Deca reinava soberano, e as noites na única boate da cidade, a Concorde (cuja pista, redonda e giratória, eu apelidei carinhosamente de "drag grill"). Não havia carão, todo mundo baixava a guarda e interagia, e o colocón era bem tímido, só para dar um brilho mesmo. Esse clima leve, aliado ao sabor de novidade e à beleza das praias, foi atraindo mais e mais gays de outras regiões do Brasil.

Eu também gostei da brincadeira, e passei a alternar meus carnavais entre RJ e SC [os prós e contras de cada um, eu analiso aqui]. A cada nova viagem para o sul, o crescimento era nítido. O grande salto foi dado em 2008, quando a ilha deixou de ser um destino regional e ganhou projeção nacional. Enquanto o sucesso de Jurerê Internacional fez com que os mais empolgados e até a imprensa passassem a se referir a Floripa como a "Ibiza brasileira", a cena gay passava a um novo nível com a chegada da The Week, que comandou uma maratona de festas e DJs típica do eixo Rio-São Paulo. Os manezinhos perderam a inocência e começaram a se jogar como gente grande.

Continuo fazendo o meu rodízio, e 2010 será meu quarto Carnaval em Floripa. Como tenho o hábito de planejar as minhas viagens, tratei de fazer um levantamento das festas e DJs que vão agitar a ilha, e dou todo o serviço aqui, para que você, leitor do blog, também possa fazer sua programação. Com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, um planejamento decente é a melhor maneira de conciliar festas e fervos diurnos, sem se perder pelo caminho.

Tudo indica que não haverá grandes novidades nesta temporada. Para os turistas gays, a The Week continua sendo a opção mais prática e cômoda, e deverá lotar todos os dias, apoiada em DJs residentes e convidados que já são velhos conhecidos do seu público. Correndo por fora, estão o clube Concorde, que só não abrirá no domingo, e a festa E.Joy, que fará uma edição justamente no domingo. A Sunrise, festa do barco que já havia virado tradição no domingo de Carnaval, não será realizada neste ano.

Você acha que já ouviu "Bad Romance" o suficiente? Uma sugestão é juntar um grupo de amigos e se jogar nos superclubes eletrônicos, que receberão top DJs como Hernán Cattáneo, Erick Morillo e Armin Van Buuren. O Pacha fica em Jurerê Internacional, no norte da ilha; já o Warung, o Green Valley e o estreante Blue Coast ficam na região de Balneário Camboriú e Itajaí, a uma hora de carro de Floripa. Tenho amigos (gays) que não trocam o Green Valley e o Warung por nada: afinal, a vibe é incrível e os homens são de babar.

Aliás, mesmo quem preferir não arriscar uma jogação noturna tão distante (e ter que voltar dirigindo para casa depois!) pode dar uma olhada em Jurerê durante o dia: os beach bars Parador 12 e El Divino têm bons DJs animando a praia e muita gente bonita. Outra pedida para quem quer mudar de ares é conferir a Praia do Campeche, que, de dois anos pra cá, vem recebendo os belos que cansaram da Mole.

Aqui vai a agenda de atrações [vou atualizar caso surjam novidades ou alterações]:

QUINTA (11/2) Slam T & Romulo Azzaro, Concorde.

SEXTA (12/2) Life is a Loop, Warung. Erick Morillo, Green Valley. Abel, The Week (casa abre às 23h). Café com Vodka, Jivago. Marcinha & Paty Laus, Concorde.

SÁBADO (13/2) Armin Van Buuren, Green Valley. Kaskade, Pacha. J. Louis & Isaac Escalante, The Week (casa abre às 17h). Danny Verde, Concorde.

DOMINGO (14/2) Sharam (Deep Dish), Warung. Steve Angello, Green Valley. Life is a Loop, Parador 12. Juanjo Martin & Tony Moran, The Week (casa abre às 17h). Ralphi Rosario, Ana Paula & Ale Bittencourt, E.Joy @ Alameda Casa Rosa. Phil Romano, Splash @ Concorde (festa da espuma, só para homens).

SEGUNDA (15/2) Bob Sinclair, Green Valley. Seb Fontaine, Ned Shepard & Nadia Ali, Blue Coast. Hernán Cattáneo, Pacha. Peter Rauhofer, The Week (casa abre às 23h). Tiago Vibe & Joe Welch @ Concorde.

TERÇA (16/2) Luciano, Warung. Kaskade, Green Valley. Gui Boratto, Parador 12. Steve Angello & Moony, Pacha. Chris Cox, The Week (casa abre às 17h). DJ Paulo, Concorde.

QUARTA (17/2) Café Com Vodka, Latitude 27.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Notícias do reino das cerejinhas

Mantendo o espírito de mistura entre gays e héteros do post anterior, volto a falar sobre o Pacha, meu endereço eletrônico preferido na cidade por ser um dos que mais investem em house e progressive house (Clash, D-Edge, Vegas e Glória só são generosos com o electro, o techno, o minimal e aqueles gêneros híbridos bem inorgânicos do underground). Apesar da freqüência ser majoritariamente straight, os gays também marcam presença. Na recente apresentação da dupla Chus & Ceballos, por exemplo, encontrei um monte de amigos na pista.

Em tempos de Lei Seca, a casa buscou alternativas. Instalou um ponto de táxi lá dentro e passou a oferecer vouchers de desconto na corrida para quem gastar acima de R$ 50. Quem deixar o carro estacionado na casa pode ir buscá-lo até às 16h do dia seguinte, sem ônus adicional. E os clientes do camarote têm uma van à disposição para buscá-los e levá-los em casa. Mas a promoção mais simpática é a chamada “piloto da vez”: um grupo de quatro amigos escolhe o motorista da noite e este não paga o valor da entrada, se não consumir bebida alcoólica.

Entre as próximas atrações escaladas para tocar no clube em São Paulo, estão Infected Mushroom (10/10), Deep Dish (só o Sharam, em 17/10), Paul Woolford e Gui Boratto (25/10), David Guetta (5/11), Roger Sanchez (na festa de aniversário de 2 anos da casa, em 14/11), Bob Sinclair (28/11) e Danny Howells (5/12), presentão para fãs de progressive house como eu.

E já que estamos falando em Pacha, as novidades não se limitam a São Paulo. A franquia de Búzios vai receber uma edição da festa E.njoy, label party de André Garça (Cena Carioca), no dia 17/10. A festa é parte das comemorações do Búzios Free, um oba-oba GLS que vai trazer ao balneário (que eu morro de vontade de conhecer) festas, cinema, palestras e exposições - o gran finale será uma Parada Gay em versão náutica, a 1ª Barqueata do Orgulho LGBT. Já na filial de Buenos Aires, meu xodó Martín García fará a macacada argentina pular e gritar, em outra de suas apresentações bombásticas, no dia 18/10.

Para encerrar, a inauguração da esperada Pacha de Florianópolis (ilha querida por todos menos ele) já tem data quase certa: 13/11, com o top Roger Sanchez. Em Jurerê Internacional (onde mais?), o novo clube terá estrutura-monstro, com área de 110 mil m² (para efeito de comparação, a Pacha de SP é um galpão de 10 mil m²) e capacidade de até 12 mil pessoas. A dobradinha básica pista principal + terrazza externa será incrementada por 9 bares, 25 camarotes, um palco ao ar livre, espaço gourmet com pizza e sushi e um estacionamento para 3 mil carros. Enquanto o verão não chega, já para ter um aperitivo do que está por vir pela imagem abaixo:

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Poção mágica

Para enterrar de vez o assunto Floripa, aqui vai a receita do combustível oficial do meu Carnaval. É a Paulada, uma vitamina deliciosa que eu sempre tomava na Praia Mole, no Quiosque da Praia, já desde 2005. Como eu ia tomar a minha Paulada rigorosamente todos os dias, fui ficando amigo do pessoal de lá e, no último dia, eles acabaram me dando a receita. É docinha, nutritiva e desce redondo depois de uma balada intensa. Pena que as festas acabavam às 7 da manhã e o Quiosque só abria depois das 9...

Coloque no copo do liquidificador 1 saquinho de 150g de polpa de açaí, 2 bananas nanicas e 6 morangos. Complete com 330ml de suco de laranja espremido na hora e coado (suco de caixinha ou concentrado não serve, o gosto fica diferente). Adoce com 50ml (a medida de um copinho de café de plástico) de xarope de guaraná. Não ponha gelo - basta que a polpa do açaí esteja gelada. Se preferir menos doce, reduza o xarope. Bata e tome em seguida.

[Foto: muita Paulada para ficar pau-a-pau com o surfista ali no fundo]

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Floripa: um guia para ferver em 2009


A essas alturas, todo mundo já trocou suas impressões sobre o último Carnaval. E quem foi para Florianópolis voltou fazendo a maior propaganda, prometendo repetir a dose em 2009 e levar junto os amigos que ainda não conhecem. Pensando nesses últimos, aproveitei que o assunto ainda está fresco e incorporei ao guia anterior um pouco da experiência que tivemos em 2008, num texto que serve como fonte de consulta para o ano que vem.

COMO IR. Obviamente, o avião é a opção mais confortável - quem planeja a viagem com antecedência consegue tarifas bem mais em conta. Nesse caso, a menos que você fique hospedado na própria Praia Mole, é melhor alugar um carro para se locomover (o custo fica bem mais suave se dividido entre 3 ou 4 pessoas, as distâncias são grandes e há poucos táxis e ônibus na ilha). Por outro lado, ir de carro desde São Paulo não é impossível: um grupo bem entrosado, com 1 ou 2 motoristas experientes, consegue tirar de letra as 8 horas de viagem (isso sem imprevistos, como acidentes ou quedas de barreira). O pior trecho da BR-116 fica no sul do estado de SP (Miracatu, Registro), onde o asfalto é bastante esburacado e há uns bons 50km de pista não-duplicada (sendo que o excesso de caminhões torna qualquer ultrapassagem perigosa).

ONDE FICAR. O mais cômodo para o turista gay é se hospedar na Praia Mole: não precisa de carro nem para ir à praia mais fervida da ilha, nem para se jogar na The Week. Mas o único hotel disponível, o Praia Mole Eco Village, não faz jus aos altos preços: o conforto dos quartos não é superior ao de uma boa pousada. Outra opção, sem sair da Mole, é tentar alugar uma das casas do novo condomínio que se instalou ao lado do hotel. O Centro tem preços convidativos, mas a distância e os inevitáveis engarrafamentos para ir e voltar da praia podem não justificar a economia. A Lagoa da Conceição é encarecida pela proximidade com as praias, mas sofre com o trânsito dia e noite. A região que melhor concilia conveniência e preço é a Barra da Lagoa: tem fácil acesso à Mole (é a praia vizinha, mas na direção oposta à do Centro, o que a livra do trânsito complicado) e boa variedade de pousadas (a Girassóis da Barra tem piscina e atendimento fofíssimo), além de casas para alugar.

ONDE COMER. A gastronomia não chega a ser uma atração de Floripa: a cidade é uma das capitais brasileiras com menor número de restaurantes estrelados. Durante o dia, acaba-se comendo na praia mesmo - na Mole, vale a pena deixar para trás o serviço ineficiente do Bar do Deca e ir almoçar no lado hétero da praia. O Quiosque da Praia tem sucos e vitaminas deliciosos, além de salgados assados e sanduíches naturais; já o Barraco da Mole tem bons pratos de peixe e camarão e ótimas caipiroskas - é mais caro, mas tem boa freqüência e uma house music deliciosa. À noite, há opções ligeiras no Centrinho da Lagoa, passando a ponte após a Av. das Rendeiras (mas a muvuca adolescente pode incomodar). Para jantar bem na estrada da Mole para a Barra da Lagoa, tente o Ponta das Caranhas, com pratos fartos à beira da Lagoa da Conceição, ou o charmosíssimo Bistrô Isadora Duncan, um dos melhores da cidade - não perca o Camarão Encantado, flambado no cointreau com laranja e pimenta verde, mais arroz de côco e batatas sautée.

E SE CHOVER? Cruze os dedos para o tempo ajudar: não espere de Florianópolis o mesmo número de "planos B" para dias de chuva de São Paulo ou do Rio de Janeiro. O grande atrativo da ilha são mesmo suas lindas praias - saindo do burburinho Praia Mole-Lagoa da Conceição, há muito mais a se conhecer: Ribeirão da Ilha, a Baía dos Golfinhos, a Ilha do Campeche... [veja aqui algumas fotos de Floripa feitas por Renata Diem, uma talentosa fotógrafa nativa]. Agora, se o tempo fechar mesmo, não tem jeito: só resta pegar um cineminha em algum dos novos shopping centers da cidade (Floripa e Iguatemi). Ou mesmo descansar e ler um bom livro. Para os que curtem sauna, a Thermas Oceano, no Centro, mistura ilhéus e turistas e pode render animadas tardes de pegação.

AS FESTAS. A estrela do último Carnaval gay foi a The Week, que montou um clube de verão à beira da Lagoa da Conceição. Suas cinco festas, com os DJs residentes da matriz mais atrações gringas de peso, atraíram todas as "circuiteiras" de plantão, num desfile de corpos sarados - todos os rostos conhecidos da noite paulistana estavam lá. Para 2009, a TW promete uma estrutura ainda maior. Outro grande sucesso que deve se repetir é a Sunrise, festa que acontece a bordo de um barco que faz um passeio ao redor da ilha, e considerada por muitos a melhor do Carnaval. Já os nativos e boa parte do pessoal do Sul preferem os favoritos locais, como a boate Concorde e o Mix Café (que abrem todos os dias do Carnaval e lotam), além da pool party Troy. No meio-termo, quem quer ver paulistas e sulistas deve apostar na festa E-Joy (esse selo paulista já investe em Floripa há bastante tempo). No circuito eletrônico, top DJs da cena mundial se apresentam nos megaclubes El Divino (em Jurerê Internacional, Floripa), Green Valley (em Balneário Camboriú) e Warung (na Praia Brava de Itajaí, acessível somente de carro). A Brava de Itajaí, diga-se de passagem, respira música eletrônica também durante o dia, com as day parties promovidas na praia pelo Kiwi.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

O sobe-e-desce do Carnaval Floripa 2008

Este foi "o" verão para Florianópolis. A cena gay vinha crescendo devagar até o ano passado, quando a The Week começou a investir lá, ainda de forma experimental. Mas 2008 foi o ano da consagração. E não só entre os gays - com o balneário de Jurerê Internacional na moda entre os emergentes, Floripa também ganhou espaço na mídia careta, incluindo uma reportagem de capa na Veja São Paulo. O auge de tudo isso foi o Carnaval: a ilha ferveu como nunca. E muitos gays que pisaram ali pela primeira vez ficaram encantados. Não era para menos: quem apostou em Floripa teve dias lindos de sol, festas incríveis e muita, muita gente bonita. Aquele era, definitivamente, o lugar para se estar. Duro foi voltar para casa!

UAU:

1) SOL, SOL, SOL! O prognóstico era de assustar: a poucos dias do começo da folia, o Sul do Brasil era castigado por chuvas fortíssimas, que fizeram a prefeitura de Florianópolis declarar estado de emergência e pedir para as pessoas não saírem de casa. Várias barreiras caíram nas estradas - teve gente de Porto Alegre que foi obrigada a pernoitar no caminho e levou 22 horas para chegar em Floripa. Mas quem resistiu à tentação de cancelar a viagem (ou transferir os planos para o Rio) não se arrependeu: tirando os leves chuviscos no fim das tardes de sábado e domingo, a ilha foi presenteada com dias ensolarados e perfeitos, de céu azul sem uma nuvem no céu. Já quem escolheu o Rio... pegou uma corzinha na sexta e no sábado, mas passou o resto do Carnaval embaixo de chuva.

2) O TOQUE DE MIDAS DA THE WEEK. Floripa já agradava os gays pelo fervo na Praia Mole. Mas suas poucas opções noturnas, a boate Concorde e o Mix Café, faziam feio diante da opulência das festas do carnaval carioca. Agora a The Week trouxe o ingrediente que faltava para transformar a ilha em destino gay de primeira linha: baladas com o padrão de qualidade do eixo Rio-SP. A estrutura montada à beira da Lagoa da Conceição abusou da beleza natural do lugar, deixando as festas muito mais bonitas do que no Cine-Ideal-de-luxo. Como era de se esperar, nos cinco dias em que esteve aberta, a casa de André Almada reuniu o filé mignon da beleza masculina: os caras mais gatos do circuito estavam lá e todas as festas bombaram. Eu preferi a de sábado: o astral era o mais alto possível, com os amigos de todo o Brasil se reencontrando, deslumbrados com a beleza do espaço, e o DJ da Matinée Group arrasando com um set de electrohouse chique e animado. Mas quem agradou mais a todos foi Isaac Escalante, em performance elogiadíssima no domingo. O único que não convenceu ninguém foi Offer Nissim.

3) SUNRISE. Enquanto no Rio a chegada da The Week foi como um trator que passou em cima da concorrência, em Florianópolis aconteceu o inesperado: com a cidade cuspindo biba pelo ladrão, a demanda por festas era tão grande que todas elas encheram, até mesmo as mais improváveis. Não existiram perdedores nesse Carnaval. Mesmo assim, algumas festas conseguiram se destacar. E foi a Sunrise que levou o prêmio de melhor da temporada pelo júri popular. Foi uma feliz coincidência de fatores: o tempo ajudou, a propaganda prévia nas rodinhas certas reuniu um público muito bonito e já completamente entrosado (o clima era de festinha de amigos) e a beleza do passeio foi uma atração à parte. O resultado: a "festa do barco" foi um sucesso e conquistou de vez seu lugar ao sol no calendário gay de Floripa.

4) O CLIMA DO BAR DO DECA. Mesmo sem nenhum grande predicado, o Bar do Deca é o lugar certo na hora certa: todo o fervo diurno das bees acontece ao seu redor. O clima é absolutamente leve, descompromissado, relaxado. Por algum motivo, aqui é mais fácil deixar o carão de lado, socializar e conhecer gente nova. Talvez seja pelo cenário isolado da muvuca urbana: sem uma avenida da orla e uma montanha de prédios atrás, aqui as pessoas se sentem realmente de férias. Embalado pela música animada dos DJs (que neste ano estava infinitamente melhor do que o habitual), o povo conversava, dançava, fervia, paquerava... e as tardes iam passando gostosas, sob o céu azul e ensolarado da Praia Mole. A clientela, democrática, tem gente de todos os tipos - mas, com esse novo boom gay de 2008, não dava para negar que o nível das beldades estava muito mais alto.

5) AH... A GALHETA! É impressionante como a Galheta consegue manter intacto o seu encanto, mesmo estando a apenas cinco minutos do fervo muvucado do Bar do Deca. Assim como todos temos nosso prato, música e filme preferidos, eu tenho a Galheta como a praia do meu coração, minha favorita em todo o Brasil. Logo que atravesso as pedras e piso na areia, eu sinto uma energia diferente. Vou me afastando do início da praia e me vejo perdido na imensidão daquele lugar, extremamente calmo, acolhedor, tranqüilo. Parece que estou a salvo de todos os problemas e coisas negativas do mundo, protegido em um lugar mágico. Em paz. E o mar é meu cúmplice. No entardecer, vejo o céu em tons degradê de azul e rosa, enquanto o sol se põe do outro lado, por trás da Praia Mole. Se voltei para casa com algum arrependimento, com certeza foi o de não ter passado mais tempo na Galheta. Foi com tristeza que me despedi dela. Mas eu volto, com certeza volto. Queria estar lá neste momento, enquanto escrevo estas linhas.

6) A CENA ELETRÔNICA "CLASSE A" DE ITAJAÍ. Foi duro abrir mão de um dia e noite inteiros em Floripa, com tanta coisa acontecendo. Mas valeu a pena sair um pouco do gueto: a Praia Brava de Itajaí é bem bacana. O lugar respira música eletrônica de alta qualidade e tem uma fauna humana melhor ainda - os homens são de enlouquecer. Durante o dia, o fervo do Kiwi era uma delícia, com o povo se jogando feliz da vida na praia, dançando, bebendo, paquerando. À noite, fui conferir o hype do clube Warung. Confesso que achei o lugar meio superestimado ("terceiro melhor do mundo" pela DJ Mag?! será mesmo que só existem dois clubes mais legais no mundo todo?! o próprio Sirena é muito mais bonito!), mas a noite foi excelente, com som in-crí-vel do Deep Dish e os homens mais perfeitos que eu já vi em uma pista de dança (ainda tenho sonhos com um deles...).

UÓ:

1) O EXCESSO DE TUDO. Foram cinco dias com festas demais, sol demais e homens bonitos demais. Era impossível dar conta de tudo, e péssima a sensação de ser obrigado a perder coisas incríveis - seja porque não se podia estar em dois lugares de uma vez, seja porque o corpo não agüenta ficar online por tanto tempo. Para aproveitar as festas, era preciso jogar pela janela os dias lindos de sol e praia bombando e (tentar) descansar. E, mesmo assim, chegava uma hora em que o cansaço era tanto que o corpo já não respondia mais, e você já não conseguia aproveitar e curtir mais nada de verdade. E ainda assim a maratona não acabava, as pessoas não paravam... Depois de cinco dias de estragação, quando todos já deveriam estar mortos, Rogério Figueiredo ainda resolve armar mais uma "festinha imperdível", começando às 2h30 de quarta-feira, logo depois de a TW encerrar o expediente. E não é que a festa... bombou? Pra mim, depois de um certo ponto, tudo o que era bom demais passou a ser ruim.

2) A CIRCULAÇÃO SEMPRE COMPLICADA. Transporte sempre foi um dos grandes perrengues de Florianópolis. A cidade não tem uma estrutura que faça frente ao grande número de turistas da alta temporada - especialmente nas praias da ilha, que são onde o bicho pega de verdade. A única estrada que circunda a Lagoa da Conceição e percorre o litoral tem uma pista só - portanto, fica engarrafada de dia (nos horários de chegada e saída da praia) e também à noite (por causa dos bares e restaurantes do centrinho da Lagoa). Curiosamente, os poucos táxis de Floripa passam longe dali; mesmo sendo essa a região com maior demanda de passageiros, eles acham que vão perder tempo e dinheiro ficando presos no trânsito. Ônibus? Existem, mas passam em loooongos intervalos. E quem está de carro ainda enfrenta, além dos longos engarrafamentos, a falta de vagas para estacionar ("manobrista"? o que é isso?). Moral da história: qualquer que seja seu meio de transporte, circular é um problema constante.

3) A FALTA DE OPÇÕES PARA COMER. E olha que nem estou falando de alta gastronomia, de restaurantes estrelados do quilate dos de São Paulo, mas de lugares para quebrar o galho mesmo. Com o fervo na Mole avançando até a noite, você saía da praia e não tinha nenhuma opção à mão. Era obrigado a pegar o carro/esperar o ônibus e ir láááá para o centrinho da Lagoa, exausto, correr atrás de alguma coisa para matar a fome. Floripa até tem um punhado de bons restaurantes espalhados por aí, mas nem de longe tem a versatilidade de que o turista precisa. Bem ou mal, no Rio você sai das areias de Ipanema a pé e consegue o que quiser, de um simples açaí até uma comida mais substancial. Em Floripa, a praia não tem nada depois do entardecer - e mesmo os restaurantes mais longe fecham cedo, tipo meia-noite. Fome na madrugada? Vai acabar na lojinha de conveniência - se você tiver carro e souber achar um posto de gasolina.

4) O SERVIÇO DEPLORÁVEL DO BAR DO DECA. Justiça seja feita: de 2005 pra cá o Bar do Deca melhorou muito. A música deu um salto enorme de qualidade - parece que finalmente alguém ali começou a dar alguma importância ao assunto. A comida também melhorou: comi um salmão bem OK e uma porção de lulas à dorê boa de verdade. Mas o serviço (que já não é uma maravilha em lugar algum, é verdade) continua insuportavelmente ruim. Lido, Cíntia & cia. até se esforçam para ser gentis, mas esperar 45 minutos por um simples copo com gelo e o dobro disso por um simples prato de peixe, não dá. Isso quando não esquecem literalmente do seu pedido (o que acontecia o tempo todo). O pessoal do Deca precisa dar um jeito urgente nisso - que mude o sistema, comece a usar aqueles palmtops, qualquer coisa. O tamanho da freqüência na alta temporada mais do que justifica algum investimento.

5) A NOITE DE SEGUNDA NA THE WEEK. Tinha tudo para ser a melhor noite, mas foi a que eu menos gostei. A culpa não foi do DJ: Peter Rauhofer, cada vez mais à vontade diante do público brasileiro, tocou com gosto até quase oito da manhã (burlando o horário-limite imposto pela prefeitura, que era 7h). O principal problema foi a superlotação: com todos os espaços abarrotados, circular pela casa era um estorvo, não havia espaço para dançar, a única fila dos caixas dava voltas e mais voltas, bares e banheiros entraram em colapso. Para piorar, depois de três ou quatro noites de jogação, todos estavam cansados demais para enfrentar tudo isso - e as caras lindas de antes já pareciam meio estragadas. Sabe quando uma festa é tão mega que acaba passando do ponto? O que no sábado era totalmente happy, na segunda passou a ser too much.

6) O PAISAGISMO DA THE WEEK DESTRUÍDO PELAS CHUVAS. A The Week preparou uma área externa bem caprichada em Floripa, com belos jardins que terminavam num píer na Lagoa da Conceição. Mas as chuvas torrenciais que caíram até quase a véspera do Carnaval levaram tudo embora e destruíram o paisagismo da casa. A equipe de Almada fez o que pôde, mas não teve como recuperar os estragos a tempo. Resultado: toda a área foi interditada, incluindo o acesso ao píer e à Lagoa, e ficou aquele aspecto de obra inacabada. O deck e a piscina, liberados, tinham um bom tamanho e atenderam as necessidades de todos, mas o que foi bom poderia ter sido muito melhor.

Mesmo com essas ressalvas, tenho que dizer que foi um Carnaval maravilhoso. Florianópolis foi a escolha mais acertada possível, eu não teria sido tão feliz em nenhum outro lugar. Mesmo com todos os seus problemas estruturais (que certamente estarão lá em 2009, até porque durante os oito meses restantes a ilha fica deserta), Floripa tem um astral incrível. As praias são lindas, as pessoas ficam muito relaxadas e receptivas, e agora não faltam jogações de qualidade para os mais exigentes. É tudo questão de saber equilibrar as coisas, relaxar e se divertir. Afinal, tudo passa rápido, muito rápido. E, quando você vai ver, só sobraram as memórias... ah, que saudade de lá!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Floripa: mini-guia de última hora

Na reta final para o Carnaval, estamos todos nos últimos preparativos, e a bola da vez é mesmo Florianópolis. Por isso, estou passando aqui um mini-guia para os marinheiros de primeira viagem. No post de amanhã, vou dar uma pincelada nas opções do Rio de Janeiro e de São Paulo.

O que fazer. Floripa até tem outras atrações turísticas, mas o que torna a ilha tão bacana e procurada são mesmo suas praias: a Mole para a juventude sarada e os gays, a Galheta para o povo zen, os naturistas e os adeptos da ecopegação, a Joaquina para os farofeiros brasileiros, Canasvieiras para os farofeiros argentinos, Jurerê Internacional para os jetsetters e emergentes em geral... tem para todos os gostos e tribos. Agora, se a previsão de chuva se confirmar, não há passeio que sobreviva. Por isso, trate de ir munido de um bom plano B. Vale trazer um bom livro, um iPod, um baralhinho... ou então se jogar nos vapores libertinos das Thermas Oceano, no Centro. A diversão preferida do paulistano médio também está garantida, com dois shopping centers novinhos em folha, o Iguatemi e o Floripa Shopping, que vieram se juntar ao tradicional Beira-Mar e deram um merecido upgrade na oferta de cinemas da cidade.

Onde comer. A Praia Mole, onde boa parte dos leitores do blog deve passar o dia, não tem confortos de praia urbana (para isso, existe Jurerê Internacional). As melhores opções para comer estão na parte hétero (o canto direito): o Barraco da Mole e o Quiosque da Praia. Neste último (meu favorito na Mole), prove os sucos Paulada, com laranja, açaí, morango, banana e xarope de guaraná, e Baba Baby, com abacaxi, melão, kiwi e xarope de guaraná. Os lanches e salgados também são ótimos. Já na ala gay, o Bar do Deca tem serviço descuidado e cozinha pobre (de lá, só consigo comer o pastel de camarão). À noite, as boas pedidas estão ao redor da Lagoa da Conceição, com lugares despretensiosos que servem massas, crepes e pizzas, e no Centro, nas imediações da Avenida Beira-Mar Norte.

Festas. Mais uma vez, é na The Week que estão depositadas as maiores expectativas: as novas instalações prometem ser deslumbrantes e o clube terá o melhor line up para o público gay, com Offer Nissim, Peter Rauhofer e uma pool party feita pelo experiente grupo Matinée, de Barcelona. Correndo por fora, a festa Sunrise, a bordo de um iate, deve roubar a cena na tarde de domingo (caso o tempo ajude, é claro), rivalizando com a Troy, bem mais barata e que deve receber muitos nativos. Tem ainda a festa E-Joy, na noite de sábado, com Chris Cox, e os clássicos fixos da cidade: a boate Concorde, que costuma ficar impraticável de tão cheia, e o Mix Café, bar que tem uma pistinha no andar superior. Enquanto isso, no circuito hétero de Floripa, o El Divino receberá Fatboy Slim (2/2), David Guetta (3/2) e Tiësto (5/2) - mas não é todo mundo que gosta de dançar com patricinhas de echarpe de oncinha jogando o cabelão na sua cara. Quem gosta de house progressivo e vai ver Deep Dish ou Sasha no Warung deve lembrar que precisa retirar os ingressos comprados online com antecedência, em Balneário Camboriú, nos dias 1, 2 e 3/2 até as 21h.

Conselhos de mãe. Vai de carro? Muito cuidado na estrada: o trecho da BR-116 entre SP e Curitiba é perigoso, e o estado de Santa Catarina só perde para Minas Gerais em número de acidentes fatais. Para evitar engarrafamentos e conseguir estacionar, tente chegar na praia cedo (difícil, se você se jogou na véspera) e ir embora antes da hora do rush (17h30) ou bem mais tarde. Leve sua canga (a Mole não tem cadeiras para todo mundo, muito menos vendedores de canga) e papel higiênico, para usar no único e escabroso banheiro disponível. Se quiser dar um pulo na Galheta, um tênis ou papete são melhores do que um simples chinelo de dedo - a trilha de acesso tem pedras bem escorregadias. Com a lotação da ilha, ou você chega nas festas antes da 1h da manhã, ou só depois das 3 (perigando ficar para fora dos lugares mais concorridos).

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Rapidinhas da noite 2

JOGAÇÃO ENGAJADA. Vai ficar em São Paulo no aniversário da cidade? Então escolha sua pista preferida e se jogue na noite de sexta: os clubes Astronete, Berlin, CB Bar, D-Edge, Clash, Funhouse, Glória, Inferno, Lov.e, Outs, Royal, SPKZ, Studio SP, Trash 80’s e Vegas se mobilizaram em torno do projeto Noite Viva, por meio do qual, para cada freqüentador que receberem, doarão um quilo de alimento à Prefeitura. Em tempos de hostilidade e perseguição por parte das autoridades, a idéia dos clubes é conquistar o respeito, mostrando que existe uma preocupação social e, especialmente, um impacto econômico por parte da cena.

COITO INTERROMPIDO. Ricky Mastro contou na Página 2 do site Cena Carioca que Florianópolis agora tem uma lei municipal que obriga as festas e clubes a desligar o som entre 6 e 7 da manhã - cortando a onda de todo mundo, que fica sem ter para onde ir. No réveillon, o toque de recolher obrigatório estragou todas as festas. Esperamos que a The Week consiga, pelas vias legais, alguma autorização especial da Prefeitura para evitar que o long set do top Peter Rauhofer não seja abortado na melhor parte da festa...

E.NJOY THE SILENCE.
Depois que a X-Demente soltou as informações da sua festa de réveillon com apenas 9 dias de antecedência, quem vai passar o carnaval no Rio está em dúvida: será que vai surgir mais alguma festa no calendário, aos 44 minutos do segundo tempo? Mais do que da X, o que muitos querem saber é da E.njoy - afinal, essa foi a festa que roubou a cena no ano passado, com aquela edição histórica no Vivo Rio, com Peter Rauhofer. Pois podem tirar o cavalo da chuva: não vai ter E.njoy neste carnaval (decisão sábia, já que a TW deixou o cenário bastante saturado). Mas quem quiser matar as saudades do ar condicionado poderoso do Vivo Rio pode ir lá neste sábado, quando o espaço receberá outro top da cena mundial: Fatboy Slim. (UPDATE: a E.njoy resolveu fazer uma espécie de "matinê", no dia 4, das 19h às 3h, na roda gigante da Skol, dentro do Forte de Copacabana).

DEIXEM A CRIANÇADA BRINCAR. Adivinhem quem escreveu um dos ensaios publicados na página 3 da edição de hoje do jornal Folha de S. Paulo? João Guilherme Estrella, cuja história serviu de base para o filme Meu Nome Não é Johnny, de que falei ontem no blog. Em sua pensata, depois de explicar que sua pena não foi nada branda, ele sustenta que "só quem não sabe nada de criminalidade pode achar que apontar a classe média consumidora de drogas como responsável pela violência nos centros urbanos vai ajudar em alguma coisa". E conclui dizendo: "quem dera nossos maiores problemas fossem os ecstasys [sic] que a rapaziada toma nas festas e que estão na mídia o tempo todo".

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Rio versus Floripa, versão 2008

Dez dias antes do Carnaval 2007, fiz um post colocando na balança as propostas do Rio de Janeiro e de Florianópolis. Neste ano, faz sentido reescrever o texto: bastante coisa mudou nas duas cidades, especialmente na cena noturna. De repente, o mundo acordou para Floripa, que vive um boom inédito de investimentos, com clubes e festas eletrônicas para gays e héteros (e um mar de turistas interessados em conferir as novidades de perto). O Rio também não é mais o mesmo: elogios e críticas à parte, a chegada da The Week mudou completamente o cenário das festas cariocas. Aqui vão alguns prós e contras das duas opções.

CINCO RAZÕES PORQUE VOCÊ DEVERIA ESCOLHER FLORIPA:

1) AS FESTAS GAYS. A programação pode ser a mesma nas duas cidades, mas o cenário do Praia Mole Eco Village, em meio a uma área verde e com vista para a Lagoa da Conceição, certamente garantirá um astral bem mais leve para as festas da The Week do que o do clube fechado e escuro da Saúde. Para os amantes de Offer Nissim, a mesma TW Floripa promete uma pista bem mais selecionada do que a B.I.T.C.H. carioca (que em 2007 deixou todo mundo espremido na Leopoldina, e desta vez lotará o anfiteatro da Fundição Progresso). Deixando a TW de lado, em Floripa os gays ainda têm a Sunrise, uma festona à bordo de um barco que fará um lindo passeio ao redor da ilha, a E-Joy, com o convidado Chris Cox, e a bagaceira animada do clube Concorde; já o Rio será praticamente um déjà vu do último réveillon, com Rosane Amaral promovendo festas nas mesmas locações, mas com DJs piores, e Le Boy e Cine Ideal na lanterninha fazendo a linha popular.

2) AS PRAIAS DE FLORIPA. Florianópolis tem muita coisa boa a oferecer nesse quesito - e são poucos os turistas que realmente aproveitam. Eterna campeã de freqüência, a Praia Mole é muito maior do que o cantinho onde os gays se concentram em torno do precário Bar do Deca. A linda Galheta é um paraíso de paz e sossego, perfeita para alguns momentos curtindo a própria companhia. Pegando o carro, dá para fazer uma porção de passeios legais: Ribeirão da Ilha, com casinhas açorianas e um ótimo restaurante (Ostradamus) onde os garçons vestem farda de marinheiro, Baía dos Golfinhos, Ilha do Campeche... Enquanto isso, no Rio, nossa amada Ipanema estará cheia de corpos belos, mas mais suja do que nunca, parecendo um cortiço com tanto lixo deixado por cariocas e turistas.

3) O NOVO LUXO PRAIANO DE JURERÊ INTERNACIONAL. As finas que torcem o nariz para a maloca do Bar do Deca encontraram sua salvação no El Divino Beach e no P12, que oferecem um mar de gente bonita e estrutura de praia européia, com limpeza, conforto e comidinhas. Para os jetsetters convictos, o Taikô e o Café de La Musique vão ainda mais fundo na proposta - é comum ver beldades se esbaldando em sushis e entornando garrafas de champagne em plena praia. Parece afetação demais para você? Pois saiba que o número de homens - gays - bonitos que resolveram trocar a Mole por Jurerê cresce a cada ano. E, à noite, o El Divino Club receberá Fatboy Slim, David Guetta e Tiësto.

4) A PRAIA BRAVA DE ITAJAÍ. A apenas 80km de Florianópolis (uma esticada perfeitamente viável, portanto), a Praia Brava de Itajaí não tem nada a ver com a farofada aborrecente da vizinha Balneário Camboriú (e só é acessível de carro, o que ajuda a peneirar os freqüentadores). Se a mauricinha Jurerê Internacional é para quem, em Ibiza, pega praia em Salinas e vai dançar no Pacha, este é o lugar de quem ferve em Playa d'en Bossa e se joga no terraço da Space: gente linda, sorridente e festeira. Aqui estão o superclube Warung, espécie de Sirena em estilo balinês, que deve fazer as noites mais incríveis do carnaval catarinense (é claro que estarei lá!), e o Kiwi, que de dia faz festas bombadas na praia e à noite recebe o público em suas instalações de extremo bom-gosto.

5) TODOS OS AMIGOS LÁ. Mais do que em qualquer outro carnaval, neste ano um monte de gente resolveu apostar suas fichas em Floripa. E, para muitos, o melhor Carnaval é sempre aquele em que os amigos estão. Em São Paulo, a adesão foi maciça; mesmo em outros estados do Sudeste (RJ inclusive), o número de adeptos da idéia de "um carnaval diferente do de sempre" cresceu bastante. Alguns fatores depõem contra o Rio: é perto o suficiente para ir a qualquer hora (não precisa ser Carnaval), muitos acharam que as festas do réveillon carioca ficaram abaixo das expectativas, e o curto espaço de tempo entre os dois feriados (apenas 32 dias) não ajuda as pessoas a "desenjoar" e querer repetir o prato.


CINCO RAZÕES PORQUE VOCÊ DEVERIA ESCOLHER O RIO:

1) FÁCIL ACESSO. A menos que você seja gaúcho ou curitibano, o Rio é muito mais perto e fácil de se chegar do que Florianópolis. Se as festas que mais chamaram a sua atenção foram as da The Week, você pode ver todas as mesmas atrações gastando menos dinheiro com passagem, ou evitando o perrengue que é dirigir até Santa Catarina (especialmente o trecho entre São Paulo e Curitiba). E já que falei em festas, só aqui é que existem pool parties de verdade (as da Rosane Amaral, já que chamar aquele lava-pés da TW Rio de piscina é um pouco demais) e carnaval de verdade (os desfiles das escolas de samba na Marquês de Sapucaí, a Banda de Ipanema, os blocos de rua).

2) ESTRUTURA. Floripa com chuva pifa. Se São Pedro fica de mal da região Sul do País (que é a primeira a receber as frentes frias da Argentina!) e o tempo fecha, não há o que fazer, não há plano B. Para quem está acostumado às comodidades de cidades maiores, Floripa não tem estrutura, não tem gastronomia de ponta, não tem cultura, não tem nada. Até o número de salas de cinema é pífio. Já no Rio... os humores também azedam quando o tempo fecha, mas dá pra escapar do fracasso de diversas maneiras. Restaurantes incríveis, centros de compras completos, um bom circuito cultural e, por que não, duas saunas movimentadas garantem ocupação enquanto as festas da noite não chegam.

3) CIRCULAÇÃO. Em Florianópolis, você precisa de carro para tudo. Como a ilha não foi planejada para receber tantos turistas, o trânsito chega a ser desesperador, especialmente na volta da praia: o engarrafamento começa no final da Mole, dá a volta na Lagoa da Conceição e se prolonga em direção ao Centro. "Bem capaz, tá tudo trancado!", exclamam os gaúchos. Já no Rio, se quiser você pode fazer tudo a pé o tempo todo: ir à praia, almoçar, fazer pegação, quem sabe alguma comprinha de última hora... No máximo, você pega um ônibus (rapidinho) para voltar para casa, se estiver hospedado no começo de Copacabana. Táxi, só na hora de ir para a festa, e sem drama: são muitos (em Floripa, quase não existem) e muito mais baratos.

4) OS MELHORES CORPOS. Com o aumento da procura, Floripa deve receber mais caras sarados - e as barbies gaúchas, habituées de lá, têm a vantagem de combinar corpo bom com rosto bonito. Ainda assim, se seu negócio é corpão acima de tudo, seu lugar é e sempre será o Rio. Quem olha os corpos cariocas tem a impressão de que eles nasceram tomando mamadeira com baixa lactose, cresceram fazendo esportes no calçadão e comendo barrinha de cereal e aprenderam cedo a perder o medo da seringa. Tanta oferta de carne acaba atraindo fortões de todas as partes do Brasil e do mundo, e o que se vê é um festival de músculos de todas as cores e tamanhos: tem corpão galã, corpão camarão, corpão cafuçu, corpão diva, corpão poliglota, corpão michelle.... E o melhor: todos esses corpos já chegam na cidade com vontade de pecar.

5) VERSATILIDADE. A cena gay carioca pode ser focada nas barbies, mas seu Carnaval também tem opções para as outras tribos e é o mais completo para atender a todos. As barbies batem cartão na Farme e na The Week Rio, os modernos evitam o sol e encontram seus pares no ótimo projeto Fase/Moo e nos clubes Dama de Ferro, Fosfobox e 69, e quem prefere uma diversão mais bagaceira se esbalda no pós-praia do Bofetada, na sempre lotada Le Boy e nos babadeiríssimos bailes do Elite, onde rola de tudo (de tudo meeesmo: barba, cabelo e bigode !). E você ainda pode transitar entre esses universos, combinando os ingredientes à sua maneira e montando um roteiro pessoal rico e único - coisa que a cena totalmente mainstream de Floripa jamais poderá te dar.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Vem aí mais um verão de muita jogação

Estamos a poucos dias da estação mais aguardada do ano - é tempo de sol, praia, gente nova e muita festa. Para quem gosta de dançar, o verão tem um atrativo extra: a programação eletrônica costuma esquentar no mesmo ritmo dos termômetros. Afinal, nessa época as pessoas têm pique extra para se jogar.

Como sempre, São Paulo dá uma acalmada e o foco passa a ser o Rio de Janeiro. Mas há cada vez mais coisas acontecendo em Santa Catarina, e esse verão também deve ser bastante agitado por lá. Aqui vai um resumo das principais festas que estão por vir.

RIO DE JANEIRO

Foi-se o tempo em que tudo girava em torno da X-Demente, a mãe das label parties do Brasil. A apenas 10 dias da data da tradicional Check In, a produção ainda não soltou o line up, nem sequer confirmou a realização da festa - o que não cheira nada bem. Com isso, as atenções se voltam para o duelo entre a The Week Rio e as festas de Rosane Amaral - o clube e a produtora baterão de frente nos dias 29, 31 e 1. A TWRJ acaba de inaugurar sua expansão: com pista 2, lounge e deck com micropiscina, a casa finalmente passa a ter o mesmo porte da TWSP e a possibilidade de receber day parties (mais detalhes aqui). Já Rosane aposta em uma nova (e ótima) locação para a R.Evolution do dia 29 (o Clube de Remo do Flamengo, na Lagoa) e nos demais dias repete o de sempre: R.Evolution Réveillon no Sky Lounge e Pool Party no Clube de Regatas (não consigo deixar de achar esse espaço uó; quem mandou ela fazer aquelas festas inesquecíveis na Estação do Corpo em 2006?).

A noite do dia 31 tem opções para todos os gostos. Além da TW e R.Evolution, há festas no Felice Caffè, Espaço Lundgren (festa oficial do Cena Carioca), Ipanema Plaza e Hotel Ouro Verde - todas com open bar, buffet, DJs e ingressos antecipados a partir de R$300. Os modernos têm destino certo: a Hotel Carnival, festona num lindo casarão tombado no alto de Santa Teresa, com vistas incríveis do Rio, open bar e buffet, top DJs da cena (Pareto, Maurício Lopes, Serge) e ingressos a R$ 130 (2º lote). Quem não quiser mais gastar dinheiro pode curtir, de graça, as atrações do Ipanema Stereo Beach - espécie de luau eletrônico coletivo que, pelo segundo ano consecutivo, levará o caos às areias do Posto 9.

Se as barbies cresceram esperando pela X-Demente, os modernos aprenderam a aguardar a Moo - festa que reúne a nata dos descolados da cidade e já trouxe gente como Derrick Carter, Magda e Richie Hawtin para tocar. A Moo está cada vez melhor e, neste verão, vai se juntar aos nossos queridos clubes D-Edge e Vegas para um projeto ainda mais bacana: o FASE. Serão várias festas até o final de fevereiro, sempre aos sábados, tendo como locação as Casas Franklin, no Centro (lindo lugar, mas bem que podiam fazer só-mais-uminha no Morro da Urca, né?). As atrações de dezembro e janeiro já estão confirmadas: Tim Sweeney e Juan Maclean (29/12), Todd Terje (5/1), Steve Bug e Troy Pierce (12/1) e Prins Thomas (19/1). Espere misturas ousadas e descompromissadas de electro, house, minimal, techno, disco, rock e o que mais esses gringos doidos imaginarem.

SANTA CATARINA

Enquanto isso, Floripa confirma sua vocação como destino gay de verão. A "ilha da magia" tem programação de réveillon digna de Rio de Janeiro - com pelo menos uma grande festa por dia a partir do dia 28 (veja a programação completa aqui e aqui). Os destaques são a Sunrise, day party realizada à bordo de um iate, com Ana Paula e Alê Bittencourt no som, a partir das 14h do dia 30, e as festonas de Réveillon do selo paulista E-Joy e da boate Concorde (com sua pista giratória, que eu chamo carinhosamente de "drag grill"). Mas é em fevereiro que Floripa vai pegar fogo, naquele que deve ser o carnaval mais bombado de sua história. Repetindo o sucesso de 2007, a The Week reabrirá sua "filial de verão" no Praia Mole Hotel, para cinco dias de festa - e a primeira atração escalada é ninguém menos que Offer Nissin, amado por muitos. E todo mundo já disse que vai.

Mas quem abomina house tribal e bate-cabelo também tem grandes razões para passar o verão em Santa Catarina. A cena eletrônica local vai muito bem, obrigado - impulsionada por grandes clubes, DJs internacionais de peso e, claro, a beleza dos garotos e garotas do Sul. O carro-chefe ainda é o megaclube Warung, na Praia Brava de Itajaí, que nesta temporada inaugurou um lounge dançante em estilo balinês chamado Madê Pantai (que está para o Warung assim como o Morocco está para o Sirena). A programação do Warung e do Madê não está de brincadeira: traz feras da house e progressive house como Martín García (na inauguração do Madê, dia 27/12), Satoshi Tomiie (28/12), 16 Bit Lolitas (31/12), Nick Warren (4/1), Desyn Masiello (5/1), Roger Sanchez (9/1), Smokin' Jo (18/1), Bushwacka (19/1) e Dave Seaman (26/1), além de um supercarnaval com Sasha (5/2) e duas noites com a dupla Deep Dish (3/2 e 4/2). Os ingressos já estão à venda.

Mas o Warung não está sozinho nessa. A alguns quilômetros dali, em Balneário Camboriú, o suntuoso clube Green Valley, construído entre três lagoas artificiais, no meio da Mata Atlântica, também está investindo em boas atrações gringas para o verão 2008. Os convidados incluem Robbie Rivera, D-Nox & Beckers, Seb Fontaine e, no carnaval, o adorado Tiësto. E, na própria capital catarinense, os clubes El Divino, Confraria das Artes e KM7 investem em gringos de peso - só o El Divino trará Infected Mushroom, Paul Van Dyk, Mark Knight, Fatboy Slim, David Guetta e Tiësto. E, no final do ano, a cena de Floripa deve ganhar mais dois clubes: o Posh e o Life Club.

Moral da história: se você gosta mesmo de se jogar, é melhor economizar nos presentes de Natal...

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

E todos saíram ganhando

No post anterior, eu alardeei as maravilhas do carnaval carioca, e sentenciei: digam o que disserem, não há lugar melhor para passar essa data do que o Rio. Pelo menos quando o assunto é a fauna humana disponível.

Eis que nesse sábado que passou, fui à The Week - interrompendo um jejum de vários meses sem ir lá. Fui mais para encontrar os amigos, que passaram o carnaval nos mais variados lugares, e colher as impressões gerais de todos. E o que me pareceu foi que não teve tempo ruim em lugar nenhum. Quer dizer, tempo ruim teve (especialmente em Floripa), mas todo mundo saiu feliz.

Meus amigos que escolheram Floripa disseram que a varinha de condão da The Week fez maravilhas pela ilha da magia. A ferveção na Praia Mole teve um super upgrade com a instalação do quiosque da TW - uma alternativa à bagaceirice do eternamente desleixado Bar do Deca. E a noite ganhou outro presentão, que foram as festas organizadas pelo clube paulistano - com direito a toda a estrutura e profissionalismo que fizeram da TW o que ela é. Todo mundo que foi adorou e disse que viveu momentos mágicos, num astral leve e diferente.

E quem fugiu da Mole em direção ao norte da ilha confirmou o hype de Jurerê Internacional: o público é mesmo lindo, o som é mesmo incrível e, com a ajuda de providenciais tacinhas de champagne (que já eram entornadas na areia às 10 da manhã), dava até para jurar que se estava, se não na praia ibicenca de Salinas, pelo menos em Punta del Este. Então tá.

Ainda em Santa Catarina, dois clãs apostaram na Praia Brava (vizinha do farofeiro Balneário Camboriú). A cena de lá tem como destaque o superclube Warung, templo maior da cena eletrônica do Sul do Brasil e o clube brasileiro que mais traz DJs de progressive house pra tocar (junto com o Sirena de Maresias). Eles contaram que o clube é absurdo, só gente linda de morrer e numa vibe excelente, e que os sets do infalível Hernán Cattaneo e da dupla Deep Dish foram históricos (o do Deep Dish foi da 1h30 da manhã até meio-dia !). E que, além do Warung, havia ainda um beach bar babadeiríssimo, chamado Kiwi, onde rolavam altas jogações al mare, com house do bom até as 9 da noite. Eles gostaram tanto que estudam até parar de freqüentar Trancoso e passar a ir para lá.

Já os que foram para Salvador disseram que não presenciaram de nenhum dos incidentes de violência que saíram nos jornais. Rolou beijação em alguns trios, rolou o habitual fervo na "pipoca" e no Beco da Off e rolou bastante jogação off-Carnaval - com direito a uma festa eletrônica naquele parque aquático desativado que fica no norte da cidade, e as pessoas dançando numa pista construída dentro da piscina, na beira da praia. Voltaram para casa quase tão estragados quanto aqueles que vieram do Rio...

O circuito Recife-Olinda teve menos adeptos, mas ainda assim consegui pescar dois amigos que foram pra lá, cada um numa onda bem peculiar. Um deles é paraibano de João Pessoa e, querendo reviver as farras de sua adolescência, apostou no carnaval de rua; o outro, DJ carioca radicado aqui em São Paulo, mostrou seu electrohouse em eventos off-Carnaval de lá e disse que o público recebeu superbem (o que não me surpreende: ele é ótimo no que faz e os recifenses são super antenados). Ambos voltaram satisfeitos.

Fiquei pensando então: pelo jeito quem se ferrou mesmo foi quem ficou em São Paulo. Que nada. Logo depois encontrei um antigo colega de faculdade que se jogou na The Week em alguns dias e disse que a casa estava cheia de "novos talentos" do interior e que ele aproveitou horrores, ficou com vários e teve um Carnaval pra lá de animado...

Pelo visto, 2007 foi o ano do milagre. Todos os caminhos apontaram para a felicidade nesse Carnaval.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Rio ou Floripa ? O meu veredito

E vamos logo escrever aquele post com o meu ponto de vista sobre o dilema do Carnaval 2007 (Rio x Floripa), antes que a polêmica fique velha.

Não vou puxar a sardinha para o lado do Rio ou de Floripa, mas sim colocar alguns fatores que levariam a cada uma das opções, e deixar que cada um faça sua escolha. Acho isso mais bacana do que fazer propaganda unilateral de um destino. Já passei vários carnavais nas duas cidades e acho que tenho know how para opinar.

Antes disso, tenho 3 considerações a fazer:

i) A cena carioca pode ter escorregado feio nas festas de réveillon, mas isso não chega a ofuscar o Rio como um destino de carnaval. Há que se lembrar que existe todo um contigente de pessoas que curte outros tipos de festa (desfilar na Sapucaí, por exemplo) e vai continuar indo pro Rio como sempre foi, e um enorme exército de gringos que está alheio a novas modinhas internas e vai continuar considerando apenas a Cidade Maravilhosa como opção. O Rio não vai ficar morno da noite pro dia.

ii) Muitos usam os investimentos da The Week como pretexto para alegar que Floripa é the new place to be e o Rio é passado. Eu discordo. Na minha opinião, se André Almada está jogando pesado em Santa Catarina, é porque sabe que no Rio ele teria que enfrentar uma briga de foice com Fábio, Rosane, Téo & cia., com resultados no mínimo incertos, enquanto que na ilha ele encontrará um mercado de noite muito mais capenga e por isso mesmo mais receptivo, que dará todo o espaço para a The Week brilhar e sair bonita na fita. A TW não investe no Rio porque no Rio não há espaço pra ela, só isso.

iii) É muito saudável que exista uma migração de pessoas do Rio para Floripa, e que se consolide a ilha como uma segunda cena de carnaval forte. Se podemos ter vários destinos bombando, isso é sinal de que o mercado está crescendo, e isso é legal pra todo mundo. É muito mais chato ter só uma opção realmente boa.


CINCO RAZÕES PORQUE VOCÊ DEVERIA ESCOLHER FLORIPA:

1) DEMOCRACIA E DIVERSIDADE. No Rio de Janeiro você é absolutamente invisível se não tiver bração, peitão e tanquinho (e isso não vale só para o meio gay; ser ostensivamente sarado é um requisito de aceitação em todos os ambientes cariocas). Já em Floripa o apreço pela beleza física continua dentro do limite saudável - não existe essa "ditadura barbie", há espaço para outros tipos de beleza, todos encontram um lugar ao sol (incluindo aí as próprias barbies).

2) PRAIAS. Floripa dá de dez nesse quesito. Se as praias urbanas do Rio já perdem a briga em outras épocas, no Carnaval elas ficam imundas, tanto a areia como a água. A Farme em particular fica parecendo um cortiço à beira-mar, dá nojo pisar lá. Já na ilha o babado rola num cenário muito mais bonito - a Praia Mole - com opção de dar alguns passos e acabar num verdadeiro paraíso - a Galheta - onde pode rolar basfond ou não (a escolha é sua). Sendo que, se for o caso de pegar o carro e fugir do pombal, só na ilha você tem mais de quarenta praias a escolher. O Rio tem a Barra, a Reserva e, quando muito, Itacoatiara (mas você iria até Niterói ?! sei !).

3) SEGURANÇA. Nem preciso falar que de modo geral há muito mais violência no Rio (o que não quer dizer que Floripa seja um oásis de calmaria; nessa época não faltam ladrões sazonais querendo uma fatia do patrimônio dos turistas). Mas a situação do Rio é ainda pior: além dos bandidos de sempre, consta que aqueles velhos pitboys de Ipanema estão saindo de suas tumbas (do armário eles não saem...) para promover a volta dos coiós e do terror homofóbico sobre o público da Farme.

4) NOVIDADE. Bem ou mal, o Rio tem sido por muito tempo o principal destino de todo mundo. É bom variar. As festas do réveillon carioca foram todas meio caídas, um claro sinal de que a cena de lá precisa de renovação. Nem a pool party da Rosane (que no carnaval 2006 era apontada como "o futuro da cena carioca") se sobressaiu: a locação que ela conseguiu infelizmente não chega nem aos pés da saudosa Estação do Corpo. O público quer novidades, e o Rio ainda não se mexeu o suficiente para isso. E vamos combinar: o Rio a gente freqüenta o ano todo, é fácil de ir em qualquer fim de semana. Não precisa ser Carnaval... já Floripa pede uma ocasião especial, e é essa a melhor hora para se visitar a ilha, pelo menos para quem quer ferver.


5) AMIGOS. Para muitos, o melhor Carnaval é aquele em que seus amigos estarão. E, seja pelo "bode" de Rio, seja pelo chamariz da The Week, seja pela simples vontade de arriscar, muita gente está apostando em Floripa neste ano - não só os habituais paulistas e sulistas, mas brasilienses, mineiros e até alguns cariocas. Por isso, se seus amigos resolveram descer para Santa Catarina, você tem mais um motivo para ir também.


CINCO RAZÕES PORQUE VOCÊ DEVERIA ESCOLHER O RIO:

1) ESTRUTURA. Floripa com chuva pifa. Se São Pedro fica de mal da região Sul do País (que é a primeira a receber as frentes frias da Argentina !) e o tempo fecha, não há o que fazer, não há plano B. Floripa não tem estrutura, não tem gastronomia, não tem cultura, não tem nada. Até o número de salas de cinema é pífio. Já no Rio... os humores também azedam quando o tempo fecha, mas dá pra escapar do fracasso de diversas maneiras. Bons restaurantes, bons centros de compras, um bom circuito cultural e, por que não, uma sauna movimentadíssima garantem ocupação enquanto as festas da noite não chegam.

2) CIRCULAÇÃO. Em Floripa você precisará de carro para tudo, e só Deus que vê tudo lá de cima sabe como o trânsito em Floripa é uma merda. A hora da saída da praia é um horror: o engarrafamento começa no final da Mole, dá a volta na Lagoa da Conceição e se prolonga em direção ao Centro. No Rio, você faz praticamente tudo a pé o tempo todo (quando muito, num ônibus rapidíssimo se você está hospedado no começo de Copa) e só vai pegar um táxi (baratinho, se comparando com os pouquíssimos da ilha) na hora de ir para a festa.

3) CORPOS. Já falei sobre isso mais acima, mas o que pode ser inconveniente para alguns é certamente muito bem-vindo para outros. Se seu negócio é corpão acima de tudo, seu lugar é e sempre será o Rio. Tem corpão galã (sim, daqueles lindos de morrer), corpão camarão (corta-se a cabeça e come-se o resto), corpão cafuçu (rústico e viril), corpão frutinha (que às vezes só se revela como tal na hora H), corpão michelle (vem com taxímetro acoplado), corpão poliglota (pencas de gringos que fazem as circuit parties mundo afora) e corpão semi-analfabeto (que, não raro, acaba se engraçando pelos corpões da categoria anterior). De todas as cores e tamanhos.

4) VERSATILIDADE. O Rio pode até focar demais nas barbies, mas seu Carnaval também tem opções para as outras tribos e é o mais completo para atender a todos. As barbies batem cartão na Farme e nas festas dirigidas a elas (X-Demente, Pool Party etc.), os modernos encontram seus pares nos clubes Dama de Ferro e Fosfobox e em festinhas de electro, e quem prefere uma diversão mais, digamos, bagaceira se esbalda no pós-praia do Bofetada, na sempre lotada Le Boy e nos babadeiríssimos bailes do Elite, onde rola de tudo (de tudo meeesmo: barba, cabelo & bigode !). E você ainda pode transitar entre esses universos, combinando os ingredientes à sua maneira e montando um roteiro pessoal rico e único - coisa que Floripa jamais poderá te dar.

5) MÚSICA BOA E VARIADA. Em Floripa, 110% das festas e projetos para esse carnaval é de house tribal, e, mais ainda, de qualidade variada - não são poucas as chances de você acabar dublando "Alone" mais de uma vez no seu Carnaval. Já o pacote Rio de Janeiro dá de brinde um time considerável de bons DJs gringos de vários estilos diferentes. Tem DJ Hell na sexta, Deep Dish no sábado e, dizem, Peter Rauhofer na segunda e na terça. Ah sim, e se a sua praia é house tribal mesmo, ainda tem Tony Moran, Offer Nissin, e a inevitável overdose de Ana Paula nas duas X-Dementes. Musicalmente, é Rio mesmo e não tem pra mais ninguém.