Depois de treze anos de muita ralação, era justo que eu desse uma desacelerada e tirasse um tempinho para mim. Pela primeira vez na vida, eu me vi sem nenhum compromisso ou obrigação fixa. Dormi e acordei mais tarde. Li mais jornal e fui mais à academia. Viajei. Fiz coisas que nunca pudera, como percorrer a ciclovia da Marginal até Interlagos e dar um giro pelos principais bancos do mercado, atrás da melhor remuneração para minhas economias. Resolvi algumas pendências, incluindo a Carteira do Trabalho, que eu ainda não tinha. Aguentei o último filme do Lars Von Trier até o final da sessão. Conheci muitos restaurantes novos, sendo que alguns renderam assunto para o blog. Permiti um descanso do próprio blog, como vocês devem ter percebido.
E foi ótimo. Aproveitei cada minuto dessa pausa. Não senti a menor culpa de ficar debaixo do edredom, enquanto os demais mortais enfrentavam o frio da rua a caminho do trabalho. No fundo, eu sabia que os momentos de ócio seriam mais escassos quando a carreira de jornalista começasse a engrenar, então tinha que aproveitar essa chance. Todo mundo deveria se dar o luxo de um retiro sabático de vez em quando.
Agora minha folga está chegando ao fim. Fui aprovado para o Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado do Grupo Estado, responsável pelo jornal O Estado de S.Paulo. O curso, oferecido uma vez por ano a 30 jovens jornalistas, compreende pouco mais de três meses de treinamento, em período integral. Além de aulas e palestras, terei a oportunidade de participar da rotina da redação. Vou aprender muito, conhecer bastante gente, tenho certeza de que será uma experiência incrível, por menos que eu saiba sobre o que me espera por lá. Essa nova fase da minha vida começa no dia 1º de setembro. Estou muito feliz.
Será também uma boa oportunidade para repensar os caminhos deste blog. Ao longo dos últimos cinco anos, procurei desenvolver um estilo e deixar minha marca. Meus textos são longos; depois de burilar aqui e aperfeiçoar ali, eles levam horas para ficar prontos. Faço assim porque gosto, mas a nova rotina vai me levar a rever esse método. O ritmo da redação vai me condicionar a pensar e produzir com mais rapidez - e, de qualquer maneira, deixará menos tempo para o blog. Talvez seja hora de me render a um formato mais leve, ágil, com postagens mais ligeiras e maior possibilidade de interação com os leitores. Como tem sido no Facebook, onde escrevo coisas menores e acabo recebendo um feedback muito maior. Para durar, é preciso saber se adaptar aos novos tempos.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
O fim do período sabático
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Thiago Lasco
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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Meu novo blog: Thiago Lasco
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Thiago Lasco
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sábado, 29 de janeiro de 2011
Nova temporada
Hoje dou as caras por aqui com o mesmo prazer de quem reencontra um bom amigo depois de um longo tempo e, por conta disso, tem várias novidades para contar. Meu 2011 não poderia ter começado melhor: voltei da minha viagem de réveillon direto para meu primeiro emprego como jornalista. Estou trabalhando como repórter na revista Time Out São Paulo, versão paulistana da famosa publicação londrina, que também circula em outras metrópoles do mundo (são uns 40 títulos no total). Assim como o título original, a revista seleciona o que acontece de mais bacana na cidade em relação a bares, restaurantes, teatro, museus, shows, compras e baladas. É um grande privilégio já começar em um título que tem a minha cara, enquanto tantos jornalistas dão os primeiros passos em jornalecos de bairro ou revistas que não têm nada a ver com o que curtem. Entrar no ritmo veloz de uma redação, produzir conteúdo em inglês, tentar se colocar no lugar dos visitantes de fora (mas sem ser didático demais), tudo está sendo um aprendizado. Estou muito feliz.
Para marcar o início dessa nova fase, mudei minha assinatura. Sai o Thiago Magalhães, advogado, entra o Thiago Lasco, jornalista. Não foi uma decisão fácil. Sempre gostei da sonoridade do Magalhães, um sobrenome que tem uma métrica, um peso. Tem muito do meu DNA, da minha história, do meu saudoso pai que sempre será o meu ídolo. Ainda que esteja virando a página da advocacia, eu não queria me sentir cuspindo no prato em que sempre comi. Por outro lado, Thiago Magalhães existe aos milhares. Eu certamente seria confundido com outros. "Manda essa pauta pro Thiago Magalhães". "Qual, o da Time Out, o de Curitiba, o do sindicato ou o saxofonista?" Thiago Lasco sou só eu, quem ouvir já saberá de quem se trata, vira grife. É um nome curto, fácil de guardar. E, já que estou num veículo internacional, fácil também para um gringo falar ou escrever (Magalaes? Magallanes?). Como "Thiago Lasco de Magalhães" seria longo demais para os padrões vigentes, agora sou o Thiago Lasco, e pronto. Ainda não assimilei totalmente, mas daqui a pouco eu me acostumo.
Se eu já vivia investigando lugares novos por conta própria, com meu trabalho novo esses contatos só tendem a se ampliar. Assim que tiver um tempinho, vou dar um jeito de fazer minha listinha 2011 de restaurantes para conferir, em São Paulo e no Rio. No capítulo baladas, estou vivendo um momento mais diurno, mas já já ele passa, e aí pretendo dar uma diversificada. Fui conhecer o D-Edge 2.0 numa quinta, quando comemorei meu emprego novo saboreando o néctar sonoro do John Digweed. Quero sair da rotina, ir numa Ursound, entender o hype do Bar do Netão, conhecer o famoso ABC Bailão. E também voltar a me abrir para lugares menos gays, ver gente diferente, redescobrir a Vila Madalena e outras cenas. Outro dia fui conhecer o Back Gastrobar, ali naquele espaço onde funcionou o saudoso Uma Refeitório. Clima gostoso, comidinhas diferenciadas, música bacana, adorei. Outras descobertas virão.
Esses novos ventos vão soprar mais forte por aqui a partir de março, quando eu terei me desligado definitivamente do escritório. Sem ter que conciliar os dois empregos, passarei a contar com as manhãs livres para fazer freelas, cuidar do corpo, ler os livros que fui sempre adiando e, é claro, dar uma atenção maior para o blog. Vai dar inclusive para pensar naquela repaginada visual que este espaço vem pedindo faz tempo. Ano novo, vida nova - e nova temporada!
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Thiago Lasco
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terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Encruzilhada
Comecei este blog porque queria um espaço em que eu pudesse escrever por prazer, o que eu não tinha no meu dia-a-dia de advogado. Eu estava traçando meu plano de fuga rumo ao jornalismo, começando a faculdade, e o blog me ajudaria a treinar meu texto e também fazer novos contatos. Como a ideia era antes de tudo diversão, eu decidi que não me forçaria a postar quando não estivesse inspirado, porque não faria sentido ter mais uma atividade burocrática na minha vida. Eu queria que meus textos fossem gostosos - de escrever e de ler. Quando a coisa não estava fluindo, eu deixava o blog de lado e ia me ocupar com outra atividade, até que viesse um novo estalo para escrever. Sem muito compromisso, simples e descomplicado.
Este 2010 foi um ano extenuante para mim. O escritório, a faculdade e meu trabalho de conclusão de curso me sugaram completamente. Essa rotina acabou estreitando meus horizontes: vi menos filmes, provei menos comidas, conheci menos lugares novos, interagi menos fora do meu círculo habitual. Não sobrava muito tempo para nada disso. Agora que as coisas deram uma relativa acalmada, com o fim da faculdade, estou me dando conta do tamanho do meu cansaço. Eu me vejo em meio a uma crise criativa sem precedentes: não consigo escrever nada, travei totalmente. Estou levando o triplo do meu tempo normal para redigir este texto. Nunca me senti tão esgotado antes.
Ao mesmo tempo em que vivo esse cansaço acumulado, sinto que chegou a hora de repensar o blog. Estou escrevendo para quê? Para quem? Nesta época do ano, eu provavelmente teceria alguns comentários sobre a temporada de festas no Rio, e depois voltaria com algumas dicas de comidinhas de verão. Sempre achei uma delícia escrever sobre essas coisas. Mas será que ainda quero manter a mesma fórmula, e falar sobre os mesmos temas? Em 2008 e 2009, fechei o ano no blog com retrospectivas muito pessoais, em que escancarei para o mundo as coisas mais importantes que aconteceram na minha vida, as músicas que me marcaram, as comidinhas, os filmes, as jogações, as minhas metas para o ano seguinte. Será que eu quero continuar expondo a minha vida particular dessa maneira, gratuitamente? Resposta: não sei!
Para embolar ainda mais o meio de campo, neste momento estou correndo atrás de oportunidades como jornalista. E enviando o link do blog para possíveis contatos de trabalho - afinal esta é uma amostra relevante do meu texto, assim como os freelas que eu já fiz. Com isso, passei a ver o blog com olhos ainda mais críticos. Começo a questionar se os textos que eu escrevo não se comunicam com um público restrito demais. A quem interessa este blog? Será que eu não voltei a falar apenas para uma panelinha? Será que eu não deveria ampliar o alcance dos meus textos, diversificando o repertório? Continuo sendo um cara bem resolvido e assumido, não pretendo me esconder em armário algum, mas será que eu não deveria deixar esse meu "olhar gay" de lado, até para que os outros não enxerguem em mim um jornalista limitado? Ou esse olhar é uma marca pessoal e, pelo menos no blog, eu não deveria descaracterizá-lo?
Sei que meu tesão de escrever não terminou. Ao contrário: a tendência é que eu passe a escrever com mais gosto, na medida em que for conseguindo conjugar trabalho e vocação. Acho que preciso apenas descansar mais um pouco, me permitir umas férias, respirar outros ares. E então voltarei renovado. Por isso, o blog vai continuar em pausa por mais um tempinho. Ainda não sei dizer se vou fazer mudanças; talvez elas venham aos poucos, sutis, nada brusco. Mas sei que minha vida será bem diferente em 2011, e isso fatalmente vai se refletir nos meus textos. Vamos ver quais respostas eu irei encontrar para todas essas perguntas que faço agora. Por enquanto, agradeço a vocês, amigos e leitores, pelo carinho, pelo prestígio e pela convivência. Nos vemos por aí!
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sexta-feira, 23 de julho de 2010
Enquete para meus leitores
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Thiago Lasco
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segunda-feira, 12 de julho de 2010
Nada se cria... tudo se copia!
A internet permite o compartilhamento de informações e a socialização do conhecimento. A internet é de domínio público. Quem escreve em um blog precisa lidar com o fato de que seu conteúdo será lido, consumido e retransmitido para muitas outras pessoas; quanto mais interessante ou relevante for esse conteúdo, mais ele irá circular. E, às vezes, ele também será... copiado. Não dá para ter um ciúme doentio dos textos: afinal, eles são feitos para serem lidos. É melhor que ganhem o mundo do que fiquem trancados dentro de um disco rígido, inéditos e condenados ao desconhecimento eterno.
Ainda assim, fiquei abismado com a cara-de-pau de um certo blogueiro - que, por incrível que pareça, estava na minha lista de blogs e com quem eu vinha até mantendo um cordial relacionamento virtual, de troca de comentários e gentilezas.
Não é que ele tenha cometido algum deslize isolado: o buraco aqui é bem mais embaixo. O rapaz simplesmente copiou todas as resenhas gastronômicas que eu elaborei neste blog, e se apropriou dos textos, publicando-os por aí... como se tivessem sido escritos por ele! As imagens que ilustram este post são de um site chamado Kekanto.
Sabem os restaurantes que recomendei nesse meu guia mais recente, de 28 de junho? Lembram dos lugares que indiquei para meu guia de lugares bons e baratos? Lembram da resenha do Be Fresh? Do Ban Kao? Estão todos aqui, "escritos" e "assinados" pelo ilustre usurpador que atende pela alcunha virtual de "Edu Pampublikong". Até dicas do Rio, como o Market, ele copiou. O pior é que o moço nem se deu ao trabalho de disfarçar, mudar uma vírgula que seja. Pra que ter o mínimo de trabalho intelectual, se o espertinho pode levar os louros com o meu texto mesmo, que está prontinho e redondo, com a minha pitada autoral e tudo, néam?
Prezado "Edu", LADRÃO de criações e trabalhos alheios: essa sua atitude calhorda é muito mais do que um triste papelão. Demonstra que você é uma pessoa fraca, preguiçosa, sem talento,
medíocre demais para tentar produzir algo de destaque com sua própria capacidade e mérito. Mais ainda: revela que você não tem caráter. Não tem o mínimo de respeito por mim (embora aproveite para fazer a simpática comigo quando vem aqui roubar meus textos), nem pelos meus leitores. Aliás, nem pelos seus eventuais leitores, afinal de contas você também
está os enganando, sendo trapaceiro com eles, levando-os a acreditar no que não passa de um plágio sem pudor. E MAIS ainda, como se tudo isso já não fosse suficiente: sua conduta é um ato ilícito - civil e penal - e você pode acabar sendo processado. Pessoas metidas a malandras como você desmerecem a internet, denigrem os blogs, envergonham o bom jornalismo - e fazem a diferença para construir um Brasil cada vez mais desonesto e pior para se viver. Shame on you!
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Thiago Lasco
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segunda-feira, 5 de julho de 2010
Rapidinhas e fresquinhas
CONFESSIONS 2, O RETORNO A cantora australiana Kylie Minogue vende bem e lota shows na Europa, mas nunca chegou a emplacar nos Estados Unidos. Isso pode mudar com seu próximo álbum, Aphrodite, que será lançado oficialmente amanhã. A produção foi assinada pelo inglês Stuart Price, que tem uma pegada dançante infalível - ele é o homem por trás do clássico Confessions on a Dancefloor, de Madonna. Como era de se esperar, o novo disco de Kylie foi todo pensado para as pistas, sem baladinhas, e está sendo recebido com entusiasmo pela crítica especializada. O adorável primeiro single, "All The Lovers", ganhou clipe fofo e pansexual, bem ao gosto do público gay, que vê nela uma espécie de madrinha. No último fim de semana, a diva foi o destaque da Semana do Orgullo de Madri, onde cantou para 1 milhão de pessoas. Aphrodite tem tudo para virar febre entre as bees e, quem sabe, ajudar nossos ouvidos a descansarem da Lady Gaga. [UPDATE: acabo de escutar Aphrodite e achei o entusiasmo da crítica exagerado. O disco não é tão legal assim (nem tão dançante), embora tenha alguns acertos. A minha opinião, vocês podem ler dois posts acima].
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Thiago Lasco
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quinta-feira, 24 de junho de 2010
O príncipe do momento
Estou vivendo uma daquelas semanas decisivas em que chovem prazos apertados e não há tempo a perder - nem com o blog. Mas há momentos em que a gente precisa dar uma parada e ocupar nossa cabeça com assuntos menos sérios e mais amenos - até para recuperar o fôlego e conseguir aguentar o tranco. Nessas horas, uma das minhas leituras preferidas é o Made in Brazil, blog do querido Juliano Corbetta, que funciona como uma vitrine da beleza brasileira para o mundo. Adoro ver os modelos, as coleções e também as novidades pinçadas pelo olhar apurado e preciso do moço, em inglês sempre impecável.
O modelo das fotos é o Bernardo Velasco, clicado pelo craque Lucio Luna [outras fotos dessa série, você vê aqui]. Quando ele posou para o finado site The Boy, no final de 2008, já era bonito, mas não chamou minha atenção: faltava nele um je ne sais quoi de homem que, eu pensava, só viria com a idade. Mas ele não demorou muito para ficar no ponto, e nem precisou perder o rostinho delicado. Talvez tenha sido questão de encontrar os fotógrafos certos. Mas o fato é que Bernardo finalmente me conquistou.
E me conquistou ao ponto de se tornar o meu modelo predileto, destronando até mesmo o antigo príncipe cafuçu que dominava os meus sonhos, Ramirez Allender (que deu uma boa sumida). Bernardo consegue um equilíbrio dificílimo: é sarado, masculino e viril sem deixar de ser esguio e até delicado. E ilumina todas as fotos em que aparece com esse rosto limpo, perfeito, sereno, quase angelical.
Além de Bernardo e Ramirez (que pode me reconquistar se quiser, eu prometo facilitar!), vou nomear mais oito para fechar um dream team redondo com dez modelos. Entre os bofões, ainda não consegui tirar da cabeça o Malvino Salvador; o Diego Cristo tem um belo olhar e não faz feio quando deixa a barba crescer. No capítulo cafuçus, as passarelas nunca foram muito generosas, então só me ocorre o paraibano Carlos Freire, com sua pele dourada e seu físico impossível. Loiros e germânicos não são meu forte, mas, se eu tiver que escolher, não tem pra mais ninguém: é Rodrigo Calazans e Jonas Sulzbach na cabeça. Homens com rostinhos de bebê tampouco me instigam, mas o Edilson Nascimento e o Renato Ferreira merecem uma menção honrosa. E, para fechar em dez, como eu não achei um link só do Erasmo Viana no MIB, eu pego o André Ziehe - que veio na mesma leva do Evandro Soldati, mas deve ser bem mais atraente ao vivo do que o galã (?) de Alejandro.
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Thiago Lasco
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Floripa 2010: roteiro gastronômico
Eu juro que ia postar aqui um roteirinho gastronômico caprichado de Floripa. Esse é o tipo de texto que eu adoro escrever. Mas as circunstâncias não estão colaborando comigo: tempo, tarefas, disposição, problemas paralelos, tudo conspira contra. Como a largada já é depois de amanhã, eu já estava ficando preocupado e achando que ia acabar deixando meus leitores na mão. Até que os gentilíssimos Destemperados me avisaram que postaram um roteiro sob medida para quem vai passar o carnaval na ilha. Li e respirei aliviado: gostei muito.
Das indicações na região da Lagoa (as mais úteis para as bees, que vão aderir ao combo Mole-TW), a maioria já me era familiar: o italiano Mar Massas (um clássico), o asiático Thai (sempre tento ir e nunca consigo, mas desta vez não passa; pretendo jantar lá no domingo, alguém topa?), o charmoso Bistrô Isadora Duncan (meu favorito até hoje), os frutos do mar do Ponta das Caranhas. Mas também há dicas no Centro e na parte norte da ilha, incluindo umas boas boquinhas al mare na cena jetsetter de Jurerê Internacional. O post é bem redondinho, tem fotos dos pratos e links para resenhas individuais dos restaurantes, com endereço e serviço. Passem lá e prestigiem!
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Thiago Lasco
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quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Conclusões
Diante da surpreendente repercussão do post anterior, resolvi me manifestar novamente, até para dar um fecho a toda essa discussão. Assim, passo a fazer minhas últimas considerações e, com elas, dou o assunto por encerrado. Este post anterior e o anterior não receberão mais comentários: os 101 deixados já são mais do que suficientes. Obrigado a todos pelo interesse e até a próxima.
1) Fiquei surpreso com a comoção de algumas pessoas próximas ao Duda, que se mostraram chocadas com as minhas palavras – porque ele é novato, bem-intencionado e tal. De repente, eu virei o algoz que pegou pesado com o rapaz, e ainda fui responsabilizado por comentários que outras pessoas fizeram (!).Ora, tudo o que fiz foi relatar o que vi e vivi na porta da festa, da forma mais honesta possível, sem um pingo de má fé, nem ataques gratuitos. E outra: que melindre é esse, o menino não pode ser criticado?! Quem se relaciona com o público (produtores, artistas e até blogueiros) vai receber críticas sempre. Se o Duda for esperto, não vai levar isso pro lado pessoal e ainda vai tirar do episódio algo de válido, para aprimorar o seu trabalho. Não torço contra ninguém, e faço votos para que o Café Com Vodka contorne as falhas e dê conta do sucesso repentino.
2) Eu sei muito bem que dar tratamento diferenciado a algumas pessoas – e a entrada facilitada se insere nesse tipo de cortesia – é uma prática comum no mundo inteiro, e não tenho nenhum problema com isso. (O Vítor, por exemplo, ilustrou seu comentário com exemplos bastante coerentes). Ninguém da fila vai morrer porque meia dúzia de pessoas entrou na frente. O grande problema do Café Com Vodka foi que eles deixavam entrar levas de cinco, oito, doze pessoas, sucessivamente, enquanto a fila ficava completamente abandonada, à deriva, sem jamais dar um passo à frente, em uma situação que se prolongou indefinidamente. Isso não é atitude de lugar sério e profissional, sorry.
3) Aos adeptos do discurso de que “no Exterior também é assim”, vale lembrar que no Berghain-Panorama – um dos clubes mais concorridos do mundo, que fica em Berlim – todos sem exceção esperam pacientemente pela sua vez na fila, ainda que isso possa levar bem mais de uma hora. E os que se acham espertos e tentam furar a fila são barrados na porta e exemplarmente expulsos, na frente de todo mundo.
4) O que muitos leitores não puderam ou não quiseram ver é que o episódio do Sonique era um gancho para uma reflexão muito maior – que pelo visto foi bastante incômoda para alguns, dado o número de respostas agressivas e desaforadas que recebi. No mínimo, essas pessoas se olharam no espelho, não gostaram do que viram e prefeririam que ninguém tivesse parado para pensar nessas questões, não é mesmo?
5) Se minha intenção era saber dos leitores se furar fila se tornou uma prática aceitável, a verdade é que o post cumpriu seu papel, já que os comentários acabaram respondendo às minhas indagações. E uma grande parte endossou essa prática, considerando-a adequada em qualquer situação. Para essas pessoas, eu tinha mais é que passar na frente dos outros mesmo. Como não fiz isso, eu me tornei culpado pelo que passei ali (!) e, mais ainda, fiz o papel de “otário”. O que nos leva a uma conclusão interessante: educação, civilidade e respeito ao próximo são tidos como valores de otário. Anotaram? (O negócio é cada um por si: se o balcão do bar estiver cheio, é só dar um chute na canela de alguma bicha – a mais franzina, evidentemente – que o problema logo se resolve).
6) Aos eventuais desavisados, esclareço que eu deixei de furar a fila por opção – não por “falta de opção”. Não se trata de mágoa-de-cabocla ou chororô de quem “adoraria ser VIP, mas não é e não se conforma com isso”. Eu tinha meios para passar a perna nos demais e poderia ter lançado mão deles, mas não me acho melhor (nem pior!) do que as outras pessoas que estavam esperando por sua vez. E para falar com o Duda ali mesmo, na hora (o que muitos disseram que teria sido o correto), eu seria obrigado a furar a fila primeiro, já que ele obviamente não estava na calçada do clube.
7) Falando em melhor ou pior, é curioso como existem pessoas que se realmente consideram melhores do que as outras. Alguns anônimos (sempre eles) tiveram a capacidade de escrever coisas tão surreais que não dá nem para levar a sério (eu me absterei de transcrevê-las, para não dar um ibope que eles não merecem). Essas bichas iludidas juram mesmo que são diferenciadas, de uma casta superior – e não é todo mundo que pode ou merece freqüentar os mesmos espaços que elas. Só queria saber quem foi que colocou isso nessas cabecinhas ocas – que provavelmente não têm berço algum, a julgar pela péssima educação que tiveram. Aliás, um recado para o dono do Palio 95: você veio anunciar no lugar errado. É que todas aqui são riquíssimas, poderosíssimas, bem-relacionadas e lindíssimas, ou seja, “muita areia” para o seu carrinho. Mas cuidado: se bobear, alguma delas vai comprar seu Palio na surdina, e ainda pagar com um cheque sem fundos...
8) No fim das contas, eu agi conforme minha consciência e não me arrependo. Foi até bom saber que ninguém leva isso a sério: quando eu me deparar com uma grande fila, e por alguma razão importante eu não puder esperar, não me sentirei o último dos seres se alguém facilitar minha entrada. Mas ainda prefiro não fazer isso e, no caso de noites problemáticas (como o próprio Café Com Vodka), chegar cedíssimo e encontrar a festa vazia ainda é um mal menor. Acima de tudo, o que sei é que não pretendo viver esse episódio nunca mais. Acho que 20 minutos de fila é um limite razoável. Mais do que isso, você acaba perdendo o bom humor e estragando uma noite que poderia ser melhor passada em outro lugar.
sábado, 3 de outubro de 2009
Rapidinhas com um pouco de tudo
SORVETE NA TESTA 2.0 Zapeando os canais anteontem, acabei caindo no VMB 2009, a premiação anual da MTV (que um dia já foi bacana, lembram?). Duas palavras definem: vergonha alheia. Foi constrangedor. A pergunta que não quer calar: qual a idade mental do público-alvo com quem eles tentam se comunicar: oito anos? Alguém realmente acha graça nas palhaçadas da emissora? Fazer discurso de agradecimento berrando, e dizer que algo é "muito foda", por acaso é... muito foda? Mó atitude, véi? Premiar o "Twitter do ano", êta falta do que fazer, hein!? E o Marcos Mion ainda existe? Devo ter virado um velho anacrônico, só pode ser. A única coisa que prestou foi ver a cara de bunda da Mallu Magalhães e do Nando Reis quando a banda Fresno foi anunciada como artista do ano.
SEGURE COM AS DUAS MÃOS Tenho mais uma larica superluxo para dividir com vocês. Desta vez, o destaque gastronômico não poderia ter um nome mais fuleiro: Zé do Hamburger. Quando me indicaram, logo pensei em uma Kombi estacionada em frente a um desses terminais de ônibus da periferia. Nada disso: é uma lanchonete apertada, mas charmosa, na rua Caiubi, em Perdizes. A carne do hambúrguer de picanha é suculenta, mesmo tendo quase dois dedos de espessura. E o Diner Burger - que leva alface, tomate, pedacinhos de bacon, molho de queijo, um toque de barbecue e finíssimas onion rings - é simplesmente arrebatador. O reinado do St. Louis como melhor hambúrguer de SP corre perigo.
JOGA PEDRA NA GENI O Don Diego tem sido um dos meus blogs gays preferidos ultimamente. Longe da superficialidade que domina tantos outros espaços, o rapaz propõe reflexões lúcidas e muito bem articuladas sobre comportamento, sexualidade e outros temas do nosso cotidiano - mas sem ser chato. Dia desses, ele me mandou o link deste post de um blog americano, comentando a repercussão do assassinato de um homem dentro de um parque em Atlanta, às 2 da manhã, em junho passado. Na opinião pública, houve um senso comum (latente, não escancarado) de que ele teve o que merecia, afinal estava ali fazendo pegação. O mais curioso é que muitos dos que endossaram tal discurso também eram gays - o que mostra como esse assunto ainda é tratado com recalque e hipocrisia até mesmo dentro do meio.
BRAINWASH CATÓLICA, NÃO "Você é favorável ao ensino religioso facultativo nas escolas públicas?" Essa pergunta é objeto de uma enquete que o Senado brasileiro está fazendo em seu site. Por trás disso, está um acordo que o Brasil assinou com a Santa-Sé e que é uma violação ao Estado laico. Por um simples motivo: não se trata de um ensino pluralista, que contemple as religiões em geral, mas tão somente a doutrina católica, que seria imposta goela abaixo nas escolas públicas. O próprio Vaticano já confirmou isso, e a Igreja Católica brasileira, como não poderia deixar de ser, está fazendo a maior propaganda para os fiéis votarem a favor. Se você não concorda com mais essa ingerência e acha que religião deve ser uma escolha pessoal, clique aqui e vote contra. A enquete está no canto direito inferior da página.
MALANDRO É O GATO E falando em religião, fiquei passado na manteiga de cacau com a entrevista com um ex-pastor da Igreja Universal do Reino de Deus que foi publicada pela revista Época, há coisa de duas semanas. A ovelha desgarrada, Gustavo Alves da Rocha, explica com detalhes como Edir Macedo forma seus pastores e os ensina a arrancar dinheiro dos fiéis. Lógico que temos de deixar a ingenuidade de lado, ler nas entrelinhas e lembrar que as motivações por trás de uma reportagem como essa não são necessariamente nobres - nem as do ex-pastor, que Edir deixou na miséria, nem as da Globo, que se sente acuada pelo avanço da Record. Ainda assim, a matéria vale o confere. Leia aqui.
A VITÓRIA É SÓ O COMEÇO Claro que fiquei superfeliz com a notícia de que nosso querido Rio de Janeiro vai sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Simbolicamente, isso nos traz um reconhecimento e uma visibilidade que são muito bem-vindos (ainda que isso custe ao país um preço que certamente será cobrado). Comemoremos, então, pois temos todo o direito. Mas não deixemos que o ufanismo canarinho nos distraia e nos imbecilize, como já fez em tantos outros carnavais. O Rio - e o Brasil - têm muita lição de casa para fazer. Até a Copa e os Jogos, não dá pra virar Primeiro Mundo, mas dá pra promover melhorias drásticas em diversos aspectos, dos mais localizados (o transporte urbano) aos mais conjunturais (sobretudo a segurança). Não vamos desperdiçar essa chance de arrumar a casa - para os convidados e para nós mesmos. Se esse empurrão não servir, então o que servirá?
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Thiago Lasco
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Rapidinhas de segunda
ÜBER FAIL Depois de tantos comentários sobre Brüno, tive que ir conferi-lo e tirar minhas próprias conclusões. Não consegui entender o hype: achei o filme muito, muito ruim. Diziam que era um tapa na cara dos homofóbicos, mas não vi ali nenhuma mensagem realmente educativa para os héteros. As pretensas "críticas" que o filme faz são rasas e superficiais e ele ainda reforça estigmas negativos, levando o público leigo a inevitáveis associações entre o ridículo protagonista e os gays em geral. Como espectador gay, não me senti vingado, e sim constrangido. Tudo isso seria perdoável se ao menos o filme fosse engraçado, mas o humor eurotrash de Sacha Baron Cohen consegue ser apenas infame, chulo, vulgar e de péssimo gosto. Talvez eu não teria tido uma surpresa tão ruim se tivesse visto Borat. Agora entendo que tê-lo evitado foi uma decisão acertada.
BOCA LIVRE Com as contas dos jantares cada vez mais altas, a gente fica bem feliz com a notícia de mais uma Restaurant Week em São Paulo. É uma ótima oportunidade para testar lugares novos, ou mesmo comer em restaurantes que normalmente não caberiam no orçamento. Depois do sucesso das edições anteriores, o número de casas participantes cresceu, assim como a duração do festival: agora são catorze dias (de hoje até o dia 13/9). Só os preços continuam os mesmos - R$27 no almoço e R$39 no jantar. Entre as novidades, endereços caros como Antiquarius (estrelado português com sede no Rio) e Porto Rubaiyat (que serve versões 'populares' de seus peixes em sistema de bufê). Confiram os menus no site no festival e programem-se - os endereços mais concorridos estão trabalhando com reservas e esgotando rapidamente a capacidade diária.
LUVA DE PELICA Já que é impossível elogiar e bater palmas para tudo, quem consegue dar seu recado sem criticar abertamente e ganhar desafetos se sai melhor. A coluna de Monica Bergamo na Folha de sábado mostrou a estreia de Jesus Luz como DJ no Royal, em São Paulo. Consta da coluna que o toy boy de Madonna tocou um insosso poperô comercial, levantando os braços com os dedinhos apontados para o alto, batendo palmas e gritando "uhu". Na tentativa de parecer cool (ou esconder sua insegurança), o moço escondeu o rosto com óculos escuros, cafonice típica de seu padrinho Paul Oakenfold. Esperto, o repórter conseguiu retratar o mico de Jesus sem se comprometer. Bastou colher a opinião do público: os gongos dos freqüentadores renderam ótimas aspas e, para todos os efeitos, o jornal não meteu o pau no menino.
CAFUÇU É O TEU C... Quem acompanha este blog há mais tempo já sabe que, quando o assunto é homem, tenho um especial apreço por tipos rústicos, morenos e bem brasileiros, desses que povoam as ruas de cidades como Recife e Salvador. Aprendi com os pernambucanos a chamá-los de cafuçus, incorporei o termo imediatamente e vários colegas blogueiros fizeram o mesmo. Dia desses eu estava conversando com um baiano lindo, chamei o cara de cafuçu e ele ficou enfezadíssimo! Eu disse a ele que, saindo da minha boca, aquilo era um elogio carinhoso (já chamei caras de "meu cafuçuzinho" mais de uma vez) e, mais calmo, ele explicou que eu deveria deletar essa palavra, especialmente quando estivesse na Bahia. Além de ser gíria de pernambucano, povo com o qual o baiano tem "quizila", ali ela tem uma conotação extremamente pejorativa. Prometi me policiar e fiquei agradecido: não quero correr o risco de perder nenhum cafuçu-delícia só por tê-lo chamado elogiosamente de cafuçu...
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domingo, 28 de junho de 2009
No dia do orgulho, nosso filho vem ao mundo!
Faz quase um mês que eu anunciei que iria escrever algo que chamei informalmente de "cartilha gay". Muitas têm sido as queixas contra a apatia generalizada que domina o nosso meio: alienado, egoísta, incapaz de fazer sua parte para que as conquistas sociais e políticas de que tanto precisamos efetivamente aconteçam. Essas críticas de fato procedem (embora elas não sejam aplicáveis somente aos gays, como eu já disse aqui), mas o simples fato de reclamar não basta e não resolve os problemas. Por isso, achei que não seria má ideia sugerir uma lista de atitudes viáveis e possíveis, para que a classe média gay - que é o público que lê meu blog, convive e se comunica comigo - se encorajasse a sair da inércia e percebesse que fazer algo pela causa LGBT não é tão chato e difícil como se pensa.
O entusiasmo com que minha iniciativa foi recebida mostrou que ela estava longe de ser redundante. Existem inúmeros grupos e ONGs atuando em diversas searas pelos nossos interesses, mas por algum motivo, eles não conseguem se comunicar com todos nós - seja pelo uso de fórmulas batidas e discursos pouco atraentes, seja pelo próprio desinteresse (ou mesmo preconceito) da classe média pelo seu trabalho. Nesse sentido, a "cartilha" serviria como um esforço paralelo, não competindo com a militância, mas somando forças com ela, tentando alcançar um público que ela não atinge. Afinal, o que importa é que mais pessoas se conscientizem de que os avanços tão sonhados são de responsabilidade de todos.
Eis que hoje, 28 de junho de 2009 - aniversário de 40 anos da Rebelião de Stonewall, pontapé inicial na luta pelos direitos LGBT em todo o mundo - a tal "cartilha" finalmente está no ar. Ela é o fruto de um trabalho conjunto, feito com muito carinho por mim e pelos demais blogueiros que abraçaram a ideia comigo: Cris, Gustavo, Isadora, Daniel e Jack. Foi um mês de dilemas, desafios e discussões, desde a escolha do visual [os dois logotipos finalistas ilustram este texto] até a maneira de abordar os temas mais sensíveis e polêmicos, que não poderiam deixar de ser tratados. Nesse período, aprendemos muito uns com os outros, não só pela experiência pessoal que cada um agregou à "cartilha", enriquecendo o produto final, mas pelo próprio fato de ter de pensar em grupo, conciliando ideias e vontades diversas, e colocando opiniões sem melindrar ou agredir os demais.
Ainda que nosso trabalho não tenha a pretensão de salvar o mundo ou catequizar as pessoas, temos a esperança de que ele causará um impacto social positivo em meio ao público a que ele se dirige. E isso nos enche de alegria e orgulho. Muitos alegam que a ideia de um "orgulho gay" é inadequada, porque não há razão para uma pessoa se orgulhar (ou se envergonhar) da própria orientação sexual. Concordo: ela é apenas um detalhe. Mas isso não significa que não tenhamos razões para estufar o peito. Gays ou não, temos que nos orgulhar daquilo que somos e também daquilo que fazemos pelas pessoas que nos cercam, ao cumprirmos nossa missão com honestidade. É exatamente essa a sensação que temos agora, ao dividir nosso trabalho com vocês. Confiram a "cartilha" aqui. E, se quiserem divulgá-la em suas páginas pessoais, os banners em três tamanhos estão aqui.
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Thiago Lasco
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segunda-feira, 8 de junho de 2009
Entrevista para o site A Capa
A "cartilha gay" que estou produzindo com outros cinco blogueiros chamou a atenção do site A Capa e eles pediram que eu lhes desse uma entrevista, que foi publicada hoje. Para os que se interessarem, estou disponibilizando aqui a íntegra do material que eu mandei para o site, sem edição.
Fale um pouco de você. Sou paulistano, tenho 31 anos, sou advogado e estou fazendo jornalismo. Escrevo o blog “Textos, Contextos e Pretextos de Introspective”, onde falo sobre comportamento, gastronomia, noite, viagens, cultura, universo gay, enfim, assuntos que me interessam ou chamam a minha atenção, coisas que fazem parte da minha vida. Também sou colaborador da revista DOM.
Gostaria que você explicasse ao nosso leitor a ideia da cartilha. Quando se pensa nas conquistas sociais e políticas que ainda faltam aos gays, muita gente não se vê como parte da solução. As pessoas se habituaram a culpar “os outros”, a dizer que ninguém faz nada, mas elas mesmas não tiram a bunda da cadeira. Alguns são realmente comodistas, mas tem gente bem-intencionada que até gostaria de fazer algo, e não sabe por onde começar. São pessoas que nunca se interessaram pelo movimento LGBT e não pretendem se aproximar dele. A ideia da cartilha é mostrar o caminho das pedras para que essas pessoas, sozinhas, tomem atitudes úteis, construtivas, que tenham efeitos sociais positivos, e ajudem a melhorar a nossa situação. É uma iniciativa independente, feita por seis blogueiros, desvinculada de interesses de grupos ou partidos, e que não concorre ou compete com o trabalho da militância. Não sou o dono da verdade, nem tenho a pretensão de ditar regras para ninguém. Estou apenas fazendo algo para somar, aproveitando essa visibilidade dos blogs para provocar uma discussão saudável, que estimule outras pessoas a sair da inércia.
Pode adiantar algumas ideias da cartilha? São sugestões de pequenas atitudes que possam ser adotadas e incorporadas ao cotidiano. Ideias realistas, viáveis, que saiam do papel. A intenção é que as pessoas percebam que podem fazer a diferença, que isso está ao alcance delas, e se sintam encorajadas. Tem posturas essencialmente pessoais, ligadas à autoestima, às relações com a família e os amigos, à busca por informação, ao consumo consciente, e outras que, mesmo sendo individuais, envolvem algum tipo de participação social, como o trabalho voluntário, a colaboração com ONGs ou mesmo o contato com parlamentares. Nem todos os itens servirão para todos. Cada um vai absorver o que achar que dá, o que está dentro de sua realidade.
Você acompanha o trabalho da militância? Já foi a algum encontro de algum grupo? Você participou da Conferência GLBT (à época) Municipal e Estadual de São Paulo? Qual a sua opinião sobre o Fórum Paulista LGBT? Como você classifica a perseguição que a senadora Fátima Cleide (PT-RO) está sofrendo? Acompanho o trabalho da militância lendo as notícias relacionadas, quando são publicadas na Folha de S. Paulo e nos portais Mix Brasil, A Capa e Parou Tudo. Nunca fui a reuniões de grupos ativistas, nem aos eventos que você citou, e não estou a par do episódio envolvendo a relatora do PLC 122. Minha vida é outra. Contudo, isso não me descredencia ou desqualifica para produzir uma cartilha. Os cidadãos comuns têm todo o direito de se mobilizar para mostrarem o que pensam e protegerem uns aos outros, sem necessariamente aderirem a grupos ativistas. Quero mostrar com a cartilha que não é preciso se filiar a um grupo ou frequentar eventos para fazer o que está ao alcance de cada um.
O meio gay é alienado politicamente? A classe média gay é tão politizada ou despolitizada quanto a classe média hétero. Não somos mais alienados porque consumimos moda, cuidamos do corpo ou tiramos a camisa na boate. Essa associação automática do universo gay com a futilidade é perigosa. Observo que no meio que frequento existe sim uma apatia, um individualismo. Muitas pessoas realmente não estão nem aí para nada. Mas outras se importam e ficariam felizes em ajudar a causa, e foi para elas que resolvi bolar a cartilha. Esse individualismo e falta de participação não são exclusividade do meio gay, são parte da mentalidade contemporânea, têm a ver com um processo de esvaziamento do debate político a partir do regime militar, enfim, têm uma série de explicações que nada têm a ver com sexualidade. Sexualidade é algo mais básico e simples do que isso.
Como a militância poderia atrair mais pessoas? Não sou a pessoa mais indicada para responder a essa pergunta. É a militância que precisa encontrar suas fórmulas. Talvez seja o caso de mudar o discurso, buscar um repertório novo, uma linguagem mais palatável a quem está de fora.
Na sua opinião, qual partido político está mais próximo da comunidade gay? Como não acompanho de perto as atividades de cada partido, não quero correr o risco de ser injusto. Sei que boa parte deles, não só os de extrema esquerda como também PT e PSDB, tem subgrupos ligados à diversidade sexual. Mas eu, que estou fora do jogo político, não enxergo nenhum partido como realmente próximo da comunidade gay.
Você frequenta a parada gay? Vou todo ano há uns oito ou nove anos, nem lembro mais qual foi minha primeira. Ainda não desisti dela, mas não sei dizer por quanto tempo vou continuar. Só insisto porque acho que, se ela está desvirtuada, não é abandonando o barco que alguma coisa vai mudar. Em entrevista ao site Parou Tudo, o diretor-geral Manoel Zanini disse que acha que o peso político da Parada é muito maior hoje, com os tais três milhões. Eu já penso o contrário: não acho que a quantidade de gente na rua soma ao movimento, ela até o enfraquece. O recado político do “vejam como somos muitos” foi dado quando atingimos o primeiro milhão, nós realmente causamos impacto, mas a sociedade já absorveu a mensagem e isso não faz mais tanta diferença. “Dançar, cantar e celebrar” não é protesto. O lado lúdico é necessário, mas não basta, não leva a conquistas nem provoca uma mudança de mentalidade. Não sei qual a saída. Talvez deixar o trecho da Paulista para a militância discursar, abrir espaço para protestos e reivindicações, e ligar a música dos carros ao dobrar a Consolação, deixando a festa rolar a partir daí. Seria menos jogação, o povo da bagunça grátis acharia chato, viria menos gente? Tudo bem, não é do volume desse povo que a Parada precisa hoje. E festa, os clubes fazem muito melhor.
Você acredita em ações coletivas? Acredito que, em algumas situações muito específicas, a classe média em geral é capaz de se indignar, se mobilizar e pensar coletivamente. Mas, quando o assunto são as questões LGBT, sou meio cético. Acho muito difícil querer provocar uma convergência de vontades em um grupo que é tão diverso e plural, e também tão desunido, que tem mil preconceitos entre si. Quando eu escrevi que “a esperança não está nas atitudes coletivas, e sim nas individuais”, quis dizer que não dá para a gente ficar esperando uma união que pode simplesmente não acontecer. Por isso, defendo ações individuais, ao estilo “faça você mesmo”. Que podem se multiplicar e acabar tendo um efeito coletivo. Mas cada um por si, sem prestar contas e nem depender de ninguém. É importante que cada um se sinta impelido a ter sua própria iniciativa, ao invés de ficar esperando eternamente pelos outros.
E sobre a mídia gay, ela ajuda a despolitizar a comunidade gay? Qual a sua opinião a respeito? Não podemos fazer dela culpada. O problema é anterior. Se a “comunidade gay” é despolitizada, não é por causa da mídia gay, mas porque não lê jornal mesmo, da mesma forma que muitos segmentos héteros também não. É um erro pensar que basta ler os sites e revistas gays para estar suficientemente informado, quem pensa assim não enxerga muito longe. A consciência social e política, o senso cívico, isso tudo vem de outro lugar, vem da criação e dos hábitos de cada um, e ninguém vai desenvolver lendo o Mix ou ACapa, por mais politizados que eles queiram ser. O papel da mídia gay, enquanto mídia especializada, é cobrir as especificidades de seu universo. Política entra na mistura, sem dúvida, mas é só um dos assuntos a serem tratados. E tem que ser dosado, até mesmo por questões comerciais, afinal só militância não vende revista, não dá audiência a site, nem nada. Comportamento, noite, consumo, identidade, moda, lazer, saúde, aconselhamento jurídico, sexo, fofocas, assuntos úteis e fúteis, tudo isso é de interesse do público gay e é perfeitamente legítimo que ele procure essa informação. Temos que aceitar que algumas pessoas se interessarão por política e outras não, sejam elas homo, bi ou heterossexuais.
Você é formado em Direito. Acredita que os cursos de advocacia preparam os futuros profissionais a lidarem com a questão da homoafetividade? Bem, só posso falar pela USP, que foi onde estudei. Eu me formei em 2001 e, naquele tempo, o curso de graduação em Direito não dizia uma só palavra sobre o assunto, não tratava dessas problemáticas não contempladas pela lei. A repercussão nacional das decisões proferidas pela desembargadora Maria Berenice Dias no Rio Grande do Sul é posterior a essa época, não sei como o curso está agora. Parece que existe um grupo que promove discussões extraclasse sobre questões ligadas à diversidade sexual, no pátio da faculdade, com gente de outras áreas. Mesmo entidades de apoio aos advogados, como a OAB e a AASP, começaram a dar cursos sobre o assunto muito recentemente, coisa de dois anos para cá. Mas um bom curso de Direito prepara o advogado para pensar o ordenamento jurídico como um todo e encontrar soluções para os problemas com base nas leis já existentes. Buscar o reconhecimento de uma sociedade de fato, por exemplo, foi uma saída criativa para contornar a inexistência de uma união estável homossexual, e assim conseguir dividir o patrimônio dos casais que se separavam.
O que você acha da lei 10.948? Foi um grande passo dado aqui em São Paulo. É importante esse reconhecimento formal, por parte do legislador, de que a diversidade sexual precisa ser respeitada, isso tem um caráter educativo para o resto da sociedade. E a imposição de uma pena pecuniária (multa) não deixa de garantir à lei uma certa efetividade. Mas para estancar a homofobia de verdade, só mesmo atribuindo a esse tipo de comportamento uma sanção penal, coisa que somente a esfera federal tem competência para fazer. Por isso, a aprovação do PLC 122 é tão importante.
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quarta-feira, 20 de maio de 2009
Intervalo heterossexual
Muitas pessoas consideram este espaço um "blog gay", pelo simples fato de que essa é a minha orientação sexual, mesmo que eu não escreva o tempo todo sobre festa, boate e parada. Da mesma forma, vários dos blogs que frequento são feitos por caras gays como eu (alguns deles meus amigos na vida real, outros não). Às vezes, referem-se a nós como uma "blogosfera gay", como se fôssemos todos parte de uma onda coletiva. Chega a lembrar aqueles movimentos artísticos e escolas literárias, em torno dos quais críticos e professores aglutinam a produção cultural (não estou dizendo que sejamos artistas, escritores ou algo parecido, embora alguns possam ter essa pretensão).
Pois bem, por mais que goste dos meus colegas e também seja parte do mundjeeenho, às vezes me cansa flanar pela tal blogosfera gay e ter que ler trocentas visões dos mesmos assuntos. Aparece um vídeo viral engraçadinho (ou não), uma propaganda com leitura homofóbica, uma declaração polêmica de uma pessoa pública ou mesmo uma festa nova da buatchy, e lá vão os papagayos todos fazer currupaco em uníssono. É como se realmente existisse um maestro invisível fazendo o agenda setting da galera e ditando quais serão os assuntos relevantes do dia. E tome protesto contra os Doritos!
Por essas e outras, gosto de diversificar minhas leituras e respirar novos ares. E isso inclui alguns "blogs héteros" (já que somos rotulados como "blogs gays", imagino que o oposto também se aplique, ou não?). Muitos de nós se descobrem gays, sentem-se acolhidos pelo gueto e acabam limitando suas vivências (e amizades, e assuntos, e interesses) a um mundinho bastante pequeno. Nada contra: não acho que o gueto seja desabonador e tenho até uma certa preguiça desses caras (que um amigo chama de "bofes de soja") que torcem o nariz e dizem "estou fora do meio". Só acho que não precisamos limitar tanto os horizontes. Senão, sem nos dar conta, acabamos nos tornando heterofóbicos, prejulgando que eles são todos jecas, cafonas, chucros, só falam de futebol... e deixamos de conhecer pessoas muito legais.
Em outro post, já falei sobre o Manual do Cafajeste (que ainda leio, embora já não me encante mais tanto com os textos). Hoje, vou indicar outros dois blogs. O primeiro é o Papo de Homem, na verdade uma espécie de revista virtual produzida por uma equipe fixa e colaboradores eventuais. Como eles pretendem tratar de um amplo leque de temas de interesse do homem agatê, nem sempre os posts mais recentes agradam. Mas fuçando nos arquivos, achei algumas pérolas, como um texto genial, em duas partes (1 e 2), que tenta explicar por que algumas mulheres gostam de levar tapas na cara. O texto vai fundo no assunto (sem ser chato), disseca os tipos de tapa e seus contextos, e ainda traz dicas para os leitores interessados em introduzir a novidade em casa e apimentar a relação. Além de bem escrito e nada machista, o post é totalmente aproveitável em transas gays, que muitas vezes (nem sempre) funcionam segundo uma relação de poder e divisão de papéis similar.
Como nas revistas clássicas, existem as colunas de aconselhamento que prestam socorro aos leitores: Dr. Love, Dr. Health, Dr. Cook, Dr. Money e Ladies Room (escrita por um time de mulheres). Todas são muito úteis, mas claro que é a primeira coluna que rende os melhores momentos, como quando um leitor suspeita que está sendo traído e outro sonha em ver a mulher sendo impalada por um cara bem-dotado. As respostas são inteligentes, sem esculhambação, mas também sem deixar o bom humor de lado. O único deslize do Dr. Love - responder ao leitor que levava cheque da namorada que a chuca não era indicada - foi prontamente corrigido pelo colega Dr. Health nos comentários. Outros posts que valem o confere são o Grey's Anatomy brasileiro, levinho e divertido, e "Como deixar ousada até a mais santinha" (partes 1 e 2) - surpreenda-se com um texto nada óbvio ou vulgar, gostoso de ler e inspirador, mesmo que não totalmente aproveitável do lado de cá do arco-íris.
Por fim, outro blog hétero de que gosto muito é o Cretino Lover, obra de um criativo escritor carioca. Basicamente, são contos que descrevem histórias de sedução e conquista. O protagonista, alter ego do blogueiro, é o típico não-galã que precisa rebolar para garantir o seu filé. Em muitas histórias (mas não todas), ele começa a abordagem sem muitas chances, mas, com muito jogo de cintura e cara-de-pau, ele vai desarmando a presa, não desanima diante da resistência inicial, até que a ninfetinha-boazuda se encanta com o humor e a esperteza dele, baixa a guarda e ele papa o troféu (e aí vira conto erótico). Poderia ser um punhado de narrativas presunçosas e convencidas, mas o machismo porco dá lugar à inteligência, bom humor e uma fantástica presença de espírito - o cara é ágil e tem resposta pra tudo! Uma espécie de "malandro carioca do bem", um casanova antenado 2.0, um tipo que provavelmente não existe, mas rende ótimas histórias (como estas: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9). Você pega um post às vezes gigantesco, mas a leitura é ágil, flui tão bem que você não larga o osso até acabar. Nada como alguém nos lembrar que o tal jogo da conquista não precisa ser tão levado a sério, cheio de regras, e que o importante é se divertir sempre, até com os foras. A sorte também sorri para os anti-heróis.
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Thiago Lasco
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quarta-feira, 11 de março de 2009
Pra não dizer que não falei de selos
De alguns meses para cá, comecei a receber comentários de outros blogueiros dizendo que meu blog tinha recebido um selo e eu deveria "resgatá-lo". A brincadeira atende pelo nome de "meme": cada um que receber o tal selo deve indicar alguns blogs de que gosta (três, cinco, dez, depende do "meme") e seguir uma série de regras e instruções, que precisam ser coladas em um post e publicadas. Os blogueiros indicados colam o selo em seus blogs e repetem o procedimento, recomendando outros blogs, e assim a corrente segue adiante.
Pelo que entendi, o espírito da coisa é que cada um possa dar destaque aos colegas que admira; pelo "meme", os leitores seguem os links e acabam descobrido blogs novos, que não eram conhecidos (afinal, a rede tem um número interminável de blogs). Além disso, os selos que o blog vai recebendo e acumulando mostram que ele é reconhecido como bacana, servindo como uma espécie de prêmio que lustra o ego do blogueiro.
Apesar disso, tive várias razões para não aderir aos "memes", algumas bobas e outras mais sérias. Pra começar, sempre tive um certo bode de correntes e, por mais bonitinhos que os selos tentem ser, eles não deixam de poluir a página, como banners (anúncios). Além do mais, ao contrário do que acontece em outros blogs, aqui só são publicados textos escritos por mim, e não me agrada a idéia de começar a colar coisas de fora. Talvez um dia isso mude, mas por enquanto é essa a linha editorial que eu pretendo manter.
Outro motivo que considero relevante é o efeito colateral mais chato dos "memes": da mesma forma que estreitam o contato entre blogueiros, eles também geram animosidades e desafetos. As escolhas que você fizer para receber o selo invariavelmente vão melindrar outros blogueiros que esperavam ter sido citados (sobretudo por serem próximos a você), mas não contaram com sua indicação. Você pode não tê-los escolhido porque não admira os textos deles, mas também porque eles já têm exposição suficiente e você preferiu dar espaço a blogs menos divulgados. Mesmo assim, eles verão aquilo como um gongo e se magoarão por não terem sido reconhecidos.
E, acima de tudo, existe também o fator tempo. Com a rotina puxada que tenho, pra mim já é bastante difícil manter um ritmo de novos posts. Tenho pelo menos dez assuntos diferentes para desenvolver aqui, e não consigo. Se mal tenho tempo de atualizar o blog, que dirá passar uma corrente que me obriga a avisar dez indicados, conferir se cada um seguiu o "meme" corretamente etc. Prefiro usar o pouco tempo livre para escrever textos novos, ou tentar ficar em dia com meus blogs favoritos, que muitas vezes fico semanas sem visitar.
De qualquer maneira, fico muito grato por todos os meus colegas blogueiros que gostam dos meus textos e indicam o meu espaço. Mais do que receber selos ou visitas, o tipo de retorno que me importa, eu já recebo: comentários de ótimo nível (inteligentes, espirituosos, enriquecedores), novas amizades que surgem (no campo virtual e na vida real) e mesmo manifestações de carinho anônimas. Estou muito satisfeito com os frutos que venho colhendo com o blog. E outra: nada impede que eu use este espaço para indicar outros blogs, como já fiz várias vezes.
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Thiago Lasco
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Minutos de sabedoria cafajeste
Hétero pode dar conselho amoroso para gay? Diz a lenda que amigo gay é item de primeira necessidade para toda mulher moderna: além de parceirão na hora das compras, é um ombro fiel e ótimo conselheiro. Para o homem, o olhar sensível de um amigo do babado poderia ajudá-lo a entender a ‘alma feminina' de sua namorada. Mas e a via oposta: os héteros têm coisas a nos ensinar sobre relacionamentos? Muitos de nós acham que não: que construímos nossas relações dentro de valores muito peculiares e não temos nada a ver com "os caretas". Os militantes de plantão já têm até o discurso pronto: os homossexuais precisam parar de tentar se encaixar nos padrões sociais e morais da tal "sociedade heteronormativizada" e assumir que são diferentes.
Eu já vejo a coisa de outro modo. Acho que nós, homens gays, temos um pouco do homem e da mulher. Somos machos no melhor sentido da palavra: competimos entre si e exercitamos a conquista como machos, cortejando, cercando e abatendo nossas presas. Temos um tesão igualmente visual (só que torcemos nossos pescoços por braços fortes e braguilhas volumosas, não por seios e bumbuns roliços). E nossa necessidade de sexo nos leva a traçar, dispensar e rodar – igual a todos os homens. Por outro lado, também temos ideais românticos, fazemos projeções e criamos expectativas; queremos nos entregar nos braços de um macho que nos dê estabilidade emocional, e dirigimos a ele uma série de cobranças – como fazem as mulheres. Claro que nosso universo é permeado pelas referências da tal 'cultura gay' (que está cada vez mais pop; tem até personagem da Turma da Mônica falando pajubá!), mas ainda acho que, no fim das contas, as diferenças não são maiores do que as semelhanças. Como carregamos dentro de nós essa ambivalência, podemos nos identificar com eles e com elas.
Esse intróito nos leva a um blog que venho visitando já há algum tempo e vou recomendar hoje. Com dois anos de blogosfera, o Manual do Cafajeste é escrito por um rapaz hétero paulistano (não se sabe a idade dele, que preserva muito a própria identidade) e dirigido às mulheres. Ele se propõe a “ajudar as leitoras a compreender o universo masculino e ter mais sorte em futuros relacionamentos”, a partir de relatos de suas experiências pessoais (mas sem a pretensão de ser um guru). Com o crescente interesse das leitoras, surgiu a coluna “Pergunte ao Cafa”, que fornece matéria-prima para novos posts. Nada ali é voltado a nós – as poucas menções que ele faz aos gays não chegam a ser homofóbicas, mas demonstram que ele tem uma visão estereotipada do nosso universo e se basta com ela, não faz a menor questão de ir além.
Isso não significa que o universo do Cafa não tenha nada a nos oferecer. Os textos do blog são afiados, objetivos, diretos e, às vezes, bastante reveladores. Algumas histórias descrevem manias, creicices e vacilos tipicamente femininos (quando uma mulher resolve ser sem-noção, ninguém tira o troféu dela!), mas outras tratam de questões que são universais e também nos cercam. O eterno dilema entre se valorizar e se jogar no colo do outro. Maneiras sutis de sinalizar interesse sem ser over – ou dispensar o outro sem fazer sujeira. Os subterfúgios masculinos para conseguir sexo (e os femininos para conseguir atenção). O real significado de frases como “eu te ligo” e suas mensagens subliminares. Como se soltar na primeira transa, com alguém com quem você ainda não tem intimidade. Subsídios para ajudar a definir uma situação (sem ter que perguntar). O peso da química sexual e da afinidade no desenrolar de uma história. Como interpretar um sumiço, mesmo se a foda foi boa. A maneira como uma pessoa é remanejada no ranking pessoal da outra, conforme as oscilações da safra. A ansiedade que cria atitudes de cobrança e sabota as chances de dar certo. E por aí vai.
O grande trunfo do Cafa é falar sem rodeios ou hipocrisia. Muito franco, ele não tem papas na língua – afinal, a proposta é mostrar, sem disfarces, como os homens realmente pensam e agem. “Se a mulher é linda e inteligente, vira lanchinho (com possibilidade de virar namorada); se é linda e burra, vira piriguete; se é feia e inteligente, vira amiga; e se é feia e burra, melhor sumir”. Ficou perdido com os conceitos de lanchinho e piriguete? “A primeira é aquela pizza gostosa que você saboreia na hora e depois coloca na geladeira para quebrar seu galho nos outros dias, a segunda é uma batata frita do McDonald’s, tem que ser comida na hora, do contrário fica chocha e intragável”. Mais claro, impossível.
Como era de se esperar, os textos sinceros do Cafa provocam tudo, menos indiferença. É comum que um post receba mais de 200 comentários. Algumas leitoras se revoltam com o jeito "machista" como a mulher é retratada, mas a maioria aprova e saboreia o blog, porque enxerga nele a mais pura realidade, com bom humor. A explicação pode estar numa frase de Clarice Lispector citada pelo próprio blogueiro: "O que obviamente não presta sempre me interessou muito". Além de franco, o Cafa é politicamente incorreto e é isso que deixa seus posts mais saborosos. O sucesso é tanto que o Manual acaba de receber o prêmio Best Blogs Brazil nas categorias Universo Masculino e Sexo.
A leitura do Manual tem sido divertida e proveitosa para mim. Não sou adepto de fórmulas prontas, mas confesso que tive alguns insights que jogaram luz e deram novo sentido a situações que vivi no passado. Algumas das 'lições' são até bastante simples, o que mostra que às vezes acertar é bem mais fácil do que a gente pensa (é questão de bom senso, afinal). Mas o que eu achei mais positivo no blog foi a maneira como ele desconstrói o mito maniqueísta que a própria figura do cafajeste representa. O cafajeste não é uma pessoa má, mas um sujeito prático, que tem objetivos bem claros e os persegue em suas relações. Se é odiado por algumas pessoas que cruzam seu caminho, isso não acontece porque ele foi um mau caráter (esse é o canalha, não o cafajeste), mas porque não correspondeu às expectativas nele depositadas: de que o sexo tivesse uma continuidade, evoluísse para um namoro, enfim, virasse "história de amor". O cafajeste é uma projeção nossa; quando entendemos que somos nós que colocamos nele esse manto de vilão, podemos desmistificá-lo e passamos a nos ver livres da condição de vítimas.
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Thiago Lasco
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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Suicídios, pausas e recomeços
Último dia útil do ano, cidade deserta. Em meio a algumas dessas pendências menores que a gente sempre deixa para quando tiver tempo, resolvi dar uma atualizada nos links do meu blog. Na correria da minha rotina, acabo tendo pouco tempo para postar, e menos ainda para ler os blogs dos meus amigos e outros de que eu gosto. Se eu resolvesse lê-los todos os dias, não me sobraria tempo para trabalhar, nem estudar, nem fazer mais nada (o fato de a palavra "tempo" aparecer três vezes num parágrafo tolo como este não deixa dúvidas de que esse é um dos bens mais preciosos e raros da nossa vida moderna).
Nessa última ronda, o reencontro com os outros blogs me reservou algumas novidades. Depois de anos e anos de textos curtos e ácidos que todos pensávamos que seriam eternos, Sedotec resolveu pôr fim à sua existência blogueira. Leleo também escolheu a morte - totalmente pego de surpresa, só pude me despedir em um comentário póstumo. Jayminho entrou em crise: viu que só estava mostrando um lado de si e que talvez não fosse mais isso o que ele quisesse passar. Cris é outro que resolveu dar um tempo, que já dura quase dois meses (num namoro, um "tempo" desse tamanho sinaliza uma situação bastante preocupante). Tootsie não chegou a parar, mas, com a morte da mãe, também andou repensando sua relação com uma série de coisas. Entressafras...
Não dá para generalizar o que os blogs representam na vida de cada um. Cada blogueiro tem uma relação peculiar com seu espaço e cada blog desempenha um papel diferente. Para alguns, é uma distração bem descompromissada, com direito a nonsense, bobagens e fechação. Outros usam o blog como diário ou criam uma espécie de divã virtual, onde desabafam seus sonhos, anseios e neuroses. Tem quem escreva ensaios críticos, textos jornalísticos ou, diante das próprias limitações, se contente em fazer "clippings" pinçando o que foi escrito por outras pessoas em outros lugares.
Da mesma forma, cada um decide o quanto vai expor de si. Tem os que enxergam no blog uma plataforma de projeção pessoal, que agregue contatos reais ao seu círculo de amizades, abra oportunidades e promova a inserção num determinado ambiente social. Outros não mostram o rosto indiscriminadamente, mas não deixam de ser autênticos naquilo que escrevem, e acabam se expondo também: apenas filtram mais as pessoas de quem se aproximam. No outro extremo, estão os que criam uma persona blogueira, prendem-se a ela e não têm a menor pretensão de sair do virtual. Essa persona pode ser uma versão 'levemente botocada' do autor de carne e osso, ou uma verdadeira criação de laboratório, com tudo aquilo que o blogueiro quiser projetar nela. O que às vezes fica claro - a Lindinalva é uma personagem escancarada - e outras não.
O lance é que os leitores vão se relacionar com aquele que lhes for apresentado, seja real ou irreal. E, com a freqüência das visitas, tal como quem segue uma novela, não é raro que acabem se afeiçoando com o blogueiro. Mesmo sem nunca tê-lo visto, depois de ler tantos posts, de partilhar tantas coisas daquele universo ali colocado, eles têm a impressão de que já o conhecem. Identificam-se com ele, torcem por ele, querem saber mais, chegam a sentir falta do contato. É uma espécie de cumplicidade silenciosa. E que não deixa de ser um vínculo afetivo, ainda que unilateral.
No entanto, quando a persona é fabricada, mantê-la por muito tempo torna-se cansativo, incômodo, desconfortável. Toda encenação perde a graça. E, com a vontade cada vez maior dos leitores mais curiosos de se aproximar, o cerco pode ir se fechando para o blogueiro. Até que chega o dia em que ele resolve colocar fim à brincadeira. Para ele, simples personagem, nada mais fácil do que dizer: fim. Para quem está do outro lado, no entanto, essa morte pode não ser tão indolor. Guardadas as proporções devidas, é uma perda, com direito a sentimento de luto. Eu vivi isso recentemente, com o suicídio de um dos blogs que eu seguia, e que me deixou triste. Depois, alguns colegas blogueiros me cantaram a bola: aquele provavelmente era um blog fake. Acho que nunca saberei a verdade. Mas ficou algo para pensar: a ambigüidade do espaço virtual, que consegue criar sentimentos tão reais e, ao mesmo tempo, pode se desfazer com um simples clique no mouse.
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Thiago Lasco
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1:49 PM
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Marcadores: blogs, comportamento
domingo, 21 de setembro de 2008
@ leitores do blog: Oi?
Mais uma semana de provas na faculdade, mais uma vez sem tempo para coisas elementares do dia-a-dia, como ir à academia e atualizar o blog. Não consegui nem revelar as fotos da Europa (e olha que já faz um tempo que eu cheguei). Nessas de deixar todo o resto de lado, às vezes a gente acaba perdendo o bonde. E foi essa a sensação que eu tive, no sábado passado, ao jantar com a cariocada que tinha vindo ferver na festa da TW.
O primeiro sinal de estranhamento, eu tive quando percebi que, de cada cinco palavras emitidas pelo grupo, uma era "oi?". Tipo, eles pegaram o bordão do Te Dou Um Dado? e passaram a encaixar em toda e qualquer frase emitida, ainda que o resultado não faça o menor sentido (será que Didi e Polly estão orgulhosos?). Mas a constatação definitiva de que eu não pertencia mais ao mesmo planeta veio quando eu soube que era o único da mesa que não tinha me associado ao Twitter (oi?).
Temendo estar de fora de alguma grande e nova revolução cultural, tratei de correr atrás do prejuízo e descobrir o que era aquilo, de que se tratava, se podia pedir com limão etc. Abri o meu também - depois de fotolog, flickr, orkut, gaydar e afins, RA da faculdade, redeshop, PIN do cartão de crédito e o escambau, mais um login e senha na minha vida.
Mas confesso que ainda não entendi o hype. Para quem gosta de usar alguns parágrafos para expor uma idéia, dizer tudo em 140 toques é babado, como diria meu best friend. Até encarei essa parte da limitação de caracteres como desafio, um treino para ser mais objetivo (o jornalista sempre tem que adequar o texto ao espaço que lhe é dado). Mas ainda não vi nenhuma graça ali. Aquele monte de gente escrevendo uma linha sobre qualquer coisa desconexa, fulano recebendo uma linha que beltrano escreveu em resposta à linha de sicrano, que fulano nem conhece... me pareceu bobo, boring, sem propósito. Vou dar uns dois meses para ver se bate alguma onda. Se eu não sentir nada, acho que vou cometer o meu primeiro suicídio virtual.
Postado por
Thiago Lasco
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3:27 PM
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Marcadores: blogs, introspective
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
A marca dos cem mil
Eu já disse antes que o tamanho da minha audiência nunca foi uma preocupação que afetasse os rumos do blog. Confesso que já esquentei a cabeça com a extensão dos meus posts ("a internet é para ser jogo rápido", dizem por aí), mas hoje sinto que boa parte dos meus leitores já chega aqui sabendo o que vai encontrar - e se eles insistem em voltar, é porque gostam dos meus textos do jeito que são.
Mesmo achando a questão dos números bastante secundária, penso que hoje ela não merece passar em branco. Este blog acaba de passar das 100.000 visitas, uma marca que considero bastante significativa. Ela faz com que eu me sinta cada vez mais conectado com os meus leitores, por mais invisíveis que eles sejam: agora sei que não estou aqui falando sozinho, já que qualquer coisa que eu escreva será lida por um certo número de pessoas (mesmo que não gere comentários).
Hoje em dia, eu até tento me disciplinar mais para não deixar o blog muito tempo sem atualizações. Mas a decisão de escrever um post novo ainda depende de eu estar inspirado (e ter o tempo livre necessário). Não me sinto obrigado a dar meu pitaco sobre todos os temas do dia (alguém ainda agüenta ler/escrever sobre o drama dos ingressos para o show da Madonna???), muito menos tecer opiniões sobre assuntos "não-fúteis" - o que também não significa que eu não possa enveredar por questões mais sérias de vez em quando. A única regra é escrever por prazer.
E os visitantes chegam pelos mais diferentes motivos. Vários já são "fregueses" da casa (agradecemos a preferência!), mas tem um monte de gente que cai aqui porque estava procurando algo no Google. O assunto que mais atrai leitores para cá é, de longe, Buenos Aires - pelo visto, os meus posts sobre a capital argentina transformaram meu blog em constante fonte de referência e consulta sobre lojas, restaurantes e baladas de lá. Depois, vêm pesquisas relacionadas a restaurantes em São Paulo, risotos, o Carnaval "off" do Rio e clubes e festas eletrônicas/gays em geral.
O mais engraçado, porém, é quando a pesquisa por determinada palavra-chave traz para cá consultas que fogem totalmente dos assuntos do blog. Dia desses, caiu de pára-quedas aqui uma leitora atrás de Napoleão Bonaparte (meu blog não deve ter resolvido o problema dela, mas pelo menos ela disse que se divertiu com o que leu). Outras buscas recentes e esdrúxulas: "textos sobre o bem e o mal", "beijo na boca aos 7 anos", "escova progressiva", "super cavalgada sexo"... Isso sem falar em perguntas inteiras como "vou casar apenas no civil em fevereiro de 2009, gostaria de fazer um almoço ou jantar elegante, o que fazer?", ou ainda, "se você deixar o carro no ponto morto ao invés de descer ele sobe" (?!).
A repercussão dos posts também me surpreende, às vezes para mais, outras para menos. O post mais comentado da história deste blog, até hoje, foi o dos meus 30 anos, que até agora recebeu 50 comentários; depois deste, vêm Esqueçam tudo o que eu defendia aqui (com 39), Dez anos de cha-cha-cha (31), Parada Gay SP 2008 (31), Dez anos de beijo na boca (29), Te Dou Um Dado? (30), The Week Rio (27), sargento Laci (27), Porto Alegre (27) e Megga Fun (25).
Nos comentários, muitos leitores me dirigem dúvidas ou perguntas, mas esquecem de deixar uma forma de contato para que eu lhes responda (por exemplo, tenho um fiel leitor de Salvador que vive perguntando quando voltarei à cidade; agora que estou com a viagem iminente, não tenho como avisá-lo). Vários possuem perfil no Blogger, mas não se dão conta de que deixaram o perfil invisível e/ou sem dados, o que também impede que eu lhes dê um retorno.
A novidade é que agora este blog tem uma comunidade no Orkut. A iniciativa foi presente de um leitor que também é meu amigo pessoal e muito querido. Não tenho o hábito de participar ativamente de comunidades do Orkut (nem costumo aceitar os convites que recebo), mas desta vez vou abrir uma exceção. Será uma chance de saber um pouco mais sobre quem me lê e manter um canal de comunicação e discussão fora do espaço deste blog. Sejam bem-vindos!
Postado por
Thiago Lasco
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1:23 AM
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Marcadores: blogs, introspective


